A profissionalização em serviço é o mais antigo programa de formação de professores que existe. Foi criado em 1988, pelo decreto-lei 287/1988, e foi avaliado por diversas vezes. As escolas e departamentos de educação das Universidades e Institutos Politécnicos realizam este programa de formação há 22 anos. Coordeno o programa da profissionalização em serviço da minha escola desde essa altura. Acompanhei mais de mil formandos durante os últimos 22 anos. A maioria dos formandos possuía uma sólida formação científica. Bem mais sólida do que a que encontro nos alunos das licenciaturas integradas em ensino. Tive muitos formandos com mestrados científicos obtidos em escolas de grande prestígio como o IST, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ou a Faculdade de Economia da Universidade Nova. Apesar de se sentirem injustiçados - porque posicionados num índice inferior ao dos colegas das licenciaturas integradas em ensino - vi neles grande entusiasmo para o ensino.
O programa da profissionalização em serviço conseguiu uma certa imunidade face ao eduquês. E os formandos, dotados de uma licenciatura ou mestrado científico, não se deixavam impressionar pelas pérolas do eduquês nem pelos discursos ocos do ensino por competências e aprendizagem significativa. Por possuírem uma sólida formação científica, aqueles formandos nunca abandonaram a noção de que o bom ensino é o ensino centrado nos conteúdos.
Mas o eduquês venceu. O ME acabou, no ano passado, com o programa da profissionalização em serviço. E, mais uma vez, se deita fora uma experiência de 22 anos bem sucedida. Foi mais uma herança de Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos.
Um dia - quando esta esquerda tonta for apeada do poder - ainda virá alguém que recupere o programa da profissionalização em serviço. Mas para que tal aconteça, o país ainda tem de bater no fundo.
In Profblog.









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