Sobre o suicídio de um professor, vítima de bullying, falou o Director Regional de Lisboa:
- A. O Professor sofria de "fragilidades psicológicas".
B. É preciso não magoar os autores do bullying para não ficarem "traumatizados com complexos de culpa".
Só mesmo em Portugal é que se ouve uma destas, ainda por cima, um responsável regional!
Na lógica deste idiota regional, compete-nos perguntar:
- O Professor devia ter sido despedido, por fragilidade psicológica?
- O Professor, não se queixou repetidas vezes, por escrito, nunca tendo recebido ajuda ou resposta da Escola?
- Quer fosse "frágil" ou não, não devia a Escola protegê-lo das agressões, separá-lo daquela turma, ou atribuir-lhe outra tarefa?
- Não faz parte da educação cívica e humana das crianças, aprenderem que não podem agredir, sob pena de serem CULPADAS e PUNIDAS?
Como é que uma besta destas é nomeado Director Regional!
Esta canalha fala sobre conceitos interessantes, de que só conhecem os títulos:
- A Escola Solidária,
- Todos iguais, Todos diferentes,
- O Papel da Escola no Processo de Socialização,
- A Educação para a Cidadania,
- patati, patata.
Depois, quando os garotos perseguem os colegas e os professores até à morte, acaba a conversa solidária, e varre-se o crime para baixo do tapete:
- culpam a vítima, e os pais da vítima,
- desculpam os garotos que, na realidade, são educados para a IMPUNIDADE,
- dizem que vão fazer um inquérito que, na verdade, é a maneira de esconder a gestão danosa, de que são culpados.
As queixas das vítimas, insistentes, atempadas, e sem resposta, são deliberadamente ignoradas, e desconsideradas, pelos responsáveis.
Logo de pequeninos, os jovens ficam a saber:
- Que o crime compensa.
- Que o sofrimento do próximo é fonte de divertimento.
- Que a violência prevalece sobre a razão.
São os cidadãos Simplex, de amanhã.
Os selvagens dum país de selvagens.
Os ovos da serpente.
Os verdadeiros responsáveis pelo estado de guerra nas escolas:
- as Direcções Escolares, bem informadas sobre os antecedentes, que convivem com as tragédias, mas escondem para não se chatearem, porque o processo é complicado e inútil,
- as Direcções Regionais, cheias de boys ignorantes e trapalhões, que não fornecem os meios humanos que a escola necessita,
- o Ministério, onde se acoitam os autores das sucessivas Reformas do Ensino, que faz leis sobre leis, sempre para pior, para não serem cumpridas:
- E que persegue os professores,
- E que promove a desvalorização do Ensino e da Escola Pública.
É esta a canalha, que nos trouxe a estas mortes trágicas. São eles os assassinos.
In Mais Évora.










4 comentários:
Onde está a união dos professores para não deixarem passar isto em branco? Algo tem de ser feito. Não me sinto bem calado.
O Comentário deste ARTISTA deveria aparecer nas Tvs, para ser comentado e analisado....assim, sempre se ficava-se saber como são os nossos Directores, feitos por nomeação.
Dias antes do suicídio de um nosso Colega, em post publicado no blogue “De Rerum Natura”(06/03/2010), intitulado “A real dimensão do bullying nas escolas”, dava eu conta desta notícia: “O tema está em voga e os casos sucedem-se. O mais recente foi em Castanheira de Pera, onde um aluno de 12 anos da Escola Básica 2.º e 3.º Ciclo Bissaya Barreto agrediu uma professora. A situação foi de tal maneira grave que até a GNR foi chamada ao local” (Diário as Beiras, 19.Abril.2008).
Do referido post, extraio mais alguns excertos:
“Mas é bom que se tenha em mente que o bullying, que já causou suicídios de estudantes nos Estados Unidos, não se circunscreve a agressões físicas e/ou psicológicas, apenas, entre colegas de escola.
Será que para chamar a atenção da sociedade portuguesa para esta forma de agressão física dos alunos aos professores, não chega o facto devidamente fundamentado em dados estatísticos de os professores serem uma percentagem substancial da clientela que enche os consultórios psiquiátricos? Será preciso um(a) professor(a) suicidar-se para os zelosos corifeus do ministério da Educação reconhecerem que chegou a altura de abandonar, de uma vez por todas, a permissividade perigosa de ter matulões em escolas inclusivas oficiais como se tratassem de crianças do coro de igreja?
(…) “Quantos professores não transpõem o umbral da sala de aula para ganhar o pão que o diabo amassou com a coragem e a resignação de Maria Antonieta ao subir os degraus do cadafalso revolucionário de Paris do século XVIII? E como se isso não bastasse deparam-se, ainda, os docentes mesmo dentro do recinto da própria escola, por vezes, com encarregados de (des)Educação que os agridem em desagravo pelo mau rendimento escolar dos “bons selvagens” a que a sociedade escolar retirou a bondade e a possibilidade de engrossar a religião de analfabetos diplomados? E o que dizer de sindicalistas que esperam à porta de escolas oficiais entidades oficiais que as visitam para as apupar diante dos alunos com palavras grosseiras de quem deixou a carroça à porta?
O ministério da Educação tem por hábito assobiar para o lado como que o que de mau ou perverso se passa nas escolas, endossando a solução dos problemas para elas próprias, enjeitando, assim, a responsabilidade que lhe cabe de ter sido ele próprio a publicar e manter um estatuto do aluno que lhe dá todos os direitos e lhe não exige qualquer dever ainda que a simples frequência assídua e respeitosa nas salas de aulas pagas pelo erário público. Ou seja, pelas remediadas ou magras bolsas de todos aqueles que pagam impostos num país em que fugir aos impostos é prova de um malabarismo que se aplaude como se aplaudem as habilidades circenses”.
(…) “No nosso país chegam-nos zunzuns de que o governo se prepara para retirar os esquálidos benefícios sociais ao agregado familiar do aluno violento como se a forma eficiente de combater a agressividade fosse fazer passar ainda mais fome a quem chega a ter dificuldade em adormecer por ter o estômago vazio. Ou seja pagam possíveis justos – nem sempre a escola dos pais é a escola dos filhos – por um único pecador.
Embalar a alma lusitana na esperança sebastiânica de que o bullying nacional se trata de um fenómeno esporádico e de pouca expressão é tentar fazer com que ela, na sua pureza ingénua, se esqueça do dever que o governo tem para com uma sociedade, com escreveu Camilo Castelo Branco, em que ‘há lágrimas espremidas pelas mãos da prepotência por a lei se acobardar de levar aos olhos do fraco o lenço que vela os olhos da Justiça’”.
Neste "mare magnum" de notícias que, finalmente, alertaram o país para o fenómeno do bullying, involuntariamente, cometi uma incorrecção. A data da publicação do post é posterior ao conhecimento público do sucídio do nosso colega.
Assim no início do referido comentário, deverá ser lido: "Dias após(...)".
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