terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A FALÁCIA

Quase todos os blogs e sites dos movimentos de professores colocam como questão central a debate o saber se, ao fim ao cabo, este foi um bom ou um mau acordo.

Quem o faz morde, ainda que inadvertidamente, o isco envenenado por outros colocado no seu caminho. Porque esta questão assim colocada de singelo, como facto consumado, é falaciosa. Porque a verdadeira questão está a montante do acordo assinado, ou seja, está no próprio acto da assinatura com todo o simbolismo que contém. Nas suas vantagens e desvantagens - do ponto de vista dos Professores, e, logo, das suas organizações sindicais.

Ora, do ponto de vista das organizações sindicais - que antes de tudo o resto são os seus quadros e activistas - o fulcro da discussão deve ser: foi ou não globalmente proveitosa a assinatura do acordo?

De facto, olhando para a história dos sindicatos docentes e dos vários processos negociais e reivindicativos das últimas quase 4 décadas, verifica-se que as propostas e medidas do ME, independentemente de serem ou não ratificadas pelos negociadores das direcções sindicais, numa primeira fase vão para a frente, são implementadas no terreno, com maior ou menor resistência da classe.

É um facto que, em muitos momentos históricos, como o que ocorreu no passado dia 7, a FENPROF subscreveu acordos de fundo e de princípio com o ME.

Mas outros momentos houve em que o não fez, ficando aparentemente mais isolada, mas, na realidade, de cabeça levantada, com as mãos limpas e livres para conduzir com credibilidade, força e confiança, como autêntica vanguarda da classe, os Professores para novas lutas e novos embates com a 5 de Outubro, em defesa dos seus direitos e interesses mais centrais e inalienáveis.

É manifesto que não foi o que se passou por via da assinatura - no caso particular, desta assinatura - e refém dela, não poderá fazer desta vez. E esta foi a principal e ineludível derrota, para a organização sindical, resultante do polémico acordo, pela maioria simples dos seus dirigentes, firmado dia 7, sem qualquer auscultação ou ratificação por toda a estrutura sindical e muito menos pela totalidade classe docente, dos professores e das escolas.

Paulo Ambrósio
Sub-coordenador da Frente de Professores Desempregados do SPGL
Membro do Grupo da Precariedade e Desemprego Docente da FENPROF

1 comentário:

luis tavares disse...

Muito bem Paulo!
Estamos mais uma vezes a ser tomados por tolos.

um abraço
luis t.

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