segunda-feira, 1 de março de 2010

COMUNICADO DOS MOVIMENTOS DE PROFESSORES A PROPÓSITO DA GREVE



COMUNICADO DOS MOVIMENTOS INDEPENDENTES DE PROFESSORES

PORQUE NOS DEMARCAMOS DA GREVE DO DIA 4 DE MARÇO

Os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, demarcam-se da greve de professores agendada pelos sindicatos para o próximo dia 4 de Março e, por conseguinte, não farão nenhum apelo à participação dos docentes nesta jornada de luta, sem que tal opção traduza da nossa parte qualquer beliscar da justeza da greve para muitos funcionários públicos ou mesmo qualquer discordância de fundo com a maioria das razões invocadas para a justificação da mesma.

Esta posição, além de exprimir o sentimento geral de desmobilização e de falta de confiança dos professores na capacidade destas direcções sindicais para defenderem as suas reivindicações centrais, mercê da frustração e da indignação com que a maioria dos docentes recebeu o Acordo de Princípios celebrado entre sindicatos e ME, escora-se no conjunto das razões a seguir expostas:

1. ninguém compreende que escassas semanas após a celebração de um Acordo entre sindicatos e ME, que passou para a opinião pública uma mensagem de entendimento e pacificação (mesmo que ilusória), os sindicatos se venham agora envolver na forma de luta mais extrema, ao mesmo tempo que continuam a negociar com o ME, sobretudo quando, no momento oportuno para o fazerem, claudicaram na defesa das principais reivindicações dos professores, nomeadamente o fim deste modelo de avaliação e a recusa do sistema de quotas (porque o fim da divisão da carreira era uma conquista adquirida), permitindo que a negociação se confinasse a uma redefinição das progressões na carreira, por sinal penalizadora para a maioria dos professores;

2. as questões salariais nunca foram o ímpeto da mobilização dos professores e seria um mau sinal que a justíssima luta dos professores pudesse ser confundida, pela opinião pública, com reivindicações de natureza salarial, particularmente num período em que a situação económica da maioria das famílias portuguesas passa por dificuldades, em muitos casos dramáticas;

3. é de todo incompreensível que a reivindicação que mobilizou a esmagadora maioria dos professores, a saber o fim deste modelo de avaliação, a qual persiste quase intacta na filosofia e nas práticas do modelo de avaliação em vigor e dos retoques que se anunciam, tenha sido inexplicavelmente abandonada pelos sindicatos e não constitua, sequer, parte das razões da greve;

4. persiste a dificuldade em explicar aos professores a espantosa contradição entre aceitar, no precipitado e injustificado Acordo de Princípios, os bloqueios no acesso ao 5.º e 7.º escalões e vir agora invocar a contestação desses bloqueios como uma reivindicação que legitima a greve, o que constitui pura hipocrisia ou mero tacticismo sindical à custa dos interesses dos professores;

5. a marcação desta greve foi, mais uma vez, decidida pelas cúpulas sindicais e à revelia da auscultação da vontade dos professores, a que acresce a circunstância de não se vislumbrar nenhuma movimentação significativa a nível dos sindicatos nas escolas para que a greve resulte;

6. os professores sentem que os sindicatos, em sede negocial e pela segunda vez, não interpretaram e não defenderam condignamente as suas principais reivindicações, pelo que prevalece um sentimento, dificilmente superável nos próximos tempos, de que as estruturas sindicais não os representam convenientemente. A ideia que predomina nas escolas é a de que não vale a pena lutar conjuntamente com estas direcções sindicais, pois estas acabam quase sempre por desbaratar o capital de luta alcançado.

Tudo isto torna expectável uma baixíssima adesão à greve por parte dos professores, embora tal não deva ser interpretado como um sinal de apaziguamento ou de satisfação da classe pelas parcas conquistas alcançadas, pelo que se torna fundamental repensar formas, estratégias e acções de luta para o futuro que sejam verdadeiramente unitárias entre sindicatos, movimentos e professores.

Este modelo de avaliação, o sistema de quotas, o actual modelo de gestão, as situações de precariedade de muitos docentes e o desemprego de muitos milhares de outros, deverão mobilizar-nos para a definição e a dinamização de uma convergência de vontades que ausculte e debata formas de luta, antes de as impor.


APEDE,
MUP,
PROmova


15 comentários:

AlexM disse...

Apesar de achar que os sindicatos estiveram mal (incompreensivelmente, na minha óptica), irei fazer greve.
Concordo na generalidade com este comunicado mas o mesmo fará, na minha opinião, com que muitos desmobilizem ainda mais.

Não fazendo greve, muitos irão comparecer em escolas fechadas por funcionários. Não seria uma altura propícia para haver uma aproximação positiva com os restantes trabalhadores do estado?

Na minha perspectiva seria...

Safira disse...

Pelos mesmos motivos aqui apontados (e que subscrevo) não faço greve!

Anónimo disse...

Concordo em pleno com esta opinião. Fomos traídos pelos sindicatos. Greves: "Jamê".

Anónimo disse...

A história demonstrou que grandes manifestações foram bem mais determinantes que as greves.

A greve deve ser o último recurso. A forma como aparece não passa de uma banalidade que não vai levar a lado nenhum.

celeste caleiro disse...

Continuo sem perceber as pessoas...dos sindicatos, dos movimentos...todos acham que têm razão para nada fazerem. No dia da última manif poucos foram, porque era dos funcionários públicos; agora greve não fazem, só porque foi marcada pelos sindicatos integrados na cgtp ou ugt; não sei se é bom termos acções isoladas...eu só sei que faço e participo conforme as minhas crenças e possibilidades. Fiz greve para estar na manif e eramos poucos. Acham que posso fazer outra greve? Não me parece e muito menos sozinha lá na escola. Mas se ninguém dependesse de mim, se pudesse fazia, mesmo sozinha, pelos meus princípios.
Assim não vamos a lado nenhum. E de que maneira iríamos? Alguém já sabe? Então avancem para mobilizar as pessoas. Criticar só não chega.

teodoro disse...

A desmobilização dos professores é responsável pelo acordo.

Anónimo disse...

Se não concordamm com esta greve deviam apresentar alternativas. Penso que se todos os funcionários públicos fossem unidos podiam parar o País.
As greves dos professores não afectam nada os portugueses: os alunos ficam felizes e o Governo contente com a receita no final do dia.
A união de todos os funcionários públicos seria a melhor alternativa.

Anónimo disse...

Vamos fazer uma manifestação! De preferência sem sindicatos maspodem todos comparecer.

Anónimo disse...

Ilídio,
Continuamos a ser tratados como escravos; escravos dos sindicalistas (parceiros do poder instituído !)

Continuo a ser PELA LIBERDADE e um HOMEM LIVRE como TU !

Obrigado a ti, ao Ricardo, ao Octávio e ao Zé Farinha.

Um abraço de LIBERDADE e JUSTIÇA

Zé Pires ( Made in Vinhais )
( Escola E. B. 2/3 António Bento Franco )
Ericeira.

Francisco Trindade disse...

Sobre a greve do dia 4 de Março

Comentário meu:

O que é triste não é a figura que os sindicatos de professores estão, mais uma vez a fazer, no seguimento de indicações partidárias pois claro, no tratamento que fazem das suas bases e dos professores em geral.
O que é mesmo triste, para mim, foi a atitude tolerante que os movimentos tiveram, na maior parte dos casos em relação aos sindicatos durante os últimos dois anos, defendendo a tese de que o fundamental mesmo era a união de todos os professores custe o que custasse, em vez dos movimentos de professores serem algo de emancipador e de novo em relação justamente aos sindicatos...
O resultado está à vista.
E infelizmente estou convencido do seguinte: a recuperação do tempo perdido é impossível!...

fisga disse...

Título: a posição dos Movimentos de Professores face à integração dos professores na greve do dia 4 de março

Perante a notícia vinda no Jornal Público sobre a greve convocada pelo(s) Sindicato(s) dos Professores, para o dia 4 do corrente mês de Março versus a tomada de posição de três Movimentos dos Professores - APEDE ,MUP e Paulo Guinote (na Educação do meu Umbigo)- & um comentário em destaque naquele Jornal com o título «Comentário + votado: Está tudo doido?
Mas desde quando é que os movimentos "independentes" podem aderir ou convocar ...( Carlos ) » reitero o comentário que já escrevi para o dito jornal, e do qual tive a mensagem de confirmação de envio, e que passo a transcrever como tomada de posição face à notícia: “Título: Resposta ao Carlos e à Situação da Greve convocada” (: Texto: “Que anda muita doideira no ar, anda e que se tem mostrado altamente contagiosa, tem.
Não consigo aceder ao resto do comentário (!!!) do Carlos mas até quando
os Sindicatos têm o direito de Exclusividade na Luta, na representação e manifestação dos Interesses e Vontades dos Profissionais e Cidadãos?!.. Era o que faltava! Acima da eventual Lei que possa regulamentar esta situação da greve,temos outras acima delas que podemos, devemos e temos ainda o direito de invocar e usufruir: confirmar no Dec-Lei 15/ 2007, no seus Pontos 3 e a) do Ponto2, do artg 5º. E chega de conversa: eu já comecei a tentar tratar-me deste desvario. Comecem vocês também, em vez de andar a continuar a comer só o que lhes dizem que vos faz bem!.. de “Fisga”, Coimbra”. :)
E nada mais tenho a dizer a não ser estar plenamente de acordo com as questões levantadas e o parecer emitido pelos Movimentos face a esta greve que, aliás, me deixou perplexa e cuja razão de ser ainda não tive forma de vislumbrar, por mais que me tenha esforçado. E nem nos deram muito tempo para pensar pelas nossas cabecinhas: o que vale é que muitos de nós ainda não a perdemos de todo; nem tão pouco delegámos plenos poderes a essas formas de organização que a Lei concede e nós damos o poder de nos representar ( REPRESENTAR, note-se, não é “Substituir-se a”); acaso alguém lhes passou algum “cheque” em branco, ou pré-datado, para pensarem por nós como bem lhes aprouver, estimando que, em rebanho, os sigamos nas ordens sem sequer questionar as razões?!.. Para desespero de alguns, parece que muitos de nós até ainda conseguimos manter as orelhas no local certo, quanto mais a dita! Para isto aponta a sondagem feita no blogue “Educação do meu Umbigo”.
Fisga Coimbra

fongsoi disse...

agora aqui chegados percebe-se claramente o que já tinha compreendido nas primeiras reuniões dos movimentos de professores em que participei: a clivagem, porventura inultrapassável, entre os movimentos e os sindicatos. se é certo que os sindicatos (os seus dirigentes) não estiveram bem, a verdade é que os movimentos também na altura crucial claudicaram e não souberam em conjunto com os professores encontrar a alternativa de luta certa para opor aos interesses dos actuais dirigentes sindicais. perdoem-me a ignorância mas não conheço outra organização para os trabalhadores que não seja o sindicato. é verdade que o sistema actual pelo qual os sindicaos se regem está minado pela partidarite e é controlado pelos respectivos comissários políticos. mas os sindicatos são por excelência a organização dos trabalhadores, não são propriedade dos dirigentes que temporalmente os dirigem. se necessário for cabe aos trabalhadores nem que seja à paulada tomar conta dos seus sindicatos. não se tomou este caminho, preferiu-se a dessindicalização e a formação de movimentos mas quando chegou o momento fulcral da luta, os movimentos conduziram-se a eles próprios, por falta de organização e de rumo a seguir, a um beco sem saída. de modo que recusando estes sindicatos ou recusando tomar as suas rédeas, ao recusar uma forma alternativa viavel e consequente em oposição aos actuais sindicatos, os movimentos perderam a parada e mesmo concordando em parte com o comunicado, acho necessária uma varridela nas actuais direcções sindicais, posições como esta, contra a participação numa greve justíssima de todo o sector público, unidade que deveria ter sido procurada desde o inicio e não foi pela inacção dos dirigentes sindicais, apelar à não participação na greve e não aproveitar esse momento único para unir os professores e talvez fazer história derrubando os actuais dirigentes sindicais e fazendo dos sindicatos a estrutura organizativa dos professores por excelência e tomá-los de vez para o controlo dos professores é fazer o jogo do governo, é criar uma ferida aberta, que já está, entre os professores e que levará anos a cicatrizar, é ceder no momento crucial, enfim, é proclamar o fim da luta.
com sindicatos ou com movimentos porque não me conformo a resignar vou fazer greve, só assim toda a luta passada faz sentido.
os movimentos fazem bem o papel de superioridade e consciência moral dos sindicatos, mas agora qual é o interesse que está por detrás desta proclamação de desmobilização à greve? o dos professores não é certamente.
os actuais dirigentes sindicais não servem os professores? de acordo! então mobilizemos os professores e tomemos conta dos sindicatos que são nossos. querer acabar com os sindicatos é sonho de muito longa data do patronato. quereis vós fazer o servicinho ao patrão? não creio. há que saber ultrapassar divergências pessoais quando se trata do interesse de toda uma classe.
vivam os professores!
todos em força e em greve dia 4!

Anónimo disse...

Que grande mixórdia! Reconhecendo, com tristeza, que há professores que preferem ficar a olhar para o ar enquanto auxiliares fecham escolas em lutas que dizem respeito a todos, ainda “gostava de perceber” porque é que para os autores desta peça, lutar contra o congelamento dos salários é coisa que parece mal (o governo do engenheiro aplaude e o PSD e o CDS abstêm-se enquanto isso for suficiente para viabilizar). Quem, como eles, achar que as perdas salariais são problema da plebe, pois que não lute contra isso. Podem ser muitos, mas enganam-se. Quem, como eles, achar que podem continuar a brincar com a nossa aposentação, pois não faça greve. Quem, como eles, achar que a imposição de quotas a toda a administração pública se podia resolver com a 5 de Outubro a vetar uma Lei da AR, que não faça greve. Quem achar que, a começar outros, mais de dois anos de roubo de tempo de serviço a todos os que trabalham na administração pública, também aos professores, morreram com a estúpida expectativa de que um acordo de princípios que teria de ser uma espécie de dia do juízo final, que não faça greve. Mas quem tiver consciência da profundidade dos problemas que enfrentamos, de que a nossa luta não é um vaidoso e solitário acto corporativo, quem der espessura à análise política do que enfrentamos, pois que faça o que deve: faça greve, nesta luta, em conjunto com os outros que trabalham, como nós, para a coisa pública!... Até pela dignidade que nos afrontam, não só por sermos professores, mas por trabalharmos na administração pública, eu faço greve. E, já agora, aos senhores que se entretiveram a redigir isto, mais uma vez entretidos em esvaziar e dar desculpas aos mais frouxos, tenho para mim que os sindicatos não se vêm, ao contrário do que afirmam... Nem eu, sinceramente, com a desmobilização de recorte hedonista que estes senhores vão debitando para a net. Ao que anda esta gente que escreve coisas como se fossem uma espécie de titulares da luta que vão tentando corroer? Vamos mas é à luta a sério que ela tem muitos planos, enormes desafios e, quanto mais põe em causa os fundamentos do sistema, mais contra-vapor! Eu estou a fazer a minha parte; os três subscritores do comunicado voltaram ali a fazer a deles.

Julieta disse...

Todos à Greve,os motivos para a sua existência são mais que válidos.
O acordo foi um logro,mas outros valores mais altos se levantam.

Anónimo disse...

GREVE APENAS..PARA NÃO TER QUE PEDIR ESMOLA NOS PONTOS DOS ONIBUS..NEM ANDAR A PÉ...POR AI..SEM GRANA NO BOLSO..POIS TEM ALUNOS GANHANDO MAIS QUE OS PROFESSORES..E ISTO É DESCREDITO MONETÁRIO..VÁ AO SUPERMERCADO..E TENTE COMPRAR UM OVO DE PASCOA..E LANCE A MÃO NO BOLSO..E VEJA SE TENS DINHEIRO..SINTO PENA DE MIM..
SÓ ISTO TENHO A DIZER..

SO ISSTO

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