domingo, 27 de junho de 2010

O NEGÓCIO DO ENCERRAMENTO DE ESCOLAS

Assistimos, um pouco por todo o país, à contestação do encerramento de escolas, nomeadamente por autarquias, confederação de pais e até a Associação Nacional de Municípios, esta última dizendo que "não acredita que o Governo feche 500 escolas (ver RR) .

Interrogo-me: Por onde andaram estas entidades nos últimos 5 anos? Por que razão a Associação Nacional de Municípios “não acredita que o Governo feche 500 escolas”, se, em 4 anos, Maria de Lurdes Rodrigues fechou 3000, retirando as crianças dos seus espaços naturais e anulando as suas redes de segurança e de afecto? (Mensageiro Notícias) Onde estiveram quando, às centenas, aquelas crianças foram/são enclausuradas nos chamados “Centros Escolares”, perdendo a sua individualidade e as suas raízes? Onde estão as autarquias a quem aquela medida deu/dá um jeitão, uma vez que as escolas encerradas, nos centros das populações, libertaram espaços nobres que deram e darão condomínios, agências bancárias e até parques de estacionamentos?

E nós, professores, onde estivemos? Talvez perdidos nos trocados do tipo “avaliação, sim, mas esta não”, enquanto nos perdíamos no fumo a ocidente, o fogo avançava a oriente. Lembro-me de alguém ter tentado, e, passados os dois minutos de antena, ter sido silenciado e lembro-me de, na manifestação de 15 de Novembro, ter pedido um minuto de silêncio pela 3000 escolas então encerradas, mas foi só um minuto.

Pode, pois, a Associação Nacional de Municípios acreditar que, se não fecharem mais estas 500, 3000 e muitas já o foram e saberá a ANM que isto acontece porque a Escola virou filão de negócio.

Que “investidor” virará as costas a este negócio? Miúdos às centenas no mesmo espaço, poupando pessoal e recursos (como sabemos, o pagamento é por cabeça), edifícios novinhos, trabalhadores, professores incluídos, com vulnerabilidade contratual total. A casa está arrumada, agora é pôr a escola a render, ou seja, entregá-la ao negócio (eu disse negócio, não disse privatização que são coisas diferentes e que gente com responsabilidade confunde, confundindo).

Há três anos alguém tentou centrar a luta dos professores naquilo que deveria ser o seu aspecto principal: o desmantelamento da Escola Pública Democrática e sua estruturação numa empresa.
Dói ter razão, sobretudo se ela vem antes do tempo, porque o Tempo se atrasou.

Anabela Almeida

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