quinta-feira, 24 de junho de 2010

CARTA ABERTA AO MUP, PROMOVA E APEDE

A Ilídio Trindade, Octávio Gonçalves e Ricardo Silva

Escrevo-vos esta missiva, porque ainda não se extinguiu no meu peito a chama olímpica que, em tempos, nos acalentou a alma e nos levou aos mais altos patamares da dignidade e da resistência e porque ainda acredito — talvez ingenuamente — que ainda é possível emergir destas cinzas exangues e frias, em cujo ventre germina o conformismo e a obediência cega. Escrevo-vos, porque acredito piamente que ainda é possível travar esta devastação que está a abocanhar vampiricamente as escolas públicas. E o que ainda é possível resgatar vale bem a pena, acreditai!
Guardo na minha memória — como se tudo tivesse ocorrido há instantes —, os tempos em que os vossos blogues eram mobilizadores, proactivos, inquietadores, subversivos. Muito mais do que os sindicatos, os vossos blogues agitaram as consciências, uniram os professores em torno de uma causa nobre, ajudando a construir a mais alta muralha de resistência. É, aliás, esse mesmo o significado de “movimento” e de “mobilização”. É, pois, em honra do vosso passado recente e da vossa própria génese que eu vos dirijo este apelo.

Sem pôr em causa o papel fundamental da vossa acção — continuar a informar os professores e a denunciar os desmandos da tutela —, permiti que vos diga que o adormecimento da classe também tem uma correlação significativa com a evolução que os vossos textos conheceram: já não são mobilizadores, já não apelam à resistência nem à luta, já não geram crença nem ânimo, porque vós mesmos pareceis já não acreditar. Analisar, informar, criticar e denunciar são acções muito meritórias, mas, sem as sementes da organização para a resistência, para a luta — e para a revolta, se for preciso — acabam por se dissipar na indiferença dos ouvidos cansados, macerados pela agonia de uma profissão violada e pelo fel das palavras do coro trágico em que os vossos blogues se tornaram. Neste momento, ou tentais ligar o desfibrilador enquanto é tempo, ou então de nada vale o canto fúnebre. Ficar à espera de Godot é morrer de fraqueza. É preferível, caros colegas, morrer de atrevimento! É muito mais digno!

Antes que me pergunteis pelo livrete das sugestões, aqui estão elas:

- uni-vos, por amor de Deus, que já ontem era tarde;

- reuni os três movimentos (MUP, PROMOVA E APEDE), de preferência no centro do país, e convoquem para essa reunião todos os professores que estejam dispostos a participar, a militar numa frente de luta;

- organizai um primeiro corpo que será o alicerce de uma teia muito maior, com um representante activo em cada agrupamento ou escola (com a Internet não levará muito tempo);

- organizai uma onda de resistência, passiva ou activa, em todas as escolas (é preciso que o lobo faminto e desvairado procure outros rebanhos para saciar a sua gula; as bestas selvagens atacam os mais fracos, os mais desprotegidos, os mais amedrontados, os mais encolhidos);

- se há tantas petições e abaixo-assinados na blogosfera, para tudo e para nada, também vós podeis pedir aos professores deste país que vos reconheçam e legitimem como seus representantes nas negociações com o ME (é fundamental, é vital que a tutela veja os professores unidos e, SOBRETUDO, organizados);

- o facto novo que resultará de todas essas sinergias mudará, definitivamente, o rumo da nossa classe (nós temos o direito de escolher os nossos representantes e o ME tem a obrigação de os ouvir e com eles negociar).

Afinal, como é que Portugal nasceu? Afinal, como é que o Brasil se tornou independente? Porque não pediram autorização a ninguém. Porque já eram livres e independentes no âmago que os sonhou.
Luís Costa

[Inicialmente publicada em Da Nação]

Sem comentários:

Desde 01-01-2009


Este blog vale $140.000.00
Quanto vale o seu blog?

eXTReMe Tracker

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Twingly BlogRank
PageRank
Directory of Education Blogs

RSSMicro FeedRank Results
Add to Technorati Favorites
Locations of visitors to this page