quarta-feira, 10 de março de 2010

DESABAFO SOBRE A AVALIAÇÃO INTERCALAR

Embora o texto tenha sido recebido por e-mail provindo do reenvio da colega que o produziu e que pedia para o fazer chegar a todos os professores, como este é um espaço público, preservamos aqui a sua identidade.

É um desabafo sobre apreciação intercalar de professores e, ao mesmo tempo, uma posição coerente e corajosa.



Chamo-me [...], sou professora de Educação Física do 3º Ciclo, do Quadro de Escola e, pelos vistos, tenho o azar de mudar de escalão durante o ano de 2010.

Na passada 6ª feira tive uma reunião com o Director do meu Agrupamento, para a qual foram convocados os Professores Contratados e os Professores que mudam de escalão durante este ano civil. Os boatos passaram a informação formal! Todos nós temos que realizar, neste ano lectivo, uma apreciação intercalar nos moldes da Avaliação de Desempenho do ano passado, sem sequer contar para a nossa real Avaliação de Desempenho, pois servirá apenas para podermos mudar de escalão (para os contratados nem percebo para que é que serve). E, quando saírem as novas regras para a Avaliação de Desempenho, que a Sr.ª Ministra diz saírem em Abril, teremos que realizá-la da mesma forma que todos os outros colegas.

Fiquei revoltadíssima e, desde essa reunião, que não paro de pensar em como tudo isto é ridículo.

Vejamos:

- Como temos que ser avaliados mais cedo do que os colegas, devido à mudança de escalão, pedem-nos que sejamos sujeitos a uma Apreciação Intercalar (até aqui tudo bem);

- Passei o ano lectivo transacto a lutar contra o modelo de Avaliação de Desempenho do anterior governo. Fiz greves, fui às manifestações e não entreguei os objectivos individuais;

- Quando o novo governo tomou posse, em Outubro de 2009, a nova Ministra da Educação anunciou que o modelo de Avaliação de Desempenho iria ser alterado, pois eram necessárias alterações para que este se tornasse mais justo e aplicável. Vitória!!! (acreditemos ou não que essas alterações sejam feitas);

- Chega às escolas um ofício a pedir para suspenderem a Avaliação de Desempenho dos docentes até chegarem as novas regras; e agora pedem-me para realizar a Avaliação de Desempenho do ano anterior, aquela que vai ser alterada por não ser justa, aquela que vai ser alterada em Abril.

Isto para mim não faz qualquer sentido e, tenho a certeza, que não sou a única a pensar da mesma forma. Foi por isso que resolvi escrever este desabafo.

Não é, obviamente, pelo trabalho que dá fazer os objectivos individuais. Para a maior parte de nós, basta copiar os do ano passado (bem sei que, infelizmente, alguns Directores das escolas, se esqueceram que são professores e não elaboraram os objectivos para os colegas que não os entregaram, o que não teve qualquer efeito, pois esses professores foram avaliados como todos os outros). Mas basta copiar, fazendo algumas alterações. Como disse, não é pelo trabalho que dá fazer os objectivos ou preencher a ficha de Auto-avaliação. É por uma questão de princípio! Se, no ano lectivo anterior, este modelo de avaliação não fazia sentido, este ano, com a chegada iminente das novas regras, é no mínimo ridículo pedirem-nos que o façamos.

Quanto aos colegas contratados, parece-me ser exactamente a mesma situação, pois nem eles nem nós temos culpa que o novo modelo de Avaliação de Desempenho ainda não tenha saído.

Por tudo isto tomei a decisão de fazer o requerimento a pedir a Apreciação Intercalar, mas não vou entregar os objectivos individuais. Fazê-lo era ir contra mim mesma, contra a minha opinião sobre este modelo de avaliação, deitar fora todo um ano de luta, baixar a cabeça apenas porque vou mudar de escalão. Medo??? Não! Nunca! Sou fiel àquilo que penso e isso deixa-me de consciência tranquila.

Espero sinceramente que, caso estejas na mesma situação que eu e que tenhas lutado contra este modelo, tenhas o mesmo pensamento.

Obrigada por escutares o meu desabafo!

[Localidade], 8 de Março de 2010

[Identificação]

11 comentários:

Anónimo disse...

Pois é colega, não é a única. Aliás, eu já tive aulas assistida este ano, porque o processo "no meu mundo" não suspendeu, não parou, nada mudou...

Anónimo disse...

PROFESSORES VÊEM ADIADA A PROGRESSÃO NA CARREIRA
POR FALTA DE ORIENTAÇÕES CLARAS DO ME

Tão ou mais grave do que o atraso antes referido é a falta de clareza sobre o que deverão fazer os docentes que, em 2010, progridam na carreira. Diz o decreto-lei n.º 270/2009, de 30 de Setembro, que deverão requerer uma “apreciação intercalar” e afirmou o ME, em nota informativa, que a mesma passaria pela aplicação do “simplex” avaliativo previsto no decreto regulamentar 1-A/2009, de 5 de Janeiro. Procedimento que, acrescentou, se aplicaria aos professores contratados e aos que, no ciclo avaliativo anterior, foram avaliados com Regular ou Insuficiente. Essa decisão, tomada unilateralmente pelo ME, mereceu forte contestação da FENPROF.

Entretanto, na reunião realizada em 24 de Fevereiro, no ME, a FENPROF foi informada de que tal procedimento afinal não se aplicaria aos docentes que iriam progredir, devendo, em breve, haver nova informação junto das escolas. Só que, até hoje, nada foi alterado e a situação é de verdadeira confusão. Uma situação, aliás, e convém frisar, que apenas existe porque o ME não quis suspender o modelo de avaliação em vigor, o que deveria ter feito.

Face ao problema gerado junto das escolas, com os professores a serem os principais lesados, vendo adiada a sua progressão na carreira, a FENPROF não pode deixar de:

- Denunciar a situação e manifestar o seu mais veemente protesto;

- Exigir, do ME, a rápida clarificação da situação, defendendo que, tendo aqueles docentes sido avaliados há menos de meio ano, a designada “apreciação intercalar” se resuma a um simples acto administrativo;

- Denunciar na Assembleia da República, no próximo dia 16, esta situação penalizadora, solicitando aos deputados da Comissão de Educação e Ciência que diligenciem no sentido da sua resolução. A FENPROF será recebida nesta comissão no dia 16 de Março, pelas 17 horas, em reunião cujo tema será o ECD e o ponto de situação após a assinatura do acordo de princípios em 8 de Janeiro, p.p..

O Secretariado Nacional da FENPROF

Anónimo disse...

É fundamental não nos deixarmos apoderar pelo desânimo! A luta deve continuar! Temos que continuar a pressionar os sindicatos de modo a que estes exijam ao ME bom-senso e justiça!!! E, para já, vamos denunciando estes abusos de alguns directores. Acredito que esta história da "apreciação intercalar" vai acabar por não se aplicar, pelo menos nos moldes que esta colega refere.

Anónimo disse...

Mandemos uns emails a agradecer aos sindicatos. Grandes traidores esses sindigatos!

J.F. disse...

Como compreendo a sua revolta...

Não existe avaliação intercalar!!!!
Já recorri superiormente, para diversas entidades, da "interpretação" da DRELVT para "apreciação intercalar"!
Quanto aos OI, a nota informativa do Gabinete da Sr.ª Ministra da Educação, no início do ano escolar, vem exactamente dar razão aos argumentos (de Lei))que os docentes utilizaram (NÃO SÃO OBRIGATÓRIOS!)

Anónimo disse...

Ontem, soube que chegou informação à escola e, afinal, para os professores que vão mudar de escalão, a tal apreciação está suspensa, até nova ordem. Isto é gozar, ou quê? Haja paciência...

celeste caleiro disse...

Vamos ter calma, não acreditem à primeira em tudo o que dizem os directores, porque eles agora são paus mandados, a pressão para desnortear os profs deve ser grande!Nós é que temos que estar atentos, pensar, contactar os sindicatos,os movimentos, agir de maneira coesa.
Nada nos adianta criticar os sindicatos, que somos nós, ou não?
Na minha escola ninguém contesta nada, aceitam tudo como carneiros.Que poder têm os sindicatos se nós não questionamos nada? Os sindicatos podem ter conseguido pouca coisa, mas consegue-se alguma coisa sem eles?
Olhem, eu sozinha na minha escola qualquer dia sou afastada, de uma maneira ou outra...mas tb já estou por tudo.Como se costuma dizer, haja saúde!

Anónimo disse...

Mas e os Contratados??

No meu mundo não terminou, aliás começou há dois anos quando ninguém se indignou... que hipocrisia!

mario silva disse...

Sou abrangido pela alínea b(osta), está calendarizado um processo de avaliação de desempenho (e não uma apreciação), e ainda não foi divulgado este putativo aviso na escola…
Contudo, alguém me explica como se conjuga esta apreciação com os artigos da avaliação de desempenho do ECD que dizem "a avaliação de desempenho realiza-se no final de cada período de dois anos escolares" e "Os docentes só são sujeitos a avaliação do desempenho desde que tenham prestado serviço docente efectivo durante, pelo menos, metade do período em avaliação a que se refere o número anterior"?
A que propósito os professores do quadro de escola têm OUTRA VEZ de serem avaliados só porque têm o 'azar' de progredir em 2010 em vez de 2009?

Anónimo disse...

Estou tão indignada com esta história da apreciação intercalar! Se já fomos avaliados em 2009 e porque temos o azar de progredir em 2010, temos de ser avaliados outra vez? Só pode ser por excesso de zelo!!! Ainda por cima nem sei em que moldes e com que justiça essa apreciação é feita nem se é possível recorrer!!! Vamos lá ver quem são os amigos do Director! Na minha escola o processo continuou por ordem do director e com todo o gosto! Tenho uns colegas que são mesmo uns carneiros dos quais profundamente me envergonho!

Adriano disse...

Isto é tudo uma grande treta. A procura de uma uniformização das milhentas situações profissionais na nossa carreira é uma tarefa inglória. Já pensaram no que sucederá depois de 2013? Ninguém sabe o que inventarão amanhã. Basta olhar para a ministra, outrora sorridente e graciosa. Nunca mais se lhe viu um sorriso e acabaram-se o beijinhos... E os sindicatos que tenham juízo.

Desde 01-01-2009


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