domingo, 1 de agosto de 2010

REACÇÃO AO FIM DOS CHUMBOS

Reacções
Fim dos chumbos mal recebido

Sindicatos, associações de pais e políticos têm dúvidas de que existam condições para implementar a ideia.

A intenção da ministra da Educação, Isabel Alçada, de acabar com os chumbos nas escolas está a ser recebida por sindicatos, associações de pais e partidos políticos com desconfiança e protestos contra a possível medida.

Em entrevista ao Expresso, Isabel Alçada disse que as retenções "não têm contribuído para a qualidade do sistema" educativo. "A alternativa é ter outras formas de apoio, que devem ser potenciadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado", afirmou.

Para o professor universitário José Canavarro, ficou por responder "uma série de questões". "Portugal tem um défice de sucesso escolar. Neste momento não há uma medida concreta para que se possa falar em facilitismo. É necessário que a ministra explique se vai haver legislação que impeça os professores de reprovar ou ainda em que ciclos a medida será implementada", afirmou ao DN.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) alertou para o perigo do facilitismo. "Ou vai haver um forte investimento, com mais apoios e programas adaptados, ou isso começa a preocupar--nos", adiantou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

O dirigente teme ainda que se esteja perante uma deturpação das estatísticas do sucesso escolar: "Era bom perceber se a intenção é de alterar políticas e de investir na educação ou uma intenção de intervir no plano das estatísticas."

Lucinda Manuela, vice-presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, considera que actualmente "não há condições" para acabar com os chumbos. "Há muito que defendemos que a escola tenha equipas multi-disciplinares. Há que criar estas condições", defendeu ao DN. A sindicalista referiu que não se pode comparar a situação portuguesa com a dos países nórdicos, pois "são duas realidades diferentes". "Se houver um bom acompanhamento dos alunos, no futuro não será preciso terminar com as retenções, estas deixarão de acontecer."

Opinião idêntica é partilhada pelo secretário-geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores, Carlos Chagas: "Neste momento não vejo como será possível implementar esta medida, até pelas restrições económicas." Carlos Chagas entende que "ou o País aposta na formação", ou ideias como a da ministra não passam de uma utopia.

"Parecem acções de merchandising", alertou a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação. O dirigente Rui Martins frisou que considera difícil que as medidas sejam postas em prática, pois falta "uma série de recursos indispensáveis" para que os alunos tenham sucesso. "Isto tudo parece uma brincadeira. Não podemos ficar satisfeitos, sem antes estar salvaguardado um conjunto de situações."

Só a Confederação Nacional das Associações de Pais deu o total apoio a Isabel Alçada, dizendo que "é a maior reforma na educação desde o 25 de Abril". "Implica um outro conceito de escola. Uma escola que dá condições de trabalho aos professores e aos alunos para que as retenções sejam eliminadas", realçou Albino Almeida, que avisou: "Sem muito trabalho não é possível lá chegar."

A reacção política também não tardou. Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, disse que a medida é "errada" e "grave": "Prejudica os alunos, em especial num contexto de crise muito séria que Portugal atravessa e em que os alunos têm de ter mais do que nunca competências."

O CDS considera a proposta um "disparate". "É injusto para a sociedade e os contribuintes, já que a promessa de uma escola fácil é um engodo, é uma ilusão", lê-se no comunicado. O partido liderado por Paulo Portas disse ainda que "opor-se-á tenaz e competentemente" à ideia de Isabel Alçada.

In Diário de Notícias.

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