quinta-feira, 30 de junho de 2011

E LÁ SE VAI METADE DO SUBSÍDIO DE NATAL

Depois de termos visto o salário diminuído pelo desgoverno do PS de José Sócrates, que já se preparava para cortar o décimo terceiro mês, eis que também o governo de coligação PSD/CDS-PP vai subtrair metade do subsídio de Natal, através da criação de um imposto extraordinário.

Será que os nossos políticos, independentemente da cor partidária, têm consciência de que estão a pôr um ónus demasiado violento sobre funcionários públicos, sendo estes os principais sacrificados de uma crise que não criaram?

Sabemos que o estado lastimável em que Sócrates deixou o País não deixa grande margem de manobra. Mas começa a ser demais!

Ver notícia do Público: Passos anuncia imposto extraordinário sobre subsídio de Natal

CALENDÁRIO ESCOLAR 2011/2012

O primeiro despacho assinado por Nuno Crato, em que se apresenta o calendário escolar para o próximo ano lectivo, está já publicado na Página do Ministério da Educação.

Notícias relacionadas:

Calendário escolar do próximo ano lectivo já é conhecido (TSF)

No novo calendário escolar o 6º ano já é ano de exames (Jornal Público)

terça-feira, 28 de junho de 2011

PRECISAMOS DE AVALIAÇÃO, MAS NÃO DESTA!

Na sequência do que aqui se escreveu, o Ministro da Educação, Nuno Crato, foi lacónico acerca da avaliação de desempenho docente. Dizer que "precisamos de avaliação" equivale a nada. Será que o titular da pasta da Educação, bem como o Governo de que faz parte, se vai transformar numa espécie de enguia deslizante deixando de encarar os problemas que, há muito, agitam o ensino, as escolas e os professores?

Não ser assertivo, numa altura destas, parece-nos lenitivo suficiente para desencadear o desânimo, a desilusão e a necessária luta dos professores pelo que se vêm batendo desde os malfadados tempos de Maria de Lurdes Rodrigues

Esperamos que tudo isto decorra apenas de alguma "falta de tempo" para conhecer em profundidade o calamitoso estado de uma pasta recentemente assumida. A não ser assim, começa a ser necessário pelo menos começar a pensar reunir de novo as hostes!

Extracto de notícia do Correio da Manhã:

Ministro da Educação escusou-se a dar detalhes sobre a questão da avaliação de professores

Nuno Crato: "Nós precisamos de avaliação"

O ministro da Educação, Nuno Crato, escusou-se esta terça-feira a dar detalhes sobre a questão da avaliação dos docentes, remetendo explicações para o programa do Governo que será hoje entregue no Parlamento.

"Nós precisamos de avaliação", sublinhou contudo Nuno Crato, em declarações aos jornalistas no final da tomada de posse dos secretários de Estado, que decorreu hoje no Palácio de Belém.
[...]

GOVERNO VAI "REFORMAR" MODELO DE AVALIAÇÃO

Uma breve leitura da parte relativa à Educação (que se inicia na pág. 109) inscrita no Programa do Governo, que será apresentado na Assembleia da República, permite-nos verificar a sua tendência para generalidades e fonte de desilusão para os professores, nomeadamente no que se refere ao modelo de avaliação de desempenho.

"Reformado", simplificado (ainda nos lembramos do "simplex") ou seja lá o que for não tem qualquer interesse. O modelo, que o próprio Primeiro-Ministro, então candidato, considerou sem sentido, tem de ser imediatamente suspenso. É isso que os professores esperam. E os professores cá estarão para continuar a saga de uma luta reconhecidamente justa.

Os professores não aceitam mantas de retalhos nem generalidades vagas, tal como as próprias notícias que surgem sobre o assunto dão conta.

O Executivo vai reformar modelo de avaliação do desempenho dos docentes de forma a “desburocratizar o processo”. O objectivo é promover “um regime exigente, rigoroso, autónomo e de responsabilidade, sem que estes princípios conduzam a cargas desmedidas de procedimentos burocráticos e administrativos”, lê-se no programa hoje entregue na Assembleia da República.

O Governo acrescenta ainda que vai ponderar os “resultados de outros modelos de avaliação, nomeadamente os já obtidos no modelo de avaliação em vigor no ensino particular e cooperativo”.

No documento lê-se ainda que o Governo vai “reforçar a autoridade do professor” e “valorizar profissionalmente os docentes através de um investimento na formação contínua”.


In Jornal de Negócios.


Outras ligações relacionadas:

Conheças as medidas do governo entregues no Parlamento. (Ionline)

SECRETÁRIOS DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, DO ENSINO SUPERIOR E DA CIÊNCIA

Vamos ver o que o futuro nos reserva...


Ministério da Educação, do Ensino Superior e da Ciência

Secretário de Estado do Ensino Superior
João Filipe Rodrigues Queiró (ind. PSD).
Professor Catedrático no Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Secretária de Estado da Ciência
Maria Leonor Parreira (ind. PSD).
Era até agora a directora do Instituto de Histologia e Biologia do Desenvolvimento da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar
João Casanova de Almeida (CDS).
Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do CDS e da comissão política nacional do CDS

Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário
Isabel Maria Santos Silva (PSD).
É professora auxiliar no departamento de Psicologia da Universidade de Évora, sendo doutorada em Psicologia. Integra o grupo de trabalho responsável pelo estudo psicolinguístico para “Estabelecimento de níveis de referência na aprendizagem da leitura e da escrita do 1.º ao 6.º ano de escolaridade”.

In Público

NUNO CRATO: UMA VISÃO PLURAL

Apresentamos aqui três visões acerca do novo ministro da Educação, Nuno Crato, começando pela análise sagaz e isenta do Professor Santana Castilho.


Clicar na imagem para ampliar.

In Público.




Nuno Crato: não é um nome que nos descanse
Por Jorge Teixeira
Barreiro

Porque nunca se ouviu nem a Fenprof nem nenhum outro Sindicato de Professores denunciar o facto, para mim sem sentido, de serem os próprios Professores a realizarem as matrículas dos seus alunos no ano lectivo seguinte? A matrícula de um aluno é um acto meramente mecânico, de natureza estritamente administrativa, e que não exige nenhuma sensibilidade de natureza pedagógica para o realizar.

Foi esta a forma como Mário Nogueira, Secretário-Geral da Fenprof, reagiu no sábado, no jornal online i, à nomeação do Prof. Dr. Nuno Crato para a pasta da Educação do XIX Governo Constitucional. E, como justificação, refere que [Nuno Crato] “Foi uma pessoa que em determinados momentos teve afirmações que nos preocuparam, em relação ao método de selecção dos professores, à avaliação e à relação público-privado.
Não é um nome que nos descanse.” – concluiu.
Infelizmente, para todos os leitores do i, Mário Nogueira não explicitou a que afirmações se referia, em concreto, para que todos nós pudéssemos participar das suas preocupações. Ou porque já não se lembra, especificamente, do que o Prof. Nuno Crato afirmou, e apenas lhe resta a memória da sensação de desconforto que essas tais afirmações ter-lhe-ão produzido, ou – mesmo lembrando-se delas – acha-se no direito de pensar pelos outros, nomeadamente, pelos Professores, que julga representar; e assim sendo, tendo ele – Mário Nogueira – considerado as tais afirmações perigosas, isso é suficiente para que todos nós, Professores, fiquemos com azia ao ouvir o nome de Nuno Crato como Ministro da Educação.

Pesquisei, então, o que na Internet existia disponível sobre eventuais declarações do actual Ministro de Educação sobre, por exemplo, avaliação de Professores. E encontrei umas declarações proferidas no âmbito de uma entrevista assinada por Sara Oliveira, datada de 15 de Julho de 2008 e publicada no jornal online educare.pt – O Portal da Educação. Afirma a certo ponto: “Acho que há um erro base: não se pode avaliar os professores sem avaliar o resultado do seu trabalho, ou seja, sem fazer exames externos aos alunos. O sistema de avaliação proposto constitui uma pressão para que os professores inflacionem as notas e passem alunos que deveriam ser retidos. Sem um processo de avaliação externa que registe os resultados e regule a atividade educativa, tudo isto pode ser muito grave.”. Concordo, em absoluto! Aliás, eu já tive a oportunidade de exprimir essa mesma opinião num artigo meu publicado sob o título “Por uma Reforma do Sistema de Ensino”, e publicado no jornal online “Rostos”. Pois bem: se Mário Nogueira se referia a este tipo de posições – avaliar os Professores através dos resultados que eles produzem, traduzidos nos êxitos que os seus alunos conseguem em exames nacionais – então não vejo porque não fica mais descansado. Será que os alunos de Mário Nogueira, no tempo em que exercia a actividade de Professor, obtinham maus resultados? Decerto que não. Mas então porque ficou preocupado? Será que pretende defender os colegas de profissão que, por inépcias de várias ordens, não conseguem ensinar nada aos seus alunos? Pois se os defende, não deveria: eles são uma das origens de um certo mau nome que a classe de Professores tem, e prejudicam quem, diariamente, se esforça por transmitir algo de útil para a formação dos seus alunos. Pelo menos daqueles que querem. Porque há os que rejeitam a formação e o currículo proposto. Esta constatação leva-nos a um outro assunto: a necessidade de um encaminhamento – tão cedo quanto possível – dos alunos segundo as potencialidades evidenciadas, adequando os currícula propostos ao tipo de capacidades detectadas. No meu texto a que acima aludi, proponho o início do 3º ciclo, como o momento óptimo para se fazer essa avaliação.

Se Mário Nogueira pretende defender a classe dos Professores, porque nunca defendeu a criação de uma Ordem dos Professores, que, à imagem de outras Ordens Profissionais, por exemplo a dos Advogados, exige a realização de um exame como condição para a integrar? A pertença à Ordem Profissional apareceria como garantia de competência profissional do aspirante e isso traduzir-se-ia, a médio prazo, numa dignificação da classe..
Porque nunca se ouviu nem a Fenprof nem nenhum outro Sindicato de Professores denunciar o facto, para mim sem sentido, de serem os próprios Professores a realizarem as matrículas dos seus alunos no ano lectivo seguinte? A matrícula de um aluno é um acto meramente mecânico, de natureza estritamente administrativa, e que não exige nenhuma sensibilidade de natureza pedagógica para o realizar. É, por natureza, um acto de Secretaria. Esta práctica foi introduzida no longo mandato dos sucessivos Governos de Esquerda sob o pretexto, dizia-se, de tornar os Professores sensíveis às condições de vida dos alunos. Só se se estava a partir do pressuposto que, ao longo do ano lectivo, os alunos tentam disfarçar as eventuais más condições em que vivem, para no dia da matrícula – aí sim! – mostrarem todos os horrores. É evidente, que já na altura se tratava de uma forma de reduzir ou de não aumentar o pessoal das Secretarias; a alternativa a esta hipótese é ainda mais dramática e idiota: considerar que o pessoal das Secretarias não está apto a realizar matrículas.

Outra das preocupações de Mário Nogueira é a forma “em que se vai traduzir a desburocratização das tarefas dos professores, indicada no programa do PSD, ao mesmo tempo que avisa que para a Fenprof essa medida terá de passar pelos horários de trabalho dos professores e pela organização do próprio ano lectivo”. Não sou militante do PSD, e por isso não sou a pessoa mais indicada para esclarecer Mário Nogueira. Mas, e acreditando que estou a interpretar correctamente a forma como se referiu a essa medida, parece-me que a Fenprof tem algumas reservas em tornar as tarefas dos Professores menos burocráticas, ou se se quiser fazer algo nesse sentido, tal deverá passar pelos horários. Em rigor, não sei a que se refere o Secretário-Geral da Fenprof. A única coisa de que me consigo lembrar, tem a ver com o número de horas creditadas aos Professores para tratarem, por exemplo, das suas Direcções de Turma. Ou seja: segundo Mário Nogueira, se se conseguir, de alguma forma, simplificar o processo de tratamento de uma Direcção de Turma, deverão ser creditadas menos horas de trabalho aos Professores que têm essas funções, ficando estes disponíveis para aceitarem uma maior carga lectiva. Não creio que uma posição deste tipo seja muito popular entre os docentes. Pessoalmente, não creio que se trate disso. Quem não é Professor, não imagina, de facto, a montanha de coisas sem sentido que um Professor tem de preencher, quando um aluno tem um índice de insucesso escolar elevado. Nos 2º e 3º ciclos, quando um aluno tem, no final de um período escolar, três ou mais níveis negativos, ou 2 níveis negativos, se estes forem, cumulativamente, a Matemática e Português, existindo assim o risco de ele chumbar o ano – ops! Agora, não se diz assim, Diz-se: ficar retido; é menos agressivo – o Concelho de Turma tem de elaborar um documento que é designado por “Plano de Recuperação”.

Neste documento, convida-se o Concelho de Turma a pronunciar-se sobre uma multiplicidade de aspectos que, pressupostamente, se assumem como factores de condicionamento do sucesso escolar do aluno. Dou exemplos: se o aluno tem ou não uma boa expressão oral e escrita, se tem capacidade de concentração, se tem capacidade de cálculo, se é assíduo e pontual, se se relaciona bem com os colegas(!), se se relaciona bem com os funcionários(!), etc. E, no fim, indicam-se as disciplinas em que ele revela carências, e por isso, teve negativa. Elaborado o (complexo) documento, tem de se convocar o Encarregado de Educação do aluno, para que este o assine indicando a sua anuência ao diagnóstico efectuado e concordância com as estratégias propostas, que invariavelmente passam pela realização de TPC´s e consolidação dos pré-requisitos necessários à compreensão das matérias, enfim, nada que outro qualquer aluno não tenha que fazer. Ah! Também é uso propôr-se esse aluno para frequência de meio bloco por semana de aulas–extra das disciplinas em questão. Isto, caso exista essa possibilidade, claro, pois de outra forma sugere-se que o aluno frequente a “Sala de Estudo”, onde, se tiver sorte, pode encontrar um Professor da disciplina em que ele tem carências. Ou seja: na práctica o tal “Plano de Recuperação” não serve para nada e não passa de (mais) um embuste tramado pela pseudo-pedagogia de Esquerda, em nome de – com certeza, falsas – preocupações pela evolução do Indivíduo, que diz incentivar e estimular as suas capacidades. Se essas preocupações fossem reais não tentariam resolver os problemas com medidas de coisa nenhuma, sem o menor efeito práctico. A avaliar pelas posições que Mário Nogueira costuma ter, a abolição dos “Planos de Recuperação” não deverá ser medida a tomar no âmbito de uma desburocratização das actividades dos Professores. Por acaso, não sei que aconteceria se um Encarregado de Educação se recusasse a assinar o tal “Plano de Recuperação”, nem conheço nenhum caso em que isso tenha ocorrido. É pena. Gostaria de ver o que aconteceria!
Como vemos, há muita coisa em relação à qual o Secretário-Geral da Fenprof não deve descansar. Quanto a mim, Mário Nogueira não é um nome que me descanse.

Jorge Teixeira
Professor de Matemática e militante do CDS-PP

In
Rostos.pt



Examinemos o Crato

Por Miguel Reis

O novo Ministro da Educação (e da Ciência e do Ensino Superior) despreza a escola progressista e as “pedagogias modernas”. Diz que um dos principais problemas da escola portuguesa é a falta de exames. O seu discurso fácil deve ser examinado.

Nuno Crato desconfia dos métodos pedagógicos não directivos e prefere a escola da transmissão de conhecimentos . Eriça-se contra o “eduquês” e deleita-se com os modelos de ensino chinês e japonês . Lembra que primeiro é preciso saber os nomes das capitais e as linhas de caminho de ferro e só depois pensar. Sublinha que a política educativa deve servir para seleccionar e não para incluir . Diz ainda que em Portugal não há exames e que isso é uma pena porque a fazer exames aprende-se mais do que a estudar de forma calma e descontraída . Mais: rejeita a “pedagogia romântica e construtivista” até porque “Rousseau não era um homem das luzes” . Diz que nunca ouviu falar da escola de Summerhill , talvez porque prefira a autoridade explícita à “motivação e disciplina interior” . Para Crato “desaprende-se com as ciências da educação” e até nem era mal pensado “implodir o Ministério” .

O cardápio de disparates é longo. Mas tudo é dito do alto da cátedra, qual D.Quixote a combater inimigos imaginários. A culpa da falência da escola é a sua contaminação pelos métodos activos, pelas pedagogias não directivas, pelo “aprender a aprender”, pelo ensino “centrado no aluno”, ou pela “aprendizagem por competências”. Ignora Crato que as únicas escolas ou grupos de professores que aprofundaram estes métodos – como a Escola da Ponte ou o Movimento Escola Moderna – obtêm excelentes resultados ao nível da preparação dos alunos. Ignora Crato que na maior parte das salas de aula deste país prevalece ainda o ensino centrado no discurso do professor. Ou talvez não ignore. Talvez pretenda apenas agitar um fantasma que poucas vezes saiu dos sótãos para assim legitimar um regresso ao passado e à matriz conservadora. Mas se queremos uma escola de massas ela não pode ser livresca e directiva, pois assim rapidamente deixará de ser para todos. O projecto de Crato é por isso elitista.

Compreende-se o equívoco. O livro que popularizou Crato e as suas ideias chama-se “O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista". Ora, se Crato se levasse a sério assumiria que a Pedagogia Romântica e Construtivista nunca passou, salvo honrosas excepções, disso mesmo, de discurso directo. “Eduquês” foi a palavra utilizada pela primeira vez por Marçal Grilo para criticar o discurso hermético dos documentos do Ministério da Educação, uma reacção contra o ininteligível. Em boa verdade é até uma crítica justa. A pedagogia, em vez de passar para as salas de aula, passava apenas para os papéis com uma linguagem muitas vezes anti-pedagógica porque nada queria dizer. Naturalmente, um discurso que não tem nenhuma relação com a prática só pode aparecer aos olhos dos professores como um balão cheio de ar, uma bula incompreensível. Por isso este “eduquês”, sem porta por onde entrar nas salas de aula, transformou-se num “burocratês”, numa parafernália de reuniões, de planos de recuperação, de projectos educativos e projectos curriculares de turma, que raramente têm algum significado para o trabalho de alunos e professores, dada a gritante falta de meios humanos e materiais. Com um corpo docente precarizado, e salas a abarrotar, sem equipas multidisciplinares e apoios educativos que dispensem as explicações privadas, seria difícil esperar a “massificação” da tão necessária “pedagogia moderna”.

O equívoco ajuda a explicar a popularidade de Crato no seio dos professores. É um discurso que agrada tanto aos adeptos da escola antiga como aos que estão fartos do autoritarismo burocrático que tem passado pelo Ministério. Rodrigues e Alçada deixaram-lhe o terreno fértil. Quiseram fazer do sucesso escolar um desejo estatístico, culparam os professores pelos fracos resultados sem lhes dar os meios. Facilitaram a vida ao discurso anti-“facilitismo”. Colaram o sensato objectivo do fim dos chumbos a uma espécie de atribuição de diplomas à ignorância. Souberam queimar uma ideia e abriram caminho aos espinhos de Crato.

O pior é que o pensamento do Ministro Independente cola às mil maravilhas com o programa neoliberal da troika e do governo: despedimentos em massa de professores, cortes orçamentais draconianos em cada escola, turmas maiores, menos apoios educativos. Talvez nesta altura os docentes que se deixaram encantar pelo discurso da sereia compreendam o desenho por inteiro. Afinal, a escola autoritária e livresca sempre é mais barata do que a tal escola moderna. É uma escola mais fácil porque será mais elitista.

Ser exigente não é pedir mais exames, porque eliminar, seriar e avaliar é muito fácil. A dificuldade, a exigência, o combate contra o facilitismo, é a construção de uma escola democrática, de qualidade, de massas, e que dá tudo por tudo para que cada aluno/a cresça, aprenda, saiba, seja, critique, pense. Para este trabalho tão trabalhoso já sabemos que não podemos contar com o esforço e o mérito de Nuno Crato. Nesse exame chumbará por falta de comparência.
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1 Nesta entrevista: “A nossa escola deveria assegurar a transmissão de conhecimentos e, às vezes, o que se passa é que, com pretextos muito grandiosos, de criar cidadãos críticos, jovens cientistas, escritores activos, eleitores activos, com esses slogans grandiosos, esquece-se aquilo que é fundamental na escola, que é transmitir conhecimentos básicos.”
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=84407
2 “Olhamos para a China ou para o Japão e eles não têm estes problemas. Têm um ensino muito tradicional, por vezes até demasiado no meu entender, mas que funciona (…) Vou-lhe contar uma história que se passou comigo nos EUA, onde vivi muitos anos. Quando fui para lá, como estudante estrangeiro de doutoramento, tive um mês de lavagem ao cérebro por pedagogos modernos. Uma das coisas de que eles queriam convencer-nos era: enquanto nos países de onde nós vínhamos o mestre sabia e o aluno aprendia, ali não, ali todos aprendiam. Recordo um aluno chinês, a olhar para um desses lavadores de cérebros, completamente boquiaberto, e apreensivo, perguntando se ali não eram as pessoas que sabiam que ensinavam as outras...”
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/entrevista-de-nuno-crato-ao-notcias.html
3 Entrevista vídeo com Ana Sousa
http://blog.domingosfaria.net/2011/01/contra-o-eduques.html
4 “A Ministra disse que a política da educação é para inserção, não é para selecção. Concorda? Não. Se queremos todos os carros a andar à mesma velocidade, só temos uma maneira de o fazer: é fazer com que o BMW ande à velocidade do fiat 600, não conseguimos pôr o fiat 600 à velocidade do BMW”
http://educar.files.wordpress.com/2008/08/nuno-crato-jornal-de-negocios.pdf
5 Intervenção em vídeo http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/05/intervencao-de-nuno-crato-sobre.html
6 http://sorumbatico.blogspot.com/2011/05/sete-ideias-para-os-jovens-que-vao.html
7 http://blog.domingosfaria.net/2011/01/contra-o-eduques.html
8 Idem. Para conhecer esta escola consulte o seu site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Summerhill_School
9 “A ideia também de que tudo vem da motivação, de que toda a disciplina deve ser interior, de que a avaliação não é necessária porque o que interessa é o gosto pelo saber, etc.” http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/entrevista-de-nuno-crato-ao-notcias.html
10 http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/05/intervencao-de-nuno-crato-sobre.html
11 "Acho que o Ministério da Educação deveria quase que ser implodido, devia desaparecer, devia-se criar uma coisa muito mais simples, que não tivesse a Educação como pertença mas tivesse a Educação como missão, uma missão reguladora muito genérica e que sobretudo promovesse a avaliação do que se está a passar." http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=84407
12 http://www.escoladaponte.com.pt/
13 http://www.movimentoescolamoderna.pt/

In Esquerda.net

CONTESTAR JUDICIALMENTE PODE SER A SOLUÇÃO

Em tempos sugerimos que uma forma de acabar com o actual modelo de avaliação seria contestar judicialmente a avaliação atribuída, caso fosse inferior a "excelente". Sem dúvida que os colegas relatores e directores teriam de deixar de dar aulas e de trabalhar para passar a vida nos tribunais, mas, a ver pela notícia, talvez funcionasse mesmo!

Educação
Tribunal atribui nota a professora

Docente recebe ‘insuficiente’ por ter faltado a três aulas, duas das quais ao serviço do sindicato. Ministério foi obrigado a dar avaliação de ‘excelente’.
[...]
A docente foi avaliada em vários parâmetros, entre os quais estava a assiduidade (grau de cumprimento do serviço lectivo) e o empenho para a realização da totalidade das aulas previstas. Teve ‘muito bom’ no primeiro caso e ‘insuficiente’ no segundo, por não ter entregado os planos de aulas dos tempos lectivos a que faltou. Acabou com uma nota final de ‘bom’, mas recorreu.
[...]

Toda a notícia no Correio da Manhã.

EM QUE FICAMOS COM A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO?

Não sabemos se o pessoal da DGRHE é o que ainda resta do "antigo regime", isto é, do "ex-governo", ou se o processo é mesmo para avançar com a luz verde da nova equipa ministerial.

Sendo certo que o Manual do Utilizador - Avaliação do Desempenho do Pessoal Docente já foi disponibilizado na página da Direcção Geral de Recursos Humanos da Educação, convém que o novo governo, pela voz do Ministro Nuno Crato ou do Primeiro-Ministro Passos Coelho, venha rapidamente clarificar se o processo que o PSD quis derrubar é para seguir na íntegra ou para suspender em definitivo.

No mínimo, os professores agradecem a clarificação, para saberem com o que têm de contar e perceberem o nível de confiança ou de desencanto do governo saído das eleições de 5 de Junho.



Clicar na imagem para ampliar.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

AUTO-AVALIAÇÃO DOCENTE 2011

Apesar de algumas críticas (afinal, esta avaliação é mesmo uma treta), a entrada FICHA DE AUTO-AVALIAÇÃO PREENCHIDA tem sido bastante concorrida, com cerca de 10.000* cópias nestes últimos cinco dias.

O prazo dado pelas escolas para a a entrega do relatório de auto-avaliação docente é bastante diversificado, havendo estabelecimentos que colocaram prazos dentro da primeira quinzena de Junho, outros nos diversos dias da segunda quinzena, sendo que muitas escolas apenas o exigem ao longo do mês de Julho.

Tendo em conta a iniciativa do PSD (SUSPENSÃO DA AVALIAÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA), em 25 de Março último, e que foi aprovada por todos os partido, à excepção do castigado PS de Sócrates, fará todo o sentido que o novo governo, com a coerência exigida, proceda rapidamente ao fim do modelo cuja suspensão propôs, de forma a que o final do ano escolar termine com a dignidade que há muito se impõe, com ou sem ficha de auto-avaliação entregue!

A suspensão do actual modelo de avaliação será a primeira e urgente medida que o Governo de Passos Coelho deverá tomar para, no mínimo, começar a ganhar alguma confiança dos professores portugueses.


* ADENDA: Uma semana e meia depois... vai em 27.500!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MP ACUSA MARIA DE LURDES RODRIGUES

Ora aqui está uma boa notícia, embora seja fácil de perceber que, face aos envolvidos, a coisa não deve, infelizmente, chegar ao fim ou, como costuma dizer-se, "a culpa vai morrer solteira".

A notícia vem no Jornal SOL:

Maria de Lurdes Rodrigues acaba de ser acusada pelo DIAP de Lisboa do crime de prevaricação, por ter contratado ilicitamente João Pedroso – investigador universitário e irmão do ex-dirigente do PS, Paulo Pedroso – para consultor jurídico do Ministério da educação, entre 2005 e 2007.

Em causa estão contratos no valor global de mais de 300 mil euros feitos pelo gabinete da ex-ministra, por ajuste directo, com o objectivo de João Pedroso elaborar trabalhos de investigação para o Ministério da Educação.

A acusação foi deduzida pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa no passado dia 15. Além de Lurdes Rodrigues, são também arguidos o próprio João Pedroso, e ainda João da Silva Baptista, então secretário-geral do Ministério da Educação, e Maria José Matos Morgado, que era chefe de gabinete da ex-ministra. São todos acusados em co-autoria, do crime de «prevaricação» praticado por titular de cargo político, segundo o despacho de acusação da 9ª Secção do DIAP de Lisboa consultado pelo SOL.

A acusação salienta que os contratos foram feitos com violação das regras do regime da contratação pública para aquisição de bens e serviços. «Tais adjudicações, de acordo com os indícios, não tinham fundamento, traduzindo-se num prejuízo para o erário público, do que os arguidos estavam cientes» - afirma, em comunicado, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.


Notícia relacionada: Maria de Lurdes Rodrigues contratou Pedroso por ser amigo

sábado, 18 de junho de 2011

FICHA DE AUTO-AVALIAÇÃO PREENCHIDA

RELATÓRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO DOCENTE

Devido aos inúmeros pedidos aqui chegados, apresenta-se uma ficha de auto-avaliação preenchida.

Não nos responsabilizamos pela sua validade e conteúdo (que não é da nossa responsabilidade), na medida em que há escolas que têm modelos próprios, ainda que baseados na legislação em vigor.

Fica, no entanto, um pequeno contributo para aqueles que dele necessitarem, bastando adaptar ou completar.


Escola/Agrupamento de Escolas____________
Código: _______
Nome: ____________________________________
Grupo de Recrutamento: _______________
Departamento: _____________________
Categoria Profissional: ______________________

De acordo com o determinado no Despacho nº 14420/2010 de 07 de Setembro, apresento o Relatório de Autoavaliação relativo ao meu desempenho no ano lectivo 2010/2011 na Escola/Agrupamento de Escolas: ____________

AUTODIAGNÓSTICO:

Serviço distribuído:
Lectivo: _____________
Não Lectivo: _______________

Os objectivos individuais foram formulados de acordo com os domínios de avaliação, o serviço distribuído e com a inserção na vida da escola, nomeadamente com o Plano Anual de Actividades e o Projecto Educativo da Escola. Os objectivos individuais foram entregues dentro do prazo estipulado e foram cumpridos.

DIMENSÃO: VERTENTE PROFISSIONAL, SOCIAL E ÉTICA

Considero que cumpri os meus deveres profissionais e realizei todas as tarefas que me foram distribuídas.

Até à data da entrega deste relatório fui assíduo/a e pontual, sendo este um dos principais factores que contribuiu para o cumprimento dos programas estabelecidos. Quando foi necessário, por necessidades próprias, da turma ou de colegas, fez-se a permuta de aula devidamente autorizada pelos órgãos de gestão da escola.

Durante o ano lectivo, procurei manter-me actualizado/a em termos de conhecimento profissional, científico, pedagógico e didáctico inerente à minha disciplina, a fim de melhorar as minhas práticas educativas e optimizar o ensino na escola. Procurei também investir no desenvolvimento integral do aluno e na qualidade das suas aprendizagens, planificando as actividades lectivas e não lectivas em que participei.

Participei em todas as reuniões de Departamento, de Grupo Disciplinar e em todos os Conselhos de Turma, preparando sempre estas reuniões com o intuito de torná-las mais produtivas e cumprir com todas as obrigações, estando sempre disponível para colaborar em todas as tarefas.

Colaborei com os Directores de Turma em todas as actividades propostas, bem como na realização do Projecto Curricular de Turma, Planos de Recuperação de Módulos e Planos de Recuperação de Faltas.

Procurei organizar/aplicar estratégias de ensino adequadas às necessidades e ritmos de aprendizagem dos alunos, promovendo ambientes de aprendizagem em que predominou uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento e, de igual modo, onde o aluno foi sujeito interactivo e activo no processo de construção do seu conhecimento.

Fui concebendo e implementando estratégias de avaliação diversificadas, mantendo os alunos informados sobre os seus progressos e necessidades de melhoria, utilizando processos de monitorização do desempenho dos mesmos e reorientando as estratégias de ensino em conformidade.

Uso uma linguagem cientificamente correcta e adequada com os alunos procurando uma comunicação rigorosa e efectiva.

Ao longo do ano, fui reflectindo sobre as minhas práticas e procurei mobilizar o conhecimento adquirido na melhoria do meu desempenho.

Resumidamente, cooperei com docentes, assistentes operacionais e Direcção Executiva de modo a promover um clima de harmonia, para que o trabalho resultasse em sucesso elevando a boa imagem da escola.

DIMENSÃO: DESENVOLVIMENTO DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM

Na preparação das actividades lectivas tive sempre em conta os conhecimentos e aprendizagens anteriores dos alunos, de modo a tornar possível a realização de aprendizagens significativas. As estratégias seleccionadas foram ao encontro das necessidades específicas dos alunos e do seu ritmo de aprendizagem, da natureza dos conteúdos e das competências a desenvolver.

No que respeita à disciplina de _______, leccionada em ____ turmas _________, em que os alunos se mostravam, a priori, resistentes à aprendizagem e aquisição de novos conhecimentos, procurei motivá-los de forma sistemática, no sentido de melhorar as competências de ________, além da compreensão da oralidade, da leitura e da escrita. Para o efeito, parti de textos diversificados, fichas de informação e de trabalho, bem como de situações correntes do dia-a-dia. Para conseguir a motivação necessária e indispensável foi negociado, ao longo do ano, o visionamento de filmes e de documentários relacionados com os conteúdos programáticos da disciplina.

Nem sempre foi fácil lidar com estes alunos, cujo percurso anterior se revelava, já de si, problemático. No entanto, considero que consegui estabelecer com eles uma relação amigável e positiva, de mútuo respeito e aceitação, que contribuiu para o sucesso do ensino/aprendizagem.

Relativamente à área de ____ dos cursos EFA, tentei ao máximo diversificar os recursos/estratégias que pudessem ir ao encontro da faixa etária e da heterogeneidade dos formandos. Tendo em conta o trabalho acrescido em horário pós-laboral que lhes é exigido, procurei facilitar a revelação das competências exigidas no Referencial de Competências-chave e promovi os conhecimentos adicionais que, de alguma forma, fossem consentâneos com o percurso dos formandos e o nível frequentado.

A relação didáctico-pedagógica com estes formandos, cuja especificidade é peculiar, foi extraordinária e muito gratificante, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais, tendo em atenção o facto de serem adultos, com percursos de vida muito diferenciados.

Tendo como orientação o conjunto de competências consideradas essenciais, no âmbito do desenvolvimento do currículo nacional, o grupo disciplinar de _______, no qual estou integrado/a, definiu que a planificação dos módulos dos ________ deveria ser realizada pelos elementos a leccionar o mesmo nível. Este trabalho foi cumprido na íntegra, tendo realizado o trabalho de planificação modular, em conjunto com os pares, onde foram definidas, em reuniões semanais, as actividades a desenvolver, bem como as estratégias a aplicar e os materiais a utilizar, tendo sempre em conta o contexto da escola e de cada turma.

Organizei as actividades lectivas de acordo com as características das turmas/grupos de formação, adaptando-as sempre que necessário aos ritmos de aprendizagem/competências evidenciados pelos alunos/formandos. Todas as aulas/sessões foram planeadas tendo por base o programa/referencial da disciplina/área, tendo em conta a inexistência de _________, facto que exigiu um trabalho acrescido na procura, selecção e elaboração de materiais adequados.

A planificação das actividades foi sempre realizada com rigor pedagógico, didáctico e científico. Para tal, recorri com muita frequência a diversos suportes, nomeadamente manuais, revistas e artigos na internet, tentando sempre recorrer a instrumentos/recursos muito diversificados e possíveis de articular vertical e horizontalmente com as competências, os conteúdos, as estratégias e as actividades, fazendo a necessária adequação ao nível etário, maturidade, motivação, interesses, ritmo de aprendizagem e dificuldades dos alunos/formandos.

Na planificação das actividades, tive sempre como objectivo detectar as dificuldades sentidas pelos alunos e ajudá-los a superá-las, bem como promover a autonomia e o espírito crítico de cada um deles, fomentando o gosto pela disciplina, facto que, no caso dos _______, não foi tarefa fácil, especialmente na turma de _________.

Desde o início do ano, ao apresentar a disciplina de _______ aos alunos dos/das __________, informei-os relativamente aos instrumentos de avaliação a utilizar, para que não fossem surpreendidos com procedimentos com que não estivessem familiarizados e procurei aplicar na sala de aula diferentes métodos de avaliação, tendo em conta os critérios de avaliação definidos no grupo disciplinar e aprovados em Conselho Pedagógico.

No caso dos Cursos EFA, devido à sua especificidade, informei os formandos das características destes cursos e da área de formação que frequentavam, bem como do conjunto de evidências/competências que deveriam revelar para a conclusão de cada UFCD.

Procedi à observação constante e directa do desempenho e envolvimento dos alunos na realização de tarefas e projectos na sala de aula e efectuei sempre com os alunos a correcção oral/escrita das provas de avaliação, com a intenção de estes detectarem os erros cometidos e superarem as suas dificuldades. Tive, também, o cuidado de verificar os materiais escolares dos alunos de modo a desenvolver o sentido de responsabilidade. Apelei para que estes tivessem sempre uma participação activa no decorrer da aula, expondo as suas ideias, sugestões, dúvidas e dificuldades. Periodicamente, de acordo com a estrutura modular, promovi a auto-avaliação dos alunos, incentivando-os a uma reflexão crítica e construtiva. Julguei com imparcialidade, beneficiando sempre o aluno quando tive dúvidas na atribuição da avaliação final modular. Estive sempre atento/a às suas dificuldades e mostrei-me disponível às suas solicitações dentro e fora da sala de aula. Os meus objectivos foram os de procurar recuperar todos os alunos, evitando que estes ficassem com módulos em atraso ou desistissem.

No final de cada módulo, procedi à respectiva avaliação, elaborando, posteriormente, planos de recuperação sempre que os alunos demonstrassem dificuldades e/ou não tivessem alcançado os objectivos mínimos do respectivo módulo.

No final de cada UFCD, proporcionei aos formandos o feedback das competências por eles reveladas.

Dentro da sala de aula tentei nunca me limitar a uma posição estática, movimentando-me adequadamente no seu espaço. Valorizei com bastante frequência o espírito de observação, a iniciativa e o sentido crítico, as capacidades de organização e de perspicácia, qualidades indispensáveis a qualquer aluno, da mesma forma que àqueles que apresentavam mais dificuldades tentei valorizar os pequenos progressos reforçando-os de forma positiva e procurando sempre ajudar a ultrapassar as situações mais difíceis com que se deparavam.

Nas aulas, procurei criar uma atmosfera na qual os alunos desejassem aprender, incentivando-os a observar, a formar as suas próprias ideias, a participar, incutindo-lhes sentido de responsabilidade, de autonomia e de respeito pela pessoa humana. Procurei mostrar sempre espírito de tolerância e de compreensão, associado a atitudes de firmeza e justiça, que implicassem o desenvolvimento do respeito mútuo e um clima favorável ao processo de ensino aprendizagem.

DIMENSÃO: DESENVOLVIMENTO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL AO LONGO DA VIDA

A actualização científica e pedagógica é uma preocupação que está sempre presente, porque considero que esta é necessária ao meu bom desempenho.
Assim, tomei iniciativas para o desenvolvimento de processos de aquisição e actualização do meu conhecimento profissional, nomeadamente participando em acções de formação na minha área profissional.
Acções frequentadas:
. __________
. __________

Trabalhei colaborativamente, partilhando os conhecimentos por mim adquiridos e contribuindo também para o desenvolvimento profissional e organizacional da escola, tendo participado no desenvolvimento de projectos da escola e com a comunidade escolar, bem como articulando vertical e horizontalmente com outras disciplinas e áreas curriculares e procedendo a planificações conjuntas com os meus pares.

DIMENSÃO: PARTICIPAÇÃO NA ESCOLA E RELAÇÃO COM A COMUNIDADE EDUCATIVA

Participei em todas as reuniões gerais, de departamento e de grupo, bem como as destinadas à elaboração/planificação modular e reuniões de conselhos de turma, tendo participado activamente e contribuído para o bom funcionamento das referidas reuniões, dando a minha opinião e colaborando nas propostas apresentadas, e tendo elaborado as actas que me foram destinadas como secretária.

Embora a data prevista para a entrega deste relatório seja anterior à realização dos exames nacionais, há que referir que estou convocado/a para o serviço de vigilância nesta primeira fase, fazendo intenção de cumprir integralmente este serviço que me foi destinado.

Considero que contribuí de forma positiva para a vida da escola. Além disso, participei/dinamizei, juntamente com outros professores da turma _____, a realização de uma visita de estudo ______________, no âmbito do estudo de ________. No início do ano lectivo, tentei também organizar uma visita de estudo a _______, no âmbito do estudo de ________, mas tal não foi possível devido à inexistência de vagas durante o presente ano lectivo.

Mantive um bom relacionamento, tanto a nível de trabalho, como pessoal, com todos os elementos da comunidade educativa, facto que me deixará enormes saudades no caso de não continuar nesta escola no próximo ano lectivo.

Em face do exposto, considero que o meu desempenho durante o ano lectivo foi muito bom.

O/A avaliado/a, ________________________, em _____ de Junho de 2011.
___________________________________

sexta-feira, 17 de junho de 2011

NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO


Já temos novo ministro da Educação e Ensino Superior. Trata-se de Nuno Crato, cujo curriculum pode consultar aqui, figura muito conhecida no campo da Ciência e da Educação.

Esperemos que o novo Ministro marque positivamente a diferença em relação às duas ministras anteriores, desempenhe a sua função em prol da Educação e do Ensino e seja capaz de fazer com que os professores voltem a sentir o gosto de serem professores.

Veja, neste blogue, algumas entradas com referências a Nuno Crato:

. INTERVENÇÃO DE NUNO CRATO SOBRE EDUCAÇÃO

. A LER POR PROFESSORES, SRA. MINISTRA E SEUS COADJUTORES

. NUNO CRATO SOBRE A AFERIÇÃO DE MATEMÁTICA

Se quiser consultar as onze caras do novo governo, clique aqui.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ACORDO ENTRE O PSD E O CDS-PP

Portugal está hoje confrontado com uma situação extremamente delicada, caracterizada por uma profunda debilidade económico-financeira que nos obrigou a recorrer, pela primeira vez em mais de três décadas, à ajuda externa. Uma debilidade económico-financeira que se projecta, de forma dramática, na degradação das condições de vida da generalidade dos Portugueses e que está inclusive a pôr em causa o desempenho, pelo Estado, das suas responsabilidades indelegáveis de protecção dos mais desfavorecidos e daqueles que se encontram numa situação de maior debilidade, bem como a promoção da igualdade de oportunidades e da mobilidade social.
As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho representaram, porém, o surgimento de um novo horizonte de esperança. Porque deram nota, clara e inequívoca, da vontade dos nossos compatriotas de não se resignarem. Porque os seus resultados traduzem um claro desejo de mudança. E, sobretudo, porque tornaram patente que existem soluções, credíveis e claras, para retirar o País do actual estado de coisas e para o recolocar na senda do progresso e do desenvolvimento.
Enquanto representantes e intérpretes privilegiados da vontade popular, constitui dever de responsabilidade dos responsáveis políticos – de todos eles – retirar as indispensáveis ilações da vontade popular então expressa. E fazê-lo com sentido de responsabilidade e tendo em mente o objectivo primeiro para cuja realização lhes compete trabalhar: a defesa do interesse de Portugal e dos Portugueses.
Os desafios com que estamos confrontados são complexos e pesados. E os tempos que vivemos são, por isso mesmo, de exigência e de responsabilidade. Porque, mais do que mudar de políticas, o que está em causa é mudar o próprio modelo de desenvolvimento económico e social do País.
É possível, e é necessário, governar de forma diferente e, sobretudo, governar melhor. Para o conseguir, porém, é indispensável delinear uma solução política que não se traduza num mero arranjo político de conveniência, preocupado apenas com a ocupação de lugares no poder, mas que seja tradução de um projecto coerente para mudar Portugal, para melhorar, de modo sustentado, as condições de vida dos nossos compatriotas e para voltar a colocar Portugal numa rota de convergência com os nossos parceiros europeus, de cooperação estreita com os Países de Língua Oficial Portuguesa e de renovado prestígio na comunidade internacional.


Para aceder e ler todo o texto, clique AQUI.

A ESCOLA E A ILITERACIA DIGITAL

Por João Ruivo

A escola continua a ser o lugar mais privilegiado para a divulgação e a utilização didáctica e crítica das novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC).
Por isso mesmo, torna-se imprescindível que os docentes sejam formados e motivados para uso dessas novas tecnologias, concebendo-as como instrumentos que devem interagir com os projectos pedagógicos a desenvolver com os alunos.
Todavia, é importante reconhecer que, apesar da assumida necessidade de incluir todas as novas tecnologias no processo educativo, uma boa escola continua a ser o que sempre foi: um espaço em que aprendentes e educadores se encontram, num ambiente que estimula a auto estima e o desenvolvimento pessoal e que oferece janelas de oportunidade para o sucesso num mundo que gira em contra ciclo, ao promover o egoísmo, o individualismo e a concorrência desregrada.
É que não há nenhuma solução tecnológica que seja capaz de induzir o milagre de transformar um espaço pobre em relações humanas num lugar interessante e adequado para gerar a construção de um cidadão com sólidos valores morais e com uma ética de respeito para com os princípios da democracia e do humanismo.
Vivemos num novo milénio que pretende reconfigurar a sociedade, atribuindo-lhe um novo formato centrado em novas formas de receber e transmitir a informação, o que implica uma busca interminável do conhecimento disponível. Para alcançar tal objectivo, imputa-se à escola mais uma responsabilidade: a de contribuir significativamente para que se atinja o que se convencionou designar por analfabetismo digital zero. Para tal, a educação para a utilização das TIC precisa ser planeada desde o jardim-de-infância. Sem preconceitos ou desnecessárias coacções, sem substituir atabalhoadamente o analógico pelo digital, mas sim reforçando a capacidade cognitiva dos alunos e guiando a descoberta de novos horizontes.
Este novo movimento de ruptura não deve representar a eliminação ou a fictícia substituição dos meios de comunicação de massa tradicionais. O que há de novo é a necessidade de fazer convergir todos esses meios num processo integral de formação do indivíduo, capacitando-o para descodificar as mensagens que lhe saltam em cada canto e cada esquina da sociedade do conhecimento.
Esse movimento deve ser capaz de preparar os jovens para serem leitores críticos e escritores aptos a desenvolver essas competências em qualquer dos meios suportados pelas diferentes tecnologias. Hoje, não basta que o aluno só aprenda a ler e escrever textos na linguagem verbal. É necessário que ele aprenda a “ler” e a “escrever” noutros meios, como o são a rádio, a televisão, os programas de multimédia, os programas de computador, as páginas da Internet e, até, o telemóvel…
Por tudo isso, as novas tecnologias da informação e comunicação devem obrigar à alteração dos currículos escolares e a modificação da formação e actuação do professor, que se deve sentir obrigado a actualizar-se em relação às TIC, de forma a acompanhar a dinâmica de obtenção de informação e de transformação desta em conhecimento. Nesse processo, a educação à distância assume-se como um indispensável complemento do ensino presencial, enquanto modelo de comunicação educativa que permite superar distâncias e ampliar o acesso ao conhecimento.
Os jovens foram os primeiros a descobrir que as novas tecnologias da informação e da comunicação implicam inúmeras possibilidades de aprender. Para eles há muito que elas deixaram de ter um estatuto de menoridade e de simples auxiliar da apreensão do conhecimento. Os estudantes olham-nas como outras formas de aprender que implicam a mudança dos modos de comunicação e dos modos de interação nos grupos de pares.
Importa, pois, ter consciência que este novo mundo facilita o trabalho docente, mas também acrescenta angústia e complica a vida do professor. Este, para além de necessitar possuir um conhecimento específico da área científica que lecciona, deverá também ser capaz de identificar nas tecnologias digitais as múltiplas linguagens favorecedoras da apreensão da realidade.
Não é fácil, mas é esta é a contribuição que as novas tecnologias podem oferecer para a consolidação de um mundo mais solidário, desde que a sociedade o queira integrar de uma forma crítica e eticamente incontestável.

João Ruivo
ruivo@rvj.pt

ELES COMEM TUDO

De facto, quem considera Portugal um país desenvolvido estará certamente enganado. Num país desenvolvido não há lugar a leis feitas à medida e em favor de quem as faz.

Na verdade, estamos perante um país de ricos e pobres, de poderosos e de obedientes, de oportunistas e de cidadãos que trabalham, enfim, um país onde a palavra "justiça" tem de ser redefinida, porque, na prática, não condiz com a definição do conceito.

Vem isto a propósito de o Ministério da Educação acabar com o "subsídio de compensação por caducidade" de contrato que os colegas contratados recebiam e a lei que favorece os deputados da Assembleia da República.

Quanto ao subsídio de compensação por caducidade, tratava-se de um valor quase simbólico, mas que em muito ajudava professores condenados à possível renovação anual de contrato, com perda de tempo de serviço, para preencher as (pseudo)necessidades transitórias.

Já relativamente aos deputados, basta ler o que alguns jornais publicaram para ter a noção da "coisa" e os montantes em jogo. Por exemplo, o Correio da Manhã refere que "começam a dar entrada na Assembleia da República (AR) os pedidos de subsídios de reintegração e de subvenções vitalícias por parte daqueles que já não vão integrar o novo Parlamento." e, de acordo com o Económico, "A verba de 604 mil euros prevista no orçamento do Parlamento para estes subsídios pode ter que ser reforçada."

Viva Portugal!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A RESPONSABLIDADE DO COPIANÇO

De acordo com o Público, Futuros magistrados apanhados a copiar tiveram todos dez. Parece uma notícia surreal, mas o que lhe estará subjacente revela os parâmetros actuais da exigência do país.

A apologia do facilitismo, que domina todo o sistema de ensino a partir dos decisores políticos, em nada contribui para o desenvolvimento de um país, a braços com a necessidade de uma educação mais exigente e de uma justiça, passe a redundância, mais justa.

Apetece dizer que é o País que temos. Mas não podemos ficar amorfos quando percebemos que, num país afundado, cada milímetro escarafunchado torna o fosso ainda maior.

Notícias relacionadas:
. Director-adjunto do CEJ considera que nota 10 para quem copiou foi a melhor solução

. Sindicato dos juízes considera copianço no CEJ lamentável

. Marinho Pinto defende exclusão de futuros magistrados que copiaram

terça-feira, 14 de junho de 2011

O SUFOCO DOS EXAMES INTERMÉDIOS

O pior desta notícia do Público (Escolas correm o risco de se tornarem centros de treino para testes) é que os exames intermédios não são mais do que uma forma de tapar o sol com a peneira e um empurrãzinho para o sucesso estatístico de alunos e escolas. Até parece que, agora sim, a qualidade e a exigência estão no topo.

De acordo com a notícia, os "alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário podem estar a ser prejudicados pelo modo como as escolas estão a aplicar e a utilizar os testes intermédios propostos pelo Ministério da Educação (ME), alertam especialistas em avaliação ouvidos pelo PÚBLICO."

Noutros tempos, um sério e exigente exame à saída era mais do que suficiente para prestar provas de aptidão e conhecimentos fundamentais para a conclusão do 9º Ano.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

FUGA AO CAOS

De acordo com o Expresso de hoje, Sócrates vai viver para Paris. Ora aqui está uma forma interessante de aplicar os rendimentos e virar as costas ao caos que ele próprio criou e deixar de viver num país em ruína. Ou será que há por aí medo da justiça?


Clicar na imagem para ampliar.

PARA QUE ALGUNS ABRAM OS OLHOS

Embora possa conter ressabiamento, quando é um da casa a dizer isto talvez muitos fiéis cegos possam pelo menos admitir a necessidade de abrir os olhos.

Artigo de Manuel Maria Carrilho no DN de 9-06-2011:


A herança envenenada

Pela primeira vez em Portugal, um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas. E isso aconteceu com o pior resultado que o PS teve nos últimos vinte anos. Sócrates despediu-se depressa, tinha preparado no teleponto um longo discurso em que, mais uma vez, procurou negar a verdade e fugir às evidências - sobretudo a de que deixa um país encurralado e à beira da ruína e um PS embalsamado e com os seus valores patrimoniais fundamentais muito abalados.

O que o discurso revelou - apesar do que dizia o teleponto - foi, por um lado, um Sócrates aterrorizado com o juízo da história e com o lugar que ela certamente lhe reserva, associado à bancarrota de 2011. E, por outro lado, a obsessão em condicionar o natural debate interno sobre as lições que há que tirar deste desaire, que se traduziu na perda, em seis anos, de um milhão de votos.

Tudo indica que a vida não vai ser fácil para o Partido Socialista, que fica agora à mercê de uma diabolização política que não vai tardar, em previsível resposta ao funambular optimismo dos últimos tempos. É que Sócrates deixa nos braços do PS uma herança envenenada, que é a de ter que "ser oposição" a um programa que ele próprio assinou. O socratismo corre, assim, o risco de se tornar numa verdadeira maldição para o PS.

Isso só não acontecerá se houver, desde já, lucidez e coragem para reconhecer que, com este julgamento dos portugueses, o tempo dos álibis acabou e se abre agora um tempo de debate e de balanço. Um tempo de debate, porque infelizmente a capacidade de ouvir, de pensar e de debater, que deve sempre acompanhar o exercício democrático do poder, foi um défice constante, e crescente, destes seis anos. E um tempo de balanço, porque só com efectivo espírito de responsabilidade, mas também com verdadeiro sentido patriótico, será possível reconquistar a credibilidade perdida.

Em suma, o PS precisa, antes do regresso ao combate político, de dar ao País um forte sinal político, mas também ético, feito de humildade e de verdade. Este vai ser, sem dúvida, o maior e o mais imediato desafio da sua próxima liderança.

Com a vitória da "coligação" PSD/CDS, o País entra agora numa nova fase. Se se trata de um novo ciclo político ou, apenas, de uma nova legislatura, só o tempo o dirá. Mas seria bom ter consciência que a crise em que Portugal tem vivido traduz, no essencial, um prolongado e difícil impasse, constituído por um cerrado nó de problemas que esta primeira década do século XXI, em particular nos últimos dois anos, agravou pesadamente.

E estes problemas são fundamentalmente três: o problema cultural, o problema económico e o problema financeiro. O primeiro decorre da falta de valores e de visão estratégica que permita pensar com consistência um rumo para o País, capaz de se afirmar ao mesmo tempo no quadro europeu, no âmbito lusófono e na globalização. É isso que pode dar aos portugueses uma ideia global de si próprios como sociedade e como nação, dotados de convicções e de projectos colectivos.

Só com este problema bem equacionado se poderão definir as audazes apostas que é preciso fazer para resolver o problema económico, de modo a conseguir essa articulação tão difícil, que é a de se atingir um crescimento significativo do País, aumentando o emprego para os portugueses, nomeadamente para as qualificadas novas gerações. E só com estas bases é que o problema financeiro virá a ter outra solução que não seja a dos habituais cortes atrás de cortes, amparada num constante aumento de pressão fiscal.

Incapazes de, até ao momento, equacionar e resolver este nó de problemas, acabámos nas mãos de uma troika que o fez à sua maneira, segundo um "memorando" cujo cumprimento nos condiciona em tudo no imediato, sem, contudo, garantir nada a prazo, como de resto a tragédia grega bem tem mostrado nesta últimas semanas.

Com um dado novo, que merece muita atenção: é que agora o que está em causa não é o incumprimento, por parte da Grécia, do plano estabelecido, mas - o que é bem diferente - o facto de a sua concretização não ter conduzido ao resultado previsto pela troika há um ano. O que só pode reforçar as mais sérias apreensões sobre o caminho e o destino da União Europeia.

É por isso que me parece uma funesta ilusão alimentar, como se tem feito, a ideia mais ou menos sebastiânica de que a saída da crise decorre automaticamente da aplicação do "plano de ajuda" externo estabelecido com o BCE, a CE e o FMI. Por mais incontornável que, dadas as circunstâncias, ele seja no imediato, este plano não dispensa - muito pelo contrário - uma exigente reflexão sobre o rumo do País e as suas possíveis opções estratégicas no médio e longo prazo.

Portugal precisa de se pensar. Portugal precisa sobretudo de se libertar do paradigma do betão e dos serviços, que tudo tem bloqueado com as suas mitomanias em carrossel. Portugal precisa de olhar para o seu imenso potencial em termos de recursos naturais, de indústrias criativas, de economia do mar - era esta, afinal, a troika para que devíamos olhar.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ACABOU UM PESADELO

Independentemente do que nos espera, acabou um pesadelo para a Educação e para o País e, fazendo fé na nossa sondagem, os professores em muito contribuíram para isso.

A saída de Sócrates da cena política - e esperemos que não regresse - é, sem dúvida, o facto mais significativo que resultou das eleições legislativas. Foi durante o seu reinado de desgoverno que a Educação mais regrediu e que a moral dos professores mais se afundou. Caso tivesse ganho as eleições, mesmo que com pequena vantagem, Sócrates era homem para fazer implodir a sua sanha e cilindrar em definitivo a classe docente.

Ter acabado o "pesadelo Sócrates" não significa, no entanto, que tenhamos aportado num mar fantástico e que o futuro nos reserva tudo o que consideramos ser o melhor para a Educação e para o País. Nem todos ficaram satisfeitos com a mudança, é certo. Há até quem esteja ainda mais apreensivo. Na nossa página do Facebook, os comentários parecem apontar para um misto de alívio e de esperança, mas também de alguma descrença.

Em nossa opinião, neste momento a nossa postura tem de passar por festejar o fim de um pesadelo, ter esperança, estar atento e lutar, lutar com todas as forças, para que, passado um pesadelo, outro não se venha a instalar.

Pela nossa parte, continuaremos a procurar unir e mobilizar os professores para a luta sempre que estiver em causa a nossa dignidade pessoal ou profissional, se verificar manifesto atropelo à nossa carreira profissional e os justos e legítimos direitos forem subvertidos.

domingo, 5 de junho de 2011

OS PROFESSORES VOTARAM MASSIVAMENTE CONTRA SÓCRATES

O MUP colocou uma sondagem para tentar perceber qual seria a intenção de voto dos professores nas eleições de 5 de Junho.

Os resultados, com base nas 811 participações, são os que se encontram no quadro em baixo. Pelo que se vê, os professores contribuíram, massivamente, para a derrota de quem tinha feito dos professores a classe a abater.

Pode ser que a lição tenha sido aprendida e que outros não se esqueçam de que a classe docente é a classe com mais cidadãos com formação superior.

A todos os que colaboraram na sondagem o nosso muito obrigado pela participação.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SERÁ QUE AINDA HÁ QUEM ACREDITE?

"Não digo em quem votarei, mas sei em quem não não vou votar." Pudera!


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