terça-feira, 25 de maio de 2010

LETARGIA

Já há dias manifestei aqui a minha estupefacção pelo silêncio na Educação. Agora corrói-me a letargia. Já não apenas a de muitos colegas, que parece terem-se deixado vencer pelo cansaço, mas a do próprio Ministério da Educação.

Basta falar dos concursos para as ditas "necessidades transitórias", da avaliação de desempenho e do Estatuto da Carreira Docente.

Diariamente aqui chegam dezenas de preocupações solicitando informação, procurando "saber como estão as coisas". E a resposta é óbvia: "as coisas não estão" ou "estão estão no caos"!

Na verdade, os cerca de trinta mil professores contratados ainda não sabem se a avaliação conta ou não para o concurso. O processo arrasta-se, correndo-se o risco de as escolas iniciarem o ano lectivo com falta de professores. Além disso, estão a vilipendiar estes colegas, na medida em que esta situação tem sobre eles efeitos negativos que impendem sobre a sua dignidade e interferem no equilíbrio emocional.

Relembremos que na Assembleia da República foi aprovada uma recomendação para suspender o critério da avaliação no concurso.

Além disso, Fenprof interpôs uma providência cautelar, que foi aceite, tendo o ME retirado o critério da avaliação da aplicação informática do concurso. No entanto, o ME recorreu da decisão do tribunal que, por sua vez, deveria ter já decido sobre esse recurso. O Provedor de Justiça também pediu explicações sobre o assunto ao ME.

Quanto à avaliação de desempenho, salvo a designada "apreciação intercalar", está tudo em "águas de bacalhau" a dois meses de terminar o ano lectivo, pelo que será impossível, na prática, decorrer qualquer processo de avaliação que não seja meramente administrativo. E, a ser assim, certamente, para gáudio do ME, lá vão os professores ser corridos a "bom" (não esquecer que, na nomenclatura actual, um "bom" não é mais do que um "regular", com as implicações que isso tem na evolução na carreira).

E assim, além das penalizações do PEC, os professores lá vão continando congelados e adormecidos numa eterna letargia, permitindo que o Governo vá amealhando os milhões necessários para toda a corte de "boys".

Talvez o calor do Verão traga sangue vermelho e faça ressuscitar. Os professores, claro!

6 comentários:

ventoslunares disse...

Depois de desmobilizados, depois de um acordo do qual ninguém conhece as actas, depois do depois...queres o quê.
Roma não paga a traidores, é o que se diz.
É preciso neste momento dar tempo para que sintam o que se irá passar, os professores só acordam qdo a merda lhes cai em cima...

MJT disse...

… a letargia é atávica, portuguesa, fatalmente nossa como o fado, só onde a onde abanada por um excesso qualquer – o furor das bandeirinhas no futebol, a comoção de Timor, ou o Ultimato, ou o regicídio, ou, no caso professoral, a sinistra. Mas tais vagas alteradas logo passam… – Fernão Mendes?
E a ‘nossa’ bruxa sinistra escondeu-se na cave, deixou à superfície uma loira encarregada de sorrir as maldades e enganou todos os que ansiavam por novo engano para poderem descansar (houve 1 sobrecarga cognitiva nos sindicatos de professores, no ano passado) e resmungar (baixinho) nas salas de professores, «ai-este-país-assim-não-vai-longe».
(estou a ajudar, com este post?)
Única surpresa minha, e desconsolada: acreditei, no ano passado, estar a emergir, na blogosfera, uma nova forma de participação activa que congregava vontades dantes dispersas e seria potencialmente inovadora, despoletando mesmo um exercício de cidadania activa que se julgava totalmente inexistente.
Hoje… não avisto qualquer vermelho no verão…
(Mas tenho pena.)
De qq modo, há sp um reduto de indomáveis gauleses que resistem a todas as hordas romanas e que…
(concluo q não estou a ajudar, com este post; mas juro q queria)

MJT

antónio veríssimo disse...

publiquei o texto em escritaecombate.blogs.sapo.pt

abraço

celeste caleiro disse...

Só para dizer que isto de não aceitar o que eles querem, não é uma moda, é um princípio...e quem os tem, tem sempre, nem se sente bem de outra maneira, senão a lutar pelo que eticamente acha correcto.
Ilídio, não desistas. Muitos estão contigo por princípio, porque é mais uma voz que se faz ouvir e esclarece outras.
Continuo a acreditar que tanto sindicatos como movimentos são necessários na intervenção e uns não anulam os outros.Pelo contrário, completam-se. Que seria de mim sem esta possibilidade de pôr para fora o que vejo, sinto e tenho que denunciar?
Se muitos andam distraídos e a tentar comer os outros, um dia hão-de marrar. E depois não se queixem. É claro que somos todos apanhados...mas fizemos o que pudemos. E no dia 29 lá vamos estar outra vez. Talvez nos encontremos. Só isso já é bom!

Anónimo disse...

Não desistimos não. Para já aguardo. Quando necessário voltamos a unir e combater. Ainda nimguém entendeu os acordos, actas, como é?! nada sai!?

Alda disse...

Anda meio mundo a desviar a nossa atenção para outras bandas: Mundial de Futebol, Escutas, Comissões (?) na Assembleia da República, falinhas mansas da Ministra, etc, etc, etc.

Mas um dia vamos ser obrigados a despertar!
Para isso vamor precisar da tua vigilância.
Aliás: desistir é dos fracos e o Ilídio Trindade não faz parte desse clube!

Desde 01-01-2009


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