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segunda-feira, 28 de junho de 2010

ECD E ADD EXPLICADOS PELO ME

No Portal da Educação, o Ministério explica os dois documentos que nos vão acompanhar. É importante ler e interiorizar. A informação é essencial.

Avaliação do Desempenho de Docentes

Os novos diplomas relativos à Avaliação do Desempenho de Docentes e ao Estatuto da Carreira Docente foram publicados no Diário da República. Sem prejuízo da leitura dos documentos divulgados, aqui se apresentam os aspectos consideradas mais relevantes.

domingo, 27 de junho de 2010

LÁ SE VAI O ECD

Lei da função pública vai sobrepôr-se ao Estatuto da Carreira Docente

O Governo garantiu hoje que o Estatuto da Carreira Docente (ECD) a publicar em Diário da República será a versão acordada com os sindicatos, mas sublinha que a lei da administração pública sobrepõe-se àquele diploma

Durante uma audição na Comissão de Educação e Ciência na Assembleia da República, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, numa das suas intervenções, referiu-se a «mapas de pessoal» e não a «quadros de escola», como prevê actualmente o ECD.

«O que vai ser publicado previsivelmente amanhã [quarta-feira] é um decreto-lei. A Lei 12-A [regime de vínculos, carreiras e remunerações dos funcionários públicos], na hierarquia das leis, naturalmente sobrepõe-se a qualquer lei que define ou regulamente carreiras especiais», afirmou Alexandre Ventura aos jornalistas, no final da audição.

Depois, o secretário de Estado lembrou que o ECD «tem referência não apenas a quadros de escola», mas também a «outra terminologia» relacionada com os docentes.

No entanto, acrescentou, a Lei 12-A tem num dos seus artigos «uma referência clara e explícita» sobre a sobreposição.

«A Lei 12-A tem no seu artigo 86.º uma referência clara e explícita de que se sobrepõe a toda e qualquer regulamentação que defina o funcionamento de carreiras especiais», afirmou Alexandre Ventura.

A Lei 12-A estabelece a passagem dos trabalhadores em regime de nomeação definitiva para o regime de contratação por tempo indeterminado e substitui os quadros por mapas de pessoal.

Durante a revisão do Estatuto da Carreira Docente, o Governo chegou a apresentar aos sindicatos uma versão deste diploma completamente diferente da que estava a ser negociada, com várias referências à lei da função pública, mas acabou por retirar a proposta.

In SOL.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

FOI POR ISTO QUE LUTÁMOS?

Carreira docente
Fenprof: "Não é o estatuto que gostaríamos de ter mas foi aquele que conseguimos"

O novo estatuto da carreira docente publicado hoje pelo governo em Diário da República é de "fidelidade absoluta" relativamente ao que foi negociado, garante a Federação Nacional de Professores (FENPROF) ao i. "O texto é exactamente aquele que foi negociado", garantiu António Avelãs, da direcção da federação, acrescentando: "Não é o estatuto que gostaríamos de ter mas foi aquele que conseguimos.

O novo estatuto da carreira docente foi hoje publicado em Diário da República e prevê o fim da distinção entre professores e professores titulares.

In Ionline.


(NOTA: sublinhado nosso)

Ver também notícia do Destak: Alterações ao Estatuto da Carreira Docente de acordo com versão enviada aos sindicatos - FNE

sexta-feira, 30 de abril de 2010

É PRECISO COMEÇAR A "LIMPAR AS ARMAS"

Querem que vos diga três coisas?

A primeira é que começo a não perceber nada disto. Começo a não perceber a táctica do Ministério, as tácticas dos intervenientes, a verdade do que se passa... Diz-se, desdiz-se, diz-se que se disse, diz-se que não se disse, diz-se que se disse que se disse, diz-se que se disse que não se disse... Não estou a acusar ninguém, apenas a expressar a minha desorientação!

A segunda (que talvez devesse ser a primeira) é que a proposta do ECD tem aspectos mais negativos do que os que estavam consagrados no anterior -
como cedo tentámos fazer ver e outros o fizeram também. Seria interessante saber o que pensam os entuaisastas do acordo e aqueles aqueles que nos criticaram de "discordar dessa aliança" de Janeiro.

Em terceiro lugar, é preciso que todos os professores se consciencializem do que está em causa, que vão limpando as armas... porque vem aí a "guerra".



Educação
Professores perdem estatuto especial na Função Pública

Por Margarida Davim*

Os sindicatos ficaram surpreendidos com a proposta de Estatuto da Carreira Docente que o Ministério lhes fez chegar ontem à noite e determina que o recrutamento e a mobilidade dos professores passará a ser gerido pelas Finanças. «Isto nunca esteve em cima da mesa», garantiu ao SOL João Dias da Silva, da FNE.

[...]

Toda a notícia no SOL.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O FIM DE UM ESTATUTO...

Já tínhamos avisado em comunicado, aquando do acordo!

Quando ontem à noite li a nova proposta de ECD (que segundo muitos dizem, será o definitivo) não queria acreditar no que os meus olhos viam e no que a minha mão conseguia sublinhar com uma caneta fluorescente (por norma, as alterações para "pior"). A conclusão depois de uma leitura relativamente atenta, é a que se segue e pode "magoar" os mais esperançosos:

Não estamos perante um novo estatuto da carreira docente mas sim perante um documento que pura e simplesmente extermina o estatuto da carreira docente!

Os poucos colegas que leram esta última proposta sabem do que "falo". O panorama deixou de ser clara e inequívocamente "negro" e passou a "perda total". Vejamos o resumo (elaborado pela
FENPROF) das alterações mais significativas:

- Eliminação das regras de recrutamento para os quadros das escolas ou agrupamentos, sendo também estes eliminados, bem como a existência de vagas;

- Separação entre ingresso nos quadros (que seriam substituídos por mapas de pessoal) e ingresso na carreira, na qual apenas se poderá entrar porprocedimento concursal dependente do Ministério das Finanças;

- Consideração de precariedade como regra, bem patente quando se afirma que os "postos de trabalho existentes nos mapas" das escolas e agrupamentos "podem ser ocupados por docentes integrados na carreira";

- Reforço da arbitrariedade da administração educativa no que respeita à possibilidade de transferir compulsivamente os professores de escola;

- Fim de todas as formas de mobilidade actualmente existentes - concurso, permuta, destacamento, requisição e comissão de serviço - e substituição por"mobilidade interna" (por prazos de 4 anos) e "cedência de interesse público";

- Aplicação pura e simples da Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, ou seja, negação, na prática de um estatuto profissional e de carreira específico para o pessoal docente, o que traduz um retrocesso de mais de 20 anos;

- Aplicação generalizada das regras de contrato individual de trabalho, quer a docentes actualmente contratados, quer dos quadros.

Muitos colegas só se irão aperceber do alcance desta mudanças a partir dos concursos nacionais de 2011 (será, por razões óbvias, tarde demais). Infelizmente... A dormência nas escolas é grande e continuo a considerar que o facto de estarmos perante um ano de "apreciação intercalar" (para os colegas contratados não se aplica este conceito) e de uma certa satisfação pela eliminação da divisão da carreira (a que preço, meu Deus... a que preço!) irá contribuir para uma fraca contestação (e por consequência, adesão a eventuais iniciativas sindicais).

Quero acreditar que ainda podemos fazer algo, enquanto classe profissional, no entanto, tenho de admitir que perante tão gravosas mudanças, o panorama afigura-se de extrema complexidade. É importante, neste momento, que todos os colegas leiam a última proposta de ECD e formem as suas próprias opiniões. Só informados poderemos ter uma real capacidade de contestação e de mobilização consequente.

A luta tem de continuar, por maior que seja o cansaço...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

APROVADAS AS ALTERAÇÕES AO ECD E ADD

Voltamos a recordar que o único aspecto positivo deste "Estatuto" é considerar uma única categoria de professor (sem a aberrante divisão da carreira). Quanto ao resto, ficou tudo na mesma ou piorou.


Governo aprova alterações ao Estatuto da Carreira Docente e novas regras da avaliação de desempenho

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros alterações ao Estatuto da Carreira Docente, que acabam com a divisão da classe entre professores e professores titulares, e as novas regras da avaliação de desempenho.

Estes dois diplomas, um decreto-lei e um decreto regulamentar, respectivamente, decorrem do “Acordo de Princípios” assinado a 8 de Janeiro entre a tutela e os sindicatos do sector, ao qual se seguiram semanas de negociações tendo em vista a sua tradução legal.

O anúncio foi feito hoje à tarde pelo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, em conferência de imprensa após a habitual reunião de quinta-feira. Nenhum elemento do Ministério da Educação compareceu ao 'briefing', dedicado a questões de Finanças.

Os diplomas aprovados determinam o fim da divisão da carreira em professores e professores titulares, princípio introduzido pela anterior ministra da tutela, Maria de Lurdes Rodrigues.

Assim, a carreira docente passa a estabelecer-se com uma única categoria, com dez escalões de quatro anos, excepto o quinto, que durará dois anos.

O acesso ao 5.º e 7.º escalões por parte dos professores classificados com “Bom” está sujeito à existência de vagas, de 50 e 30 por cento, respectivamente, quotas definidas até 2013.

No entanto, os professores avaliados com “Bom” que não progridam por ausência de lugar terão uma majoração de 0,5 pontos por ano, o que significa que, na pior das hipóteses, esperam três anos para passar àqueles patamares.

No sistema de avaliação continuarão a existir quotas para a atribuição das classificações de “Muito Bom” e “Excelente”, notas que permitem uma progressão mais acelerada, mas para as quais é necessário solicitar a observação de aulas.

A observação de aulas passa também a ser indispensável no 3.º e no 5.º escalões, uma novidade relativamente às regras em vigor.

O Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho motivaram os maiores protestos de sempre de professores, ao longo dos últimos três anos.

In Público

quarta-feira, 24 de março de 2010

O "NOVO" ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE

Hoje Ministério e sindicatos estiveram a debater diploma sobre avaliação
Estatuto da Carreira Docente estará pronto dentro de dias

A versão definitiva do diploma com o novo Estatuto da Carreira Docente será entregue nos “próximos dias” aos sindicatos de professores, disse hoje à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação, depois de uma reunião com o secretário de Estado, Alexandre Ventura.

[...]

quinta-feira, 18 de março de 2010

ÁGUA NA FERVURA

Conferência de imprensa
Ministério retira alterações ao estatuto docente apresentadas esta semana

O Ministério da Educação decidiu retirar as alterações que apresentou esta semana ao Estatuto da Carreira Docente, muito contestadas pelos sindicatos de professores, com o intuito de terminar rapidamente o processo de revisão daquele diploma.

“O Ministério da Educação não quer que se atrase a aprovação desta legislação de que as escolas, os professores e os pais necessitam. Por isso, o Governo retirou da agenda todas as matérias que vão para lá do acordo [de Princípios assinado em Janeiro] e considero que estão assim reunidas as condições para encerrarmos rapidamente este processo”, anunciou o secretário de Estado adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, em conferência de imprensa.

In Público.

PROFESSORES EM REGIME GERAL

Professores recrutados segundo regime geral da função pública

O recrutamento de professores vai passar a ser feito de acordo com regime de vínculos, carreiras e remunerações da função pública, enquanto os quadros de agrupamento e de escola vão dar lugar a "mapas de pessoal".

As alterações constam da última proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, a que a agência Lusa teve acesso, enviada na segunda-feira à noite aos sindicatos de professores pelo Ministério da Educação.

No artigo 17.º, passa a ler-se que "o recrutamento para a carreira docente processa-se através de procedimento concursal, nos termos da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro [sobre a vinculação, carreiras e remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas], e do presente Estatuto".

Mais à frente, no artigo 24.º, lê-se que "a tramitação do procedimento concursal para o exercício de funções docentes é regulamentada através de portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, administração pública e educação", nos termos da lei que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas.

A agência Lusa questionou hoje a tutela sobre o que vai mudar efectivamente na selecção de professores, mas não obteve resposta até ao momento.

No artigo 25.º, em vez de "os quadros de pessoal docente", passa a ler-se "os mapas de pessoal docente", tal como "quadros de agrupamento de escolas" e "quadros de escola não agrupada" são substituídos, em ambos os casos, por "mapas".

"A dotação de postos de trabalho dos mapas de agrupamento de escolas ou dos mapas de escola não agrupada, discriminada por ciclo ou nível de ensino e grupo de recrutamento, é fixada por portaria [...]", lê-se na proposta.

Quanto à vinculação dos docentes, o Estatuto em vigor prevê a nomeação provisória ou definitiva e contratos administrativos.

Na proposta do Governo, sobre a "modalidade de vinculação", "o exercício de funções integrado na carreira docente é efectuado na modalidade prevista na lei geral".

Já os contratos administrativos, para satisfação de necessidades residuais, são substituídos por contratos a termo resolutivo.

Por outro lado, passam a ser instrumentos de mobilidade geral dos docentes integrados na carreira a "mobilidade interna", por períodos de quatro anos, e a "cedência de interesse público", quando antigamente estava previsto o concurso, permuta, destacamento, requisição e comissão de serviço.

"A carreira docente rege-se pela Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, com as adaptações previstas neste Estatuto", é a nova redacção do artigo 135.º.

Segundo os sindicatos de professores, as alterações propostas significam o fim dos concursos de professores, o que a tutela já negou.

In Educare.

quarta-feira, 17 de março de 2010

PROFESSORES PERDEM ESTATUTO ESPECIAL DA FUNÇÃO PÚBLICA

Caros Professores,

Está na hora de dizer à senhora Ministra e ao seu comandante que poderá enganar os sindicatos, mas não logrará os Professores.

Precisamos de voltar a dar uma lição na rua!


Educação
Professores perdem estatuto especial na Função Pública

Os sindicatos ficaram surpreendidos com a proposta de Estatuto da Carreira Docente que o Ministério lhes fez chegar ontem à noite e determina que o recrutamento e a mobilidade dos professores passará a ser gerido pelas Finanças. «Isto nunca esteve em cima da mesa», garantiu ao SOL João Dias da Silva, da FNE
[...]
In SOL.

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NO MINISTÉRIO, MAS NO CHEFE

Esta notícia está relacionada com a última versão do ECD apresentada pelo ME.

PCP e BE acusam ministério da Educação de "má fé" e "falta de seriedade" nas negociações Estatuto Carreira Docente

Lisboa, 17 mar (Lusa) - PCP e BE acusaram hoje o Governo de "má fé" e de uma "profunda falta de seriedade" nas negociações que desenvolveu com os sindicatos sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente.

A polémica em volta do projeto de lei da nova carreira docente entregue pelo ministério da Educação na segunda feira aos sindicatos foi levantada pelo deputado do PCP Miguel Tiago numa declaração política no plenário da Assembleia da República, onde deixou duras críticas à ministra da Educação, Isabel Alçada.

"Finge negociar para manter o essencial na mesma, sem ter sequer a coragem política de o assumir perante os parceiros. O comportamento do Governo foi de tal ordem manipulador e cínico que apenas divulgou o documento final após a passagem de todos os prazos, nomeadamente do período suplementar de negociação", acusou Miguel Tiago.

Segundo os sindicatos, o projeto de lei do Governo inclui matérias que não foram negociadas no âmbito do acordo de princípio que oito estruturas sindicais assinaram com o executivo em janeiro, nomeadamente o fim dos concursos de colocação.

O Governo, contudo, já assegurou que são "totalmente infundadas" as notícias sobre "qualquer alteração ao regime dos concursos" de colocação dos professores e garantiu que a proposta será negociada com os sindicatos.

Hoje no plenário do Assembleia da República o PCP não poupou, porém, críticas ao ministério da Educação, considerando que a negociação foi gerida com "má fé".

"O Governo e o ministério da Educação, com o apadrinhamento do PSD, mantêm a sua intransigência, disfarçada agora com uma cara diferente", acusou o deputado comunista.

"É inqualificável e revelador de uma profunda falta de seriedade", corroborou a deputada do BE Ana Drago, lamentando que o projeto divulgado pelo Governo pareça indiciar "que os professores continuam a ser o seu alvo preferido".

Pelo PSD, a deputada Vânia Jesus disse que o seu partido está "extremamente preocupado", insistindo que o ministério da Educação impõe no documento entregue aos sindicatos alterações que "nunca foram negociadas com os sindicatos".

A defesa do Governo foi feita pela deputada socialista Paula Barros que assegurou que "o que estava assinado no acordo de princípio está vertido no projeto" enviado pelo ministério da Educação aos sindicatos e rejeitando a ideia que as negociações já estejam fechadas.

"As negociações não estão fechadas", garantiu Paula Barros, que devolveu as acusações deixadas pela bancada do PCP.

"O PCP é que não conseguiu digerir o acordo de princípios", disse, acusando os comunistas de estarem a fazer um "aproveitamento político" da questão.

VAM.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim
In Notícias msn.

ÚLTIMA VERSÃO DO ECD APRESENTADA PELO ME

Os deslumbramentos face aos sorrisos parecem ficar provados.

Agora já se começa a perceber o logro.

Bem avisámos, no devido tempo!

Aqui fica a última versão do ECD apresentada pelo Ministério da Educação (15 de Março de 2010).

Projecto de Alteração ao Estatuto da Carreira Docente

ME HASTEIA PAVILHÃO PIRATA!

Decorridos 67 dias dias, assente a poeira e arrefecidos pelo rigoroso inverno da realidade os vapores narcotizantes do naif "Acordo de Princípios" firmado pela maioria das cúpulas da FNE e FENPROF - sem consultarem ninguém - a nau do ME abandona os sorrisos e feminis ademanes e hasteia o pavilhão pirata, preparando-se para uma feroz abordagem à Classe Docente - Ver Projecto de alterações ao ECD proposto pela gentinha da 5 de Outubro:
http://ricardomontes.weebly.com/uploads/3/0/9/4/3094204/propostaecd15marco2010.pdf

e

http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&topic=18416.msg155147#msg155147

A carne para canhão é, mais uma vez, a mesma de sempre: a Contratação.

É hora de despertar para a realidade! Tocar a sineta da mobilização. Chamar a desmobilizada Classe para formas de luta avançadas, globais e radicais.

É hora de exigirmos em todos os areópagos - começando já no X Congresso da FENPROF - autocrítica a quem embarcou nos iniciais sorrisos desta gente e, mais importante e urgente, um Plano de Luta, Global e Coerente, à altura do cínico, falso e silencioso inimigo de defrontamos: a gentinha da 5 de Outubro, sempre igual a si própria. Gente, como sempre, rapace, sem palavra e sem vergonha.

Vamos TODOS dar-lhe uma resposta à altura!

A LUTA CONTINUA!

Paulo Ambrósio

O FIM DAS NOMEAÇÕES DEFINITIVAS

O que se começa a saber da versão do Ministério para o Estatuto da Carreira Docente só vem confirmar aquilo que já estava, há muito, anunciado: os professores vão deixar de ser uma «carreira especial», passando a estar sujeitos a todas as demais regras da lei geral da Função Pública.

Leiam o artigo 29.º do ECD cozinhado pela anterior equipa de Maria de Lurdes Rodrigues, artigo esse que definia as modalidades de vinculação: lá estava a distinção entre nomeação provisória e nomeação definitiva. Procurem essa distinção na proposta que o Ministério agora apresenta. Não a encontram. Em lugar disso, encontram um artigo 29.º, igualmente dedicado à «modalidade de vinculação», com a seguinte redacção:

«O exercício de funções integrado na carreira docente é efectuado na modalidade prevista na lei geral».

Ora essa «lei geral» tem um nome, nome esse que já foi aqui várias vezes denunciado: chama-se Lei 12-A/2008 de 27 de Fevereiro, e tem um artigo, o 88.º, cujo ponto 4 diz que

«Os actuais trabalhadores nomeados definitivamente que exercem funções em condições diferentes das referidas no artigo 10.º mantêm os regimes de cessação da relação jurídica de emprego público e de reorganização de serviços e colocação de pessoal em situação de mobilidade próprios da nomeação definitiva e transitam, sem outras formalidades, para a modalidade de contrato por tempo indeterminado.»

Esclareça-se que o citado artigo 10.º determina que o conceito de «nomeação» (defnitiva ou transitória) passa a aplicar-se apenas aos quadros permanentes das Forças Armadas, aos diplomatas, a quem trabalhe na investigação criminal ou nos serviços de informações – em suma, a quem desempenha funções essenciais no Estado, coisa que, como toda a gente sabe, não é o caso dos professores, esses parasitas que é preciso pôr na ordem e precarizar o mais possível para ver se ganham e juízo e se convencem de vez da sua total irrelevância.

Portanto, no caso dos professores, o lema da carreira vai passar a ser:

Todos diferentes, todos precários.

Mas a história não acaba aqui. É que há sempre um elemento de farsa nestas coisas. Pois não é que agora os sindicatos ficaram muito surpreendidos por constatarem que, segundo a proposta ministerial de alteração do ECD (art. 24.º), o recrutamento e a mobilidade dos professores passam a ser geridos pelo Ministério das Finanças e que isso não estava previsto naquele magnífico acordo que assinaram com a ministra? Sentem-se traídos, coitadinhos. Ó sacrossanta inocência! (Que de inocente não tem nada, pois tudo isto são só coreografias para o pagode ver).

O que está a acontecer é a morte anunciada da carreira dos professores como uma carreira digna desse nome. Tudo feito em função da drenagem financeira das classes médias, apanhando na curva os professores reconduzidos ao seu redil, com escassa capacidade de reacção.

Acontece que, sem luta, não vamos lá. E se houver, como tem de haver, essa luta, ela terá de ser um combate alargado e articulado com toda a Função Pública, com todos os trabalhadores explorados e precarizados do sector privado, com todos os desempregados. E terá de ser uma luta inventiva, dura e corajosa, fora dos quadros tradicionais. E QUE SEJA MUITO MAIS DO QUE GREVES DE UM DIA ROTINIZADAS NAS AGENDAS SINDICAIS.

In APEDE.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

REMENDANDO

Governo apresenta quarta-feira nova versão da alteração ao Estatuto da Carreira Docente

O Governo entrega quarta feira aos sindicatos uma nova versão do projeto de alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), mas não se comprometeu a traduzir nesse diploma três aspetos acordados em janeiro, segundo a Fenprof.

Em declarações aos jornalistas no final de mais uma reunião no Ministério da Educação, o secretário geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) adiantou que a intenção da tutela é dar tradução legal a essas matérias em "portaria, despacho e decreto-regulamentar".

"Há aspetos que consideramos de regime do Estatuto, ao nível da avaliação e da progressão na carreira, que devem constar do decreto-lei e não apenas de outros diplomas. Isso é indispensável", afirmou Mário Nogueira.

A versão do projeto de alteração enviada no dia 12 aos sindicatos não estipulava a compensação anual de 0,5 pontos à classificação dos professores avaliados com "Bom" quando não progridam para o 5.º ou 7.º escalões por falta de vaga em determinado ano.

O texto também não garantia as percentagens mínimas de vagas anuais para acesso àqueles dois escalões, que, segundo o acordo assinado na madrugada de 08 de janeiro, são de 50 por cento e de 33 por cento dos candidatos, respetivamente.

O terceiro aspeto prende-se com o acesso àqueles dois escalões. O texto do acordo indica que os professores classificados com "Muito Bom" e "Excelente" progridem automaticamente, mesmo sem vaga.

No entanto, o projeto de revisão da tutela estipula que são necessárias duas classificações consecutivas de "Excelente", ou um "Excelente" e um "Muito Bom", independentemente da ordem.

"O Ministério da Educação só garantiu que estas questões iriam ter tradução legal nas regulamentações. Do nosso ponto de vista têm de ter tradução legal no próprio decreto-lei", insistiu Nogueira.

O líder da Fenprof adiantou que o secretário de Estado adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, comprometeu-se ainda hoje a enviar aos sindicatos o teor da portaria e do despacho e que as duas partes esperam que o novo Estatuto entre em vigor no final de abril ou início de maio. O Ministério da Educação e os sindicatos voltam a reunir-se na próxima quarta feira.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PROJECTO DE ALTERAÇÃO DO ECD, PROPOSTO PELO ME

Documento do ME sobre o projecto de alteração ao Estatuto da Carreira Docente.

Proposta do Ministério da Educação (11 de Fevereiro de 2009).

Para aceder ao documento, clicar aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A DISTINÇÃO ENTRE O BOM E O MAU PROFESSOR

Os bons acabam felizes, os maus infelizes. Isso é o que se chama ficção” (Oscar Wilde, 1854-1900).

O derradeiro comentário (15.º) de um anónimo ao meu post “Estatuto da Carreira Docente: remendos novos em pano velho” levantou o velho problema da distinção entre o bom e o mau professor.

Nem de propósito, numa longa e interessante entrevista (Público, 01/02/2010), Jaime Carvalho e Silva, professor da Universidade de Coimbra, recentemente nomeado secretário-geral da Comissão Internacional para a Instrução da Matemática, entre outros assuntos de relevo, tece considerações sobre o que entende ser um bom professor de Matemática quando escreve que “sabe muita Matemática, sabe comunicar, tem uma caixa de ferramentas pedagógicas para usar em diferentes situações, trabalha com os colegas, vai a encontro de formações; sabe o que se passa na sua cidade, no país, no mundo”.

Sem nada ter a ver com a burocrática avaliação da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues ao transformar os professores em mangas-de-alpaca a preencherem rimas de fichas de avaliação, na véspera desse mesmo dia, redigi e publiquei um comentário em resposta à pergunta formulada por outro anónimo (comentário 14.º): “Como é que se distingue um professor medíocre de um professor não medíocre? Alguém sabe?”

“Por acreditar naqueles que procuram a verdade e desconfiar daqueles que a encontram”, como escreveu André Gide, limitei-me a dar uma resposta condicionada pelo espaço de um simples comentário, e que passo a transcrever: “Quanto à maneira de proceder à avaliação dos docentes, eu excluo à partida que seja feita, exclusivamente, pelos próprios pares que hoje são avaliadores e amanhã poderão vir a ser avaliados por aqueles que avaliaram criando entre eles uma cumplicidade que não garante a necessária isenção. Portanto, apenas uma pequena e muito modesta achega: o professor medíocre é aquele que falta por sistema, que não mantém a disciplina na sala de aula, cuja aprendizagem dos alunos não sofre evolução favorável, cujos conhecimentos científico, pedagógico e de cultura geral são deficientes, que se relaciona mal com os colegas e restante pessoal da escola, etc”.

Mais uma vez, o 15.º comentário, citado no início deste meu post, veio demonstrar que a resposta à pergunta “o que é um bom professor?” não se esgota em soluções fáceis pelo facto de estarmos a lidar com pessoas (docentes e discentes) e respectivas idiossincrasias no complexo fenómeno da educação e da instrução. Embora o ideal seja o entrosamento entre ambas, aqui corremos o risco de entrar num outro labirinto de difícil saída que é o de estabelecer fronteiras bem delimitadas entre uma coisa e outra, porque se pode inclusivamente educar sem instruir e vice-versa. A propósito de teorias sobre educação, ocorre-me citar um pedagogo que dizia com uma certa desilusão: “Dantes tinha seis teorias sobre educação e nenhum filho, hoje tenho seis filhos e nenhuma teoria!” Ou seja, nem sempre a teoria anda de braço dado com a prática e vice-versa.

No ponto 1 do 15.º comentário, referido logo no início deste post, é evocado o conceito de benchmarking, ou seja a busca na indústria de um melhor rendimento inspirado em situações similares bem sucedidas. Mas, neste caso específico, não estamos em presença da complexidade inerente à avaliação dos docentes. Mas isto não significa, de forma alguma, que desistamos de encontrar um processo capaz de distinguir o bom do mau professor para evitar a injustiça de os igualar porque, como escreveu Camilo, “o despotismo da igualdade é o mais insuportável e o mais feroz dos despotismo, porque tem a sua origem na vontade dos impotentes, dos estúpidos, dos insignificantes”.

No ponto 2 são referidos vários condicionalismos que interferem na indisciplina do aluno (e aqui estamos ambos do mesmo lado da barricada no que se refere à vergonhosa permissividade do actual estatuto do aluno) e na sua boa ou deficiente aprendizagem e apresentados um rol de situações sócio-económicas que influenciam o êxito ou fracasso do processo educativo com responsabilidades repartidas entre quem ensina e quem aprende. Dando de barato a validade desses condicionalismos, somente, um reparo: como se compreende que um mesmo aluno numa mesma turma tenha comportamento cognitivo e afectivo bem diferenciado relativamente aos professores a e b? Não dependerá parte substancial destes comportamentos na acção desenvolvida por ambos os docentes em circunstâncias idênticas?

No ponto 3 é dito não serem as faltas e o mau relacionamento entre as personagens intervenientes no processo educativo problemas das escolas nem dos professores. Eu atrevo-me a pensar de forma diferente: as faltas dos alunos e dos professores reflectem-se forçosamente nas aprendizagens. O mau relacionamento entre alunos ou entre estes e os respectivos professores, ou, ainda mesmo, unicamente entre os professores, impedem, igualmente, um desejável clima de paz, concórdia e mesmo de empatia intramuros escolares.

No ponto 4 não podia estar mais de acordo quando escreve que “o Governo (a que eu acrescentaria certas políticas sindicais e os lóbis das Ciências da Educação que parecem nutrir, como diria Ortega y Gasset, “ódio aos melhores”) não quer valorizar os conhecimentos científicos, pedagógicos e de cultura geral”. E tanto assim é que, no acesso à docência, faz letra morta destes conhecimentos. E, mesmo quando pretende fazer algo no sentido de inverter este statu quo, logo surge o coro sindical a dizer que todas as formações para a docência devem ser havidas em plano de igualdade fazendo crédito no aval estatal. Ou seja, aquela ratificação estatal de complementos de licenciatura obtidos em meia dúzia de meses ou de licenciaturas em universidades privadas que o ministro Mariano Gago se viu coagido a mandar encerrar, pressionado pelo escândalo público então desencadeado.

A própria triagem que nesse sentido era feita pelas antigas ordens profissionais foi interditada permitindo, por outro lado, a criação de novas ordens profissionais que metem no mesmo saco diplomas que vão de um simples curso secundário a licenciaturas de prestígio. E, desta forma, o Estado se fez monarca absoluto do reino da mediocridade atribuindo idêntico estatuto a licenciaturas universitárias para o ensino de uma única matéria curricular dos 2.º ciclo dos ensinos básico e/ou secundário e a licenciaturas de escolas superiores de educação destinadas ao magistério simultâneo de duas disciplinas do 2.º ciclo do ensino básico.

Os dados estão lançados pelas mãos de um jogador amador, as minhas. Conveniente seria que especialistas nesta matéria lançassem simples lampejos ou as luzes dos holofotes sobre um tema que se mantém na penumbra dos que tiram altos dividendos desta situação dizendo ser difícil fazer a destrinça entre os bons e os maus professores. Tornando simples o que é complexo, os sindicatos querem transmitir para a opinião pública que não há maus professores. Apenas, professores mais ou menos bons!

Bondade que não serve os desígnios de um ensino de qualidade que o país merece e a sociedade portuguesa deve exigir. Só através de uma séria avaliação dos professores se poderá pôr cobro a um sistema educativo suportado pela iniquidade de igualar desiguais como se, em legado deixado por Victor Hugo, “a primeira igualdade não fosse a justiça”.


Rui Baptista, in De Rerum Natura.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ECD: REMENDOS E PANO VELHO

Estatuto da Carreira Docente: remendos novos em pano velho

“Leva tempo para alguém ser bem sucedido porque o êxito não é mais do que a recompensa natural pelo tempo gasto em fazer algo direito” (Joseph Ross, 1878-1948).

Escreve Daniel Sampaio, no início da sua crónica “Escolas: e agora?”, o seguinte: “Todos estiveram de acordo que foram positivos os resultados alcançadas pela negociação entre o Ministério da Educação (ME) e os sindicatos de professores. O entendimento foi possível pela mudança de atitude dos intervenientes e pelo estilo de negociação: ficou claro que a ‘pressão’ de muitas horas de discussão consegue melhores resultados do que o adiamento sucessivo, pois a pausa entre reuniões reforça os argumentos de cada parte e conduz à não tomada de decisões conjuntas” (Revista "Pública", 24/01/2010).

Mas, porque nada se repete na vida exactamente da mesma forma, até porque alguns dos seus intérpretes são outros, embora um tanto ou quanto diferente do desfecho do polémico “Memorando de Entendimento”, assinado entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical (02/04/2008), que mereceu o repúdio quase generalizado da classe docente, o facto de ter havido organizações sindicais que não assinaram este “Acordo de Princípios” (que eu definiria, procurando respaldo pessoano, como “uma coisa em que está indistinta a distinção entre nada e coisa nenhuma”), põe em causa o optimismo de Daniel Sampaio quanto aos resultados nele alcançados, quando escreve, com indisfarçável optimismo que, e volto a citar, “todos estiveram de acordo que foram positivos os resultados alcançados pela negociação entre o Ministério da Educação (ME) e os sindicatos de professores”.

Mesmo que à vol d´oiseau, uma visita por inúmeros posts de blogues, e respectivos comentários dos chamados Movimentos Independentes de Professores (v.g., Movimento Mobilização e Unidade dos Professores e PROmova) não espelham, de forma alguma, um clima de festa, de contentamento ou, apenas, de mera concordância com a opinião do autor da crónica em causa. De igual modo, o blogue de Paulo Guinote, “A Educação do meu umbigo”, não lança foguetes a anunciar os festejos. Bem pelo contrário!

Procurando uma opinião de quem não estivesse directamente envolvido nesta querela, encontrei-a em Inês Pedrosa ao pôr, em sérias dúvidas, que esta desgastante tarefa negocial se tenha ficado por aqui ao escrever, com o título, "Agora os alunos, por favor”: “Esperamos que [a saga] tenha terminado mesmo, apesar das ameaças não veladas do secretário-geral da Fenprof à saída da árdua maratona negocial” (“Expresso”, 26/10/2010). Por seu lado, Isabel Alçada lança, “urbi et orbi, o aviso de que “o país estará sempre à frente dos interesses de uma classe” (id.; ibid.).

Mesmo antes da nomeação de Ana Maria Bettencourt (em finais de 2008), vinda da docência da Escola Superior de Educação de Setúbal, para a presidência do Conselho Nacional de Educação, ocorrência que poderia levar a pensar num possível favorecimento às Escolas Superiores de Educação, pareceres deste órgão colegial vieram reforçar e até ampliar a intenção em dar a estes estabelecimentos de ensino um estatuto em desacordo com a génese que presidiu à respectiva criação. Ou seja, apenas a formação de educadores de infância e professores do 1.º ciclo do ensino básico (antigo ensino primário), apenas com a atribuição do grau académico de bacharel ofendendo, uma vez mais, com a pressão despudorada de certos sindicatos, os direitos dos professores licenciados por universidades antes do chamado Processo de Bolonha.

Assim, à largura de toda a página, foi publicada a seguinte notícia: “Parecer provisório do CNE defende que as Escolas Superiores de Educação formem professores do ensino secundário” (“Público”, 30/01/97). Este parecer atentava contra uma longa e exigente formação científica dos professores do ensino secundário, pondo em risco a sua tradicional formação universitária. Como escrevi, avant la lettre, em artigo de opinião, havia já na altura “licenciados pela Faculdade de Letras de Coimbra que nem sequer tiveram acesso ao respectivo estágio pedagógico, desencadeando uma crise que pode pôr em causa a sobrevivência da própria escola” (“Correio da Manhã”, 16/06/1996).

Existe, agora, o perigo da Fenprof e outras organizações sindicais poderem pensar que têm as vela enfunadas em ventos de feição pelo facto de a actual ministra da Educação Isabel Alçada ser professora da Escola Superior de Educação de Lisboa, ter sido dirigente da Fenprof e poder estar mandatada superiormente para desfazer, a qualquer preço, a má impressão deixada pela teimosia da sua antecessora Maria de Lurdes Rodrigues que tanto prejudicou a classe docente do ensino não superior, podendo até ter feito com que o Partido Socialista, nas ultimas eleições legislativas, tenha perdido a maioria absoluta. Ora, como diz o povo, "gato escaldado de água fria tem medo".

Por outro lado, devido à longa e extenuante maratona de negociações pela madrugada fora, com o estômago dos intervenientes mitigado por refeições leves e apressadas, tudo leva a crer que os sindicatos, que assinaram o “Acordo de Princípios”, não terão convencido a equipa ministerial pela força da razão, mas mais pela força do cansaço. Receio, portanto, que ao contrário do defendido por Joseph Rossi, se não tenha assistido, de nenhuma forma, a uma “recompensa natural pelo tempo gasto em fazer algo direito”. Depois desta “pacificação”, que tratou pela rama assuntos importantes, receio que ela torne os professores reféns de sindicatos que “para tudo isto têm dado uma eficaz mãozinha, não raro intervindo, com desenvoltura, em áreas que não são, nem da sua vocação, nem da sua competência", como escreveu Eugénio Lisboa (“Jornal de Letras”, n.º 964).

A finalizar a sua crónica, em atitude digna de todo o apoio, defende Daniel Sampaio oito pontos essenciais para, em sua opinião, melhorar o sistema de ensino. Ou seja, a condição sine qua non de “nos centrarmos no essencial: ensinar os alunos”. Porém, esta problemática transcende o âmbito dos dirigentes sindicais, entre outros motivos, pelo simples facto de muitos deles se terem tornado profissionais da actividade sindical deixando de ter durante décadas, e por completo, contacto com a docência, visto a sua agenda estar preenchida com questões meramente laborais. Aliás, como é da competência sindical.

Assim, para que os professores possam ser ouvidos a uma só voz, não pode ser deixada à Fenprof e a outros sindicatos a assunção do papel que devia estar, de há muito, a cargo de todos os docentes - a exemplo de outras actividades profissionais de natureza pública -, mas que tem sofrido uma feroz contestação por parte daquela federação sindical, que chega ao ponto de defender que a elaboração do código deontológico da classe deve ser da sua competência e responsabilidade, indo "o sapateiro além da chinela". Claro que estou a referir-me à urgente e inadiável criação de uma Ordem dos Professores para que os docentes, devidamente titulados como professores, deixando, assim, de ser “um arrebalde de si próprios”, como diria Pessoa, não sejam havidos como simples mercenários do ensino em genuflexão aos pés do trono do rei Midas.

Sem desmerecer a sua real importância, mas, por outro lado, em nome do reforço do prestígio da classe docente, não devem estes profissionais ater-se a meras e intermináveis discussões de mais ou menos euros no fim do mês ou de mais ou menos horas de serviço lectivo semanal. Parafraseando o Vate, “outro valor mais alto se alevanta”: um ensino de qualidade ao serviço incondicional da sociedade portuguesa.


Rui Baptista, in De Rerum Natura.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UM EXEMPLO DE INJUSTIÇA NA TRANSIÇÃO

Uma Lei não poderá adoptar critérios divergentes de transição. Os pressupostos enunciados para transitar de escalão para docentes posicionados para além do 5º são exactamente os mesmos que se aplicam aos que se situam agora no 4º e têm muito mais anos do que aqueles que são precisos para completar os cinco escalões. Situações que são no mínimo idênticas merecem igual tratamento. Seria matéria inconstitucional de profunda iniquidade.

Professor licenciado sempre presente nas mega manifestações docentes.
Iniciei carreira em Outubro de 1988. Em Outubro de 2003 acedi ao índice 218. Em Janeiro de 2010 completei 19 anos de serviço, sem somar os 2,5 anos de congelamento de Carreira. Todas as informações apontam para o meu reposicionamento no índice 235, 5º escalão actual. Há 6 anos e alguns meses que estou neste índice 218. Na transição será de uma maior injustiça se o ME nos subtrair mais tempo real. Carreira pressupõe que a durabilidade de cada Escalão seja efectivamente tanto quanto possível igual para todos. A contabilização do tempo de serviço prestado deve ser feita longitudinalmente e não como o ponto 4 sugere, no escalão e índice, em que se encontra o docente. A manter-se esta situação assistiremos a mais uma subtracção indevida do próprio Estado, a mais uma habilidade financeira que prejudica e desmotiva qualquer docente.
Após estes 22 anos que se completam em Outubro, fico com a sensação de que os sucessivos Governos têm diferentes ideias acerca do calendário. Nesta Carreira Docente, afinal, o escalão para uns tem 4 anos, enquanto para outros tem o dobro.

Um cordial abraço!
[recebido por e-mail, de um colega professor]

ESTRUTURA DO ECD E RESPECTIVA TRANSIÇÃO

Clicar na imagem para ampliar.

Fonte: Fenprof. Versão .pdf aqui.

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