sábado, 31 de julho de 2010

EM DESVANTAGEM...

Mais de 700 escolas do primeiro ciclo não abrem as portas no próximo ano lectivo. Uma imposição do reordenamento escolar que obriga ao encerramento de estabelecimentos de ensino com menos de 21 alunos.

A medida, que o Governo justifica com a instalação de «centros escolares ou escolas dotadas de melhores condições de ensino e de aprendizagem», não me parece mais do que um incentivo ao abandono escolar e um aumento da desertificação cada vez mais acelerada do interior do País. Que família quererá “interiorizar-se” se pensar que os seus filhos ficarão mais longe da escola, obrigados a perder no caminho um precioso tempo que poderia ser aproveitado para estudar?
E como se podem motivar alunos que não gostam da escola – mas lá têm de permanecer o dia inteiro – se o “passeio” os obriga a levantar quase de madrugada e a chegar a casa à hora de jantar?
Posso até concordar que a distância não é impeditiva nem contrária ao sucesso escolar, mas não me venham dizer que os alunos que vivem longe dos chamados centros escolares “partem” com a mesma vantagem que os que moram perto em direcção aos ciclos de ensino seguintes. E nem sequer acredito que a reorganização escolar seja apenas feita com intuitos meramente pedagógicos e qualitativos. A meu ver, pensa-se apenas nas medidas economicistas que tal gestão escolar pode trazer… mas que terá também reflexos na classe docente e nas saídas profissionais daqueles que, terminado o curso superior, pretendam seguir caminho na Educação, engrossando deste modo os números do desemprego.
Os professores e os alunos estão em desvantagem em relação a esta política educativa. A mesma desvantagem que, desafortunadamente, e ao mesmo tempo em que Portugal alarga a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, encontro na proposta de revisão constitucional apresentada pelo PSD e que, a meu ver, é contrária a uma das maiores conquistas de Abril: o acesso de todos ao ensino público. Mesmo assegurando que «o Estado se mantém responsável pela política de ensino, este deixará de estar obrigado a “criar um sistema público” e a “estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino”».
Que futuro para a escola pública?

In Diário do Minho

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