De pouco vale intensificar as avaliações à beira da entrada nas universidades se antes governos, escolas e professores não aplicarem, e cumprirem com rigor, um bom plano de ensino.
Em Portugal, a importância de o fazer é redobrada. O nosso país participou em todas as edições do PISA e tem apresentado sempre desempenhos abaixo da OCDE, apesar de em 2006 ter demonstrado uma evolução a nível da leitura.
Tendo em conta o passado recente e a oportunidade perdida com a não consolidação da reforma liderada pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, é fundamental que os responsáveis políticos, os sindicatos e os professores reflictam sobre estes resultados. E, de uma vez por todas, actuem em conformidade, libertando o futuro dos nossos alunos das conveniências individuais e de circunstância a que o têm amarrado e alinhando-se pelas conclusões de estudos com a amplitude do PISA.
Ucrânia merece atenção
Pelo território da Ucrânia passa cerca de 80% do gás que abastece a Europa ocidental. Bastaria este facto para justificar a máxima atenção ao que se passa no país que em 2004 pareceu afastar-se da órbita russa com a sua pacífica Revolução Laranja, tão aplaudida nas chancelarias europeias.
Acontece que esta revolução tão promissora falhou nos seus principais objectivos - o principal dos quais foi elevar o nível de vida dos cidadãos ucranianos, ainda condenados à emigração (cerca de 50 mil residem em Portugal). O presidente Victor Iuschenko, apesar do apoio que lhe foi concedido em várias capitais, de Washington a Berlim, perdeu em cinco anos a base social que o conduziu ao poder e rompeu com a primeira-ministra Iulia Timochenko, sua ex-principal aliada.
As divisões no campo pró-ocidental potenciaram a vitória nas presidenciais de Victor Ianukovitch, que é o político ucraniano mais conotado com a Rússia. Ainda antes de tomar posse, Ianukovitch já deixou claro que não tenciona fazer entrar o país na NATO, como Iuschenko pretendia: é uma vitória estratégica de Moscovo num país que os Estados Unidos e a União Europeia gostariam de exibir como troféu.
A falta de fair play democrático da primeira-ministra Iulia Timochenko, que persiste em não reconhecer a derrota nas urnas, também não ajuda o campo pró-ocidental, cada vez mais frágil e dividido neste país onde - é bom recordar - cerca de 20% da população é de origem russa e quase um terço fala o russo como primeira língua.
In Diário de Notícias.









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