quinta-feira, 8 de julho de 2010

AGORA É QUE SALTAM E PROTESTAM

Agora andam ´todos´ para aí a saltar e a protestar contra o massacre feito pelos MEGA...

Os srs-sras Directores-as e os pais (leia-se aqui sobretudo "Associações de Pais" e seus representantes máximos), mais as Autarquias e outras parcerias, e etc., a quem o Dec. Lei 75 distribuiu cadeiras ´à Lagardère´ para a assumpção de novos poderzinhos locais, apressaram-se a implementar o novo Modelo de Gestão em vigor pelo Dec. Lei 75 para passarem a gozar dos novos estatutos e quotas que esta lei lhes parecia proporcionar... finalmente com direitos a galões topo de gama!

Inebriados com as promessas de proeminência que nela constavam aqui e ali no texto da lei, para não falar das que nela anteviram, fizeram fé da durabilidade que aquela lhes conferia...

No contexto que actualmente se vive em 1ª página, devo lembrar que, já aquando da implementação inicial do Dec. Lei 75, também se recorreu ao abate dos Conselhos Executivos através da interrupção abrupta dos seus mandatos.

Fez-se tudo para ignorar a interpretação isenta do articulado da própria Lei (Dec. 75) onde era evidente estar contemplado o período de transição com a continuação desses mandatos.

Mas, nessa altura, a generalidade não se importou com esta cláusula, pela qual alguns lutaram e tiveram que recorrer ao Tribunal, a expensas próprias, sobretudo por uma questão de respeito a princípios. Nem estas iniciativas conseguiram cativar atenções consistentes, por forma a repensar as actuações que se vinham a praticar na maioria dos agrupamentos, quaisquer que fossem as semelhanças e diferenças neles existentes aquando da imposição desta mudança na forma de gestão. Não senti que se tivesse feito o esforço merecido e honesto para verificar e ler o articulado da Lei, com a devida atenção!... Antes se enveredou pela corrida às cadeiras que aqueles Conselhos Executivos iam, de forma compulsiva, deixar vazias! Prevaleceu publicamente a crença que todas as escolas estariam nas mesmas circunstâncias e destinadas a aceitar e obedecer para ficarem todas e rapidamente em pé de igualdade... para mais facilmente se avançar para o novo modelo de gestão.

Já ando nesta lide faz alguns anos e foi com agrura que assisti, pela 1ª vez de forma explícita e descarada, a tornarem-se as escolas terreno de intervenção do domínio público, sujeitas às flutuações dos interesses político-partidários do momento e de forma pretensamente inquestionável.

Obviamente, e por conveniência do sistema, os professores não deixaram de ser, por inerência de funções, os operadores directos no terreno, os agentes na linha da frente, os responsáveis pela essência do funcionamento da instituição/escola. Nessa qualidade ficaram, contudo, esvaziados da importância das opiniões que pudessem ter para emitir como possíveis reguladores, no mínimo, a fazer-se ouvir. Senti serem erguidos muros de silêncio escrupulosos, que nos impediam o contacto com o que se passava nas escolas, mesmo da vizinhança mais próxima!

Impossível saber o que cada uma estava a vivenciar e a defrontar, perante esta nova ordem de funcionamento e decisões vindas do topo e da tutela intermédia, para gerir o Ensino/Educação, junto do quem sempre foi o seu público alvo: os alunos e a sua formação escolar, democrática, humanística.

E os poucos e primeiros neste país, que logo de início se ergueram contra esta estratégia, para lembrar e reivindicar o respeito pelos procedimentos a tomar em consideração e a fazer respeitar para a Transição-entre-Modelos-de-Gestão consignados no Dec. Lei 75, foram (e permanecem ainda hoje) ignorados, isolados, abafados, desprezados, considerados impertinentes, senão mesmo implicitamente alvo de um certo "gozo"...

Enfim, uns "sui generis"... uns ´caretas´ retrógrados, armados em ´sóbrios´, no meio de uma maioria em estado de euforia colectiva inebriante face à promessa de um futuro auto denominado como brilhante!

A palavra de ordem era então: centrem-se exclusivamente no que pode vir a ser a vossa avaliação na carreira, nos pontos x e y do ECD, que o processo da Nova Gestão é coisa à parte, de somenos importância e impacto, a tratar em separado e até mesmo, e de preferência, …depois: primeiro as questões-da-nossa-progressão-na-carreira !..

E ai de quem manifestasse alguma dissonância face a este discurso predominante das entidades representativas tradicionais!... Partidos, Sindicatos, Associações e Confederações de Pais, Autarquias, até docentes e escolas, embarcaram nesta visão colectiva, nesta promessa de Melhor Futuro para a Sociedade.

Se acaso falavam do Dec. Lei 75 era com o mesmo significado e peso de alguém que, em pose, sai vestido ostentando, em tom blasé, o avesso de um qualquer mini bolso dependurado.. foi esta a única prova real que me foi dada a percepcionar que este Dec. Lei 75 fazia, ele também, parte do mesmo fato.

E ponto final.

E eis que agora, ironicamente, perante o massacre actual dos "MEGA", assisto ao anúncio de virem a recorrer exactamente às mesmas "ferramentas" e "armas" (tribunais e etc.) de que "nós", então, fizemos uso, exactamente pela essência dos mesmos motivos: quaisquer que fossem, mesmo enquanto pessoas, deixar acabar os respectivos mandatos conforme estava na Lei. Deixar passar isto era, para nós, um precedente perigoso e atroz.

…Mas ainda hoje subsiste a imagem feita acerca daqueles primeiros que, na devida altura, pugnaram pelo cumprimento da Lei no que se referia à interrupção dos mandatos (dos Conselhos Executivos e apoiantes desta versão) como sendo: a de uns ´ arrogantes que não queriam largar o poder´, um punhado de impertinentes, uns incumpridores da lei, subversivos, vendidos e até ´acéfalos´ ao serviço restrito do Conselho Executivo em funções, insinuando ainda a existência de “tráfico de favores”!!! Etc., etc. (basta ir aos blogues e comprovar em alguns dos comentários...)

E agora? Perante o que acontece neste momento com os "MEGA", o que supõem que eu deva sentir e vir a dizer sobre esta actual situação?!...

Merecerão que refreie o meu sentimento espontâneo de solidariedade e não avance com uma reacção imediata, a vosso favor, senhores directores?...

A ver vamos. Já se fez tanta mudança e tanta asneira em tão curto espaço de tempo que acho que não faz mal nenhum parar um pouco para pensar no Todo. Procurar descortinar o que fará realmente Sentido para a Sociedade e para o Ensino.

Primeiro vou-me documentar e apreciar à luz do critério do que poderá vir a ser melhor para a reconsolidação do sistema democrático em ordem aos interesse dos Alunos, no sentido em que é o Sistema do Ensino/Educação o pilar estruturante da Sociedade.

Termino deixando esta reflexão, a propósito do que poderá justificar as diferenças entre sociedades evoluídas e sociedades pobres: « Onde está então a diferença? Está no nível de consciência do povo, no seu espírito. A evolução da consciência deve constituir o objectivo primordial do Estado, em todos os níveis do poder. Os bens e os serviços, são apenas meios… » - parafraseando o(a) autor(a) desconhecido(a) do PowerPoint intitulado Suíça vs Portugal, que peço para anexar – (não por vir, ou ter como exemplo de referência esse país, mas pelas ideias essenciais do texto em si.)

Isabel Teixeira

Prof. QE agrupº Inês de Castro – Coimbra

7 Julho 2010

5 comentários:

Ana disse...

Boa!!

J.F. disse...

Não poderia estar mais de acordo com o que a professora escreve!
Não poderia estar mais solidária com os seus sentimentos!

"Excelentes" são aqueles que, com espírito crítico, lutam com todas as armas pelas suas convicções, não abdicam dos valores, não aceitam as conveniências, não se rendem perante os obstáculos e resistem... resistem... resistem...
Parabéns a todos esses!

No séc. XXI em Portugal:
É profundamente deprimente o que se passa em Portugal!
É profundamente desesperante a inércia dos cidadãos e a cumplicidade dos órgãos e entidades com deveres de fiscalização e actuação!
É profundamente revoltante a inversão dos valores e a consentida subversão das regras!

É assustador o silenciar das minorias que se opõem em contraponto à feroz/controladora e manipuladora propaganda da estupidificação.

É assustadora uma sociedade que não reage!!!

Anónimo disse...

Comungo na plenitude tudo o que disse. Está de parabéns!

carlos disse...

Todas as opiniões de carácter generalizante são inexactas e constituem juízos em muitos casos injustos. Isso de se dizer que os professores, membros de direcções de escolas/agrupamentos e encarregados de educação que agora protestam e se opõem aos mega agrupamentos, são os mesmos que concordaram com o fim dos conselhos executivos, com a mutilação do ECD e com o fim da democracia nas escolas é - para mim e para muitos - uma calúnia e uma grande ofensa.
No meu agrupamento, o Agrupamento de Escolas João de Deus, quando a lei em vigor obrigou a que se constituísse o conselho geral e se escolhesse um director, todos os democratas e activistas da causa da Escola Pública se uniram num projecto democrático e dialogante de liderança do nosso Agrupamento. Com um enquadramento legal injusto e não-democrático, criámos uma bolsa de democracia e diálogo no nosso agrupamento, que subverteu o cariz centralizador e não-democrático da lei. Os coordenadores de departamentos continuaram a ser eleitos pelos seus pares! Os coordenadores de escolas idem. O regulamento internou passou a contemplar um conjunto de normas que salvaguardavam para o futuro um conjunto de procedimentos democráticos de ha muito enraizados, como as Reuniões Gerais de Professores, que passaram a ser obrigatórios duas vezes por ano para a consulta em tomada de decisões relevantes. Resistimos democraticamente todos nas ruas, nas greves, e na prática quotidiana, consolidando e mantendo a vivência democrática e dialogante entre professores, funcionários e pais.

É esse património , essa vivência, essa cultura de agrupamento que queremos agora defender opondo-nos aos mega agrupamentos.

Anónimo disse...

O pensamento único é uma aberração, sim, mesmo que venha de professores. Há professores e professores, há directores e directores...

Luis Antunes

Desde 01-01-2009


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