quarta-feira, 27 de novembro de 2013

VOZES DA REVOLTA

A palavra prova talvez tenha sido a que mais vezes foi escrita e lida, por estes dias, nas redes sociais, pelo menos nas páginas e grupos de professores no Facebook. E as razões disso, de sobejamente conhecidas, nem vale a pena repeti-las, ainda que não seja demais reiterar que estamos perante a maior infâmia aluma vez cometida contra todos os professores portugueses, aqueles profissionais que, com provas dadas nas universidades que frequentaram, nos estágios e formações que fizeram e no desempenho que tiveram, preparam muitos profissionais qualificados que hoje ocupam lugares de topo em muitas áreas da sociedade portuguesa, mas que também contribuiram para a deformação daqueles que hoje nos governam e para uma geração de políticos tão fraquinhos, quão fraca parece ser a determinação e a alma de um povo entregue à sua sorte e ao seu carrasco.

Os professores estão feridos na sua dignidade. A classse - na exacta medida da que pretendia o ME - está dividida, repleta de gente solitária, mas não solidária, de gente triste, cansada, abandonada, perdida, amedrontada, num salve-se quem puder arrepiante, desejando cada um apenas prolongar o seu sustento até onde for possível.

O Facebook tem sido um autêntico confessionário, onde os medos se espraiam, as dores têm rosto, as tentativas germinam e onde a esperança e a desilusão concorrem numa luta feroz.

Aqui ficam sete desabafos/comentários, hoje recolhidos aleatoriamente de outros tantos posts publicados em grupos de professores, mas que dão conta da terribilidade que os colegas professores contratados experimentam nestas horas de angústia.

E se é inadmissível e infame a exigência de uma prova deste género, é também infame e inadmissível que os professores do quadro abandonem os colegas contratados neste momento difícil, assim como é inadmissivelmente infame que todos estes não tenham querido gritar a uma só voz um rotundo "não à PACC!".

Comentário/desabafo 1:
Agora chateei-me! Então é assim: eu já me inscrevi para a prova, sim. Fi-lo de consciência traquila, de quem sempre lutou nos momentos em que achou que deveria ter lutado. Fiz greves, tipo extraterrestre, pois era quase sempre a única contratada a fazê-lo ao lado dos colegas do quadro. Fui a manifestações em autocarros de sindicatos com colegas do quadro e ZERO colegas contratados. Cheguei a enviar mensagens a variadíssimos colegas para se manifestarem pois em breve seria tarde demais. Nem resposta me davam, descansadinhos na sua colocaçãozinha anual e olhando para o seu umbigo, sem qualquer tipo de leitura dos sinais, que foram MUITOS! Não tenho medo de prova nenhuma! Se chumbar é porque devo mudar de profissão! Não me sinto humilhada! Não, não sou amiga do Crato, aliás, há muito que nada espero do MEC (sobretudo desde o tempo da Milú)! Agora andam a querer saber quem se inscreveu para a prova? EU! Porque sou LIVRE! E só queria teu 1 euro por cada um daqueles que diz aqui à boca cheia que não vai fazer a prova e que não vai cumprir com o prometido! E apetece-me terminar com uma adaptação de uma célebre pergunta de Babtista Bastos: "onde é que vocês estavam antes da PACC?". Um bom dia para todos!

Comentário/desabafo 2: 
Pelos comentários que venho lendo a respeito das últimas declarações proferidas por Mário Nogueira, sou obrigado a concluir que há uma certa leviandade de pensamento nalguns colegas. Reparem, os sindicatos solicitaram aos professores contratados que aguardassem por uma decisão dos tribunais até ao dia de hoje. Como a decisão, infelizmente, tarda em chegar, é natural que se apele ao bom senso, pondo de lado radicalismos que possam, no futuro, conduzir a situações dramáticas de desemprego. O prazo para a inscrição na dita prova termina na 5ª feira, dia 28, às 18h. Ainda que a vasta maioria esteja contra a mesma (eu estou, por isso ainda não me inscrevi), temos a obrigação de refletir e, como cidadãos sensatos que somos (ou não fôssemos professores), decidir em consciência. Não estou a defender nenhum sindicato ou o Mário Nogueira em particular, estou sim a defender a sensatez e a prudência. Bem-hajam

Comentário/desabafo 3:
Também eu quero partilhar a minha dor. Dispenso comentários do deita a baixo, pois lá no fundo já eu estou, aqui em casa este governo conseguiu dar cabo de Uma família inteira. Os sindicatos há muito que se deviam ter juntado e lutado ao lado dos professores contratados, melhor de todos os professores. Deviam ter deixado a politiquice de lado, pois devemos todos remar para o mesmo lado. Quando se fez a manifestação na AR, deviam ter ouvido quem lhes pedia ajuda, (eu pedi ajuda, escrevi emails a todos eles o único que me respondeu foi SPRC , ainda indignado) pois são estes quem lhes paga o ordenado todos os meses, para que possam colocar comida na mesa para os seus filhos. Quando se invadiu os ministérios da saúde , da economia e das finanças e ambiente. Onde estavam os sindicatos que não invadiram o da educação???? Se tenho ido às manifestações vigílias e afins.... TENHO. Não é o Crato que nos obriga a fazer uma prova, mas sim os sindicatos que não nos defende devidamente para que essa prova não vá para a frente. Estou revoltada, SIM, ESTOU REVOLTADA!!!!

Comentário/desabafo 4: 
 "A termo está a educação nestes moldes! A termo está o desrespeito por uma classe profissional que cumpre requisitos universitários e avaliações anuais! A termo está a educação voltada apenas para a redução de gastos!"

Comentário/desabafo 5: 
 Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 6:
Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 7:
Muito sinceramente, despeço-me deste grupo e de outros, em virtude dos comentários de alguns colegas relativamente aos outros... Boa vida para vocês e que Deus, Alá ou Buda vos ensine a respeitar-se uns aos outros... efectivos e contratados, grevistas e não grevistas, etc.... Ser-se professor é, acima de tudo, saber ouvir e compreender, algo que não tem abundado muito por aqui...

Sem comentários:

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