sábado, 24 de julho de 2010

TURMAS MISTAS COM ALUNOS "DEFICIENTES - UM PROFESSOR FALOU

Opinião de LUCIANO CASTANHEIRA

Aconteceu. Um destes dias, um Professor queixou-se na televisão. E razão não lhe faltava.
Responsável que era pela preparação de vários alunos que visavam passar ao ano lectivo imediato e, simultaneamente, pelo seguimento de crianças com autismo de diversas etiologias entre as quais uma criança com evidente mongolismo protestou que, para se dedicar aos alunos com normal capacidade de aprendizagem, tinha de quase abandonar os restantes.
Basta uma breve consulta na ‘net’ para evidenciar a moda – actual ou recorrente – desta suposta vantagem pedagógica das turmas mistas em que se misturam alunos com normal capacidade de aprendizagem e outros padecentes de alguma deficiência incapacitante do cumprimento curricular.
Nos anos 70 alguns “médicos escolares” (desconheço hoje tal especialidade médica cujo exercício era precedido de frequência em Pedagogia e Didáctica na Faculdade Letras, estágio e aprovação em prova escrita, prática e oral) foram enviados a Inglaterra, Suécia e Bélgica para aprender o que por lá se fazia nesta área.
Eu e outros colegas estivemos em Bruxelas. Não vi lá turmas “mistas” como acima referidas. Vem a propósito testemunhar que não havia idade obrigatória para os alunos passarem da “primária” ao “secundário”. Podiam aceder a este nível com 5 e até aos 8 anos, dependendo de parecer pedagógico, médico e, eventualmente, psicológico. E havia aulas de “ensino especial”.
A medicina escolar desempenhava um papel importante e, enquanto tal, geralmente reconhecido.
A obrigatoriedade dos exames médicos especializados verificava-se até ao segundo ano de ensino universitário.
Conclusão:
Dentro do prazo indicado, enviei ao Ministério da Educação um relatório da estadia em Bruxelas e os demais Colegas por certo o fizeram também relativamente aos seus estágios.
Recebi nota de sua recepção mas…
Entretanto aconteceu o “25 de Abril” e por aí tudo se quedou.
De “medicina escolar”, neste País, não ouvi mais falar.
Se os Centros de Saúde oferecem alguma alternativa e decorrentes resultados desconheço.
Mas gostava de saber.

In Jornal da Madeira.

1 comentário:

Alda disse...

Gostei de ler o artigo. É bom ver que há outras opiniões. Mas isto foi há muito tempo... O que se passará agora nestes países? Sofrerão do mesmo síndrome?

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