DIPLOMACIA
Em 1180 candidatos, 700 chumbaram a português
Luís Amado recebeu um relatório a alertar para a falta de cultura geral dos candidatos a diplomatas e a defender a redução da burocracia nos concursos- Marcelo Caetano foi o primeiro primeiro-ministro após o 25 de Abril; D. João V viveu na época dos Descobrimentos e a família real fugiu para o Brasil em barcos ingleses. Estas foram apenas algumas das respostas erradas, claro - dos candidatos ao concurso de ingresso na carreira diplomática durante a entrevista final que os colocou frente a três embaixadores de carreira. "Houve ainda quem não soubesse indicar três escritores de língua portuguesa do século XX, ou três pintores", conta à SÁBADO o presidente da Associação Sindical dos Diplomatas e membro do júri, embaixador Tadeu Soares.
Este foi um dos motivos que Luís Amado recebeu um relatório sobre os jovens diplomatas levaram o diplomata a elaborar um relatório, que já foi entregue ao ministro dos Negócios Estrangeiros, que defende a reformulação do curso intensivo que os candidatos aprovados vão ter que frequentar nos próximos três meses. "Para além das aulas de línguas, contabilidade e protocolo vamos ter de incluir aulas sobre arte, literatura e arquitectura portuguesa, por exemplo. Um diplomata tem de conhecer profundamente o seu país", defende.
Para além da falta de cultura geral, o diplomata aponta outro problema: "Em 1180 candidatos, mais de 700 chumbaram nas provas de português - que eram de escolha múltipla. Ou seja, as pessoas não compreenderam o que leram. Isto não é normal e é grave."
Outro ponto do relatório defende a diminuição da burocracia administrativa no próximo concurso, que deverá abrir em Setembro, para diminuir a sua duração. "Não faz sentido que tenha de justificar todas as decisões em Diário da República. Só com isso perdem-se semanas",diz. "Por exemplo: se aparecerem mil candidatos sem licenciatura, tenho que publicar mil justificações sobre como eles não cumprem os requisitos. É de loucos." O actual concurso demorou 14 meses para escolher 30 pessoas. Nuno Tiago Pinto
(Revista Sábado)









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