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terça-feira, 28 de junho de 2011

PRECISAMOS DE AVALIAÇÃO, MAS NÃO DESTA!

Na sequência do que aqui se escreveu, o Ministro da Educação, Nuno Crato, foi lacónico acerca da avaliação de desempenho docente. Dizer que "precisamos de avaliação" equivale a nada. Será que o titular da pasta da Educação, bem como o Governo de que faz parte, se vai transformar numa espécie de enguia deslizante deixando de encarar os problemas que, há muito, agitam o ensino, as escolas e os professores?

Não ser assertivo, numa altura destas, parece-nos lenitivo suficiente para desencadear o desânimo, a desilusão e a necessária luta dos professores pelo que se vêm batendo desde os malfadados tempos de Maria de Lurdes Rodrigues

Esperamos que tudo isto decorra apenas de alguma "falta de tempo" para conhecer em profundidade o calamitoso estado de uma pasta recentemente assumida. A não ser assim, começa a ser necessário pelo menos começar a pensar reunir de novo as hostes!

Extracto de notícia do Correio da Manhã:

Ministro da Educação escusou-se a dar detalhes sobre a questão da avaliação de professores

Nuno Crato: "Nós precisamos de avaliação"

O ministro da Educação, Nuno Crato, escusou-se esta terça-feira a dar detalhes sobre a questão da avaliação dos docentes, remetendo explicações para o programa do Governo que será hoje entregue no Parlamento.

"Nós precisamos de avaliação", sublinhou contudo Nuno Crato, em declarações aos jornalistas no final da tomada de posse dos secretários de Estado, que decorreu hoje no Palácio de Belém.
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sábado, 27 de março de 2010

NOVAS DA EDUCAÇÃO

SÓCRATES NO "LIBÉRATION"

Segundo o Expresso o jornal Libération não saiu em Portugal na quinta-feira, dia 18 Março, por "problemas de impressão".

Vale a pena ver a notícia que segue (seguir a ligação em baixo) e perguntar se terá sido uma mera coincidência!?


Monde 18/03/2010 à 00h00
José Sócrates, le Portugais ensablé


Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.
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http://www.liberation.fr/monde/0101625174-jose-s-crates-le-portugais-ensable

terça-feira, 23 de março de 2010

MEDO NA ESCOLA

Medo na escola, hoje depois do Jornal da Noite

Joana já não sai de casa, estuda numa plataforma do ensino móvel. Chegou a pesar 45 quilos. Os pais de Joana só perceberam o que se passava com a filha nove anos depois de perseguições na escola. Joana era das melhores alunas da turma. Foi humilhada, perseguida, afastada dos amigos. Terá sido condenada por professores e contínuos.
Grande Reportagem SIC

A direcção da escola EB 2, 3 de Cacia nunca informou o Ministério da Educação sobre o que se passava. A Direcção da escola nunca abriu um inquérito disciplinar para saber o que se passava com uma criança que ficou doente, com uma criança que passou a ser seguida por psicólogos e deixou de querer ir à escola.
O caso está em tribunal.

Beatriz tem 14 anos. Desde Julho do ano passado foi ameaçada, perseguida, agredida por colegas de outra turma. Bia, como é tratada pelos amigos, não quer mudar de escola. Quer que o caso seja conhecido e que possa mudar mentalidades.

Beatriz foi agredida fortemente duas vezes, foi ao hospital, os pais fizeram inúmeras queixas na escola e na polícia. Beatriz foi perseguida, vítima de cyber-bullying. Exposta a sua vida e contactos no universo da internet. A Direcção da Escola Jorge Peixinho, no Montijo, nunca informou o Ministério da Educação sobre o que se passava. Fez um inquérito disciplinar. As agressoras, duas, viram o processo arquivado, outras duas levaram uma repreensão por escrito.
O processo está em tribunal.

E Leandro. As buscas terminaram e da criança de 12 anos nunca mais houve notícia. A associação de pais garante que a Escola Luciano Cordeiro, de Mirandela, foi das mais bem classificadas num ranking da DREN sobre Bullying mas não é esta a realidade que aqui se conta. Os pais garantem que se queixaram à escola vezes sem conta. A direcção da escola não informou das queixas.

O tribunal de menores garante que a relação entre os pais, alunos e a escola tem de mudar. Garante que os crimes na comunidade escolar passaram de pouco mais de 1000 em 2005 para mais de 2200 em 2008. Celso Manata explica que há que rever a legislação, tornar o "Bullying" crime público e utilizar as penas.

Só no Canadá, cerca de 30 por cento dos jovens deixam de estudar por causa do bullying.

Em Inglaterra, desde 1998, as escolas implementaram medidas contra o fenómeno. Desde então o número de vítimas diminuiu.

Em Portugal, as penas vão até ao internamento em centro educativo. No país, nunca foi aplicado por causa de "Bullying".

Restam os silêncios. Da Direcção Regional de Ensino de Lisboa, e de Coimbra. Da Direcção da Escola EB 2, 3 de Cacia, em Aveiro. Da escola Luciano Cordeiro em Mirandela. Da Escola Secundária Jorge Peixinho no Montijo. Do Ministério da Educação.

Um silêncio total em relação a estas vidas. E à Justiça que não lhes chega.

In Sic.

terça-feira, 9 de março de 2010

PAGAR O DESBARATO POLÍTICO

Eis apenas algumas capas da imprensa de hoje, que não deixam qualquer margem de dúvida.
Tanto sacrifício ao longo dos últimos anos para nada. Melhor, para pior.
É preciso abrir os olhos!

Clicar na imagem para ampliar.

terça-feira, 2 de março de 2010

MAIS APOIOS PARA O ENSINO ESPECIAL E SALÁRIOS INDEVIDOS

Pais e docentes reclamam mais apoios para ensino especial

Se o chamado plano de acção para a escola inclusiva afastou milhares de alunos da educação especial, os que ficaram no sistema também não estão a trilhar um caminho fácil.


Ministério da Educação pagou salários que não devia

Entre 2006 e 2008, o Ministério da Educação gastou 5,1 milhões de euros no pagamento de vencimentos a professores que tinham sido requisitados por outras entidades. O Tribunal de Contas diz que é ilegal.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

NOTAS DA IMPRENSA EM TEMPOS DE MODORRA

Legislação
Alunos retidos no 8.º ano com escola obrigatória até aos 18

Os alunos inscritos no 8.º ano que fiquem retidos neste ano lectivo passarão "automaticamente a ser abrangidos" pelo novo limite de escolaridade obrigatória, devendo assim permanecer na escola até aos 18 anos. A lei que alargou o limite da escolaridade obrigatória dos 15 para os 18 anos foi aprovada em 2009 e está já em vigor para os alunos inscritos no 7.º ano de escolaridade.

Sociedade
Um terço das crianças passa mais de nove horas por dia em infantários

Apesar de os seus filhos passaram este tempo nos infantários, segundo um inquérito da DECO, ainda há alguns país que gostariam que estes abrissem ao sábado.


Estudo da Deco
Mais de 70 por cento das crianças até aos dois anos vê televisão nas creches

Terminados os cinco meses de licença de maternidade, não restam muitas alternativas aos pais senão inscrever os filhos numa creche. E é aqui que cerca de 30 por cento das crianças até aos dois anos passa mais de nove horas por dia, sendo que em 73 por cento dos casos a televisão é uma das formas de distracção utilizadas para entreter os mais novos – em metade dos casos quase todos os dias.


Generalização do programa foi adiada um ano
Mais de 800 escolas testam novos programas de Português

O Ministério da Educação não suspendeu a formação dos professores de Português sobre os novos programas da disciplina para os 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.


Negociações
Fenprof: Isabel Alçada deve uma explicação aos docentes

A Federação Nacional de Professores poderá requerer uma negociação suplementar do projecto de diploma sobre o Estatuto da Carreira Docente. No final de mais uma ronda de negociações, a Fenprof indicou ontem à noite que "há dois aspectos que continuam marcados por uma profunda diferença" nas posições defendidas pelo Ministério da Educação (ME) e pelos sindicatos, nomeadamente no que respeita aos horários dos professores.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FORMAÇÃO, PROGRAMAS, METAS E "MAGALHÃES"

Isabel Alçada
Professores não vão ter formação sobre novo Acordo Ortográfico

Isabel Alçada disse ainda que a adaptação dos manuais escolares deverá acontecer em 2011/12 e informou que as obras realizadas nas escolas nos últimos tempos criaram mais de 53 mil empregos.
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Generalização do programa foi adiada um ano
Mais de 800 escolas testam novos programas de Português

O Ministério da Educação não suspendeu a formação dos professores de Português sobre os novos programas da disciplina para os 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.
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Educação
Metas de aprendizagem avançam em rede de escolas voluntária

As metas de aprendizagem a introduzir na escola serão um instrumento de trabalho para os professores, não terão carácter obrigatório e serão experimentadas num conjunto de escolas representativo do país, disse hoje o responsável por um estudo sobre a matéria.
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Computadores
Prazo para apresentação de propostas no concurso dos "novos" Magalhães prorrogado até dia 9

O Ministério da Educação prorrogou até 9 de Março o prazo para entrega de propostas no concurso público internacional para fornecimento de 250 mil novos computadores portáteis do programa e-escolinhas, que hoje terminava.
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Concurso público
Prazo para apresentação de propostas dos "novos Magalhães" alargado até dia 9

O Ministério da Educação prorrogou até 9 de Março o prazo para entrega de propostas no concurso público internacional para fornecimento de 250 mil novos computadores portáteis do programa e-escolinhas, que hoje terminava.
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Metas de aprendizagem avançam em rede de escolas voluntárias

As metas serão um instrumento de trabalho para os professores, não terão carácter obrigatório e serão experimentadas num conjunto de escolas.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

O "ESQUEMA" DO CONTROLO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Face Oculta
Escutas revelam o ‘esquema’ e os negócios

Por Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita

Pode parecer ficção, mas o que ressalta das conversas telefónicas interceptadas no inquérito ‘Face Oculta’ é que um plano dominava a cabeça do primeiro-ministro e de um conjunto de homens da sua confiança ao longo de 2009: controlar a principal comunicação social do país

O plano envolveu directamente alguns dos principais gestores da PT e de outros grandes grupos económicos, mas também de bancos – todos qualificados como «os nossos».

O primeiro alvo que surge é a TVI e percebe-se que o «esquema» estava em marcha há quase um ano. Manuela Moura Guedes, que à sexta-feira abria o Jornal Nacional com notícias sobre o ‘caso Freeport’, era uma das vozes a silenciar. Mas para isso tinham de afastar da estação o director, José Eduardo Moniz. Armando Vara, quando a estratégia sofreu o primeiro revés, disse a frase certa numa das várias conversas interceptadas: «Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo».

As primeiras escutas com relevância criminal são de Maio de 2009, com Paulo Penedos (advogado, dirigente do PS, assessor na PT e pivô para vários negócios) e Armando Vara (ex-dirigente do PS, muito próximo de Sócrates, e vice-presidente do BCP) a falarem do assunto com vários interlocutores.

No dia 26 de Maio, Penedos recebe um telefonema do administrador executivo da PT para quem trabalha: Rui Pedro Soares (ver biografia na pág. 9), o homem escolhido para ultimar o contrato com o grupo de media espanhol Prisa, que há muito se sabia estar vendedor de 30% da portuguesa Media Capital, dona da TVI.

Rui Pedro pede-lhe para ligar para a secretária de Manuel Polanco (líder da Prisa) na TVI, para «marcar a reunião para a semana, conforme combinado».

PT compra através de fundos

No dia seguinte, 27, Paulo Penedos dá conta dos seus receios a Américo Thomati (presidente executivo do Tagus Park, em representação da PT, a cujo quadro pertence). É que Zeinal Bava, presidente executivo da PT, não queria envolver o nome da empresa na compra e optara por engenharias participadas pelos bancos para a ocultar.

«O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece» – conta Penedos, explicando que vão «passar uns fundos para Londres». Thomati diz que «então são os fundos que aparecem a comprar». Paulo diz que não está disposto a ficar mal visto no mercado e o outro remata: «Não é conveniente para nenhum».

30% por 90 milhões

No dia 29 de Maio, Rui Pedro Soares diz que esteve «com o Júdice» (o advogado José Miguel Júdice, cujo nome é apenas referido, não existindo escutas de conversas com ele), que pensou outra solução. A Media Capital, empresa-mãe da TVI, detém outras participadas. Se a PT, aliada a parceiros de confiança, dividisse esse ‘bolo’ em fatias, conseguiriam dominar a holding através dos administradores lá colocados pelos vários compradores. Rui Pedro conta como se «inventou uma solução de antologia»: em vez de comprarem 30% da holding, «compram activos em baixo, o que permite que a PT, directamente, possa comprar a internet e a produtora de novelas, e que outras entidades mais inócuas vão comprar 30% da televisão».

Rui Pedro Soares e Paulo Penedos convocam para os ajudar João Carlos Silva (vogal da comissão executiva do Tagus Park e ex--presidente da RTP nomeado por Armando Vara, quando este foi ministro-adjunto de Guterres e tinha o pelouro da Comunicação Social).

No dia 2 de Junho, Rui pede a Paulo para fazer «aquele périplo pelos empresários do Porto, pessoas de confiança». Rui esclarece as contas: vão «comprar 30% por 90 milhões» e «era importante que o João Carlos conseguisse, pelo menos, uma participação de 9 milhões. Em dinheiro seriam 3 milhões, no máximo».

No dia 3 de Junho, Rui Pedro vai a Madrid, negociar com o patrão da Prisa, Manuel Polanco.

Manuela sai, para o entretenimento

No dia 5 de Junho, Penedos fala com um homem não identificado, mas que parece bem informado. Comunica-lhe que, na segunda-feira a seguir, vai ter «um dia lindo, que começa com Zeinal», às 8h45. Ao saber que, na reunião, o tema na mesa é a TVI, o interlocutor diz que «tem-se rido» com o assunto, pois tem «informação privilegiada».

Penedos revela que, quanto a «ela, Manuela Moura Guedes, vai ser anunciado já que vai sair»«vai para o entretenimento». Moniz é um problema nesta altura ainda não resolvido: «Ele deve ser muito bom porque os espanhóis querem fazer a transição com tranquilidade». Têm medo de, «se o hostilizarem, perderem uma boa operação em Portugal» e afectarem os activos da Media Capital. O que Moniz «não sabe é que já não estão a pedir a cabeça dele». Ou seja, há outras formas de resolver a questão.

A 17 de Junho, Paulo Penedos não tem dúvidas sobre o desfecho do negócio e avisa um certo Luís (alguém que vive fora do país e que não surge identificado) de que «vai haver alterações imprevisíveis na comunicação social». Daí a dois dias, segundo as suas contas, a TVI «vai deixar de ser controlada por Moniz e Manuela».

O tal Luís quer saber se a Media Capital vai mudar de dono. Penedos garante o plano inicial, que apenas compram 30% à Prisa. Mas também poderão comprar o Correio da Manhã a Paulo Fernandes – já que o dono da Cofina, com a quebra das receitas de publicidade, admite desfazer-se do diário se não entrar no negócio da TVI. Pediu «140 milhões, para começar a conversar».

Impresa na mira

A Impresa, grupo de Francisco Pinto Balsemão, também é envolvida. Foram então comunicadas à CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) duas operações, fora de Bolsa, de compra e venda de acções da holding do fundador do Expresso. A Ongoing, de Nuno Vasconcelos e Rafael Mora (accionistas da PT), compra mais 1,88% da Impresa. O BCP vendeu também a sua participação na Impresa, quase na mesma percentagem.

Paulo Penedos explica ainda ao incógnito Luís: «A confirmar-se a operação da TVI», esta «terá algum fôlego na reorganização da comunicação social, da qual apenas lhe dá um lamiré» – as «transacções do grupo Impresa nas últimas horas». «Está tudo ligado».

A encenação e o jogo psicológico noutras esferas de poder também não são descurados. Entre os sócios do Benfica opositores a Luís Filipe Vieira, surgira o movimento ‘Vencer, Vencer’ que convida Moniz para se candidatar à presidência do clube. O director da TVI admite estar a pensar seriamente no assunto – e Paulo Penedos vê logo aí «um sinal», uma «saída» mesmo.

Em conferência de imprensa, Moniz anuncia que afinal desiste, pois não tem tempo para preparar convenientemente a candidatura.

Paulo Penedos lamenta, mas acha que isso até «foi bom»: acabou por ser uma excelente «cortina de fumo», que já deixou às pessoas a ideia de que o próprio Moniz até está disponível, tem vontade em sair da direcção da TVI sem dramas e conotações políticas.

O negócio com a Prisa está quase fechado. A 19 de Junho, Rui Pedro Soares manda Paulo Penedos tratar de enviar a Manuel Polanco «um documento», por email. Penedos fala com a secretária do líder da Prisa em Madrid, diz-lhe que «é a versão definitiva».

Jantar com Sócrates: ‘é tudo ou nada’

Estava-se a 19 de Junho e Rui Pedro comenta com Penedos que está «tudo a seguir o seu caminho» e que vai «jantar com o 1.º». Telefona três horas depois e conta que «o chefe estava bem disposto».

No dia seguinte, 20 de Junho, Moniz dá uma conferência de imprensa e Paulo faz o relato a Rui: «Não tem nada de pessoal contra o primeiro--ministro» e «terá dito que, se não o ouvirem na alteração ao projecto, sai sem fazer barulho».

Então, conclui Rui, «a abordagem está a correr bem». Mas avisa que há uma alteração de última hora: Sócrates diz que «tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação». Penedos pergunta-lhe se o documento que foi para a Prisa já reflecte isso e a resposta é afirmativa. Rui, aliás, tem viagem marcada para Madrid daí a três dias para fechar o negócio. Penedos desabafa que «é uma situação de risco» e que tem «mais medo do lado interno».

Internamente, porém, a situação parecia salvaguardada. A PT assumia o negócio e Rui seria o substituto de Moniz. Para isso, teria de fazer uma espécie de comissão de serviço na Prisa. Sócrates – que é apelidado pelos seus como o «chefe» ou «chefe maior» – dissera-lhe que tinha de ir para a Prisa «durante três meses». O que ele acata: «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama e sem o proveito».

Rui Pedro adianta que também «já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia» (director da TSF, rádio do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, que inclui o DN e o JN).

Notícias colocadas nos jornais

Mas o caso Benfica/Moniz, causara interrogações nos jornalistas e começam a circular informações de que a PT estava na corrida à TVI. Além disso, a súbita mudança de planos obriga a acções rápidas.

A 23 de Junho, terça-feira, Rui Pedro Soares parte para Madrid, num avião a jacto, para ultimar o negócio com a Prisa. Pelo telefone, comenta com Penedos a manchete do Diário Económico (da Ongoing) que satisfaz os seus objectivos. O jornal dá conta de que não apenas a PT, mas também a Telefónica estão na guerra pela Media Capital.

Nesse mesmo dia, a PT é obrigada a fazer um comunicado à CMVM em que admite o interesse estratégico na Media Capital – mas nega ter sido concretizado qualquer acordo.

Rui e Paulo esfregam as mãos: ambos concordam que, dada a forma como as coisas foram feitas, só uma teoria da conspiração anularia a ideia de que se tratou de uma «guerra entre empresas». «Ao menos a notícia já não sai de chofre».

O ego dos dois é enorme e Rui Pedro Soares festeja o rasgo intelectual de ambos: «Podemos escrever um livro e ser pagos a peso de ouro». Com a campanha eleitoral à porta, comenta que merece mesmo ser recompensado pelos seus feitos – depois disto, espera «obter do chefe ‘luz verde’ para lhe tratar da comunicação durante três meses».

Rui telefona para Armando Vara: «O que lhe está a parecer a comunicação?». O homem do BCP não vacila: «Boa».

Mas a rápida inversão de estratégia deixa os mais próximos preocupados. José Penedos (presidente da REN) não percebe, mas o filho explica-lhe que se trata de «uma cortina de fumo para dar a ideia de que há mais interessados e que se trata de algo com mero interesse empresarial para justificar a operação».

‘Isto é que é uma tristeza total’

Conta ainda ao pai como Rui voara para Madrid num jacto particular, com as minutas do contrato na mão, que já lhes tinha enviado por email. Os bancos com que a Prisa trabalha «não estavam a aceitar as condições financeiras» e, «por isso, estão agora a negociar». E adianta: «As minutas não foram feitas por mim mas pelo Bes Investimentos». José Penedos ri-se: «Isto é que é uma tristeza total».

Aos primeiros minutos do dia 24, Paulo Penedos reporta a Rui Pedro Soares as manchetes dos jornais da manhã seguinte, que está a ver nas televisões. Mas Rui, em Madrid, ainda está preocupado com outros imbróglios do negócio. Estão a terminar «um novo documento para o Moniz assinar». Vai mandar-lhe, para Penedos o ler.

A notícia correcta já está em alguns jornais, que não engoliram a história do interesse da Telefónica: o diário i tem como manchete «PT compra 30% da Media Capital». Os comentários sobre Moniz e as más relações com o Governo multiplicam-se e o ambiente começa a ficar tenso.

Rui Pedro Soares e Paulo Penedos apostam que houve fuga de informação. Paulo recebe os ecos da PT, que está dividida. Agora «está toda a gente contra» «o chairman (Henrique Granadeiro) está contra», «o Zeinal faz isto porque é um profissional, mas está-se a torcer».

Rui Pedro Soares sabe que vai receber ataques, mas continua mais preocupado com José Eduardo Moniz, que ainda não saiu de cena: «Se o Moniz é corrido sem nós entrarmos, é melhor para a PT», mas «é pior para o ‘chefe máximo’».

Um contrato para Moniz

Paulo não tem dúvidas que «os gajos que trabalharam ali espalharam» informações. Por seu lado, Rui já informara quem de direito: «Disse ao Sócrates que tem a noção que andam nisto há dez meses e que só nos últimos dias é que…». Mas o primeiro-ministro tinha uma ideia fixa: «O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar». Rui garantiu-lhe que não, porque «tem uma grande pára-choques para ele» (o ‘chefe’).

E Penedos: «Custe o que custar em termos de dinheiro, por muito que um gajo possa pensar que o crime compensa ou vamos beneficiar o gajo, o Moniz devia sair confortável para estar calado».

Mas o que os deixa mais moídos são os comentários do socialista Arons de Carvalho no i, ao dizer que teme que a entrada da PT na TVI possa ser vista como tentativa de pressão do Governo: «Parece que põe cá a história toda e, ainda por cima, burro, dá como certa a entrada da PT».

Dia 24 é dia de debate na Assembleia da República, entre Governo e oposição e os homens do plano adivinham que vem aí um ataque a Sócrates.

Ainda em Madrid, com ordens para manter o plano, Rui aguarda a todo o momento a hora em que irá falar com a Prisa. Dá então instruções a Penedos para meter de imediato uma pessoa num avião, para lhe levar o seu computador a Madrid.

Entretanto, pede-lhe que vá ao seu gabinete e entre no seu email – «a password é ‘Sócrates2009». O contrato de Moniz está concluído e tem de ser «entregue a Zeinal».

Falta um minuto para as 11 horas da manhã, quando Fernando Soares Carneiro (outro administrador executivo da PT) telefona a Armando Vara. Recorda-lhe o almoço em que falaram «das perpétuas» (acções de direito perpétuo, que também pode significar golden share) e pergunta ao vice-presidente do BCP quando «termina o prazo». Este responde que «precisam de tomar uma decisão hoje». Fernando diz-lhe que «interessa que esteja a ser analisado o pacote da PT» – Vara responde apenas que «está» e «o outro está mas não é para já».

À mesma hora, Paulo Penedos lê um documento a Rui Pedro Soares. Trata-se de um contrato de prestação de serviços para «consultor» do grupo PT na área dos audiovisuais. Pela conversa de ambos, deduz-se que seria um contrato para Moniz assinar.

Sócrates já falou com Zapatero

Paulo Penedos diz a Rui que Soares Carneiro lhe «disse que o negócio estava feito», pois «ontem à noite o Zapatero (chefe do Governo espanhol) tinha falado com Sócrates».

São três horas da tarde (ainda do dia 24) e Rui Pedro Soares pergunta a Penedos «se a Mediapro já disparou» (trata-se de outro grupo de media espanhol, dono da cadeia La Sexta, que em Maio de 2009 os jornais espanhóis diziam ser alvo do interesse da Prisa, que estudaria uma fusão). Penedos responde: «A informação que há aqui é que dispararam; a Mediapro e as acções da Prisa dispararam 9%».

Como condicionar Cavaco

Ainda na mesma conversa, Rui Pedro Soares equaciona mais uma ideia: «As rádios (da Media Capital) vão ser compradas pela Ongoing e pelo genro de Cavaco» (o empresário Luís Montez).

Penedos comenta que «isso é bom» e pergunta--lhe se é «o autor desta patifaria». Rui Pedro acrescenta, referindo-se a Cavaco, que «é o preço da paz e que esse cala-se logo, fica a cuidar dos netos».

O debate no Parlamento começa por essa altura e Penedos vai relatando o que se passa a Rui Pedro Soares. Diogo Feio, deputado do CDS, pergunta a Sócrates se o Governo está a par do negócio da PT/TVI. E o primeiro-ministro perde a calma, mas nega: «O Governo não dá orientações nem recebe informações da PT».

Rui Pedro pede então a Paulo que vá aos estatutos da PT ver em que circunstâncias a golden share do Estado na empresa tem de dar parecer. Penedos pergunta se o negócio «está fechado ou não». Rui diz que sim, mas, como a questão «Moniz não está fechada», ele também «não fecha» – não quer «cair do cavalo abaixo, deixando a questão do Moniz por assinar antes de assinarmos». «Os gajos estão debaixo de uma pressão terrível pois as acções da Prisa cresceram hoje 14%», acrescenta. Mas chegam à conclusão que «está tudo feito em fanicos».

À noite, Armando Vara recebe um telefonema de outro arguido no ‘Face Oculta’, o empresário Fernando Lopes Barreira, que lhe pergunta se viu «a entrevista da ‘bruxa’» à SIC Notícias (referindo-se a Manuela Ferreira Leite, líder do PSD). Vara responde que não e o amigo comenta que «saiu-se bem».

Vara diz que já ouviu dizer que ela disse que Sócrates mentiu, ao dizer que não sabia de nada. Comentam que «não se dizia uma coisa dessas». Vara diz que «ninguém acredita que não soubesse», diria antes que «foi um erro trágico», «ele tinha de ter dito que não foi oficialmente informado, mas tinha conhecimento disso». Termina a dizer que as cisas vão correr mal e Lopes Barreira responde que não tem a mínima dúvida. No dia seguinte, 25, Cavaco Silva desafia publicamente a PT a esclarecer o que se passa. Zeinal Bava, presidente executivo da PT, vai à RTP dizer que não havia negócio nenhum, apenas uma disponibilidade de ambas as partes. Nos bastidores discute-se: avança-se ou não se avança. Até que Sócrates anuncia que, se a PT prosseguir, o Estado usará a golden share para vetar o negócio.

O plano sofre assim um sério revés, mas não ficaria por aqui.

paula.azevedo@sol.pt

felicia.cabrita@sol.pt

In SOL.

sábado, 23 de janeiro de 2010

ENSINO: OPINIÕES E FACTOS

Joaquim Azevedo: Questões secundárias “pioraram ensino”

O ensino perdeu qualidade nos últimos 3 anos. É o que pensa Joaquim Azevedo, antigo secretário de Estado do Ensino do Governo de Cavaco Silva.


Relatório - Método de ensinar alunos e resultados têm nota negativa

Inspecção aponta mais pontos fortes do que fracos a 287 agrupamentos e escolas.


Inquérito - Tempos de aula são menos rentáveis do que noutros países

Professores dizem que passam quase 15% do tempo de aulas a manter a ordem entre os alunos das suas turmas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ACTUALIDADES...

Estatísticas da Educação dos últimos 50 anos
Melhores alunos do básico e secundário estão no Norte e Centro do país

Os alunos do Norte e do Centro do país são os que engordam as taxas de transição e conclusão dos ensinos básico e secundário. Os mesmos indicadores revelam que o sucesso é maior no sistema privado do que no público, embora nos colégios e externatos privados os docentes tenham mais alunos nas suas salas de aula do que nas escolas públicas. Os 50 anos de Estatísticas de Educação foram hoje divulgados em Lisboa.
[...]
In Público.


Educação
Ministra valoriza tempo para corrigir trabalho dos alunos

A ministra da Educação, Isabel Alçada, reconheceu hoje que os professores precisam de tempo para corrigir o trabalho dos alunos, considerando tratar-se de uma tarefa fundamental para a qualidade da aprendizagem.
[...]
In Público.


GOP 2010
Estratégia para currículo do ensino básico e secundário delineada até final do ano lectivo

O Governo vai concluir até final do ano lectivo uma nova estratégia para o currículo do ensino básico e secundário, baseada na definição de metas de aprendizagem para cada ciclo e áreas nucleares, segundo as Grandes Opções do Plano.
[...]

In Público.

sábado, 12 de dezembro de 2009

ÚLTIMAS EDUCATIVAS

Conselho Executivo de Escola de Coimbra resiste até Julho

Os elementos do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Coimbra Inês de Castro, que há meses travam uma batalha jurídica com o Ministério da Educação, conheceram ontem a sentença da acção principal proferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (TAFC), que lhes foi favorável.


Aluno agrediu motorista na escola

Um aluno de 18 anos do Colégio de S. Gonçalo, Amarante, agrediu violentamente o motorista do autocarro que o transportou para a escola.


Ministério garante pagamento de 25 mil bolsas de estudo

O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social garante que já pagou 25 mil bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário, mas que uma grande parte ainda está em «processamento» na Segurança Social. Nestes últimos casos, os pagamentos só começam em Janeiro.


Antigo Conselho Executivo reintegrado

A ministra da Educação foi obrigada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Braga a reintegrar o antigo Conselho Executivo (CE) do Agrupamento de Escolas de Melgaço, que tinha sido substituído em Julho.


ME recebe proposta da ANP

Associação Nacional de Professores apresenta proposta de progressão da carreira que adia o tempo de chegada ao topo e inclui mecanismos de avaliação que eliminam a lógica das quotas para as melhores notas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

DIVERSAS DA EDUCAÇÃO

Isabel Alçada diz-se "surpreendida" com relevo dado à nomeação da directora regional do Centro

A ministra da Educação, Isabel Alçada, mostrou-se hoje "surpreendida pelo relevo que tem sido dado" às notícias sobre a nomeação da nova directora regional de Educação do Centro.
[...]
In Público.

Ministério diz que nunca nomeou directora regional de Educação do Centro

O Ministério da Educação (ME) enviou hoje uma nota à comunicação social em que afirma Beatriz Proença “nunca foi nomeada Directora Regional de Educação do Centro” (DREC).
[...]
In Público.


Ministra garante que financiamento do Magalhães decorreu "de acordo com a lei"

A ministra da Educação garantiu que o financiamento se processou "de acordo com a lei", adiantando que vai ser aberto um concurso público para a distribuição dos próximos equipamentos.
[...]
In Público.


Carreira dos professores dependente da administração dos recursos humanos

Apesar das negociações sobre o modelo de avaliação e a carreira dos professores, há “questões que se prendem com a administração global dos recursos humanos” da administração pública.
[...]
In Público.

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