quarta-feira, 6 de julho de 2011

NUNO CRATO: O PROBLEMA DA ESCOLA COMEÇA EM CASA

Henrique Raposo


Nos últimos anos, quando a conversa chegava à educação eu tinha sempre a mesma resposta: "o meu ministro da educação é Nuno Crato" . Razão? O livro que está aqui à direita, que é uma espécie de sistematização das ideias certeiras de Crato para a educação. Que ideias são essas? De forma clara, Crato defende uma revolução pedagógica e cultural, criticando - sem piedade - o eduquês reinante. Crato quer exigência, e não facilitismo. No fundo, Crato acaba por defender que os desejos do aluno não devem ser o centro da escola. O centro da escola deve ser, isso sim, o conhecimento transmitido pelo professor. Porque a escola não é um recreio, não é um passatempo, e os professores não são babysitters. Porque os adolescentes não vão ser sempre adolescentes. Porque é preciso preparar esses jovens para a vida adulta, para a cidadania e para o mundo do trabalho.

Portanto, mais do que o - esperado - trabalho técnico de reorganização das escolas e demais blá blá burocrático do ministério, espera-se de Nuno Crato uma mudança cultural de fundo. E esta mudança cultural começa em casa, com os pais. É por isso que digo que este livro devia ser lido pelos pais antes de ser lido pelos professores. Em Portugal, o problema da escola não se resolve enquanto os pais não forem exigentes com os filhos. Tal como defende Crato,

"O que precisamos é de perceber que a autoridade dos pais deve ser exercida não criticando os professores por serem exigentes, mas ajudando os professores a serem exigentes. É raríssimo um pai entrar numa escola por o aluno ter boas notas. Em contrapartida, aparecem muito frequentemente pais a queixar-se das fracas notas dos filhos, sem estarem preocupados com saber se eles de facto sabem ou não sabem o correspondente às notas".

Este é o grande problema da nossa escola. Mas, apesar de ser da escola, este problema começa em casa. Se uma criança é ensinada no facilitismo pelos próprios pais, como é que um estranho - o professor - pode pedir exigência à dita criança? É impossível. Tudo o resto (avaliação dos professores, as direcções regionais, os exames nacionais, etc.) está situado a jusante desta questão central:
os pais portugueses querem ser pais exigentes ou amiguinhos complacentes dos filhos? Se conseguir impor esta discussão cultural à sociedade portuguesa, o consulado de Nuno Crato ficará na história da 5 de Outubro.

In
Expresso

2 comentários:

Moinho de Vento disse...

Não podemos negar que, sobre os pais (e famílias), o que aqui se diz é verdade. Mas não serão os professores "pais" e famílias"? Quantas vezes não fui confrontado por pais de alunos meus (que, por mero acaso são também professores!) sobre o grau de exigência e respeito que lhes exijo (aos alunos)? Como o Henrique Monteiro bem diz, é, de facto, uma mudança de paradigma cultural aquele de que precisamos. Mas não será só um Ministro. Por mais decidido que esteja...

Agripina Maltinha disse...

a escola reflete sempre a sociedade. a exigencia de facilitismo dos pais é apenas o reflexo duma sociedade subsidiária de rendimentos mínimos e incentivo à preguiça. na verdade o sistema politico apoiou-se nos votos daqueles a quem facilitou a vida...é fácil entender porque esse laxismo se arrastou para a escola...e os profs pressionados por forças contrárias sempre tiveram pela frente uma luta inglória!

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