sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010 - O ANO DOS PROFESSORES?

O ano que hoje começa pode transformar-se no verdadeiro ano dos professores.

Depois de quatro anos de profundas alterações negativas na escola pública, levadas ao extremo pelo anterior executivo e sua equipa ministerial, com a consequente e ímpar reacção dos professores, a escolha de uma nova ministra da educação para um governo obrigado a descer do trono da prepotência em virtude de resultados eleitorais relativos pretendeu remediar pelo "charme" a continuação do desmoronamento do já escaqueirado edifício da Educação em Portugal.

Os sorrisos e a nova postura da ministra conseguiram ludibriar muitos dos que, cansados de uma luta desgastante, lhe deram o benefício da dúvida e lhe concederam um estado de graça. Os mais atentos cedo perceberam que esta "benesse" tinha um curto limite temporal, na medida em que o seu trabalho estava talhado para não passar além de uma simples operação cosmética, mantendo, no essencial, as políticas educativas ditadas pelo chefe da governação.

A súbita alteração de posição do PSD no Parlamento, prescindindo da "suspensaão" do modelo de avaliação, atirando para o plano das negociações entre o ministério e as estruturas sindicais a resolução da "crise educacional e dando à tutela larga margem de manobra no seu posicionamento e no arrastamento das negociações, foi - como o próprio PSD já reconheceu - uma estratégia fracassada e claramente animadora da instabilidade que continua a perpassar pelas escolas e a interferir negativamente na vida dos principais motores do ensino: os professores.

O Ministério da Educação continua intransigente no essencial. A perspectiva economicista continua a ser o alicerce em que pretende assentar o ECD. Os sindicatos não podem ceder no que foi o centro da luta dos professores. A ministra da Educação tem de perceber que partiu em larga vantagem, porque a sua antecessora levou aos limites do impensável alterações que foram introduzidas à força. Tal como diz o povo, "quanto maior é a altura, maior é a queda". Portanto, não se vislumbra outra solução que não seja uma larguíssima cedência da tutela. Não foi por acaso que chegámos a sugerir que se começasse do zero, se voltasse atrás, como se os últimos quatro anos não tivessem passado de um longo pesadelo.

Eis-nos chegados ao início de um novo ano. Tudo aponta para que o impasse continue. Os partidos da oposição, na Assembleia da República, já fizeram saber que tomarão novas iniciativas se não houver um acordo ou se se alcançar um mau acordo. Seja como for, nesta trama, o ministério vai ganhando um precioso tempo que lhe permite que não se ataquem outros dos graves problemas que enfermam a escola pública portuguesa, e que vão desde o modelo de gestão à resolução do iníquo problema dos professores contratados.

Mas os professores estão atentos, vigilantes... e fartos. Começam a emergir, de novo, as forças latentes. A luta activa não tardará. A mobilização dos professores voltará à ordem do dia se governo e ministério da Educação não forem tocados pela clarividência que o novo ano deve trazer, podendo transformar 2010 no verdadeiro ano da luta dos professores, dando uma nova lição de civismo e intervenção na res publica, tão depauperada por agentes políticos sem estatura de Estado.

Aconteça o que acontecer, aqui ficam os votos de que a escola pública seja a verdadeira vencedora.

5 comentários:

AB disse...

Desejo de facto que o ano de 2010 seja decisivo para a Escola Pública e os Professores. Desejo que os Professores continuem a ser agentes activos na resolução desta situação. Continuo disposta a continuar uma luta que está ainda muito longe do fim. Está nas nossas mãos, é nossa responsabilidade ajudar a criar o rumo em que acreditamos.
Bom Ano!

Anónimo disse...

Os professores estão cansados! Cansados de lutarem apenas por uma causa, quando continuam a dar aulas em salas onde chove, os vidros estão partidos e sente-se 1 grau no interior,não há aquecimento, os livros quase se desfazem com tanta humidade.Os professores de Língua Portuguesa e de Matemática estão cansados de terem o DOBRO do trabalho dos demais colegas, de outras disciplinas e de serem "pau para toda a obra", sem qualquer tipo de compensação.
Os professores não voltarão às manifestações até verem os "outros" direitos defendidos e as greves por longos períodos serem postas na mesa...

Anónimo disse...

Também começo a pensar que se calhar só greves por longos períodos solucionam este impasse. É difícil mudar o rumo da orquestra sem mudar o maestro... o Sr. Sócrates...

Anónimo disse...

Acredito ainda em manifestações se elas tiverem uma participação em massa. A persistência de uma classe inteira causa agitação e não pode ser ignorada políticamente.
Se não lutarmos quem o fará por nós? Perde-se muito tempo com lamúrias, temos de "arregaçar as mangas"! Não foi o que fizeram os franceses?

Anónimo disse...

concordo com os colegas que afirmam ser primordial a alteração radical das condições de trabalho, nomeadamente do horário lectivo e não lectivo.
No meu caso, ja devia estar no 10 escalão há 1 ano,mas o que mais me preocupa:
devia estar há 2 anos com a redução total da componente lectiva, mas, na prática tenho 20 h lectivas com APA e assim será até ao final, se lá chegar...
como pode um prof com este horário arrastar-se até aos 42 anos de trabalho?
A luta deve continuar, mas os seus moldes devem ser revistos.
E por favor, parem com greves e manifestações sem grande adesão. Fui a todas e as últimas, sobretudo em Belém, foram um fiasco.
sílvia cabral

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