sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

RELATO DE UMA REUNIÃO SINDICAL

Não sou detentor da verdade; sou um ‘zeco’. Mas isso não impede que tenha espírito crítico, pensamento reflexivo e convicções fundamentadas. Por isso, a quem interessar, envio informações obtidas numa reunião sindical.

Foi realizada uma reunião sindical dirigida por um delegado da Fenprof, onde basicamente se obtiveram os seguintes esclarecimentos:

- o delegado começou por afirmar que o objectivo principal era esclarecer os aspectos do acordo e não justificá-lo.

- foi fornecido um panfleto onde estavam evidenciadas as vantagens obtidas; descontextualizado, estava um quadro comparativo entre aquilo que os profs obtiveram em relação aos restantes trabalhadores da AP. Também existia uma tabela comparativa entre os estatutos de 1998 (carreira 312/99), 2007 e actual acordo.

Depois da explanação sindical ficou retido o seguinte:

- não foi obtido o melhor acordo mas o acordo possível. Numa perspectiva profissional, os sindicatos reconhecem aspectos perversos e negativos no acordo mas numa perspectiva politica seria a única solução no actual contexto político. Foi colocada a incógnita por parte do delegado se os profs aceitariam a não assinatura do acordo. Foram enfatizadas as conquistas em relação ao ECD actual: a possibilidade de todos chegarem ao topo da carreira, alterações no modelo de avaliação. Foi feita a observação por alguns profs, da negociação ter sido baseada num ECD que foi um erro e daí não ser possível criar um acordo mais correcto e justo.

- o acordo celebrado está em vigor até 2012. Depois dessa data será outra vez uma incógnita. O delegado admite que o actual governo assina um acordo como uma possivel estratégia politica em contexto de maioria relativa, com o intuito de até 2012 ocorrerem hipotéticas eleições que poderão abrir a possibilidade a nova maioria absoluta. Nessa hipótese, seria feito um ‘ajuste de contas’ que poderia regredir tudo o que foi acordado. Assim, será premente cada um verificar se tem condições de progredir até 2012; a partir daí, pode-se fechar a porta outra vez.

- foi admitido que a carreira docente piorou ao longo dos anos. Analisando a tabela observada, vários índices progressivamente foi recuando na carreira, obrigando à prestação de mais anos de serviço.

- a carreira está construída com base nos índices e não com base nos anos de serviço prestados. Isto implica, que muitos profs estão colocados em momentos da carreira muitos anos antes do que deveriam estar.

- os contratados são o elo mais fraco neste acordo: muitos, independentemente dos anos de serviço, podem estar sujeitos a- se tiverem a sorte de entrar na carreira- começar no índice 167, devido aos regimes de transição.

- vários profs manifestaram que se sentem ludibriados com este acordo, e acreditam que é um sentimento generalizado pelo país.

- o delegado concorda que a carreira piorou, mas explica que a estratégia passa por não valer a pena ficar retido no passado. Deve-se regulamentar o acordo, e posteriormente continuar a luta nos aspectos que continuam a gerar injustiça.

- foi revelado pelo delegado que vivemos momentos políticos novos: o que é negociado agora não está garantido que não seja destruído por uma nova equipa governativa a curto-médio prazo. A tendência é no sentido da punição e da perda progressiva de direitos.

E nada mais havendo a tratar, dou por encerrado este telegráfico relato.

M. Silva
Clicar em cada uma das imagens para ampliar.

ASPECTOS DA CARREIRA

COMPARAÇÃO

CONCURSOS

QUADROS DE TRANSIÇÃO




1 comentário:

Conceição disse...

POIS...TANTAS MANIFESTAÇÕES, TANTA LUTA...E A MONTANHA PARIU UM RATO! TOU FARTA DESTES SINDICATOS! MOVIMENTOS INDEPENDENTES: VAMOS CONTINUAR A LUTA!

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