sexta-feira, 9 de abril de 2010

AINDA A DISCUSSÃO DOS CONTRATADOS NA AR

Breve relato e comentário à discussão na generalidade das iniciativas parlamentares sobre vinculação de professores contratados

Estive presente - eu e não só -, a título individual nas galerias da AR, para manifestar apoio exclusivamente ao projecto de lei do PCP, o único, de entre as várias iniciativas legislativas apresentadas, que contempla a reivindicação da vinculação dinâmica em moldes análogos ao estabelecido para os restantes trabalhadores pelo Código do Trabalho, reivindicação essa que também é a dos órgãos a que pertenço no âmbito do SPGL/FENPROF, e a da própria FENPROF, conforme as teses do seu último Congresso.

Nas galerias, presentes outros colegas, alguns ligados à Petição dos 10 anos de serviço, outros ao projecto de lei do BE e ainda alguns, a título individual, bem como o coordenador do MUP, Ilídio Trindade.

Apesar dos discursos produzidos no hemiciclo pelos representantes partidários, durante a longa tarde de ontem, uns mais que outros muito compreensivos para com o problema da eternização dos contratos a prazo na docência, no final foi possível destrinçar a verborreia demagógica das reais intenções no momento da verdade, ou seja, no momento das votações, que ocorrerá somente dia 16 deste mês.

Assim, aliás de acordo com o que prevíramos de manhã, o referido projecto do PCP será chumbado sem apelo nem agravo pelos votos do PS, PSD e CDS.

Os docentes contratados têm boa memória e não esquecerão essa votação tão cedo.

Quanto às restantes iniciativas (vinculação com 10 anos de serviço) advogadas pelos “peticionários” e também à última da hora pelo BE (!) terão igualmente chumbo garantido, pelo votos contra do PS, abstenção do PSD (e possivelmente também do CDS).

De registar que de nada rendeu a estratégia “boa vontade” do BE, traduzida na cambalhota que deu em poucos meses, distanciando-se da revindicação central da FENPROF para se aproximar dos “peticionários”, namorando o PS e o governo Sócrates.

Descontando alguma positiva visibilidade dada pela comunicação social ao problema da vinculação, deste previsível processo e desfecho parlamentar fica a lição para os mais ingénuos: não vale a pena sacrificar e traficar princípios e valores à mera táctica parlamentar-eleitoral, ainda para mais quando não há pressão e luta dos interessados sobre os partidos reticentes (PS e restantes partidos de direita).

E que, no final, desfeita a poeira das vãs ilusões, aos professores contratados só restará mais uma vez o arregaçar de mangas, associarem-se e partirem para a acção reivindicativa, retomando a velha máxima sindical de que “Só a luta é o caminho!”

Já este mês, tem continuidade a Campanha Nacional pela vinculação e criação de reais vagas de quadro, aprovada no último Conselho Nacional da FENPROF.

Igualmente no SPGL terá continuidade a acção reivindicativa própria para dar visibilidade e potenciar esta campanha na Grande Lisboa.

Também nos dias 23 e 24 de Abril, o X Congresso da FENPROF poderá ser um momento para potenciar e dinamizar algumas acções, mesmo de rua.

Pela vinculação dinâmica segundo a lei geral do trabalho!

A LUTA CONTINUA!

Paulo Ambrósio:
sócio nº 55177 do SPGL; ex-delegado sindical; membro da Frente de Trabalho dos Professores Contratados e Desempregados do SPGL desde 1999; membro do Coordenação da Frente de Professores Desempregados do SPGL, e do Grupo da Precariedade e Desemprego Docente da FENPROF; delegado aos VII, VIII, IX e X Congressos da FENPROF.

6 comentários:

Anónimo disse...

Caro Colega Paulo,
Parece que não entendeu nada de nada.
Os "peticionários" como se refere não estão a namorar nem o PS nem nenhuma outra força política, estão apenas a usar dum direito constitucional, exercendo assim a democracia participativa.
O Bloco de Esquerdo foi um dos partidos que soube dar voz à nossa luta, compreendendo que nas circunstâncias actuais lutar pela vinculação de todos os professores contratados é lutar para que nenhum o seja.
As lutas fazem-se por etapas, sempre assim foi e sempre assim será.
O meu profundo reconhecimento ao Bloco de Esquerda, na pessoa da deputada ANA DRAGO, que mais uma vez soube interpretar as preocupações e anseios dos professores contratados de longa duração.
Estou certa que o Bloco de Esquerda tal como o PCP estão interessados em resolver este problema tão injusto de cidadãos que ano após ano vêem a sua situação por resolver. A prova disso é recordar que já o ano passado o Bloco apresentou um projecto de lei que se aproximava mais do do PCP. Este ano o Bloco fez-se voz dos peticionários mas isso não significa que deixe de lutar para que os trabalhadores, professores contratados, vejam a sua situação resolvida.
É nossa obrigação reconhecer a enorme sensibilidade que manifestaram, para os anseios dos colegas que tem vindo a lutar para encontrar uma solução para esta tremenda injustiça.
Colega Paulo, a sua atitude só acarreta desencanto, espero que não na força politica que diz pertencer, pois em minha opinião tem um importantíssimo papel a desempenhar na sociedade portuguesa.
A HORA É DE UNIÃO E DE CONTINUIDADE NA LUTA QUE SÓ AGORA COMEÇOU.
MOBILIZE OS PROFESSORES NÃO OS DESMOBILIZE.

Paulo Ambrósio disse...

Há pessoas que não enxergam mesmo... e, ou querem permanecer de olhos fechados, ou pior, querem também fechar os dos outros.

Continuem pois com as vossas "petiçõezinhas" (aquém da Lei Geral do Trabalho) à AR, e os garruços enfiados pelo maioria da mesa nacional do BE.

Sim, porque conheço professores contratados, membros da sua Mesa Nacional, que ficaram de cabelos em pé com este golpe de rins - dos 3-6 para os 10 anos de serviço.

Quer nomes? Um deles foi meu camarada na comissão de contratados do SPGL 1999/2000, proponente de formas de luta radicais como o acampamento de Dez, 1999 frente ao ME e as ocupações dos centros de emprego (lideradas pela nossa saudosa comissão de então) que levaram - essas sim - à conquista do subsídio de desemprego docente.

Se então ficássemos presos às "brilhantes estratégias parlamentares" abrangentes do BE (a propósito, onde estão os seus resultados?) ou a meras "petiçõezinhas" e a estratégia do recuo, ainda hoje gerações de professores desempregados passariam mal e até fome, tratados como cães pelo Estado português.

Na vida assim ,como no mundo laboral, nada cai do céu, caro colega "anónimo", sem luta! Luta firme, continuada e dura. O resto são estórias da carochinha...

Pela minha parte, continuarei fiel aos valores e princípios que menciono no "Relato" e ao lado de quem como eu, desde o 1º dia de como professor, exigiu e fez todas as lutas pelos contratados e desempregados e ,globalmente, todas as manifestações e greves da docência até hoje.

Os professores conhecem-me. Por isso, assino sempre com o meu nome.

Abraço na luta,


Paulo Ambrósio

Anónimo disse...

Caro, Paulo Ambrósio.
Confesso que admiro a sua luta e persistência, mas não se esqueça que há muitos contratados sindicalizados (como eu) e que ao fim de 15, 16 anos de serviço nada obtiveram em benefício da sua situação profissional. Pelo contrário, os contratados de longa duração estão bem pior do que estavam há uma década atrás: 1) já não há esperança de virem realmente a efectivar, porque as vagas não vão aparecer; 2) se não quiserem ser ultrapassados pelos colegas mais novos (por causa da bonificação atribuída à graduação)VÂO TER QUE PEDIR AULAS ASSISTIDAS TODOS OS ANOS sem a certeza de vir a obter a menção desejada para continuarem a ensinar. Nem aqui os contratados foram poupados. Os efectivos vão ser avaliados na componente científico-pedagógica APENAS 2 VEZES ao longo da sua carreira e mesmo que não tirem as menções mais altas PODEM PROGREDIR.
O desgaste da profissão também ataca os professores contratados, mas mesmo assim têm que ter forças e tempo para fazer tudo,incluindo a avaliação.
Pense nisto e veja se de facto tem havido, por parte dos sindicatos, uma real preocupação relativamente aos professores contratados.
Saudações.

Anónimo disse...

É triste que uma situação destas arraste tanta politiquice barata. Com pessoas assim não se resolve nada neste país!

Anónimo disse...

É lógico que aqueles que não têm 10anos de serviço, e só na semana passada concluiram a profissionalização pela Universidade Aberta, jamais poderão apoiar esta petição. Mas eu quando estive nessa situação, não me insurgi contra os professores de Técnicas Especiais que efectivaram através de uma petição igual a esta, e que, aliás foram bastante apoiados pela Fenprof.

José Luis disse...

Caro colega Paulo Ambrósio,
O senhor cada vez que fala, mais me confunde, há uns dias atrás disse que não iria estar presente na Assembleia da República, e incentivou todos os colegas para não estarem presentes e agora diz-nos que esteve lá!! Estou estupefacto senhor Paulo Ambrósio, ao que parece os seus ideais têm um critério elástico, que estica e encolhe, consoante chova ou faça Sol

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