segunda-feira, 31 de agosto de 2009

NOVO LIVRO DE SANTANA CASTILHO: UM CONTRIBUTO IMPORTANTE

Um novo livro de Santana Castilho, um dos maiores especialistas portugueses na área da Educação, será lançado no dia 17 de Setembro, às 18.00 h, em Lisboa.

São 320 páginas de contributo importante para o enterro dos responsáveis pelas patifarias na educação e, ao mesmo tempo, uma homenagem aos que souberam manter a coluna direita.

Aqui se publica a capa, a dedicatória e a introdução.



Às Professoras e aos Professores que não vergaram,
que não empenharam a sua dignidade profissional nem venderam a
sua independência intelectual.


Introdução

A quem não se aliste num partido sobram poucas variantes de intervenção política. A escrita é uma delas. Ao “Público”, meu jornal diário desde que nasceu, devo o privilégio de poder sujeitar ao juízo exigente dos seus leitores artigos de análise de política de Educação.
Há oito anos que escrevo no “Público”, de forma sistemática, mesmo sem interrupção durante as férias. Ora estava eu justamente posto em sossego, durante férias que não quis, quando a “Pedago” me manifestou interesse em dar forma de livro às minhas crónicas.
Fará sentido verter para papel de livro o que se escreveu em papel de jornal?
Uma crónica de jornal reflecte o espírito dum tempo e o modo como o autor o leu. Sucumbe com o jornal, sarcófago das emoções do cronista, na voracidade do dia seguinte. O livro perdura, vence o tempo e permite uma leitura conjunta do que foi atirado ao vento. Penso que há tempos que, para não serem esquecidos, porque não devem ser esquecidos, justificam que se fixe em livro o que se escreveu para jornal. O leitor desta colectânea dirá se tenho razão.
O tempo a que me referi foi o critério que delimitou o período para colectar as crónicas: são as escritas durante a vida do actual Governo. O seu conjunto tem um fio condutor e uma unidade de pensamento: a minha oposição, desde o primeiro momento, às políticas de José Sócrates, para a Educação, e não só. Muitas das razões estão bem expressas nos próprios textos. Outras poderão, um dia, vir a lume.
Os textos aparecem sob a versão original, apenas poupados a uma ou outra gralha que, desta feita, não escaparam, e estão organizados segundo a cronologia da publicação. Pensei contextualizar, em notas de rodapé, referências implícitas a factos políticos da altura em que foram escritos e que hoje podem prejudicar a percepção de algumas significâncias por parte dos menos atentos á política. Mas acabei desistindo porque me pareceu serem interrupções de leitura, indesejáveis em textos curtos.
Para além de apresentar o volume, esta introdução quer exprimir agradecimentos. Ao Nuno Pacheco, um grande jornalista. Aos leitores, particularmente aos que me escreveram. De entre estes, àqueles que, sendo professores, me disseram coisas que guardo no coração.

Santana Castilho

OLHA P'RA ELA!

Caro saiu ao País o atraso que provocou no ensino/escola pública, o confronto com os professores, os subsídios albinos e o ordenado que recebeu durante estes quatro anos.



Entrevista
“Paz com professores vai sair muito cara ao país”
Maria de Lurdes Rodrigues diz que a oposição erra ao tentar “comprar a paz com os professores”.

Durante toda a entrevista, Maria de Lurdes Rodrigues manteve a determinação que lhe é reconhecida e que os opositores, nomeadamente os sindicatos, caracterizam de teimosia. A ministra da Educação fez o balanço do mandato e respondeu aos críticos dentro do PS. Quanto às promessas da oposição, avisa: "Estão a comprar a paz com os professores por um preço que o país não pode pagar".

O PSD já disse que se vencer as eleições vai deitar abaixo algumas das suas principais reformas...

Já vimos muitas coisas voltar atrás, com efeitos muito negativos para o país. Procurei conduzir a política educativa ao longo destes quatro anos valorizando e potenciando a herança que recebi. Podíamos simplesmente ter destruído a introdução dos exames no 9º ano, decidida pelo governo anterior. Mas considerámos que era muito importante não ter hesitações nessa matéria. Houve, nos últimos anos, decisões muito importantes de outros executivos que foram decisivas para algumas realizações deste mandato. Se a atitude for "vamos ver o que é que eu consigo destruir do que o meu antecessor fez", isso é muitíssimo negativo e certamente prejudica o sistema educativo que, ainda por cima, tem na memória muitos traços dessas hesitações. Procurei imprimir uma orientação de total respeito pelas heranças que recebi, colocar o interesse do país, dos jovens e das famílias acima de qualquer outro interesse e continuar o caminho daquilo que são grandes consensos.

In Diário Económico.

QUEM VOTA EM SÓCRATES?


(Recebido por e-mail, sem indicação da fonte)

PALAVRAS DE ONTEM... ACTUALIDADES DE HOJE. AGRAVADAS!

AS NÓDOAS QUE O VÃO PERSEGUIR..

domingo, 30 de agosto de 2009

CADERNO DE ENCARGOS EDUCAÇÃO NO PROGRAMA DO CDS-PP

São dez páginas (73-83) sobre Educação, com críticas, respostas e caderno de encargos.

CADERNO DE ENCARGOS EDUCAÇÃO (págs 82-83):

1. Reforço da autonomia das escolas e dos contratos de autonomia.

2. Alargamento do conceito de autonomia das áreas pedagógicas, de contratação de professores, gestão de espaços e património e ligação à comunidade, nomeadamente às empresas, dentro de balizas gerais comuns.

3. Avaliação objectiva das escolas, dos programas e dos manuais.

4. Avaliação dos professores inspirada no modelo em vigor no Ensino Particular e Cooperativo.

5. Revisão do Estatuto da Carreira Docente, com base na proposta por nós já apresentada, terminando com a distinção injusta entre professores e professores titulares.

6. Introdução gradual de exames no final de cada ciclo escolar.

7. Revisão do Estatuto do Aluno baseada numa cultura de assiduidade, disciplina e esforço e mérito.

8. Objectivação, transparência e rigor no sistema de produção dos exames nacionais, que deve basear-se no sistema de “banco de perguntas”, testado com a colaboração das sociedades científicas e profissionais.

9. Aposta nos percursos diferenciados no ensino secundário e na ligação às necessidades do mercado.

10. Alargamento de cobertura de oferta pré-escolar a partir dos 3 anos.

Todo o programa do CDS-PP aqui.

O DIA DO JULGAMENTO

Este é um texto do Crivo, apelando à responsabilidade de cada professor no contributo para a derrota do PS nas eleições legislativas, como forma de estancar as políticas arrogantes e destrutivas de quatro anos da governação deste socialismo desfigurado.


Colegas,

Aproxima-se mais um ano lectivo. Contudo, atentos ao passado recente que temos vivido no exercício da nossa profissão, recordados das condições de trabalho e cientes do dever de avaliar, este não pode, não será certamente mais um ano lectivo.

2009/2010 é o ano lectivo que o PS jamais esquecerá!

2009/2010 ficará para a História de Portugal, e para qualquer Governo recordar, como o ano da força de uma classe, capaz de colocar no olho da rua os tiranos que a maltratam.

2009/2010 jamais será como foram estes anos de constante humilhação, de permanente achincalhamento, de reiterada ofensa ao trabalho dos Professores em Portugal.

Haja dignidade!

O negócio do PTE é uma mega fraude! É o maior embuste de despesa a que assisti nas escolas, num desperdiçar sem regras nem freio, uma negociata como muitas das que o Governo fez, faz e quer fazer.

Sócrates é hoje um Português Suave, mas o exemplo máximo do fingimento, da estratégia traiçoeira.

Maria de Lurdes Rodrigues tem um discurso de vitória, de objectivos cumpridos, para servir a propaganda PS, e num cinismo inquantificável, apregoa que os resultados obtidos são-no graças ao trabalho dos professores. É abominável tanta hipocrisia! OS PROFESSORES NÃO SÃO RESPONSÁVEIS POR TANTA LEVIANDADE NA EDUCAÇÃO.

A melhoria dos resultados escolares, na generalidade, e a redução das taxas de retenção e de abandono são o paradigma da arte de enganar, a pior forma de mentir ao país e de hipotecar a Nação.

Por tudo, os professores, cada um de nós, nestes dias que restam até ao DIA DO JULGAMENTO da política deste funesto (des-) Governo, custe o que custar, deve olhar o futuro com garra e envolver-se activamente, se hesitar, nas acções seguintes:
    · Participar no dia 12 DE SETEMBRO, na MANIFESTAÇÃO NACIONAL DOS PROFESSORES, em frente à ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA;
    · Empenhar-se, por todos os meios, na acção de desmascarar o Governo Hipócrita e Funesto de Sócrates;
    · Envolver-se na campanha "Vota à esquerda, vota à direita, mas NÃO VOTES PS";
    · Mobilizar-se e mobilizar todos os que lhe são próximos para no dia 27 de Setembro dizermos: - PS, Nunca Mais!
Não nos podemos deixar enganar pelo engodo desta gente que nos maltratou e que, agora, atira isco para nos prender ao voto.


A RESPONSABILIDADE É TUA!

PROFESSORES VOLTAM À RUA

Legislativas
Professores na rua durante a campanha eleitoral



Associações independentes de professores preparam uma série iniciativas "contra o PS de Sócrates" logo no arranque da campanha eleitoral. Sindicatos preferem esperar pelo novo Governo para exigirem renegociação do estatuto.

As eleições legislativas de 27 de Setembro estão a ser preparadas em pormenor... pelos movimentos de professores, que voltam às ruas logo no arranque da campanha eleitoral, no dia 12. Já os sindicatos parecem preferir esperar pelo resultado da votação para definir estratégias.

Empolgados pela iniciativa "Compromisso pela Educação"- em que obtiveram garantias de toda a oposição sobre a revisão de aspectos como a avaliação e a divisão das carreiras -, os movimentos prometem acções "originais", assumidamente de ataque às políticas do Governo de José Sócrates.

Dois grupos - a Associação de Professores em Defesa da Educação (APEDE) e o PROmova - estão a debater entre si a realização de acções capazes de ter "impacto" na opinião pública.

"Ainda não posso revelar qual será exactamente a natureza dessa acção", disse ao DN Octávio Gonçalves, do PROmova, desvendando apenas: "O nosso objectivo é fazer algo mais inovador do que uma manifestação, com um carácter mais informativo e apelativo."

Já Ricardo Silva da APEDE acrescentou: "O que posso dizer é que estaremos na rua, provavelmente tanto no dia 12 como 19, e até pode ser que se realizem acções simultâneas em vários locais de Lisboa."

A justificação das acções de rua em período pré-eleitoral, assumiu, é não só "apelar ao voto contra este PS, de José Sócrates", como pressionar os restantes partidos "para que estes reforcem os compromissos assumidos" em relação às políticas educativas.

'Manif' no dia 12

Ambos os movimentos estão ainda a ponderar a participação numa manifestação convocada também para 12 de Setembro pela Força Emergente, uma associação cívica com fins políticos que se notabilizou por se ter constituído assistente no caso Freeport e ter enviado uma carta ao primeiro-ministro exigindo a sua demissão.

Confirmada está a participação do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP). "É uma manifestação que integra várias forças sociais, vários movimentos cívicos, não apenas de professores", descreveu Ilídio Trindade, do MUP. "Haverá certamente outro tipo de iniciativas em que vamos participar, mas estamos ainda num período de regresso de férias e só as devemos debater na próxima semana."

O regresso à via judicial - para suspender o mais depressa possível o 'simplex' da avaliação - também está a ser ponderado por outros grupos de professores (ver caixa).

Fora destas lutas, pelo menos no futuro próximo, parecem estar os sindicatos de professores: "Não nos parece fazer muito sentido estar a contestar um Governo que vai sair e outro que ainda não se sabe qual é", explicou Lucinda Manuela, da Federação Nacional da Educação (FNE). "Mas logo que seja conhecido o próximo Governo, iremos pedir a abertura de um novo processo negocial para rever o estatuto da carreira."

In Diário de Notícias.

sábado, 29 de agosto de 2009

12 DE SETEMBRO, MANIFESTAÇÃO EM FRENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

O MUP lançou, em inícios de Junho, o repto de uma manifestação de professores que pudesse contribuir para derrotar este PS nas eleições legislativas de 27 de Setembro, como forma de estancar as nefastas políticas educativas e a diablização dos professores feita pelos responsáveis do Ministério da Educação e do seu chefe de Governo.

No dia 1 de Julho, tendo em conta o calendário eleitoral, foi proposta a data de 12 de Setembro para a realização dessa manifestação.

Entretanto, outras forças cívicas, sociais e profissionais foram manifestando o seu apoio a esta acção, demonstrando igual repúdio face à prepotência deste governo e desejando contribuir para que se alcancem os objectivos dessa manifestação: derrotar este PS.

Assim, no dia 12 de Setembro, às 15:00 h, haverá uma grande manifestação de repúdio contra este PS, em frente da Assembleia da República, lugar simbólico da democracia (em muitos aspectos, moribunda) e onde se decide a vida do País.

Os professores estarão presentes para expressar claramente ao actual PS que não voltarão a cair no engodo de há quatro anos e que não esquecem o afrontamento do primeiro-ministro e da ministra da Educação, a sua teimosia e as suas desastrosas políticas que contribuíram para o fim da democracia nas escolas, para a degradação da qualidade do ensino e para a desmotivação dos professores.

PROFESSORES DE LEIRIA TEMEM REPRESÁLIAS

Professores da escola de Leiria temem represálias
Novo director gera clima de mal-estar na Domingos Sequeira

O novo director da Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria, está a ser alvo de contestação da arte de vários professores e representantes da associação de pais do estabelecimento de ensino, que se manifestam indignados, sobretudo, com o facto de ter reconduzido os elementos da Comissão Administrativa Provisória. Joaquim Silva é acusado de ter instalado um clima de mal-estar e desconfiança na escola, devido às suas “reacções intempestivas” quando confrontado com críticas.

O JORNAL DE LEIRIA teve acesso a duas actas onde essa insatisfação está expressa e ouviu várias pessoas sobre o assunto, que preferiram manter o anonimato, com receio de represálias.

Na reunião do Conselho Geral Transitório (CGT), de 15 de Julho, José Monteiro, elemento representativo dos professores, acusou o director de ter “defraudado as expectativas” ao reconduzir a equipa que estava em funções anteriormente.

“No seu programa, o então candidato Joaquim Silva propôs-se implementar uma gestão de mudança e escolher uma equipa dotada de capacidade de relacionamento humano. No decurso da entrevista realizada pela comissão especializada do CGT, o Joaquim fartou-se de criticar, e em termos vigorosos, a gestão da professora Guida Alves”, lê-se na acta a que o JORNAL DE LEIRIA teve acesso.

Uma posição que contou com a solidariedade de outros docentes com representação no CGT e em que outros professores se revêem, embora prefirem não ser identificados por temerem ser prejudicados no processo de avaliação de desempenho, nos horários e na distribuição de serviço. Face às críticas de José Monteiro, o director reagiu de forma “intempestiva”, o que motivou uma intervenção de Domingos Carvalho, presidente da associação de pais, na reunião seguinte.

“Cada conselheiro tem de poder expressar a sua opinião livremente, sendo que qualquer análise feita, mesmo que discordante da opinião expressa, não dá o direito a comportamentos menos correctos. Referiu que o bem comum da escola deve ser sempre preservado com base no diálogo, não sendo aceitável que comportamentos agressivos interfiram na forma e na qualidade do relacionamento que sempre existiu neste órgão”, refere a acta.

CONSELHEIROS CHOCADOS

Em resposta às observações de diversos elementos do CGT, Joaquim Silva “lamentou a forma, na sua opinião, incorrecta como o assunto foi colocado” na reunião anterior e “terminou dizendo que essa comunicação ainda poderia ser motivo de instauração de um processo disciplinar”, o que foi contestado por alguns conselheiros, que se manifestaram “chocados”.
Domingos Carvalho considerou a situação “muito grave” e “ficou preocupado e chocado por a intervenção de um conselheiro poder vir a ser alvo de um procedimento deste tipo”. “Acrescentou ainda que os membros do CGT têm o dever de criticar o director sempre que ele não proceda correctamente.”

Confrontado pelo JORNAL DE LEIRIA, Joaquim Silva preferiu não se pronunciar por considerar que esse assunto é do foro interno da escola. “Não estou para alimentar polémicas. As pessoas têm todo o direito de dizerem o que quiserem. Vivemos num País democrático.” Mantém, contudo, a convicção que de fez bem em reconduzir a equipa anterior. Aliás, em declarações anteriores ao JORNAL DE LEIRIA, Joaquim Silva justificou essa decisão com a expressão “em equipa vencedora não se mexe”.

Alexandra Barata

In Jornal de Leiria, edição de 27 de Agosto de 2009

ÍNDICE DA ROUBALHEIRA

In Jornal de Notícias (destaques próprios).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ALGUNS RESULTADOS DO COMPROMISSO EDUCAÇÃO

O MUP, juntamente com outros movimentos de professores, empenhou-se fortemente no COMPROMISSO EDUCAÇÃO que teve como objectivo pressionar os partidos da oposição a apresentarem pública e claramente as suas políticas educativas e a inscrever nos seus programas eleitorais as principais reivindicações dos professores.

Os professores que votaram PS nas eleições anteriores começam a ter claras as alternativas que podem possibilitar o fim da prepotência de um primeiro-ministro, de uma equipa ministerial e das suas nefastas políticas educativas que não só desqualificaram a escola pública como a classe docente portuguesa.

Tal como acontece com os programas do BE e do PCP (falta-nos ainda conhecer o texto do CDS/PP), o Programa de Educação do PSD, agora conhecido, vem de encontro às principais reivindicações dos professores, tornando-se mais uma alternativa válida ao renascer de alguma esperança alimentada por uma longa e penosa luta, especialmente nos últimos dois anos.

Em 27 de Setembro, votando à direita ou à esquerda, os professores (e muitos outros concidadãos) darão a resposta certa, ditando o fim deste PS desfigurado e transmutado na imagem de um líder com tiques tão típicos dos ditadores.

Esperemos que os partidos da actual oposição honrem os seus compromissos. Independentemente das cores e designações partidárias que assumirem funções governativas, os professores manter-se-ão vigilantes e cá estarão para continuar a lutar por uma escola pública de qualidade e por uma carreira docente digna da funções que lhe são próprias.

DEMOCRACIA LURDO-SOCIALISTA

Porque será?
Será porque a CONFAP é albina e a CNIPE mais transparente (pelo menos por enquanto)?
Será porque a CONFAP é uma agência socialista e a CNIPE uma verdadeira associação de pais?
Só se surpreende quem tem andado distraído. Rever esta entrada: CHORUDAS REMUNERAÇÕES RECEBIDAS DO ME
Viva a democracia socialista!


Apesar de sucessivos pedidos
Ministra da Educação recusa receber Confederação de Pais e Encarregados de Educação
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, recusa receber a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) “apesar dos repetidos pedidos”.

A Direcção da CNIPE foi eleita em Abril deste ano e a confederação, desde que foi legalmente criada há mais de um ano, já enviou seis pedidos para ser recebida no Ministério, todos sem resposta. Em comunicado, a CNIPE assume-se como “uma alternativa credível dentro do movimento associativo de pais à CONFAP”, que acusa de ser “demasiado próxima do Ministério da Educação, de quem recebe avultados apoios financeiros”.

Para a confederação liderada por Maria José Viseu, esta atitude do Ministério obriga a uma denúncia pública da “diferença de tratamento adoptada pelo Ministério da Educação em relação às duas confederações de pais, uma atitude que traduz a dualidade de princípios democráticos pelos quais se rege o Ministério da Educação”.

37 MIL NA SEGUNDA FASE DO CONCURSO

Educação
Cerca de 37 mil professores conseguem um lugar na segunda fase do concurso de colocação

As listas de colocação de professores serão hoje divulgadas no site do Ministério da Educação. Mas ontem, o secretário de Estado Valter Lemos já fez um ponto de situação: "Nesta segunda fase, foram colocados cerca de 37 mil professores", disse em conferência de imprensa, em Lisboa. Horas antes, o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) tinha lamentado que nesta altura, a poucos dias das aulas começarem, muitos docentes não saibam ainda onde vão estar a trabalhar.

[...]

Toda a notícia no Público.

HAVERÁ SALAS DISPONÍVEIS EM TODAS AS ESCOLAS?

Medida incluída no plano de contingência
Gripe A: escolas portuguesas vão ter salas de isolamento se necessário

As escolas portuguesas vão ter salas de isolamento em caso de surto de gripe A (H1N1), uma medida que faz parte do plano de contingência do Ministério da Educação e que foi hoje anunciada pela ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

[...]

Toda a notícia no Público

CONCURSO DE PROFESSORES: LIGAÇÕES ÚTEIS

CONCURSO DE PROFESSORES - LIGAÇÕES ÚTEIS:







CURSOS PROFISSIONAIS DA 5 DE OUTUBRO

Secundária Ginestal Machado rejeita matrículas por falta de vagas em curso profissional


A Escola Secundária Ginestal Machado, em Santarém, foi obrigada a recusar matrículas a alunos que pretendiam frequentar no próximo ano lectivo o curso profissional de técnico de gestão e programação de sistemas informáticos devido à falta de vagas para todos os interessados. O assunto foi levado à Assembleia da República pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, que questionou ainda o Ministério da Educação sobre o acompanhamento que está a dar ao assunto e como explica que não seja criada uma nova turma para acolher os alunos excluídos.

“Esta situação é tanto mais grave quanto esta escola é a única em Santarém a ministrar o curso em questão. Ao verem a sua matrícula recusada, os alunos ficam impedidos de seguir o seu percurso escolar na sua área de formação, por impossibilidade de frequentarem outra escola a uma distância razoável”, alega a deputada Ana Drago na pergunta enviada ao Ministério da Educação.

O MIRANTE tentou contactar o director da escola, mas tal não foi possível por se encontrar de férias. Mas fonte conhecedora do processo disse ao nosso jornal que a recusa de matrículas se deve ao facto de a Secundária Ginestal Machado não ter condições logísticas para criar mais de duas turmas ligadas ao ensino da informática. Refira-se que para além do curso em questão existe ainda o curso profissional de técnico de multimédia, que abre este ano.

Como existem limites à criação de novas turmas e o número de candidatos superou a oferta de vagas, a escola teve de fazer uma selecção de candidatos a integrar os cursos com recurso inclusivamente a entrevistas pessoais.

In O Mirante

PORTUGAL DESIGUAL

Por Carlos Fiolhais (in Público)

Agora que se aproximam eleições legislativas, vale a pena interrogarmo-nos sobre quais são os nossos principais problemas.

Agora que se aproximam eleições legislativas, vale a pena interrogarmo-nos sobre quais são os nossos principais problemas. Se o fizermos, será inevitável a conclusão de que uma das questões que mais nos devem preocupar é a enorme disparidade de rendimentos que persiste entre os mais ricos e os mais pobres. Somos um país de enormes contrastes sociais e há fortes indícios de que a recente crise económica internacional (que se soma à crónica crise nacional) veio aumentar ainda mais o desnível entre os grupos sociais com mais e menos rendimentos.

Um livro recente publicado na Grã-Bretanha - The Spirit Level: Why More Equal Societies Almost Always Do Better (Allen Lane, 2009), de Richard Wilkinson e Kate Pickett, epidemiologistas das universidades de Nottingham e de York, respectivamente - veio chamar a atenção para a relevância desse indicador. Dentro de um grupo de 20 países desenvolvidos, Portugal aparece no topo da escala da desigualdade, entre o Reino Unido e os Estados Unidos (neste último, a desigualdade social ainda é maior do que entre nós, mostrando que se pode ser um país rico e, ao mesmo tempo, ter a riqueza distribuída de uma forma muito assimétrica). Do outro lado, no fundo da escala da desigualdade, encontram-se o Japão e os países nórdicos, como a Suécia e a Noruega. Não há, porém, razões para estarmos satisfeitos com a companhia em que estamos. Aqueles autores, baseados num cuidadoso estudo estatístico de uma série de índices, chamam a atenção para o facto de ser nos países onde há maior desigualdade de rendimentos que há também mais problemas sociais e de saúde, designadamente maiores taxas de criminalidade, de obesidade, de doenças mentais, de gravidez na adolescência, de insucesso escolar, etc.: os vários indicadores relativos à incidência desse tipo de maleitas estão bem correlacionados com a desigualdade social. Claro que correlação não implica uma relação de causa-efeito, mas Wilkinson e Pickett dizem-nos que essa desigualdade coloca um país sob uma grande tensão, gerando dificuldades acrescidas para todos: não são só os pobres, que sofrem sempre com o seu estado de marginalidade social, mas é também o resto da população de um país - classe média e ricos - que fica pior. Como resume o subtítuto: Sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor.

O jornal The Guardian de 13 de Março, num artigo sobre desigualdade social suscitado pela publicação do referido livro, chama a Portugal e Espanha um "par estranho", por serem "países com muitas semelhanças culturais e paralelos nas suas histórias recentes - ambos se tornaram democracias nos anos 70 após a queda de regimes autoritários". Mas, nota o jornal,"a Espanha está a meio da tabela da desigualdade, enquanto Portugal está quase no cimo", registando-se aqui "muitos mais problemas sociais".

Haverá esperança de que esta situação mude, a oeste da península, com as próximas eleições? O depósito do voto na urna deveria ser sempre um acto de esperança. Mas, faltando um mês para o sufrágio, não parece que esse venha a ser o sentimento dominante. Por um lado, pode-se pensar que, dos dois maiores partidos, o Partido Socialista, em princípio mais à esquerda, seja mais sensível às questões tão prementes das desigualdades sociais. Mas, por outro lado, a sua política no sector da educação, aquele onde a sociedade, com maior eficácia, pode concentrar esforços no sentido do seu nivelamento, tem-se revelado desastrosa. A escola portuguesa actual não constitui para os pobres um meio seguro e expedito de promoção social. De facto, na ausência de uma escola pública qualificada e exigente os ricos conseguem encontrar alternativas, ao passo que os pobres estão condenados à exclusão. Seja qual for o partido que ganhe as eleições (aliás ganhar pode, a curto ou médio prazo, significar perder), muitos eleitores receiam que se venha a aplicar mais uma vez a famosa frase de Giuseppe di Lampedusa, o escritor italiano autor de O Leopardo: "Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude." Professor universitário (tcarlos@teor.fis.uc.pt)

DESTACAMENTOS E CONTRATAÇÕES: CONSULTA DE COLOCAÇÕES

Já estão disponíveis os resultados do concurso de Destacamentos e Contratações (2009/2010): aqui.


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PROFESSOR… FUNCIONÁRIO PÚBLICO OU INTELECTUAL?

Esta dicotomia tem estado sempre presente na cabeça dos dirigentes políticos ora sobrevalorizando o carácter de funcionário público e burocrata do professor, ora valorizando o seu carácter intelectual e humanista.

Com o neoliberalismo e políticas neoliberais, que conduziram o mundo – é preciso que se diga – à situação de crise profunda e grave que actualmente vivemos, veio em força a mentalidade tecnocrática, “o trabalho por objectivos”, “a avaliação por objectivos mensuráveis”, “por evidências” e os “dossiês” e os “portefólios” e os “instrumentos e grelhas de registo e de observação” e os mapas com “fórmulas de cálculo” e o “cálculo do custo-benefício”, e desprezou-se a cultura e a intelectualidade do professor. Este passou a ser visto como um funcionário público com um horário bem detalhado, como um burocrata que tem que preencher, por cada função e por cada tarefa, um conjunto de grelhas, de mapas, instrumentos e relatórios; fazer um conjunto de cálculos, registos, planificações escritas, medições, e esgotar o seu tempo e paciência em papéis e mais papéis. Quando chega a casa, depois de tanta burocracia e das reuniões e das aulas, já não tem disponibilidade para o seu TI (trabalho individual), nem para a família, nem tempo para ler um bom livro quer da sua área científica, quer de natureza cultural, seja ele um romance histórico ou uma boa ficção… Não, o professor deve ser um instrutor, um burocrata, um técnico (inconsciente e acéfalo) que põe em acção um conjunto de procedimentos pré-formatados e pré-estabelecidos. E, se não desenvolver estes procedimentos, estas “boas práticas”, será penalizado como um trabalhador numa linha de produção taylorista. O professor não pode nem deve pensar, reflectir, questionar-se acerca do valor humano e da utilidade humana e cultural daquilo que faz e lhe ordenam fazer, mas embrenhar-se e ocupar-se nos meios para obter outros meios, perdendo-se o fim em vista . Não, o professor deve ser um mero executor de medidas e regulamentos e rotinas e procedimentos previamente estabelecidos por «expertos» (em castelhano) em “educação” do Ministério. É assim – defendem eles, os tecnocratas – que o mundo pula e avança! Porém…

“Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E, sempre que um homem sonha,
O mundo pula e avança,
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança!”

Eles imaginam um “mundo perfeito”, um mundo mecânico, a funcionar obedecendo, deterministicamente, a um programa composto de leis físicas e mecânicas, como um relógio em que tudo está calculado, previsto e controlado, um mundo “sem falhas” que se desenvolve e cresce linearmente como uma linha de produção, um mundo em que seja sempre possível calcular o custo-benefício avaliando apenas alguns factores quantificáveis. Porém ignoram que este mundo não só não existe, como não é viável. É antes desumano, anti-natura, inconsciente, acrítico e acéfalo, que não prevê nem previne os males humanos que ele próprio provoca, porque é um mundo sem sentido, sem valores, sem (des)orientação na busca do sentido, sem consciência nem consistência, sem humanidade e espiritualidade; é um mundo de profunda ignorância sem disso mesmo ter consciência. E aí é que está a sua gravidade, na sua inconsciência, na sua não cum scientia.

Um mundo, assim, não tem consistência, nem substrato, nem poesia, nem filosofia (não tem sido por mero acaso que esta disciplina tem sido desvalorizada no Secundário e há quem defenda que ela deveria desaparecer porque “não serve de nada”!) e os seus males e verdade virão, rapidamente, ao cimo como o azeite. Se alguém tivesse dúvidas do que afirmo deste mundo, ao nível da economia e sociedade a crise actual dissipará essas dúvidas. O mesmo mundo, agora, aplicado à educação promete-nos um mundo de fazedores, de meros executores, empanturrados de “competências”, produtores e consumidores acríticos e acéfalos, que desenvolvam apenas uma das racionalidades de que fala Jean Gagnepain – a racionalidade ergológica (saber fazer) – mas que lhes falta, sem dúvida, as outras três: saber pensar/dizer; saber ser Pessoa e saber agir (praxis) sacrificando prazeres menores para obter um prazer superior .

Não. Se a economia já nos ensinou alguma coisa (e muito mais terá para ensinar!), então temos que “despertar do sono profundo e dogmático” deste “pensamento” neoliberal, que formatou as cabeças “bem-pensantes” dos governos PSD e PS e a mentalidade do senso comum em geral, e começar a ser pessoas e a pensar de novo. Temos que fazer dos professores aquilo que eles, efectivamente, são e gostam de ser: pessoas e intelectuais e pensadores e criadores e educadores e humanistas com consciência crítica e aberta na busca do sentido e da humanidade no espaço/tempo em que vivemos. Remetê-los à mera função de fazedores/executores/“cumpridores” de directivas impostas e externas é destruir a sua humanidade, a sua pessoa; é desumanizá-los e desumanizar a educação! Mas alguém ainda tem dúvidas?! Temos que promover uma educação humanista, completa, livre das amarras do “pensamento único”, para construir um mundo naturalmente humano e ao serviço da natureza, da espécie e de todas as outras espécies. Temos que destruir o “pensamento” ignorante anti-humanista, tecnocrático e burocrata que pretende fazer do mundo uma grande fábrica mecanizada, com a convergência das info-nano-biotecnologias, e em crescimento linear, exponencial e constante… Temos que regressar ao mundo da natureza e da cultura e ao homem como animal metafísico. Sem cultura e pensamento, não há economia nem educação que vinguem, não há futuro.


Zeferino Lopes, Professor de Filosofia na Escola Secundária de Penafiel, em 18 de Agosto de 2009.

__________

1 Daqui resulta que a escola se torna perversa e contraprodutiva e que a educação se torna muito cara, demasiado cara e que o professor, um trabalhador incansável, mas (quase) inútil.

2 Cf Jean Gagnepain, Leçons d’introduction à la théorie de la médiation, Peeters, Louvain-la Neuve, 1994.

3 Veja-se o caso do portátil, do Magalhães, da Net. Tudo isto não passa de um instrumento, de uma ferramenta que nos permite fazer uns joguinhos, falar com os amigos à distância, enviar e receber e-mails, aceder a conhecimentos reutilizáveis, descartáveis, úteis para fazer umas coisas, uns trabalhos, recorrendo ao copy & paste. Mas o portátil não educa nem forma as pessoas: desenvolve apenas o saber fazer e ter acesso a saberes diversos. Todavia não nos dá a sabedoria, o pensamento e a reflexão, nem o saber ser Pessoa, nem o saber estar e agir… É uma ferramenta importante, sem dúvida. Mas não passa disso mesmo. O seu valor depende sobretudo da qualidade do utilizador e esta o portátil não pode dá-la.

TESE DE TITULARAMENTO

Não adianta perder tempo a tentar elaborar a Tese de Titularamento, ou encomendá-la a algum boy do PS, pois:

1- Só o PS é que teima na divisão da carreira; todos os outros partidos com assento parlamentar já assumiram que querem acabar com essa divisão;

2- Se, como se espera, houver mudança de Governo, acabará a divisão da carreira;

3- Se o PS ganhar com maioria relativa, cai com eleições antecipadas ao fim de alguns meses;

4- Se o PS ganhar com maioria absoluta, não adianta os professores fazerem a tal prova, porque têm de fugir do país;

5- Em qualquer caso, uma Tese de Titularamento demoraria meses a elaborar e teria de ser defendida perante um júri, portanto essa tarefa nunca estaria pronta antes das eleições de 27 de Setembro;

6- Professor competente é aquele que aproveita o início do ano lectivo para preparar as actividades escolares e não para arranjar Teses de Titularamento;

7- Se uns não precisaram de apresentar Tese de Titularamento para chegarem a professores titulares, então os outros também não.

THE BIG LEADER

Peça recebida por e-mail, com pedido de que seja reformado em 27 de Setembro.
Basta uma cruzinha.
CONTAMOS COM TODOS!

video

O CANDIDATO VÍTOR PEREIRA

É DEPUTADO ELEITO PELO PS E CANDIDATO À CÂMARA MUNICIPAL DA COVILHÃ.

VOTOU FAVORAVELMENTE O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE IMPOSTO PELO GOVERNO PS E VOTOU CONTRA A SUSPENSÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO.

OS PROFESSORES DO CONCELHO DA COVILHÃ TÊM MEMÓRIA E DIGNIDADE.

CERTAMENTE QUE NÃO VOTARÃO EM VÍTOR PEREIRA.


PCP COMENTA "RESULTADOS ESCOLARES"

PCP comenta «resultados escolares»
Um disfarce do insucesso

«Foram tomadas medidas, aprovados diplomas e feitas pressões sobre as escolas com o intuito, sobretudo, de disfarçar o insucesso da política educativa com um sucesso estatístico», notou Jorge Pires.

Numa declaração proferida segunda-feira, dia em que o Governo apresentou os «resultados escolares» do ano lectivo 2008-2009, aquele membro da Comissão Política do PCP, responsável pela área da Educação, abordou a abertura do ano lectivo, os custos do ensino para as famílias e a situação nas escolas, reafirmando a necessidade de uma ruptura com a política de direita.
O Governo «procura, através da utilização de alguns elementos estatísticos, mostrar que tudo vai bem no que ao ensino diz respeito, quando é sabido que a realidade é bem diferente do cenário virtual que ainda hoje foi criado na escola D. Dinis», comentou Jorge Pires, a propósito da cerimónia que tivera lugar horas antes, com a participação do primeiro-ministro e da ministra da Educação. Os números apresentados pelo Governo, sobre os quais «temos muitas dúvidas e vamos ainda verificar a sua veracidade», reflectem medidas «apenas para melhorar as estatísticas» e não «para dar resposta aos principais problemas» do ensino.
O dirigente comunista enumerou alguns desses problemas: mais dificuldades em dar resposta adequada aos alunos com necessidades educativas especiais, devido ao novo quadro legal; na gestão das escolas podem prevalecer interesses que não são os da Educação; transferiram para os municípios competências que não terão condições de assumir; foi dificultada a actividade profissional dos professores, através de medidas do Estatuto da Carreira Docente.
O ano escolar que se inicia a 1 de Setembro «será marcado pelo agravamento da precariedade e do desemprego dos professores (que atingirá valores nunca antes verificados, recordando-se que a uma semana estão mais de 50 mil professores por colocar), pelas dificuldades de organização das escolas e por um agravamento da crise no sector da Educação», alertou Jorge Pires.
Para mais de um milhão e quatrocentos mil alunos, o regresso às aulas «ficará marcado por um conjunto de orientações e decisões que transitam do ano anterior e que foram causadoras de uma profunda instabilidade e acrescidas dificuldades para os jovens e as suas famílias, para os professores e restantes trabalhadores da Educação». Por outro lado, «a insistência em tais orientações põe em causa a existência de uma Escola Pública capaz de garantir efectivamente o acesso de todos os portugueses ao "ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar"».

Manuais gratuitos

Dos problemas que transitam para o novo ano lectivo, o PCP destaca a despesa das famílias com a educação, sendo os manuais escolares a componente que mais pesa (cerca de 600 euros, em média, por ano). Os custos com os manuais escolares tiveram este ano um aumento médio anunciado de 4,5 por cento, bem acima da taxa de inflação - resultado de uma convenção assinada com as editoras, que teve como consequência imediata o maior aumento de preços nos últimos anos.
Jorge Pires acusou o PS de, na prática, rejeitar um projecto de lei que o PCP apresentou em Abril e que asseguraria a gratuitidade dos manuais escolares, até ao 12.º ano, para os alunos abrangidos pelos escalões 1 e 2 do abono de família. O projecto baixou à comissão parlamentar mas não foi agendada a sua discussão e votação no plenário da AR, inviabilizando assim uma medida que «iria realmente aliviar as brutais despesas das famílias mais carenciadas». O PCP tinha já apresentado um projecto de lei para garantir a gratuitidade de todos os manuais escolares a todos os alunos na escolaridade obrigatória. Jorge Pires salientou que «esta medida é urgente» e «terá um impacto muito positivo no sucesso escolar e no combate ao abandono precoce», com um custo estimado em 80 milhões de euros, que representa uma parcela insignificante do orçamento do Ministério da Educação.

Assim se faz a ruptura

Uma ruptura com a política de direita, defendida pelo PCP, levará a que se assuma a educação como um valor estratégico, fundamental para o desenvolvimento do País e para a defesa da identidade nacional, promovendo um efectivo combate ao abandono escolar e estimulando o sucesso escolar e educativo. Essa ruptura requer, entre outras medidas:
- estabelecer a gratuitidade de todo o ensino, objectivo a atingir de forma progressiva, num prazo máximo de seis anos, com a distribuição gratuita dos manuais escolares, no ensino obrigatório, já no próximo ano lectivo;
- o incremento do apoio social escolar em todos os níveis de escolaridade, com crescimento considerável das capitações para atribuição de apoios e dos montantes-limite nas diversas áreas;
- a expansão do sistema público de Educação Pré-Escolar, garantindo a frequência universal, gratuita e obrigatória, no ano que antecede o ingresso das crianças no ensino básico, bem como as condições para universalidade da frequência a partir dos três anos;
- uma nova lei de gestão democrática das escolas, que respeite os princípios, objectivos e valores consagrados na Constituição da República e na Lei de Bases do Sistema Educativo;
- revogar o Estatuto da Carreira Docente, tendo como prioridades a revisão da estrutura da carreira docente eliminando a sua divisão em categorias e rever regras de progressão; eliminar a prova de acesso à profissão docente; substituir o actual modelo de avaliação de desempenho; garantir uma efectiva estabilidade profissional e a defesa do emprego docente.



In Avante

PSD E A GESTÃO DAS ESCOLAS: TÃO BRANCO COMO O ALGODÃO?

As cinco áreas prioritárias
O desenvolvimento económico do país passa por melhorar a competitividade das empresas. Esta é a ideia chave do programa na área económica e consubstancia-se na redução da carga fiscal, nomeadamente, a redução em 2% da Taxa Social Única, a eliminação do Pagamento Especial por Conta ou o pagamento do IVA no momento da emissão da factura, no sentido de só ser pago depois das empresas receberem. Esta "ajuda" fiscal, complementada com a garantia de que o Estado será "bom pagador", dará maior vitalidade às empresas, o que criará condições, para o aumento do emprego.

Mais meios para as polícias

Como "sem segurança não há liberdade" às forças de segurança, a promessa é de maior investimento nas polícias criminais, em particular na PJ. Além disso, o programa, que na versão inicial juntava as áreas da Justiça, propõe que o Estado garanta a criação de condições para que seja eliminado o clima de crispação entre os agentes policiais e o poder político. A junção das polícias não está prevista. A nova legislação de combate ao crime violento e organizado, prevista na área da justiça, dará "armas" mais pesadas às polícias para actuarem no terreno.

Prestígio docente sem facilitismo

Rever o estatuto da carreira docente para eliminar a conflitualidade e recuperar o prestígio dos professores é, para o PSD, um factor essencial para melhorar a Educação. Essa melhoria passa pela modificação do modelo da escolaridade obrigatória, no sentido de passarem a existir apenas dois ciclos, cada um com seis anos de duração. Alia-se o alargamento do conceito de autonomia das escolas, com um sistema de avaliação para todos os estabelecimentos de ensino e o princípio da liberdade de escolha da escola pelos encarregados de educação. O combate ao facilitismo para os alunos passa pela introdução de provas de aferição.

Poupança na Segurança Social

A marca ideológica que o PSD quer estabelecer passa pelo emagrecimento do Estado. Essa redução da intervenção estatal deverá vir a ter reflexos em áreas da economia, como a da energia ou da gestão da água, mas particularmente nas áreas sociais, como a Saúde e da Segurança Social. Sem assumir mudanças de fundo no financiamento, a ideia é criar um fundo autónomo da Segurança Social para os contribuintes podem canalizar poupanças, de forma voluntária, que reverterão para as pensões futuras. Na Saúde, é o reforço das parcerias entre o Estado e os privados, incluíndo IPSS, para prestação de cuidados médicos.

Novo mapa judiciário

O programa social-democrata propõe a alteração do mapa judiciário, em vigor há menos de um ano, para o adequar aos meios existentes e às necessidade das populações, e a modificação da lei de política criminal para a adaptar à novas tendências do crime, em concreto os novos crimes violentos. Ainda para que a justiça funcione como pilar da defesa das liberdades, o partido promete voltar a propor leis especiais anti-corrupção, como a que a maioria socialista rejeitou nesta legislatura, e que permitia a investigação judicial a quem apresentava sinais exteriores de riqueza sem justificação nos rendimentos declarados ao fisco.

In Jornal de Notícias.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CUIDADO COM QUEM TRABALHA AO VOSSO LADO

Será desta forma que pretendem silenciar a onda de contestação que os fará perder as eleições? Voltamos de férias e são só boas notícias....

Segurança: Até ao final do ano deverão ser celebrados mais acordos
Serviços públicos vão ter espiões

Os serviços secretos estão a celebrar protocolos com os organismos públicos com vista à colocação de agentes do Serviço de Informações da República (SIS) e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) com identidade codificada em instituições do Estado. A iniciativa está mesmo a ser acompanhada pelo Conselho de Fiscalização do SIRP (CFSIRP), como consta do parecer daquele órgão onde são apresentados os objectivos a que “dará especial atenção” em 2009.

Ontem, fonte conhecedora do processo deixou claro ao CM que 'alguns protocolos [com organismos públicos] já estão feitos, outros estão a avançar devagarinho e outros estão mais difíceis de conseguir', um sinal de que esta iniciativa, apesar de prevista na lei orgânica do SIRP, do SIS e do SIED, está a suscitar resistência entre alguns responsáveis da Administração Pública. Mesmo assim, até ao final deste ano, 'é possível que haja um incremento nesses protocolos', admite a mesma fonte.

Com a concretização destes protocolos, 'os Serviços [SIS e SIED] podem colocar, eventualmente, agentes em ministérios como a Administração Interna, os Negócios Estrangeiros e as Finanças, estratégicos para o combate à criminalidade organizada e crime financeiro', precisa um outro responsável conhecedor do meio. Que remata: 'Faz todo o sentido, isso é feito em todo o sítio, nós não descobrimos a pólvora'.

Para já, o CFSIRP, presidido pelo deputado socialista Marques Júnior, promete prestar 'especial atenção' à celebração destes protocolos, para evitar eventuais abusos.

BELÉM SUSPEITA DE S.BENTO

Por duas vezes, em 2009, os serviços secretos já estiveram envolvidos em polémica. A primeira ocorreu em Fevereiro deste ano, quando a lista de espiões do SIED esteve colocada na intranet da Presidência do Conselho de Ministros com nomes e fotos. A segunda surgiu já este mês com as suspeitas de que 'a Presidência da República teme estar a ser vigiada', segundo fonte anónima da Casa Civil do Presidente da República.

A divulgação da lista dos espiões do SIED deu origem a um inquérito interno, que acabou por apurar que um funcionário violara o sigilo. Já as suspeitas da Presidência da República de que estará a ser vigiada pelo Governo foram consideradas por José Sócrates como 'um disparate de Verão'. A Presidência da República não desmentiu nem confirmou as ditas suspeitas.

SAIBA MAIS

O QUE DIZ A LEI

'Por motivos de conveniência de serviço e de segurança, aos funcionários e agentes do SIED e do SIS, a exercer funções em departamentos operacionais, podem ser codificadas as respectivas identidade e categoria e pode prever-se a emissão de documentos legais de identidade alternativa, mediante protocolo [com] entidades públicas responsáveis', diz a lei 9/2007.

19,7

milhões de euros é o orçamento do SIS e do SIED em 2009: o primeiro tem 11,9 milhões de euros e o segundo 7,8 milhões.

3

são os Serviços de Informações em Portugal: a par do SIS e do SIED, há a DIMIL, secreta militar.

CONCEITOS

Ao SIS cabe a segurança interna, ao SIED a externa. Ambos dependem do primeiro-ministro.

In Correio da Manhã.

CARTA A JOSÉ SÓCRATES

Com dois dias de atraso, publicamos esta "Carta a José Sócrates".


Portugal, 24 de Agosto de 2009


Senhor Primeiro-Ministro José Sócrates,

Sou professor e venho por este meio questioná-lo sobre algumas injustiças que o seu governo criou.

Gostaria que me esclarecesse:

1) por que motivo o tempo de serviço que retirou aos professores do continente ainda não foi devolvido, uma vez que os professores que leccionam nos Açores já viram o seu tempo de serviço (muito bem) restituído e foram reposicionados nos escalões a que tinham direito com os respectivos retroactivo?. Os professores que leccionam no continente esforçaram-se por obter boas notas, enquanto andavam na Universidade e, depois, foram penalizados por não terem escolhido ir dar aulas para os Açores. Se a crise acabou, como gosta de anunciar, todos os que foram “congelados” deveriam ser reposicionados nos escalões a que têm direito.

2) Por que motivo nos Açores não houve necessidade de criar os professores titulares?

3) Por que motivo um professor com mais de 18 anos de serviço pôde passar a titular e um com menos nunca poderá aceder a esse posto por falta de vagas? Há uns anos atrás eu, com 12 anos de serviço, fui coordenador de departamento e agora não posso ser, porque o seu governo acha que só serei competente quando tiver mais 6 anos de serviço e os titulares se reformarem para se criarem mais vagas.

4) Por que motivo os professores serão os únicos a serem penalizados por estarem de licença de nojo, de casamento, de parto ou por motivos de doença?

5) Por que motivo diz que não gosta de ser insultado e deixa que os seus mais directos colaboradores insultem os outros:

a) «vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos» (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008)

b) «caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil» (Jorge Pedreira, Novembro/2008)

c) «quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!» (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008)

d) «[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!» (Margarida Moreira - DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008)

6) Por que razão insiste numa divisão na carreira artificial para profissionais que têm a mesma formação e a mesma função na escola?

7) Por que motivo não quer dar tempo aos professores para prepararem as suas aulas ou pensa que temos assessores que o façam e teleponto nas salas de aulas?

Se tiver reparado não falei na avaliação dos professores, pois esse só é um problema porque dividiu a carreira, impedindo os professores mais jovens de progredir. Também não desci ao nível dos seus colaboradores, recorrendo ao insulto…

Deixo o meu email para resposta salvarescola@gmail.com, na esperança que entre os seus muitos afazeres dedique algum tempo a responder a esta missiva.

Grato pela atenção,

Professor Filipe Gonçalves

ESCOLARIDADE, INSUCESSO E "SUCESSO"

NOTÍCIAS DO PÚBLICO.

A ministra da Educação manifestou-se hoje convicta de que o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano decorrerá dentro do previsto e que será possível atingir os níveis de escolarização antes do limite que a lei estabelece.

Dois em cada três pedidos de nova correcção têm fundamento
No último ano, quase 11 mil exames nacionais do ensino secundário foram revistos e em 62 por cento dos casos os alunos tinham razão e as notas subiram. O número de estudantes que contesta a avaliação tem vindo a aumentar gradualmente e são cada vez mais os que vêem o seu pedido satisfeito e sobem a nota.

Educação
Cavaco Silva promulgou alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos
O Presidente da República já promulgou o diploma que prevê o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, confirmou à Lusa fonte da Presidência da República.

Taxas de abandono e retenção escolar
Ministra recusa que resultados sobre insucesso escolar se devam a facilitismo
A ministra da Educação rejeitou hoje que tenha existido facilitismo para melhorar as taxas de abandono e retenção escolar e negou que o conflito entre os professores e o ministério tenha prejudicado o trabalho nas escolas.

PROFESSORES DO 1º CICLO

Recebido por e-mail. Voz a todos, especialmente quando vem com pedido de divulgação.

Neste pequeno texto quero expressar a minha indignação face à inércia dos sindicatos ao defenderem os direitos dos professores do 1º ciclo.

Os sindicatos fazem comunicações generalistas e esquecem-se de "pormenores" que distinguem e MUUUUUIIITO os professores.

Os professores não estão a ser tratados da mesma forma, e não estou a falar da divisão da carreira!!!

Os professores do 1º ciclo têm horários e obrigações diferentes dos outros. Não precisam de completar horários com projectos do Agrupamento, pois o seu horário já é completo (25h lectivas + 90m de apoio ao estudo).

Ora pensem comigo:

1. Com o novo estatuto têm de trabalhar até aos 65 anos, 5 horas por dia, todos os dias, pois não têm direito a dia de folga, nem a redução do horário lectivo (por idade, por tempo de serviço, como nos outros ciclos);

2. São directores de turma e não têm direito a ter tempo para dedicar a essa tarefa. A qualquer hora e momento os EE contactam com o professor para esclarecer situações;

3. Supervisionam as AEC, fazem reuniões com os professores das AEC e não é considerado conselho de turma, (pois há o Conselho de Docentes);

4. Tudo o que o aluno aprende em termos académicos é da sua responsabilidade e não do Conselho de turma, por isso quando há insucesso o "culpado" é só um (o professor, este professor!), não há outros que venham corroborar a evidência; se o aluno é mal comportado, preguiçoso, ... é só uma voz a levantar-se, não há a "força" de 10 ou 15...

5. SOZINHO, diariamente, o professor do 1º ciclo, pensa, planifica, organiza, decide, ... e reflecte (ou melhor devia reflectir,mas não há tempo)

6. O tempo que devia ter para trabalho individual é preciso (???!!!!) para:

· reuniões com os professores das AEC;

· reuniões conselho de docentes (em alguns agrupamentos faz-se uma por mês de 2 horas, noutros fazem-se três de 3 ou 4 horas cada uma!!!);

· planificação e para preparação (em grupos de anos de escolaridade) de fichas diagnósticas, formativas, sumativas, de recuperação, e respectivos critérios, matrizes ...;

· participar em vários conselhos criados pelos agrupamentos (ACND, AEC, PES, projectos de autonomia da escola, projectos de avaliação da escola, projectos de ..., projectos de ...)

· solicitar, à psicóloga, o acompanhamento de alguns alunos e reunir com ela;

· vigiar as faltas dos alunos e elaborar as fichas de recuperação (que não servem de nada, a não ser para justificar, em muitos casos as faltas dos alunos e a falta de empenho - uma obrigação dos pais!!!);

· organizar o PCT;

· fazer o atendimento aos EE (que, no 1º ciclo, alguns EE solicitam amiúde - quando estão atentos ou são responsáveis, claro!)

· preencher documentos para pedir o "Magalhães" de cada aluno;

· preencher documentos de matrícula e pedido de subsídio de cada aluno( mesmo que a secretaria da escola fique ao lado da sala do professor);

· participar em "mil e um" projectos propostos pelos vários departamentos do agrupamento, ...

· preencher inquéritos para avaliar cada actividade (realizada por iniciativa própria ou por convite) e fazer o tratamento estatístico;( no mínimo 15 por ano);

· ...

Todos sabemos as horas demoramos diariamante a: preparar aulas e corrigir trabalhos, a pensar em estratégias e a reflectir sobre a prática diária (é verdade, ao fim do dia é necessário reflectir para perspectivar, corrigir ou melhorar situações propiciadoras de aprendizagem).

Ninguém ouse pensar que é fácil ensinar a ler e a escrever um menino do 1º ano. Está muito enganado quem pensa que é fácil. E que os professores do 1º ciclo são preguiçosos, pois o que eles ensinam é o mais fácil...

O professor do 1º ciclo é um MESTRE da Pedagogia e da Psicologia. Foi sempre professor, aprendeu para ser professor (não foi para professor!!!)

Durante muitos anos um dos únicos cursos em que era OBRIGATÓRIO ter a vertente pedagógica (teoria e prática), era o do 1º ciclo. Havia muitas pessoas que estavam a trabalhar em escolas, eram profissionais no ensino, mas não estavam habilitadas para leccionar e, por isso, não eram professores. Só depois de começarem a leccionar é que pediram o estágio.

Concluindo:

Com este estatuto, o professor do 1º ciclo não terá os mesmos direitos que os outros professores.

Este estado de coisas tem de mudar. Colegas, unamo-nos por uma causa nossa. Não se trata de estarmos contra os outros, só queremos que nos tratem de igual modo, tal como prevê a Constituição da República. Perdemos o direito a ser reduzido o ñº de anos de trabalho em relação a outros porque trabalhamos mais horas lectivas (estão dão trabalhos antes e depois, isto é as horas de estabelecimento não se reflectem em outros trabalhos inerentes, está feito, está feito. O trabalho lectivo implica preparar, corrigir, pensar, ...)

Se começarmos a "dessindicalizar" e a dizer as razões, hão-de pensar em nós.

ESTÁ NA HORA DE AGIRMOS. OS SINDICATOS NÃO PODEM CONTINUAR A IGNORAR-NOS.

LEGADO DE SÓCRATES: GENOCÍDIO EMPRESARIAL

A PME Portugal denuncia a perda de 150 mil empresários em quatro anos. Citando dados do Instituto Nacional de Estatística, a PME Portugal refere que estão actualmente registados 250 mil empresários, no entanto, em 2005 eram 400 mil.

O presidente da PME Portugal, Joaquim Cunha, fala em «genocídio empresarial», quando se refere à perda de 150 mil empresários em quatro anos. Desta forma a associação pede ao Governo «actos que realmente ajudem as empresas».

A associação diz que são necessárias medidas que produzam efeitos e não «publicidade a medidas que não correspondem à realidade». O programa PME Investe é uma dessas medidas, que não evitou que o crédito dado pela Banca tenha caído, «pelo menos, 10%».

«Os bancos continuam a usar as garantias do Estado para recauchutar a dívida, diminuindo o crédito concedido e garantindo-o com aval do Estado» acusa Joaquim Cunha, segundo o Jornal de Notícias.

Augusto Morais, da Associação Nacional das PME sublinha a crescente importância (e concorrência) que países como a China e a Índia fazem a Portugal, realidades que se revelam danosas para os negócios nacionais.

Joaquim Cunha destaca medidas que ajudariam efectivamente as empresas, como a criação de uma moratória sobre os pagamentos à Segurança Social por parte das empresas, até à chegada da retoma económica. Por outro lado lembra o reclamado pagamento do IVA contra o recibo e não no momento da factura.


Fonte: http://www.fabricadeconteudos.com/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CLAROS E ESCUROS DAS NOTÍCIAS SOBRE O SUCESSO ESCOLAR

Por José Manuel Fernandes

É muito bom termos, de novo, cursos profissionais mais acessíveis, mas que asseguram bons empregos. É lamentável que no resto do sistema o nível de exigência esteja a ser nivelado por baixo.

A diminuição do insucesso e do abandono escolar é uma boa notícia. Mas só se for verdadeira. Verdadeira por significar que estamos a formar gerações de jovens mais classificados. Não verdadeira, se se verificar que os números mascaram uma realidade menos dourada.

Com toda a honestidade é difícil, face aos elementos fornecidos pelo Ministério da Educação, deitar foguetes ou atirar ovos podres: os números são escassos e as regras do jogo confusas. Tentemos destrinçar o melhor do pior.

Comecemos pelo pior, evitando o recurso fácil às acusações de facilitismo.

Podemos indicar duas mudanças importantes no sistema de ensino que, mesmo tendo muitos aspectos criticáveis, vão (ou deviam ir) na boa direcção. Ambas se ligam ao desenvolvimento (ou mesmo forte aposta), por este Governo, de uma vertente de formação profissional que tinha sido abandonada desde a famosa "Reforma Veiga Simão" e do fim do "ensino técnico". Até ao 9.º ano foram criados processos de recuperação de alunos que haviam deixado o sistema de ensino genericamente designados como "cursos de educação e formação". No chamado "ensino secundário", vocacionado para o acesso ao ensino superior, os antigos cursos ditos "profissionalizantes" assumiram-se como cursos profissionais e foram capazes de captar muitos jovens que, noutras circunstâncias, teriam deixado o sistema de ensino.

É bom que, sem qualquer tipo de preconceito ideológico, se tenha assumido que há alunos que dificilmente exercerão profissões com qualificações superiores, optando por desenvolver cursos que oferecem saídas profissionais e não requerem o estudo aprofundado de Os Lusíadas ou de derivadas. Trata-se de ser pragmático e perceber que nem todos podem, ou devem, ser "doutores", sobretudo se o seu destino for acabarem como caixas de supermercado ou motoristas de táxi.

Olhando para os números só deste ponto de vista o sucesso é inegável. Mas há um reverso da medalha. Ou mais do que um.

O primeiro problema colocado pelas estatísticas ontem divulgadas pelo Ministério da Educação é que estas fornecem pouca informação. Mais: todos os esforços do PÚBLICO para completar essa informação chocaram com a habitual relutância da administração pública em fornecer as bases de dados e não apenas os números trabalhados "à sua maneira". É um escândalo numa democracia, tornou-se uma rotina com este Governo que trata toda a informação estatística como se de um segredo de Estado se tratasse.

Mesmo assim a informação que essas estatísticas fornecem permite verificar que o "grande salto" foi dado apenas nos dois últimos anos lectivos. Porquê? Uma das explicações ontem adiantadas por professores que conhecem bem as escolas é que o novo Estatuto do Aluno, que foi
muito criticado por promover o laxismo e diminuir a autoridade dos professores, automaticamente impede as chamadas "retenções" - a que os mais velhos ainda chamam chumbos... - por faltas. Por outro lado, são inúmeros os exemplos, alguns dos quais chegaram a ser debatidos nestas páginas, da pressão que existe para evitar que os alunos tenham de repetir um ano lectivo, mesmo que, manifestamente, não tenham adquirido as competências, o saber correspondente. Obrigar um aluno a repetir o ano é algo que o "eduquês" condena com veemência, condenação que se tornou doutrina oficial do actual ministério.

Este quadro torna difícil acreditar nos cenários dourados que apontam para mecanismos como as aulas de recuperação ou uma melhor formação de professores como factores do aparente sucesso: mais depressa se olha para escola e se encontram casos de exames mais fáceis e de conselhos de turma onde os docentes discutem qual deles vai perdoar a negativa a um aluno para não ficar... "retido".

Em síntese: se uma orientação correcta - a abertura de mais vias no ensino profissional - explica uma parte dos sucessos, há orientações e práticas erradas que permitem que as taxas de insucesso baixem não porque as escolas estão a produzir alunos melhor formados, antes porque se acomodaram a menores níveis de exigência. Estes afectam depois a qualidade do ensino superior, como muitos docentes que dão aulas aos primeiros anos verificam ano após ano.

Uma última nota, porventura ridícula para quem está no sistema, mas chocante para quem toma à letra as palavras dos governantes e, depois, se confronta com a letra da lei, lei neste caso anterior ao actual Governo: os nossos nove anos de escolaridade obrigatória não correspondem à obrigatoriedade de completar o 9º ano, apenas à obrigatoriedade de frequentar a escola (mesmo que não aprendendo nada) até aos 15 anos, altura a partir da qual a lei portuguesa permite que se trabalhe sem cair na moldura penal do trabalho infantil. Confessando ao mesmo tempo a ignorância sobre este "detalhe" mas assumindo a revolta por esta pantomina, é caso para dizer que nunca deixaremos de ser um país de opereta. E opereta fanhosa.

ESCOLARIDADE OBRIGARTÓRIA SEM CONSENSO

Diploma promulgado
Pais divididos quanto ao alargamento da escolaridade obrigatória

Os pais dividem-se quanto ao alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, cujo diploma foi hoje promulgado pelo Presidente da República: a CONFAP congratula-se, enquanto a CNIPE denuncia a falta de condições das escolas para acolherem mais alunos.

"Não acredito que em dois anos se faça o que não se fez em 20 anos", afirmou Joaquim Ribeiro, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), referindo-se à necessidade de mais salas, mais professores e mais auxiliares para acolherem um maior número de alunos.

Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), está mais confiante, ao acreditar que o diploma hoje promulgado vai "empurrar" a concretização de outras medidas de melhoria do parque escolar.

"Acreditamos que esta medida vai permitir aumentar o número de professores e de auxiliares. E a maior parte das escolas secundárias estão já a sofrer obras e deverão estar prepararas dentro de dois anos", afirmou.

Joaquim Ribeiro, da CNIPE, reconheceu que algumas escolas estão em obras, mas ressalvou: "As salas de aula podem ser remodeladas, o que é muito bom, mas isso não significa que existam mais salas. Parece mais uma medida que não vai sair do papel, que é de difícil execução".

A Confap congratulou-se com a promulgação do diploma de alargamento da escolaridade obrigatória, defendendo que "está provado" que a obrigatoridade da frequência escolar "reduz fortemente" o abandono escolar e "cria as condições para que as escolas aumentem as suas ofertas educativas".

A proposta de lei do Governo de alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos foi aprovada a 10 de Julho com os votos favoráveis do PS, PCP, BE e PEV e a abstenção do PSD e do CDS-PP.

O diploma estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens em idade escolar e consagra a "universalidade da educação pré-escolar para as crianças a partir de cinco anos".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A INSISTÊNCIA NO PROFESSOR TITULAR

Governo admite anunciar vagas para professor titular
O secretário de Estado da Educação garantiu hoje que "vão ser abertos concursos" para professor titular e admitiu que o mapa de vagas poderá ser anunciado no início do ano lectivo.

"Os concursos de professor titular, no novo Estatuto da Carreira Docente, são abertos escola a escola", explicou Valter Lemos, referindo que primeiro as escolas têm que saber "as vagas que têm disponíveis".

O Ministério da Educação (ME) está a "trabalhar" nesse dossier e "talvez no início do ano [lectivo] se venha a anunciar vagas para professor titular", afiançou, sem precisar em que data será realizado o concurso.

"É esse mapa de vagas que esperamos divulgar no início do ano lectivo, para que as escolas saibam quais os concursos que podem abrir e os professores saibam quais as vagas a que se podem candidatar", revelou.

O secretário de Estado da Educação falava à agência Lusa depois de acompanhar a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o primeiro-ministro, José Sócrates, na visita a quatro escolas, duas em Beja e duas em Évora, incluídas no Programa de Modernização do Parque Escolar do Secundário.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) criticou hoje o Ministério por ter divulgado, na página da Internet da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRE), o formulário de candidatura e os procedimentos necessários para a prova de acesso a professor titular.

"É uma vergonha que o ME torne pública esta informação em pleno período de férias dos professores e educadores", criticou o sindicato, afirmando que, mesmo que fosse possível aos docentes submeterem-se a tal prova, "ela de nada serviria, pois não abrirá qualquer concurso para acesso à categoria de professor titular".

"Para os professores será completamente indiferente que se realizem, ou não, provas de acesso a professor titular", porque, "independentemente do resultado" que obtiverem, realça a FENPROF, só "contará a existência de concurso".

Caso este exista, "deixará de fora a esmagadora maioria dos docentes, pois será o Ministério das Finanças a autorizar a abertura desse concurso que, no mínimo, impedirá dois terços dos professores de chegarem ao topo da carreira", lê-se no comunicado da Federação.

Confrontado pela Lusa com estas críticas, o secretário de Estado garantiu que "não faz muito sentido" a FENPROF "achar que os concursos deviam ser abertos" sem que os docentes realizassem primeiro a prova pública que os habilita a candidatarem-se a professor titular.

"O que a DGRE divulgou são as condições para que os professores se candidatem à prova pública que têm que fazer previamente ao concurso", disse.

"Vão ser abertos concursos para professor titular, mas antes dessa abertura era necessário garantir o acesso dos professores à prestação dessa prova e foi isso que a DGRE fez", esclareceu.

Para que, segundo Valter Lemos, "no início do ano escolar, todos os professores saibam quais são as condições e possam, se o quiserem e aqueles que têm as condições legais, candidatar-se à realização dessa prova".

In Educare.pt

terça-feira, 18 de agosto de 2009

E OUTROS VIRÃO A SEGUIR

Professores lançam na Net folheto contra deputados do PS



"Não votes neles! Cuidado!" É com este apelo forte que o Movimento Mobilização e Unidade dos Professores pretende levar a classe a não votar em Rosalina Martins e Jorge Fão. Tudo por terem votado "nas medidas aplicadas pelo Sócrates"

O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores já está em campanha contra o PS. Depois da inscrição de um expressivo "Eu não voto (neste) PS" em canetas, o MUP pôs agora a circular na Net um panfleto em que apela à classe para não votar em dois candidatos socialistas à Assembleia da República por Viana do Castelo, professores que já fazem parte da bancada do PS. José Junqueiro, candidato do PS por Viseu, pode ser o próximo alvo da campanha.

"Estes são dois professores deputados que votaram todas a medidas nefastas aplicadas pelo Sócrates na Educação e que tiveram, entre outras, as seguintes consequências: divisão em categorias da classe docente - professor/professor titular; estagnação na carreira; aumento da idade e tempo de serviço para a aposentação." A informação faz parte do folheto colocado no blog do MUP e os visados são Rosalina Martins e Jorge Fão, de quem o movimento diz que é preciso ter "cuidado" na hora do voto.

Segundo Ilidio Trindade, porta-voz do MUP, este é apenas mais um passo na campanha política que o movimento está mover contra o PS. "O de Viana foi apenas o primeiro, mas temos já sugestões para outros distritos onde temos candidatos professores, como por exemplo o de Viseu, com José Junqueiro", adiantou ao DN Ilidio Trindade, que informou ainda que o os folhetos não devem ganhar vida fora da internet. "Em principio, por não termos sócios pagantes e ser trabalho voluntário, vamo-nos cingir aos blogs e à rede de mails, interessa-nos continuar a chegar à classe docente."

Já Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, compreende a personalização da campanha, mas "vai apostar na adesão dos partidos ao compromisso educação", que contempla propostas de reforma nos principais temas do sector. Posição idêntica, aliás, à de Octávio Gonçalves, do Promova.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CONCURSO PARA EVENTUAIS PROFESSORES TITULARES

DGRHE enviou e-mail aos directores a informar sobre concurso de prova pública para professor titular.

Em pleno período de férias, um doce amargo do Ministério da Educação. Um logro para os mais distraídos e uma teimosia em momento de "canto de cisne".

Os professores são contra a divisão da carreira! E vão voltar a repeti-lo no dia 12 de Setembro e confirmá-lo no dia 27/09.

Não há outra forma... Temos de correr com eles no dia das eleições.


Sent: Monday, August 17, 2009 2.32 PM
Subject: Assunto: Prova pública de acesso à categoria de professor titular

Exmo. (a) Sr. (a)
Director (a)

Na sequência do Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho, informamos que a partir de hoje se encontrará disponível o formulário electrónico para candidatura e upload do trabalho, da prova pública de acesso à categoria
de professor titular.

Solicita-se assim que informe todos os docentes do Agrupamento ou Escola não agrupada que reúnem os requisitos exigidos para tal.

Informa-se ainda que após a entrada dos requerimentos electrónicos, os dados dos candidatos ficarão disponíveis para validação das respectivas escolas.

As várias etapas deste processo, bem como a operacionalização do mesmo, constam da Nota Informativa, a disponíbilizar na página electrónica da DGRHE.

Com os melhores cumprimentos,

A DGRHE


Esclarecimento da Fenprof sobre este concurso.

O PRINCÍPIO DE QUEM NÃO SABE O QUE DIZ

Sócrates anuncia em pessoa "princípio do fim da crise" (14-08-2009)

"É o princípio do fim da crise". Foi um José Sócrates feliz, após o seu primeiro conselho de ministros depois das férias, a anunciar pessoalmente a boa nova. Tal como a Alemanha, a França e a Grécia, a economia portuguesa cresceu 0,3 por cento em relação ao primeiro trimestre do ano. Melhor, só mesmo a Eslováquia com 2,2 por cento.
[...]
In Diário de Notícias

Sócrates reconhece "que não é o fim da crise" (17-08-2009)

O primeiro-ministro José Sócrates reconheceu hoje, em Amarante, "que ainda não é o fim da crise", mas salientou que foram os investimentos públicos que tiraram o país da recessão técnica.
[...]
In Diário de Notícias.

OS "PEQUENOS DITADORES" JÁ MANDAM NA ESCOLA

Não, não me refiro a alguns directores(as) que pululam por aí em alguns agrupamentos ou escolas e que têm manifestos tiques autoritários. Não será difícil demonstrar que estes, em vez do “quero, posso e mando”, não são mais do que joguetes ou marionetas nas mãos do poder ou de grupos de pressão, representados no Conselho Geral… Refiro-me, isso sim, àqueles que, de facto, exercem o poder começando pela família. Lá em casa quem manda é o “pequeno ditador”: ele(a) só come se o pai ou a mãe, servilmente, fizer da colher um avião ou se fizer macacadas para distrair a criança e esta nem pensar que está a comer, mas, sim, a ser servida pela sua criadagem e bobos da corte; é ele(a) quem de facto tem o comando da televisão – mesmo quando a mãe quer ver a telenovela e o pai o jogo de futebol, ele(a) faz uma gritaria e muda para o canal Panda! Os papás, servis, obedecem. Os papás, até porque não têm outro filho, protegem-no, mimam-no, obedecendo a todos os seus caprichos. A criança sente que é ela que, efectivamente, ordena e os pais obedecem, fazendo tudo o que ela pretende, cedendo sempre à sua chantagem. Muitas vezes, porque trabalham os dois e chegam cansados a casa e sentindo uma certa culpabilidade por não terem acompanhado o filho o dia todo, pensam erroneamente que devem servi-lo, protegê-lo e dar-lhe tudo para o compensar dessa “falta”. Este rapidamente se apercebe do seu enorme poder e, quanto mais tem, mais quer e mais reivindica. Os pais, culpabilizando-se, pensam, erroneamente, que a criança tem, de facto, direito a tudo e não tem o dever de nada.

O pior sucede quando o “pequeno ditador” chega à escola. Trata os professores com o mesmo desrespeito e insolência que trata os seus pais. Se são chamados à atenção, ripostam com arrogância e altivez: “Mas eu não fiz nada!”; “O que é que eu fiz?!”; “O(a) professor(a) só me vê a mim!”; “O(a) professor(a) é que pega comigo!”… Se é severamente reprimido por algum comportamento mais descabido, não suportando qualquer frustração porque teve sempre a resposta pronta e desejada dos pais, vai apresentar-lhes queixa: “O(a) professor(a) pegou-me de ponta.”; “O(a) professor(a) foi muito severo e autoritário”; “O(a) professor(a) não gosta de mim e por isso pega sempre comigo: não me deixa em paz!”. Naturalmente, os papás, sobretudo os de filhos únicos (lembro que cerca de 1/3 dos alunos são já filhos únicos), numa atitude super-protectora e acrítica, desconhecendo a realidade da sala de aula, vão transmitir as queixas dos filhos, em primeiro lugar, ao Director de Turma e, depois, à Direcção da escola.

Mas ainda pior: o “pequeno ditador”, habituado que está a ter tudo sem esforço porque sempre servido pela sua “criadagem”, pensa igualmente que tem direito a tudo e reclama boas classificações, mesmo sem fazer qualquer esforço para as obter. Serve-se antes de pequenos expedientes como tentar adivinhar, nas vésperas do teste, as perguntas do mesmo, fazer copianços com as formas mais subtis das novas tecnologias, metendo toda a informação possível no telemóvel, na máquina calculadora, no Ipod, em papelinhos minúsculos, etc. Se a disciplina insiste sobre conhecimentos memorizáveis, se o(a) professor(a) não se apercebe de nada e se estamos no 1º ou 2º períodos em que as matérias são ainda poucas, a coisa corre bem e o resultado do teste é bem positivo. Mas, se a natureza da disciplina ou do teste não permite a cábula ou esta não serve de nada, ou se ainda estamos no 3º período e a matéria é muita, ou se a questão exige raciocínio para compor uma resposta adequada, então é o descalabro e as notas não correspondem às expectativas. Mas não há problema: o “pequeno ditador” sabe aproveitar-se da cultura instalada – “Quem teve positiva no 1º e no 2º períodos, 2/3 do ano, não pode reprovar só porque teve negativa no 3º período que é apenas 1/3!” e, como diz a Srª Ministra, “os alunos têm direito ao sucesso!”.

Numa disciplina como a Filosofia ou a Matemática ou a Física, se o(a) professor(a) faz um trabalho sério, não é fácil, sobretudo em Filosofia em que não há escolhas múltiplas, iludir o problema. Por vezes, os professores de matemática exclamam: “Não percebo como é que esta(a) aluno(a) tem a escolha múltipla toda certa e erra tudo o resto! Eu não os vi copiar!” Bem, é sempre possível transmitir, mesmo por linguagem gestual e sinalética previamente combinada, as respostas, A, B, C ou D. Mas em Filosofia, uma disciplina que não tem exame, mas que pode estragar a média geral a quem luta exclusivamente pela nota, não é possível responder com uma letra: é necessário construir um texto coerente, bem estruturado, que responda efectivamente ao problema colocado. Mas, se não houve concentração nas aulas, esforço, estudo e trabalho, nada feito. O(a) professor(a) passa, então, a ser visto(a) como um obstáculo a notas mais altas, à boa média e, quiçá, à entrada na faculdade e no curso desejados, e logo o(a) professor(a) de uma disciplina que não tem exame! Se ainda fosse o(a) de Matemática ou de Biologia e Geologia, disciplinas de exame! Mas o(a) de Filosofia, isso é inadmissível!

Mas os “pequenos ditadores” têm sempre uma saída: em primeiro lugar responsabilizam, perante os pais, os professores das disciplinas sem exame mas que, sendo exigentes, não embarcam no facilitismo da boa nota; em segundo lugar, pedem aos pais que façam pressão na direcção da escola para que o(a) professor(a) seja substituído por um que dê melhores notas por um preço mais baixo como se os professores estivessem à venda. É evidente que, perante um eventual conflito entre os pais de uma turma e um(a) determinado(a) professor(a), a direcção da escola opta por resolvê-lo da maneira mais fácil, deslocando-o(a) para outra turma no ano lectivo seguinte. Isto é óbvio e resolve o conflito, mas não resolve o problema: os “pequenos ditadores” continuarão a mandar, a julgarem ser o centro do mundo, aqueles que têm apenas direitos e não deveres, a quem todos devem servir. Mas cuidado! Fechem bem as portas e as janelas! Liguem a rádio e a TV e conectem-se à Rede Global e estejam atentos. Eles vêm aí: se já mandam em casa, na escola ou na empresa, muito em breve mandarão no país! Cuidado: de um “pequeno ditador” pode surgir “o grande ditador”!

Zeferino Lopes, Professor de Filosofia na Escola Secundária de Penafiel, em 17 de Agosto de 2009.

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