segunda-feira, 21 de junho de 2010

ASSIM VAI A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL!...

Por EMANUEL JANES

Nestes últimos anos em Portugal tem-se praticado uma política educacional insuportavelmente demagógica e bastante confrangedora, com o objectivo de alterar artificialmente as estatísticas, passando-se de um país com grande percentagem de insucesso para um país com grande sucesso escolar. Estes últimos governos socialistas passaram os analfabetos reais a analfabetos funcionais, contribuindo para o desmantelamento de todo o sistema de ensino em Portugal, que terá certamente reflexos num futuro muito próximo.
No início do século XIX, a Noruega era um dos países com uma das maiores taxas de analfabetos no mundo. Os políticos desse país entenderam, então, que só com o incremento do ensino o país poderia ter um futuro próspero. A Noruega fez então uma grande aposta no ensino e hoje é um dos países mais desenvolvidos do Mundo. Em Portugal faz-se, hoje, dois séculos depois, exactamente o contrário, desinveste-se no ensino, dificulta-se a vida aos professores e proporciona-se os maiores facilitismos aos alunos.
Primeiro, foi Maria de Lurdes Rodrigues, que agora foi premiada pela sua incompetência com um tacho chorudo na direcção de uma fundação qualquer. Colocou a dignidade dos professores na praça pública, passando a ser vítimas da chicana popular, impingindo-lhes o estigma de que eram eles os culpados de todos os males do ensino. Cortou-lhes regalias sociais, tais como a possibilidade de progredirem nas suas carreiras, impedindo-os de concretizarem alguns sonhos profissionais e sociais, em especial de poderem auferir um pouco mais de ordenado com que pudessem tornar mais digna a sua profissão e as suas vidas. Ela teve apenas um mérito: conseguiu unir os professores e fazer com que milhares viessem para a rua defender as suas razões.
Foi ela que começou a pôr fim ao ensino, digno desse nome, em Portugal, com a introdução de reformas que levam ao desleixo, à falta de rigor e qualidade. Impôs o sistema de “Novas Oportunidades” que é uma falcatrua para os alunos e uma mentira para os professores e que deu muito dinheiro às escolas privadas. Pouco motivante e entusiasmante. Na sequência destes, vieram os “EFA” (Ensino e Formação de Adultos), que é uma emenda pior que o soneto: programas ambiciosos, com uma linguagem pouco perceptível e rebuscada, num sistema super burocrático. Os alunos pouco aprendem e é uma frustração para os professores. Não há manuais, não há textos de apoio. Os alunos pesquisam na internet e “fazem trabalhos” de impressão. Ou seja, pouco ou nada aprendem. Este sistema veio ainda acabar com o ensino normal nocturno de tão bons resultados e que fez com que muitos alunos pudessem continuar os seus estudos na Universidade. Com os “EFA” essa possibilidade acabou, embora se continue a dizer aos alunos que podem ir para a Universidade, após a conclusão destes cursos de certificação de conhecimentos adquiridos. A verdade é que eles podem sempre candidatar-se, mas terão que se submeter a um exame para o qual, na realidade, não estão minimamente preparados.
Não somos contra estes cursos, mas entendemos que se deveria ter deixado a possibilidade àqueles que entendessem fazer o ensino normal e assim os conhecimentos adquiridos seriam outros e a possibilidade de entrada na Universidade seria mais evidente, pois concorriam em igualdade de circunstâncias com os outros alunos.
Agora vem esta nova ministra, com um sorriso enganador, dar a machadada final no que ainda restava de ensino. Ela que parecia sugerir grandes capacidades de inteligência, imaginação e saber, não enganará já ninguém, por certo, quanto às suas capacidades. As esperanças depositadas nesta ministra eram muitas, mas pouco a pouco ela vai deixando esfumar-se esse capital de confiança e começa a tornar-se em mais um lastro pesado que temos que suportar.
Primeiro, quer acabar com as escolas, no interior do país, que tenham menos de 20 alunos, fazendo-os percorrer, por vezes, cerca de 100 km, o equivalente a uma viagem de cerca de uma hora de autocarro, em cada sentido, o que torna insuportável para uma criança de pouca idade. Esta medida não só vai fazer com que a desmotivação dos alunos seja cada vez maior para frequentar a escola e dos pais para impor-lhes essa frequência, como ainda vai implicar uma cada vez maior desertificação do interior do país.
Agora, é a intenção de passar administrativamente os alunos sem aproveitamento, com mais de 15 anos de idade, do 8.º de escolaridade para o 10.º, sem necessidade de frequentar o 9.º. E, por fim, para a fraude ainda ser maior, quer dispensar os alunos da frequência da disciplina de Matemática. O facilitismo com esta proposta atinge os píncaros.
E o mais incrível e ridículo disto tudo é que os professores andaram tantos anos a estudar nas universidades e durante o ano lectivo a preparar aulas e a serem exigentes, para depois o Governo resolver o problema dos alunos de forma administrativa. E os contribuintes a lhes pagarem os ordenados.
Não seria mais lógico, mais fácil e menos oneroso para o Estado resolver o problema dos alunos no acto da matrícula, passando, já nesse momento, os respectivos diplomas?
O que será deste país no futuro com os analfabetos que estamos a criar?
O ensino hoje em Portugal segue o caminho dos outros sectores da vida nacional e não é mais do que uma verdadeira maquilhagem que se destina a cobrir e a esconder a profunda realidade dos portugueses, a trabalhar para as estatísticas de forma artificial criando uma massa de incultos num país de falsos educados.
É preciso olhar de frente para os problemas da educação e não assobiar para o lado ou fazer como a avestruz enfiando a cabeça na areia. Se não se faz algo a educação vai acabar sendo um trauma nacional que daqui a pouco já não terá solução.
Gostaria de saber o que pensam disto as “estrelas”, que se julgam cintilantes em matéria de educação, que o Partido Socialista tem na Madeira, e que tanto atacam o Governo Regional e o Secretário da tutela. Ressalve-se a atitude digna do socialista e também professor, Agostinho Soares que já se insurgiu contra este esquema e soberanamente ridicularizou a proposta para a educação apresentada por essas “estrelas” do seu partido, que estão na Assembleia Legislativa Regional ─ o tal regime jurídico pró-soviético conhecido como o regime das “Batas”.

In Jornal da Madeira.

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