terça-feira, 12 de julho de 2011

PROFESSORA, ATÉ ONTEM

Por solidariedade, divulgamos esta carta de uma professora despedida [recebida por e-mail].

O meu nome é Sónia Mano, até ontem era professora de Matemática na escola E.B. 2,3 de S. Torcato, em Guimarães (onde me encontrava a trabalhar com contrato a termo incerto). Hoje de manhã, por volta das 9h, recebi um telefonema da Secretaria da referida escola a informar-me de que o meu contrato de trabalho cessara no dia anterior.

Até aqui, poderá pensar-se... é uma coisa natural, mais uma professora dispensada do serviço após mais de seis meses de trabalho árduo com alunos oriundos de meios socioeconómicos muito desfavorecidos: Até eu estava já preparada para a eventualidade de receber a notícia nestes moldes. Mas e o que é feito do prazo legal de três dias para avisar um empregado de que o seu contrato vai terminar? Eu sou apenas mais uma das vítimas do Estado e da actual conjuntura que o país atravessa.

Mas o porquê do meu e-mail vai muito para além das queixas para com o sistema. É mais um grito, uma tentativa de que dêem algum tipo de atenção a certas situações que estão a acontecer neste país. Como eu, fo- mos várias as pessoas dispensadas hoje de manhã, ou melhor, informadas hoje de manhã de que o nosso contrato terminara no dia anterior. Não será isto mais uma vergonha do nosso país? Não há qualquer respeito pelos profissionais, nem pelo seu trabalho e esforço.

Mais acrescento, neste meu desabafo, que iniciei, a meio da semana passada, a correcção de EXAMES NACIONAIS do 9.º Ano! Este trabalho, não está concluído! Termina apenas amanhã, dia 8 de Julho. Entretanto, já amanhã, tenho uma reunião para aferição de critérios de avaliação, reu- nião essa de carácter obrigatório. E agora eu pergunto: O MEU CONTRATO DE TRABALHO E A MINHA LIGAÇÃO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO TERMINOU ONTEM. Como vão os alunos ter avaliação no referido exame? Quem vai suportar as despesas de deslocação de Vila Verde (minha residência oficial) até Guimarães?!

Hoje a minha vontade é não entregar os Exames, mas mais forte do que essa vontade é a necessidade de nunca prejudicar os alunos por causa de mais um erro do nosso sistema de ensino. Amanhã, eu irei suportar despesas de deslocação e voltarei a fazê-lo na sexta para entrega dos Exames. Durante esses dois dias, vou fazer uma aplicação criteriosa dos critérios de classificação. Mas precisava de fazer este desabafo: parem de chamar incompetentes aos professores portugueses, aqueles que lutam todos os dias por melhores condições numa escola cada vez mais pobre em valores, tais como a entre-ajuda e a solidariedade. Ajudem-nos a ajudar os vossos/nossos filhos a crescerem como cidadãos e, por favor, na luta pelos meus direitos enquanto trabalhadora/professora/EDUCADORA. Ajudem-me a divulgar este caso que é apenas mais uma das vergonhas em que o nosso Estado está envolvido!

Tenho provas e documentos oficiais que comprovam cada uma das afirmações que estou a divulgar. Não sei mais onde me dirigir: é preciso que os portugueses saibam o que se está a passar numa escola pública de Portugal.

Sónia Mano

4 comentários:

José Ferreira disse...

Colega
Por vezes, só tomando atitudes incorrectas conseguimos corrigir as monstruosidades do sistema.
Não entregue os exames.
Vai verificar que irão resolver a sua situação. Infelizmente ...
Ia escrever a minha solidariedade, mas de que serve ela?

Anónimo disse...

É tristemente lamentável, Sónia.
Um abraço muito solidário. Muita força.
Ah.. se não te prejudicar, não entregues os exames... queres melhor?
Depois os pais que processem o ministério e a escola.

espadaneira disse...

divulgado

Anónimo disse...

O desrespeito pelo trabalho dos contratados tem vindo a crescer todos os anos. A injustiça, no nosso país passou a ser legitima sobretudo quando se trata de explorar os fracos."Hoje a minha vontade é não entregar os Exames"(É O QUE DEVE FAZER) "mas mais forte do que essa vontade é a necessidade de nunca prejudicar os alunos por causa de mais um erro do nosso sistema de ensino(PENSE EM 1º LUGAR EM SI). Lembre-se que para o ano está no desemprego e ninguém irá valorizar o seu esforço. O ME há muito que conta com os nossos valores, com a nossa boa vontade para nos poder fragilizar ainda mais. Se querem as provas que as vão buscar à sua residência.
Isto não muda e a tendência é que a precariedade se irá agravar.
É tempo de os contratados se unirem e dizerem BASTA. Só uma união bem organizada poderá por fim ao que se está a passar. As escolas já não passam sem os contratados.

Desde 01-01-2009


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