domingo, 6 de dezembro de 2009

O VÓRTICE DAS NEGOCIAÇÕES

Começa a ser inegável algum desconforto dos professores face às negociações que estão a decorrer entre o Ministério da Educação e os sindicatos.

Apresentada como "jóia da coroa", repleta de sorriso - tentando fazer esquecer o lado macambúzio e arrogante da sua antecessora -, a ministra da Educação, Isabel Alçada, teve o mérito de, "sem poder", exercer o seu poder de sedução.

Os dirigentes sindicais pareceram derretidos como manteiga perante a aura de simpatia - genuína ou fabricada - e deixaram-no transparecer nas primeiras declarações públicas.

Deste modo, os mais atentos cedo perceberam que a força da razão e a determinação dos negociadores começava a periclitar, criado que estava um ambiente propício para fazer perdurar aquilo de que os dirigentes sindicais necessitam: mostrar que existem e são necessários (factos indiscutíveis) e os únicos interlocutores dos professores (facto discutível, na medida em que muitos dos nossos sindicatos se regem por calendários contaminados pelo interesse da própria organização e de estruturas de carácter partidário).

Faltará a muitos dirigentes o trabalho quotidiano na escola, na sala de aula, no convívio com os professores e com os alunos, no trato com directores e com encarregados de educação, o cumprimento de horários na escola, a preparação e execução do processo de ensino-aprendizagem, o desempenho de uma série de tarefas burocráticas, e, a agravar tudo isto, a indefinição na avaliação de desempenho e a falta de perspectivas de uma carreira digna.

Nem se põe em causa que o trabalho sindical ao mais alto nível exija uma dedicação total e exclusiva. Apenas se pede aos dirigentes sindicais, a cuja lei faculta a representação dos professores à mesa das negociações, lisura total e que saibam estar à altura do que é essencial: defender, de facto e no processo, os professores.

Finalmente, quanto às tiradas insistentes do governo e do ministério na manutenção de quotas, por nítidas razões economicistas, impedindo os docentes de ascenderem ao topo da carreira, os professores não aceitarão continuar a ser o principal alvo e o bode expiatório para diminuição do défice, quando a sociedade assiste a "espectáculos" como o do BPN e todos os casos públicos de corrupção, que, infelizmente, por causa de uma justiça à portuguesa, não se resolvem de forma atempada. Se há grave défice público, devem os responsáveis políticos gerir melhor o dinheiro dos contribuintes, não inventando ou dando emprego a “boys” remunerados com chorudos ordenados em cargos e empresas públicas.

8 comentários:

JP disse...

Meu caro colega,
este texto está cheio de lugares comuns que pouco acrescentam à discussão.

Por partes - a Ministra aparece pouco, não é desagradável como era a anterior e não vejo nisso um problema, antes pelo contrário.
Depois, que essa atitude se traduza em reuniões cordiais, civilizadas, democráticas, também me parece uma vantagem.

Depois, os sindicatos, esse enorme cavalo de batalha que alguns tentam SEMPRE deitar abaixo... nenhuma das suas palavras prova o que pretende dizer... em nenhum momento vi a FENPROF a deixar-se seduzir, antes pelo contrário: visitando os nossos sites pode ver de forma muito clara que estamos longe, muito longe, de qualquer entendimento. E daí o aparecimento do dia 19 de Janeiro.

Depois, ainda e sempre, a questão da representatividade: quem queria que estivesse na mesa das negociações: os "titulares dos movimentos"? Estaremos, ambos de acordo que não - como diz, até formalmente quem nos representa são os sindicatos. Mas, pretendia que fosse de outro modo? Como?

Quanto à necessidade de os dirigentes "a tempo inteiro", creio que estamos de acordo, são uma exigência. Claro que sim.
Que devem estar perto do terreno, ouvir os professores? Pois claro, umas vez mais, outras menos. Umas vezes pior, mas outras melhores, conhece algum professor que tenha querido fala com algum dos nossos coordenadores e não tenha conseguido?
Tem ideia quantas reuniões os sindicatos da FENPROF fazem todos os períodos junto das escolas?

Creio que podemos avançar aqui com um debate interessante, mas sem PRÉ-conceitos.

João Paulo
SPNorte
(Membro do Conselho Nacional da FENPROF)

Anónimo disse...

Pois eu acho que são textos como este que mostram o que se vai sentindo do lado de cá.

João Norte disse...

É preciso que os sindicastos, os movimentos ou qualquer outra organização não se deixem levar em querelas porque a guerra que vai ser dura é com o governo. f

Anónimo disse...

Meu caro João Paulo
Não penso que este texto esteja assim tão desadequado daquilo que todos nós professores sentimos, eu própria já fui " entalada" pelos sindicatos, no entanto, reconheço que talvez tentem fazer o seu melhor, mas poderão ainda fazer muito melhor se não se subjugarem a interesses particulares.Entreguei o meu cartão sim, pois muitas vezes não me senti representada, já esqueci a assinatura do memorando- já. No entanto dificilmente terão novamente a minha quota, continuo a lutar sim, mas por favor representem todos os professores ok.

celeste caleiro disse...

Volto a insistir: os sindicatos somos nós todos. E nas reuniões sindicais, na escola, ninguém aparece!Têm que dar as aulas... Querem o quê? Milagres? Cada vez mais admiro os sindicalistas.Eu cá já tinha desistido! As pessoas querem muita coisa, mas nada fazem por isso. É mais fácil criticar quando corre menos bem...Os sindicalizados que paguem!Os outros aproveitam quando corre bem, não é? Digam lá que não há aqui muito egoísmo? Por isso é que estamos como estamos e há quem se aproveite .
Pensem nisso e mantenhamo-nos unidos.

Pedro Melo disse...

O seu grande mal (do qual não onsegue libertar-se), caro Ilídio Trindade, é o seu discurso nitidamente anti-sindical! Acha que isso ajuda a luta dos professores?

Pedro Martins disse...

Uma coisa é certa: os dirigentes sindicais deixaram de andar de mãos soltas para assinarem mais memorandos. Honra seja feita aos movimentos pois fazem um trabalho de "grilo do Pinóquio" muito bem feito. Quanto ao JP eu respondo-lhe de caras: por mim, não tenho dúvida que os "titulares dos movimentos" (depois digam que eles é que são anti) representariam bem melhor a classe na mesa negocial do que certos dirigentes sindicais que já não sabem fazer outra coisa e não percebem nada do que se passa nas escolas. Então não é o líder da FENPROF que já veio dizer à boca cheia que "não é admíssivel que todos cheguem ao topo da carreira"?! É mentira isto caro JP? Desminta se for capaz. Está publicado na imprensa como citação directa! Com amigos destes...
Isto para não falar da oligarquia em que se transformaram os sindicatos, onde só mandam os filiados em certos partidos políticos. É uma vergonha a forma como os sindicatos estão contaminados e infiltrados pelos partidos. Claro que para eles isto são "lugares comuns". Dá muito jeito usar a expressão "lugares comuns" para tentar fugir com o rabo à seringa, mas os professores não são parvos, sabem muito bem ler nas entrelinhas.
Obrigado caro Ilídio Trindade, obrigado aos colegas dos movimentos, e não deixem de fazer o vosso trabalho de denúncia e pressão sobre tudo aquilo que consideram errado.

Anónimo disse...

Celeste Caleiro,

Nesta quadra natalícia é fixe perceber que ainda há quem acredite no Pai Natal. E depois ele pegou na menina, no ursinho e no palhaço e foram todos ao circo. A história não é bem assim, mas eu tenho desculpa porque já não vou em contos de Natal.
A verdade Celeste, é que é também por causa de colegas como você que esta porcaria está como está, gente crédula que acha que os "sindicatos somos todos nós". Esta tirada é hilária e confrangedora de tão estupidamente ingénua. Os sindicatos (são úteis, os dirigentes é que dão cabo deles) são a malta do PC e do BE (e alguns do PS) e o resto é paleio e conversa para enganar o pagode. A Celeste está a leste, completamente a leste. Mas deixo-lhe uma dica: tente organizar uma lista para a direcção do seu sindicato e depois disso venha dizer-me outra vez que os "sindicatos somos todos nós". Até me dá vómitos ler uma barbaridade dessas. Mas tenho a certeza que o JP teve um orgasmo, pois essa é exactamente a cartilha que eles querem que o povo engula e espalhe aos 4 ventos. Aliás até deixava aqui um desafio: qual é a FILIAÇÃO partidária dos membros dos orgãos de cúpula e daqueles que verdadeiramente tomam as decisões nos sindicatos? Claro que conseguem perfeitamente separar o sindicato do partido, não é? Claro, claro que sim. E o Pai Natal, a menina, o ursinho e o palhaço foram felizes para sempre.

Desde 01-01-2009


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