sexta-feira, 29 de novembro de 2013

É HORA DE DAR AS MÃOS

A prova de que à frente do Ministério da Educação está uma equipa incompetente e que tudo tem feito para ultrajar os professores, especialmente com a aplicação infame de uma PACC, está nas orientações do Provedor de Justiça que quer professores experientes livres da prova.

Na Página da Provedoria de Justiça refere-se que o "Provedor de Justiça pediu ao Ministro da Educação e Ciência que ponderasse dispensar da prova de avaliação os docentes que há vários anos satisfazem necessidades permanentes.
A iniciativa foi tomada na sequência da apresentação de cerca de 4.000 queixas de docentes sobre o assunto."

Sabemos que a guerra ainda não está ganha, sobretudo se percebermos que o ministro Crato, bem como a sua equipa, que tem agido de forma ardilosa e autista, com esta abjecta prova pretende amesquinhar os professores, dando um sinal à sociedade de que nada adianta a oposição a qualquer medida do governo, tenciona preparar o terreno para afastar, em breve, muitos dos professores do quadro e quer sacar uns milhões de euros aos professores, que terão de pagar pelo menos 20 € por inscrição.

Aliás, este último objectivo parece estar claro no facto de Crato anunciar 30 mil inscritos na prova dos professores, um número que se afigura não corresponder à verdade e que é consentâneo com a decisão de prolongar o prazo para inscrição na prova de avaliação, ou seja, demonstrando pretender sugar o máximo de dinheiro aos professores para entregar ao chefe de governo e, assim, minimizar o déficit.

Neste contexto, ao invés de esfregarmos as mãos, temos de dar as mãos e endurecer a luta, pois só assim será possível conseguirmos fazer arrepiar caminho aos responsáveis por estas atrocidades.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

CAÇA AO DINHEIRO

Afinal, a dita "prova" arrisca-se a ser a prova de que o ME pretende alcançar três objectivos claros:
. amesquinhar os professores, dando um sinal à sociedade de que nada adianta a oposição a qualquer medida do governo;
. preparar o terreno para afastar, em breve, muitos dos professores do quadro;
. sacar uns milhões de euros aos professores, que terão de pagar pelo menos 20 € para a inscrição na dita-cuja.

Embora todos eles sejam relevantes, sádicos e preocupantes, aqui fica um e-mail que demonstra a obsessão da DGAE pelo dinheiro.

Além de ser um e-mail frio, impessoal em termos de remetente e destinatário, é possível verificar que, dos três parágrafos de texto que contém, dois são sobre o pagamento. Acresce que esta resposta chegou à caixa de correio do colega (desempregado neste ano lectivo) pouco mais de duas horas depois de se ter inscrito para a infame PACC. E mais infame se torna porque vai ao bolso de pessoas fragilizadas, grande parte delas desempregada.

Vergonha nacional!

Subject: Inscrição PACC
From: dgae.mec@dgae.mec.pt
Date: Wed, 27 Nov 2013 17:20:31 +0000
To: xxxxxxxxxxx@hotmail.com

Caro(a) candidato(a),

A sua escola já procedeu à validação da inscrição para a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.
Deve aceder ao SIGRHE e gerar referência para pagamento da mesma.
Mais se informa que dispõe de cinco dias para efetuar o pagamento, a contar desta data.

Com os melhores cumprimentos,
DGAE

VOZES DA REVOLTA

A palavra prova talvez tenha sido a que mais vezes foi escrita e lida, por estes dias, nas redes sociais, pelo menos nas páginas e grupos de professores no Facebook. E as razões disso, de sobejamente conhecidas, nem vale a pena repeti-las, ainda que não seja demais reiterar que estamos perante a maior infâmia aluma vez cometida contra todos os professores portugueses, aqueles profissionais que, com provas dadas nas universidades que frequentaram, nos estágios e formações que fizeram e no desempenho que tiveram, preparam muitos profissionais qualificados que hoje ocupam lugares de topo em muitas áreas da sociedade portuguesa, mas que também contribuiram para a deformação daqueles que hoje nos governam e para uma geração de políticos tão fraquinhos, quão fraca parece ser a determinação e a alma de um povo entregue à sua sorte e ao seu carrasco.

Os professores estão feridos na sua dignidade. A classse - na exacta medida da que pretendia o ME - está dividida, repleta de gente solitária, mas não solidária, de gente triste, cansada, abandonada, perdida, amedrontada, num salve-se quem puder arrepiante, desejando cada um apenas prolongar o seu sustento até onde for possível.

O Facebook tem sido um autêntico confessionário, onde os medos se espraiam, as dores têm rosto, as tentativas germinam e onde a esperança e a desilusão concorrem numa luta feroz.

Aqui ficam sete desabafos/comentários, hoje recolhidos aleatoriamente de outros tantos posts publicados em grupos de professores, mas que dão conta da terribilidade que os colegas professores contratados experimentam nestas horas de angústia.

E se é inadmissível e infame a exigência de uma prova deste género, é também infame e inadmissível que os professores do quadro abandonem os colegas contratados neste momento difícil, assim como é inadmissivelmente infame que todos estes não tenham querido gritar a uma só voz um rotundo "não à PACC!".

Comentário/desabafo 1:
Agora chateei-me! Então é assim: eu já me inscrevi para a prova, sim. Fi-lo de consciência traquila, de quem sempre lutou nos momentos em que achou que deveria ter lutado. Fiz greves, tipo extraterrestre, pois era quase sempre a única contratada a fazê-lo ao lado dos colegas do quadro. Fui a manifestações em autocarros de sindicatos com colegas do quadro e ZERO colegas contratados. Cheguei a enviar mensagens a variadíssimos colegas para se manifestarem pois em breve seria tarde demais. Nem resposta me davam, descansadinhos na sua colocaçãozinha anual e olhando para o seu umbigo, sem qualquer tipo de leitura dos sinais, que foram MUITOS! Não tenho medo de prova nenhuma! Se chumbar é porque devo mudar de profissão! Não me sinto humilhada! Não, não sou amiga do Crato, aliás, há muito que nada espero do MEC (sobretudo desde o tempo da Milú)! Agora andam a querer saber quem se inscreveu para a prova? EU! Porque sou LIVRE! E só queria teu 1 euro por cada um daqueles que diz aqui à boca cheia que não vai fazer a prova e que não vai cumprir com o prometido! E apetece-me terminar com uma adaptação de uma célebre pergunta de Babtista Bastos: "onde é que vocês estavam antes da PACC?". Um bom dia para todos!

Comentário/desabafo 2: 
Pelos comentários que venho lendo a respeito das últimas declarações proferidas por Mário Nogueira, sou obrigado a concluir que há uma certa leviandade de pensamento nalguns colegas. Reparem, os sindicatos solicitaram aos professores contratados que aguardassem por uma decisão dos tribunais até ao dia de hoje. Como a decisão, infelizmente, tarda em chegar, é natural que se apele ao bom senso, pondo de lado radicalismos que possam, no futuro, conduzir a situações dramáticas de desemprego. O prazo para a inscrição na dita prova termina na 5ª feira, dia 28, às 18h. Ainda que a vasta maioria esteja contra a mesma (eu estou, por isso ainda não me inscrevi), temos a obrigação de refletir e, como cidadãos sensatos que somos (ou não fôssemos professores), decidir em consciência. Não estou a defender nenhum sindicato ou o Mário Nogueira em particular, estou sim a defender a sensatez e a prudência. Bem-hajam

Comentário/desabafo 3:
Também eu quero partilhar a minha dor. Dispenso comentários do deita a baixo, pois lá no fundo já eu estou, aqui em casa este governo conseguiu dar cabo de Uma família inteira. Os sindicatos há muito que se deviam ter juntado e lutado ao lado dos professores contratados, melhor de todos os professores. Deviam ter deixado a politiquice de lado, pois devemos todos remar para o mesmo lado. Quando se fez a manifestação na AR, deviam ter ouvido quem lhes pedia ajuda, (eu pedi ajuda, escrevi emails a todos eles o único que me respondeu foi SPRC , ainda indignado) pois são estes quem lhes paga o ordenado todos os meses, para que possam colocar comida na mesa para os seus filhos. Quando se invadiu os ministérios da saúde , da economia e das finanças e ambiente. Onde estavam os sindicatos que não invadiram o da educação???? Se tenho ido às manifestações vigílias e afins.... TENHO. Não é o Crato que nos obriga a fazer uma prova, mas sim os sindicatos que não nos defende devidamente para que essa prova não vá para a frente. Estou revoltada, SIM, ESTOU REVOLTADA!!!!

Comentário/desabafo 4: 
 "A termo está a educação nestes moldes! A termo está o desrespeito por uma classe profissional que cumpre requisitos universitários e avaliações anuais! A termo está a educação voltada apenas para a redução de gastos!"

Comentário/desabafo 5: 
 Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 6:
Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 7:
Muito sinceramente, despeço-me deste grupo e de outros, em virtude dos comentários de alguns colegas relativamente aos outros... Boa vida para vocês e que Deus, Alá ou Buda vos ensine a respeitar-se uns aos outros... efectivos e contratados, grevistas e não grevistas, etc.... Ser-se professor é, acima de tudo, saber ouvir e compreender, algo que não tem abundado muito por aqui...

PORQUE TODAS AS ACÇÕES SÃO POUCAS...



terça-feira, 26 de novembro de 2013

APENAS DESNORTE?

Já várias vezes o fizera, mas hoje, depois ler a notícia no Público, pus-me, de forma muito especial, na pele de um colega contratado. E os sentimentos que me percorreram o corpo deixaram-me completamente siderado. Perdido, confuso, sozinho, completamente abandonado, senti, em definitivo, que apenas me restam duas alternativas: ou lutar  e gritar pela dignidade que me resta, ou continuar imóvel, deixando que todos, incluindo aqueles que deveriam defender todos os docentes, me arrasem enquanto pessoa e professor.

Além do exemplo que tenho de dar ao Ministério da Educação, eis que me vejo obrigado a lutar contra a inércia e desmobilização dos dirigentes sindicais.

As palavras de Mário Nogueira até poderão ter implícita alguma sábia prudência. No entanto, não conseguem esconder apenas desnorte e falta de trabalho na mobilização de todos professores. Elas são também reveladores da falta de criatividade em acções eficazes de luta quando está em causa, segundo as próprias palavras de todos os dirigentes sindicais, o pior ataque de que há memória à escola públia e a maior ignomínia alguma vez cometida para com os professores.

Com ou sem apoio em todas as ocasiões, os professores acabarão por saber dar a resposta no momento certo. Apenas porque é inevitável que assim seja.

Notícia do Público:  

Dirigente da Fenprof diz que se estivesse no lugar dos contratados se inscrevia para fazer a prova de avaliação

À espera das decisões definitivas dos tribunais, o dirigente sindical Mário Nogueira diz que "a vida ensina que é importante manter possibilidades em aberto". O prazo para as inscrições para realizar a prova termina às 18h de quinta-feira.

O PARTO DO IAVE

Os flibusteiros que tomaram o governo de Portugal reuniram-se e tomaram mais uma daquelas sinuosas medidas tanto a seu gosto. Uma importantíssima medida. Tomaram-na sem sequer consultar alguém que não os amigos. E ficou ali resolvido o esquema: resolveram instituir o IAVE, passando responsabilidades do Ministério da Educação para as mãos de amigos do ministro, amigos que praticamente ninguém conhece. O IAVE substitui o Gave e é considerada uma “entidade independente”, com amplas competências e a tão desejada e tranquilizadora liberdade de ação. A “independência”, essa, é seletiva: por exemplo, esta entidade “independente” usa, sem dar cavaco a ninguém, os sites governamentais, nomeadamente o do antigo Gave, o que seria considerado ilegal em qualquer outro país. Ao IAVE, entidade criada por um grupo de pessoas numa reunião, foi dado enorme poder: pode, por exemplo, ANULAR as habilitações conferidas pelas universidades portuguesas (se quiserem, podem amanhã dizer que TODOS os cursos superiores tirados em Portugal valem menos que zero). O IAVE é “independente” mas cobra dinheiro através do Estado e mexe com dinheiro, que entra pelo ministério e se dissipa por meandros obscuros.

Não há nada de ilegal aqui? Tudo isto é, no mínimo, muuuuito estranho, não é?

Recebido por e-mail, sem referência de autor. Uma pesquisa posterior, permitiu verificar que a primeira publicação terá sido em http://olhequenao.wordpress.com/author/jyotigomes/
 

DEPUTADOS: SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL TÊM AUMENTO DE 91,8%

Se, face a estes factos, os portugueses não se revoltarem em definitivo, há razão para dizer que somos um povo fraco, de fraca gente e tão pobre de espírito, que nada mais nos restará como nação.

Vejamos:

Aprovado já em Outubro passado, o orçamento para o funcionamento da Assembleia da República revela algumas surpresas capazes de deixar qualquer cidadão de boca aberta e levá-lo a acções de luta bem duras e necessárias. É que, nestes tempos de aperto até à exaustão, as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal aumentam em 2014.

Não se trata apenas de um mau exemplo de despesismo público e de desperdício da Assembleia da República, em contexto de crise e austeridade. Trata-se de uma ignomínia, que tem de ser combatida por todos e com todas as forças, até porque
aumento brutal não tem qualquer explicação que o justifique.

Se compararmos o orçamento dos anos de 2013 e 2014, verifica-se que, para 2014, ele prevê um aumento global de 4,99% nos vencimentos dos deputados, passando estes de 9.803.084 € para 10.293.000,00 €.

E se este aumento de praticamente 5% é uma autêntica infâmia, a verba relativa aos subsídios de férias de natal dos deputados é uma autêntica declaração de guerra aos portugueses. É deveras terrorista o facto de, relativamente ao orçamento para o ano de 2013, ele contemplar um aumento de 91,8%, passando de 1.017.270,00 € (em 2013) para 1.951.376,00 € (em 2014), ou seja, o ano de 2014 prevê mais 934.106,00 €. 

Infelizmente, as despesas com remunerações certas e permanentes com a totalidade do pessoal da Assembleia da República (deputados, assistentes, secretárias e assessores, que aumentam 5,4%, bem como outros valores astronómicos atribuídos aos partidos e em mordomias, são ingredientes a mais para deixar qualquer cidadão insensível e comodamente sentado em casa.
  
Para quem quiser confirmar, basta consultar e comparar o D.R., 1.ª Série, n.º 222, de 16/11/2012 (relativo ao orçamento de 2013) com o D.R., 1.ª Série, n.º 226, de 21/11/2013 (onde está o orçamento de 2014). Consultem a rubrica "despesas correntes", que se encontra na segunda página dos documentos destes links.

Indigna-te! Há sempre um tempo de dizer BASTA! E este é o tempo!

 

sábado, 23 de novembro de 2013

SONDAGEM A PROFESSORES CANDIDATOS À REALIZAÇÃO DA PROVA

VAI REALIZAR A PROVA (PACC)? 

ATENÇÃO: ESTA SONDAGEM DESTINA-SE APENAS A PROFESSORES CANDIDATOS À REALIZAÇÃO DA PROVA

Muitos são os professores que se têm manifestado ultimamente sobre a PACC, parecendo ser unânime que todos estão contra a sua realização.

No entanto, quando se fala na luta concreta contra ela, verifica-se o extremar de posições, havendo pelo meio alguns professores, cuja decisão só será tomada de acordo com a percepção da maioria.

Além disso, não é novidade que muita gente exprime e demonstra publicamente uma determinação e atitude, mas, depois, no silêncio e solidão da sua existência, decide-se pelo seu contrário.

Assim, através desta sondagem (ver painel à esquerda), pretendemos saber, de forma anónima, qual é a verdadeira determinação dos professores em realizar ou não esta prova humilhante para toda a classe docente. 

Divulga e partilha!

NÃO FAREI QUALQUER EXAME RETROACTIVO

Carta aberta de um professor ao primeiro-ministro: não farei qualquer exame retroactivo

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar.

O meu nome é Manuel Maria de Magalhães e sou professor profissionalizado do grupo 410 (Filosofia), desde 2002. Desde então fui contratado por 13 escolas, em cinco distritos diferentes (Viana do Castelo, Braga, Porto, Guarda e Viseu). Em todas excedi sempre aquilo que me era pedido, como prova o reconhecimento, em alguns casos público e formal, que alunos, colegas, órgãos das escolas e encarregados de educação prestaram ao meu trabalho.

 Em termos de formação contínua de professores desprezei sempre as acções de formação promovidas pelo ministério através das suas direcções regionais, que conjugam o verbo "encher" na perfeição, para procurar na academia a continuação dos meus estudos sob a forma de congressos ou mesmo na execução de duas pós-graduações nas áreas em que o meu grupo disciplinar se move. Em todas as escolas o meu trabalho foi avaliado, de acordo com o estipulado, tendo inclusivamente sido dos primeiros a submeter-se voluntariamente às "aulas assistidas". Em consequência das suas políticas educativas encontro-me no corrente ano desempregado e sem perspectivas de encontrar colocação nesta área, tal como dezenas de milhares de colegas meus, muitos deles com uma história profissional bem mais dura do que a minha e muitos mais anos de serviço. É neste quadro que Vossa Excelência, através do seu ministro da Educação, nos quer obrigar a fazer um exame para poder continuar a concorrer ao ensino. Era a humilhação que faltava e a maior de todas.

Ao enveredar por este caminho, Vossa Excelência está a descredibilizar todos os docentes com provas dadas nesta causa que é tomada como uma missão em prol do desenvolvimento do país. Está a descredibilizar as universidades que nos formaram e as escolas que nos avaliaram. Está a destruir a credibilidade do próprio ensino, através de uma avaliação retroactiva, sem fundamento, obscura nos seus contornos, pois até esta data pouco se sabe sobre o processo, que é mais próprio de regimes ditatoriais revolucionários do que de democracias maduras, onde todas as partes devem ser ouvidas.

Estou de acordo consigo num ponto: a Educação não está bem,apesar dos esforços de tantos, mas residirá apenas na classe docente a causa desse mal? Já reparou que todos os governos eleitos impuseram uma política de Educação diametralmente diferente dos anteriores? Já se deu conta que a Educação foi verdadeiramente uma área em que se "atirou dinheiro" para cima dos problemas na esperança que passassem? No ensino, como em muitas outras áreas, também existiu o privilégio do betão face à formação. Quantas escolas não têm psicólogos, sobretudo clínicos, que tanta falta fariam aos inúmeros casos dramáticos que assolam milhares de alunos? Que vínculos tem o Estado, através da Segurança Social, para ajudar a estabelecer pontes entre as famílias e a Escola? O que se (não) tem feito em termos de prevenção da indisciplina em ambiente escolar, seja na sala de aula ou fora dela? O que fez o Estado para promover a autoridade (não autoritarismo) do professor e do auxiliar de acção educativa que ainda é tratado, à maneira do Estado Novo, como um mero contínuo, desprezando o seu vital papel nas escolas? Construir ou renovar escolas não chega… Se quer introduzir alterações em atitudes e comportamentos dos docentes, este não é seguramente o melhor caminho. Se analisar a formação que o ministério nos disponibiliza, constatará que não tem, na maioria dos casos, qualquer interesse em termos pedagógicos. Já pensou em fomentar a ligação entre as universidades e as escolas neste sentido? Ao persistir neste caminho, Vossa Excelência encerra em si o pior modelo de docência: o do professor que obriga os alunos a uma avaliação para a qual não os preparou.

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar. Não farei qualquer exame retroactivo, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino, assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.

Professor de Filosofia

In Público

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A PROVA, ALGUÉM DO MINISTÉRIO E A FLATULÊNCIA

Quando a infâmia é grande, até as palavras escasseiam.

Estive a entreter-me neste fim de tarde chuvosa, realizando a prova, a tal PACC, que mais não é do que uma flatulência ministerial! E se já antes tinha claro que se tratava da maior ignomínia alguma vez lançada sobre os professores, o ridículo de ser uma prova ao nível de um aluno do ensino secundário faz com que deva ser combatida por todos os meios e por TODOS os professores.

Mas há uma questão que fica, para já, em aberto: não será esta "facilidade" um isco para atrair os professores e levá-los a inscrever-se massivamente e a realizar a prova no dia marcado? É que Crato, o seu comandante e o seu séquito são muito matreiros (uma tradição que já vem de longe, especialmente dos antecessores) e podem bem estar a utilizar uma estratégia de esvaziamento da luta, de forma a que os seus objectivos sejam alcançados, num esquema descarado de exploração e redução da classe docente à miséria e de destruição da escola pública.

Não nos podemos deixar amesquinhar! Os professores não podem ter medo e deixar-se derrubar. Começa a ser tempo de nos começarmos antecipar, derrubando-os nós a eles. 

O modelo da prova encontra-se aqui

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O NAUFRÁGIO DE CRATO

Excelente texto de Eduardo Oliveira e Silva, no Ionline. Esperemos apenas que este naufrágio seja daqueles sem resgaste, daqueles em que nem o corpo aparece. Todos sabemos que o poder corrompe. Mas nenhum de nós está para aturar quem, manifestamente, já deu mostras de não ter competência para gerir a pasta e estar a destruir a educação em Portugal.

O ministro está a afundar-se, para seu mal e do país 

Quando entrou para o governo era o mais velho dos seus membros. Ao seu nome associava-se prestígio, como acontecia por exemplo com Francisco José Viegas, que entretanto desertou.

Sensato, cordato, competente, e também um reputado matemático e professor universitário, esperava-se de Nuno Crato que concretizasse o que nunca um dos seus antecessores tinha alcançado: uma política simultaneamente coerente e minimamente consensual.

A missão era quase impossível, mas, dado o perfil, admitia-se a hipótese de êxito relativo. No entanto, nada deu certo e a culpa não tem a ver com a crise e a falta de meios. Crato conseguiu, rapidamente, mobilizar contra ele todos os agentes do ensino, começando pelos professores, que promoveram as maiores manifestações de sempre.

Basta, aliás, olhar para o que está acontecer nos últimos dias para se ter uma ideia clara de que o ministério e a política de Nuno Crato metem água por todo o lado. Verifica-se que, não querendo fazer uma revolução mas uma reforma tranquila, não fez nem uma coisa nem outra.

Os reitores, através do seu conselho, decidiram recentemente num gesto inédito e simbólico cortar as pontes de diálogo e acusar o ministro de violar a sagrada autonomia universitária. De facto, as coisas estão péssimas, tanto no ensino superior universitário como no politécnico, cuja frequência é hoje impossível para quem não disponha de meios económicos. A ideia de gratuidade sempre foi um tanto simbólica, mas agora morreu.

Nos patamares anteriores à universidade ou na área especial, a situação é ainda mais grave. Estão instalados o caos e a ineficácia, salvo alguns casos de excepção.

A ideia dos contratos de autonomia está já ferida de morte, embora uma em cada quatro escolas públicas queira aderir. Como ontem se acentuava num trabalho desenvolvido neste jornal, os limites da lei e das disponibilidades financeiras condicionam as decisões e desiludem os responsáveis pelos agrupamentos que avançaram para o acordo. Em contrapartida, os agrupamentos tal qual estão revelam-se em regra impossíveis de gerir, porque o afastamento em relação ao terreno é excessivo e a intervenção directa ao nível da escola sempre foi uma forma de gestão mais eficaz.

Os contratos com o ensino privado suscitam desconfianças e promiscuidades inimagináveis, como demonstrou um recente trabalho da TVI.

No meio de uma situação sempre instável, Portugal conseguiu, mesmo assim, preparar ao longo dos anos uma parte significativa da sua juventude e dar aos mais velhos alguns incentivos para que voltassem a estudar. Mesmo opções controversas como as Novas Oportunidades tinham alguma utilidade e recuperaram auto-estimas. Hoje vivemos numa floresta de equívocos. Não se sabe para onde vai o ensino e sobretudo percebe-se que os caminhos que Nuno Crato trilhou estão bloqueados.

É pena, porque Crato tinha o perfil certo para a função e à partida foi invulgarmente bem aceite por um sistema que, além de altamente corporativo, transporta interesses específicos e não raras vezes antagónicos, sendo dominando por sindicatos e ideologias políticas.

Não é certo que algum dia alguém consiga fazer melhor, mas é certo que Nuno Crato se está a afundar, o que é mau para ele mas sobretudo para os portugueses. Vergonha Pepsi: Vamos trucidar Portugal. Foi esta a mensagem que a marca promoveu ao colocar um boneco lembrando Ronaldo em cima de uma linha de comboio. Uma só resposta: beber Coca-Cola!!!

In Ionline
NOTA: O sublinhado é nosso. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ABAIXO ASSINADO CONTRA A PROVA

Seria bom que se gerasse um movimento de abaixo assinados pelas escolas, do género do que se propõe, que pode ser usado na íntegra ou adptado, devendo ser enviado ao IAVE, através do endereço de correio eletrónico pacc@gave.mec.pt.

ABAIXO ASSINADO

          Em resposta  ao Aviso n.º 14185-A/2013, publicado no Diário da República de 19 de novembro de 2013 e relativo à inscrição dos candidatos para a realização da prova de avaliação de conhecimentos e de capacidades para o exercício da função docente, os professores abaixo assinados, pertencentes ao quadro de escola/agrupamento de escolas ______________, com sede em ______________, vêm, por este meio, expressar publicamente o seu repúdio por esta prova, por considerarem tratar-se de um procedimento profissionalmente inaceitável e indigno, em virtude de, como o próprio texto do aviso refere, se destinar a quem já é "detentor de uma qualificação profissional para a docência"; por entenderem que o contexto da exigência da mesma revela um total atropelo a todas as instituições responsáveis pela atribuição das competências científicas e pedagógicas a esses docentes, bem como ao trabalho prestado por estes profissionais ao longo de vários anos nos estabelecimentos de ensino, pondo ainda em causa toda a avaliação a que foram sistematicamente sujeitos.
          Assim, compromentem-se os professores abaixo assinados a não se disporem, qualquer que seja a circunstância, a vigiar, controlar, ou, muito menos, corrigir as provas, se a isso vierem a ser chamados, por considerarem que essa tarefa carece quer de enquadramento legal e profissional da profissão docente, quer de um mínimo de dignidade e deontologia profissionais.

        (Local) ______________________, ____ de Novembro de 2013.

        Os abaixo assinados:

UMA VEZ MAIS, É HORA!

Tendo em conta tudo aquilo que recentemente se tem passado na educação e no ensino público português, nenhum professor pode continuar de braços cruzados, sob pena de se tornar cúmplice da destruição da escola pública e da profissão docente.

Com Nuno Crato, muita coisa mudou. Infelizmente, para pior. E em catadupa, para que a anestesia tomasse conta dos professores e estes não reagissem. Foi isso que veio acontecendo. Porque a crise e o medo foram forças maiores do que a força humana.

Mas algo está a mudar.
Sem esquecer as dificuldades em que os professores foram colocados, com reformas penalizadoras, convites ao despedimento encapotados em mobilidade e rescisões amigáveis, aumento de número de alunos por turma, aumento das horas de trabalho, aumento de trabalho burocrático, roubo nos vencimentos, congelamento de carreiras, etc., etc., os professores vêem-se confrontados com a marcha devoradora para a privatização do ensino e com uma indigna prova de avaliação de capacidades e conhecimentos aplicada aos colegas contratados, agravada pelo facto de terem de  pagar para a realizar e de há muito sofrerem a injustiça e ilegalidade de não vinculação depois de muitos anos de trabalho.


Todos já percebemos que o governo tem sido especialista no desrespeito pelas leis. Nuno Crato, apesar das diversas providências cautelares aceites contra a prova, não se coibiu de mandar publicar os procedimentos administrativos no Diário da República de 19/11/13.

Até porque já há uma boa notícia...

ESTÁ NA HORA DE DIZER "BASTA". ESTÁ NA HORA DE DIZER "NÃO".

PRECISO VOLTAR A UNIR E MOBILIZAR TODOS OS PROFESSORES
. contra o financiamento público do ensino privado;
. contra a destrução da escola pública;
. contra a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos.


TODOS SOMOS POUCOS!

Colabora: mobilizar.e.unir.professores@gmail.com

Desde 01-01-2009


Este blog vale $140.000.00
Quanto vale o seu blog?

eXTReMe Tracker

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Twingly BlogRank
PageRank
Directory of Education Blogs

RSSMicro FeedRank Results
Add to Technorati Favorites
Locations of visitors to this page