A medida, que o Governo justifica com a instalação de «centros escolares ou escolas dotadas de melhores condições de ensino e de aprendizagem», não me parece mais do que um incentivo ao abandono escolar e um aumento da desertificação cada vez mais acelerada do interior do País. Que família quererá “interiorizar-se” se pensar que os seus filhos ficarão mais longe da escola, obrigados a perder no caminho um precioso tempo que poderia ser aproveitado para estudar?
E como se podem motivar alunos que não gostam da escola – mas lá têm de permanecer o dia inteiro – se o “passeio” os obriga a levantar quase de madrugada e a chegar a casa à hora de jantar?
Posso até concordar que a distância não é impeditiva nem contrária ao sucesso escolar, mas não me venham dizer que os alunos que vivem longe dos chamados centros escolares “partem” com a mesma vantagem que os que moram perto em direcção aos ciclos de ensino seguintes. E nem sequer acredito que a reorganização escolar seja apenas feita com intuitos meramente pedagógicos e qualitativos. A meu ver, pensa-se apenas nas medidas economicistas que tal gestão escolar pode trazer… mas que terá também reflexos na classe docente e nas saídas profissionais daqueles que, terminado o curso superior, pretendam seguir caminho na Educação, engrossando deste modo os números do desemprego.
Os professores e os alunos estão em desvantagem em relação a esta política educativa. A mesma desvantagem que, desafortunadamente, e ao mesmo tempo em que Portugal alarga a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, encontro na proposta de revisão constitucional apresentada pelo PSD e que, a meu ver, é contrária a uma das maiores conquistas de Abril: o acesso de todos ao ensino público. Mesmo assegurando que «o Estado se mantém responsável pela política de ensino, este deixará de estar obrigado a “criar um sistema público” e a “estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino”».
Que futuro para a escola pública?
In Diário do Minho









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