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quinta-feira, 16 de junho de 2011

ACORDO ENTRE O PSD E O CDS-PP

Portugal está hoje confrontado com uma situação extremamente delicada, caracterizada por uma profunda debilidade económico-financeira que nos obrigou a recorrer, pela primeira vez em mais de três décadas, à ajuda externa. Uma debilidade económico-financeira que se projecta, de forma dramática, na degradação das condições de vida da generalidade dos Portugueses e que está inclusive a pôr em causa o desempenho, pelo Estado, das suas responsabilidades indelegáveis de protecção dos mais desfavorecidos e daqueles que se encontram numa situação de maior debilidade, bem como a promoção da igualdade de oportunidades e da mobilidade social.
As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho representaram, porém, o surgimento de um novo horizonte de esperança. Porque deram nota, clara e inequívoca, da vontade dos nossos compatriotas de não se resignarem. Porque os seus resultados traduzem um claro desejo de mudança. E, sobretudo, porque tornaram patente que existem soluções, credíveis e claras, para retirar o País do actual estado de coisas e para o recolocar na senda do progresso e do desenvolvimento.
Enquanto representantes e intérpretes privilegiados da vontade popular, constitui dever de responsabilidade dos responsáveis políticos – de todos eles – retirar as indispensáveis ilações da vontade popular então expressa. E fazê-lo com sentido de responsabilidade e tendo em mente o objectivo primeiro para cuja realização lhes compete trabalhar: a defesa do interesse de Portugal e dos Portugueses.
Os desafios com que estamos confrontados são complexos e pesados. E os tempos que vivemos são, por isso mesmo, de exigência e de responsabilidade. Porque, mais do que mudar de políticas, o que está em causa é mudar o próprio modelo de desenvolvimento económico e social do País.
É possível, e é necessário, governar de forma diferente e, sobretudo, governar melhor. Para o conseguir, porém, é indispensável delinear uma solução política que não se traduza num mero arranjo político de conveniência, preocupado apenas com a ocupação de lugares no poder, mas que seja tradução de um projecto coerente para mudar Portugal, para melhorar, de modo sustentado, as condições de vida dos nossos compatriotas e para voltar a colocar Portugal numa rota de convergência com os nossos parceiros europeus, de cooperação estreita com os Países de Língua Oficial Portuguesa e de renovado prestígio na comunidade internacional.


Para aceder e ler todo o texto, clique AQUI.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

FUGA AO CAOS

De acordo com o Expresso de hoje, Sócrates vai viver para Paris. Ora aqui está uma forma interessante de aplicar os rendimentos e virar as costas ao caos que ele próprio criou e deixar de viver num país em ruína. Ou será que há por aí medo da justiça?


Clicar na imagem para ampliar.

sábado, 28 de maio de 2011

UMA DAS RAZÕES POR QUE ESTAMOS NA BANCARROTA

Já há dias publicámos aqui uma reportagem sobre o assunto, que passou, à noite, na RTP2. Independentemente da forma como Sócrates foi privatizando o ensino, torna-se cada vez mais claro que o estado de quase bancarrota a que o primeiro-ministro levou o País se deve à multiplicação de casos como estes.

Hoje, o jornal Público noticia que o "Ministério da Educação paga em duplicado à Parque ", referindo que "Para além das escolas, também os serviços centrais do ME estão a pagar rendas à empresa." [Ver toda a notícia].

Muitos portugueses andam admirados pelo facto de o País estar endividado. Por factos e aberrações de gestão e políticas como esta, percebe-se facilmente onde está o sorvedouro do dinheiro que é de todos.

A "DEMOCRACIA" DE APOIANTES DE SÓCRATES

Desacatos em Mangualde, antes da chegada de José Sócrates.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

LIVREMO-NOS DE SÓCRATES

Todos sabemos que o estado em que José Sócrates deixou o País o torna quase ingovernável nos próximos anos, independentemente da solução governativa que resultar das eleições de 5 de Junho.

Mergulhado no seu autismo, o (des)governo de José Sócrates fez de Portugal um país quase inviável e dos portugueses gente mais pobre e sem perspectivas de futuro, exigindo agora sacrifícios duros a todos aqueles que não tiveram culpa da sua existência. Esses sacrifícios são piores do que o que se imagina e vão recair sobretudo, e uma vez mais, sobre os mais desfavorecidos e sobre a classe média.

Em quatro pilares fundamentais do desenvolvimento de um país, José Sócrates teve o condão de deixar "obra feita". No plano económico, é o que se sabe: um país à beira da bancarrota, ultra-endividado e dependente da ajuda estrangeira; na Educação, assistimos ao desmantelar da escola pública, à diminuição da qualidade de ensino, à agitação nas escolas e à desmotivação dos professores; na Justiça, demos conta de reformas que tornaram o sistema menos justo, menos eficaz e menos credível. No emprego, conseguiu o maravilhoso feito de transformar a promessa dos 150 mil empregos em quase um milhão de desempregados e a debandada de milhares de cidadãos competentes que, por não suportarem as condições de trabalho e as perspectivas negras de futuro, pediram a reforma antecipada. Enfim, Portugal retrocedeu, tornou-se um país menos desenvolvido e com o futuro hipotecado.

A única coisa de que Portugal precisa, nas próximas eleições, é livrar-se de José Sócrates. Queiramos ou não, tal só pode acontecer penalizando fortemente o PS, que, sem se perceber muito bem porquê, se deixou enredar e não foi capaz de afastar da sua liderança um problema para o próprio partido e para Portugal.

Portugal precisa de respirar. Portugal precisa de afastar as "sombras do descalabro". Portugal precisa de um novo rumo. Sabemos que as soluções não são as melhores. Precisamos do contributo de todos e de políticos capazes de envolver todos os portugueses nos destinos do País. Precisamos de uma mudança no paradigma eleitoral para que a participação política activa deixe de ser feudo de um restrito grupo de "profissionais". Precisamos de urgentes alterações legislativas que possibilitem a responsabilização dos agentes políticos em caso de manifesta incompetência, má-fé ou corrupção.

Até lá, precisamos, pelo menos, de livrar Portugal de José Sócrates.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O ESTADO SOCIAL DE JOSÉ SÓCRATES

Depois de termos assistido, nos bastidores da campanha do PS (ver vídeo no Youtube ou na Tvi24), à oferta de comida a paquistaneses, indianos e cabo-verdianos a troco de participarem na campanha, o PS faz desaparecer imigrantes da campanha depois do escândalo, mas agora o PS dá bilhetes para oceanário a quem for a comício.

Extracto da notícia do Ionline:

"Sócrates é muito boa pessoa, tratou de dar nacionalidade, tratou de tudo", disse ao i um dos indianos presentes no comício de Sábado em Évora, onde foram poucos os alentejanos a encher a sala e visível a população de turbantes. A campanha garante que os imigrantes "se ofereceram em Lisboa como voluntários para acompanhar a comitiva socialista". Ainda assim, há entre os viajantes casos de fome e garantias de que a presença nos comícios é trocada pela certeza de uma refeição quente."

Extracto da notícia do Correio da Manhã:

"O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde. Mais de 200 pessoas já reservaram lugar num dos vários autocarros que fazem a viagem até ao Porto, que também é oferecida pelo PS."


terça-feira, 24 de maio de 2011

PIG - POVO IDIOTA E GRUNHO

Texto de Manuela Moura Guedes, no Correio da Manhã, de 22 de Abril de 2011.

Imagine que vai para fora e dá dinheiro a alguém para tomar conta da sua casa e fazer a gestão da sua vida. Imagine que, ao regressar, descobre que o dinheiro se foi, está endividado até ao pescoço e a casa está a cair aos bocados.

Imagine que tem de estender a mão a um vizinho para escapar a viver sem abrigo. Volta a pôr a casa e a vida nas mãos de quem o desgraçou? Claro que não, só se for completamente idiota! Mas, é isso que, segundo a última sondagem, são 36% dos portugueses. Idiotas! Querem dar o país de novo a quem o arruinou. Já não há sequer dinheiro para pagar os salários dos militares a tempo e horas, nem para tratamentos e remédios básicos, nos hospitais. Não há dinheiro! Foi gasto e mal gerido por gente que tem nome.

Noutra situação da vida comum, seriam julgados e penalizados. Como se trata do governo, a única sanção é não serem reeleitos. Mas, mesmo isto, 36% de idiotas acham que eles não merecem. Não tenho respeito pela comunicação social que continua a levar a sério toda a propaganda deste governo sem qualquer tipo de sentido crítico. Há muito que é co-responsável por todo este desastre. Mas, convenhamos, um Povo que elege quem o leva à ruína merece ser PIG – Povo Idiota e Grunho (o FMI tem razão)!


Clique na imagem para ampliar.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

MENOS ESCOLAS E MENOS PROFESSORES

Para poupar por causa do desbarato deste governo PS, o País vai assistir ao encerramento de inúmeras escolas à criação de mais mega-agrupamentos.

O Estado vai ainda reduzir o número de professores contratados e as escolas com contrato de associação vão sofrer cortes nos apoios do Governo, passando o financiamento das escolas públicas a depender do seu desempenho no cumprimento de objectivos e da prestação de contas.

Vai também ser criado um plano de acção prevendo que o financiamento para as escolas profissionais e para as escolas com contrato associação tenha como referência o custo por turma e incentivos associados a critérios de desempenho.

Isto está bonito, lá isso está! Continuem a confiar em Sócrates... até desaparecermos todos!

Mais informação no Económico.

domingo, 10 de abril de 2011

TEIMOSIAS DE SÓCRATES

São várias as teimosias de Sócrates que hipotecaram o futuro do País. Destacamos apenas duas: a recusa atempada do pedido de ajuda externa e o modelo de avaliação de desempenho dos professores.

De acordo com a edição de hoje do Correio da Manhã, a "Teimosia de Sócrates custou 387 milhões".

No espaço de um ano, os juros da dívida soberana disparam nos mercados, agravando a factura que terá de ser paga por todos os portugueses. José Sócrates disse, por várias vezes, que Portugal tinha capacidade para resolver os seus problemas sozinho.


Relativamente ao modelo de avaliação de professores, embora sobejamente conhecidos os problemas de que enferma, nomeadamente o seu carácter ineficaz, injusto, burocático e bloqueador do sistema educativo, que tem gerado a contestação dos docentes e levou à sua suspensão pela Assembleia da República, José Sócrates, em entrevista à RTP, persiste em teimar e lutar contra todos, assumindo que, em caso de vitória eleitoral, irá repor o modelo de avaliação.

As teimosias de Sócrates continuam a ser uma ameaça ao desenvolvimento do País.

Por isso, os professores e a gente esclarecida de Portugal só pode afirmar: "PS de Sócrates... NUNCA MAIS!"



terça-feira, 21 de setembro de 2010

ESCOLA CAVIAR

Acompanhar a actual ministra da Educação é o mesmo que entrar numa montanha russa emocional. Isabel Alçada consegue provocar risadas intermináveis e iras homéricas. Esta terça-feira, por exemplo, foi mesmo o ‘carrossel Alçada’. Ao almoço, engasguei-me a rir enquanto ouvia a nossa ministra numa cerimónia engomadinha: o tom afectado que Isabel Alçada colocava na palavra “carráiras” era delirante. Entre as gargalhadas, comecei a pensar em algumas perguntas ululantes: então ninguém faz uma rábula com esta ministra? Ou será que o tom afectado só tem graça quando o alvo da paródia é uma filha de um capitalista anafado, uma beata católica ou uma simples senhora da ‘direita social’? Se Alçada fosse uma ministra do CDS, já teríamos por aí um pagode com as “carráiras”?

Ao jantar, a risada deu lugar ao ranger de dentes. Uma amiga mostrou-me um vídeo onde podemos ver a Dr.ª Alçada a revelar um enjoativo paternalismo em relação aos alunos do ensino público e, pior, em relação aos pais e professores. Se colocassem um crucifixo atrás da ministra, aquele vídeo seria um peça vintage do Estado Novo. Enquanto consumia a minha neura, comecei a imaginar outro vídeo. Nesse vídeo redentor, alguém tinha a coragem de perguntar o seguinte à senhora ministra: caríssima, onde é que colocou os seus filhos e/ou netos a estudar? Na escola pública que tanto defende ou no Liceu Francês? E, depois, esta pergunta seria estendida ao primeiro-ministro: V. Exa. tem os seus filhos na idílica escola pública ou num pérfido colégio privado?

Meus amigos, o problema, obviamente, não está na colocação das crianças e dos adolescentes nos Liceus Franceses desta vida. O problema está, isso sim, na hipocrisia da esquerda caviar. De manhã, os nossos progressistas metem os seus filhotes no colégio privado (ou naqueles liceus públicos que, misteriosamente, estão sempre nas mãos da “gente de bem”), e, depois, à tarde, defendem a escola pública e cantam loas ao eduquês. Pior: estes progressistas-de-limusina atacam aqueles que querem dar aos mais pobres a possibilidade de colocaram os seus filhos nos colégios privados (ou naqueles liceus públicos que, não sei porquê, são sempre monopolizados pelos bem-nascidos). Na retórica, esta esquerda continua a defender o ensino ultra-centralizado e dominado pelo facilitismo, mas, na prática, reconhece as virtudes de um ensino descentralizado e sem contacto com o ministério do eduquês. No seu dia-a-dia doméstico, a esquerda caviar coloca os seus filhos nos colégios onde o rigor do “antigamente” ainda existe, mas, no seu dia-a-dia político, utiliza a escola pública para extirpar o “antigamente” dos hábitos dos mais pobres. Ou seja, as crias progressistas são educadas à moda antiga, mas os filhos do povão são ensinados de forma progressista. Bravo. Os resultados desta hipocrisia estão aí: Portugal é uma sociedade estática, aristocrática, sem mobilidade social. Por outras palavras, a esquerda caviar esticou a sociedade salazarista até ao interior desta sociedade – nominalmente – democrática.

Meus amigos, esta esquerda é a principal inimiga dos filhos dos mais pobres. Dezenas de amigos meus ‘perderam-se’, porque a escola das Dr.as Alçadas lhes destruiu o futuro logo à nascença. Mas, claro, não se pode falar disto. Porque o burro sou eu. Porque o “fascista” sou eu. Porque o “neoliberal” sou eu.

Henrique Raposo, Expresso, 18 de Setembro de 2010

A GRANDE MENTIRA

Por João Vieira Pereira
A palavra crise entrou de tal forma no nosso léxico que nos damos ao luxo de a menosprezar. Sentida verdadeiramente por aqueles que encontraram o flagelo do desemprego, esta crise seletiva fez-nos, na prática, mudar pouco ou nada.

Depois de tantos avisos, de tantos conselhos, continuamos como se nada fosse. O Estado não mudou nada, pelo contrário, continua a atuar como se não estivéssemos perante a mais grave crise financeira de que há memória.

Institutos públicos, empresas públicas e a administração pública continuam a gastar e gastar sem o mínimo respeito pelo dinheiro dos contribuintes. A explicação só pode ser uma. Portugal inteiro encolheu os ombros e olhou para o lado!

A começar pelo Governo que, mal tomou posse crucificou a antiga ministra da Educação e comprou a paz com os professores. O custo foi cerca de 225 milhões de euros, tanto quanto subiram as remunerações com o pessoal na educação entre janeiro e julho deste ano quando comparado com o mesmo período de 2009. Este valor equipara-se aos gastos totais do Ministério da Agricultura nos primeiros seis meses do ano.

E esta é a contribuição de pessoas como o líder sindical Mário Nogueira para o empobrecimento do nosso país. Um crime bem mais grave do que muitos que se tornaram mediáticos mas que nunca serão julgados. Dizem-me que são os custos da democracia. Discordo. É o custo de ter uma classe política podre que se verga perante pessoas irresponsáveis, que, sem saber como detêm um poder com o qual não sabem, nem nunca saberão lidar.

Maria de Lurdes Rodrigues ficará conhecida como uma má ministra que levou centenas de milhares de professores para a rua. Isabel Alçada como a boa ministra que resolveu o problema. Quando na realidade foi tudo ao contrário...

As pessoas só mudam quando confrontadas com um choque abrupto nas suas vidas, e como esta crise ainda não trouxe esse choque continuamos a brincar aos países. Já o disse antes e reafirmo. O país inteiro só vai perceber que é preciso mudar quando chegar o dia em que o Estado não tenha dinheiro para pagar salários. E esse dia está muito mais perto do que parece.

Mas como ninguém quer acreditar no que acabei de escrever continuamos a viver a grande mentira de que tudo vai bem. Teixeira dos Santos diz que não há problemas de financiamento, Vieira da Silva que a economia está de boa saúde. Vou ali encolher os ombros e já volto!

In Expresso

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A PROPÓSITO DOS PROFESSORES (CONCLUSÃO)

Por Maria Nazaré Oliveira *

Os problemas continuam, pior, há novos problemas e agravaram-se os que já existiam!

Os responsáveis políticos esquecem-se que sem verdadeiro investimento na Educação e nos professores nada vingará nem tão cedo sairemos do marasmo, mediania e cauda da União Europeia. Porque esse investimento, que se pretende de qualidade, se traduzirá, por isso mesmo, na melhoria do ensino e na preparação dos nossos jovens para o assumir de responsabilidades profissionais mas, também, cívicas, lamentavelmente tão pouco visíveis num país que já tem mais de três décadas de democracia!

Nada se poderá fazer de autêntico e credível sem se valorizar a Educação e os professores, os grandes agentes da mudança. Mudança que já tarda e que já preocupa quando olhamos para outros parceiros comunitários e para os resultados do investimento que fizeram na Educação.

Vim para o ensino por opção e gosto muito do que faço. Nunca temi a sua avaliação nem a dos seus encarregados de educação! Mas, ao fim destes anos, de facto, não há grandes compensações, a não ser a satisfação e motivação desses jovens perante o trabalho que desenvolvo, o seu sucesso e o afecto que a eles sempre me liga e ligará.

Estamos num país onde todos buscam protagonismo a qualquer preço! Todos querem mandar! Todos querem ser chefes, dar ordens... todos querem opinar sobre a educação e os professores, todos se acham uns "iluminados", até mesmo os que há anos têm estado afastados do ensino e das escolas, das salas de aula, essas, sim, o verdadeiro terreno de quem trabalha ensinando. E nunca me assustou ser avaliada, como aliás sempre fui, apesar de considerar que o antigo modelo de avaliação também não me agradava, por ser, justamente, muito nivelador "por baixo", pouco ou nada exigente na averiguação do trabalho desempenhado pelos professores e, por isso mesmo, injusto e rejeitável. No entanto, há qualquer coisa que continua a falhar na avaliação dos professores, este novo modelo que o Ministério começou por impor e nas posições dos sindicatos. Neste Governo, cada vez mais preocupado com a imagem e não com a realidade. Com um discurso estéril e repetitivo, escandalosamente demagógico, irónico e falsamente optimista, animado pelo clientelismo político que cada vez mais toma conta da governação, da Assembleia da República e até dos sindicatos.

Que negociações têm sido estas? Que mudanças positivas e de propostas credíveis saíram dessas reuniões com os sindicatos e o Ministério da Educação? Alguns chegaram a cantar vitória perante as palavras sorridentes de uma nova ministra, nada convincente e muito pouco segura do que diz! Vitória? Porquê? Que reivindicações foram satisfeitas? Foram as que verdadeiramente nos preocupavam? Aquelas que são fundamentais para a nossa carreira e lhe dão a dignidade e o reconhecimento merecidos? Aquelas que o país e os nossos jovens necessitam para sair da mediocridade e do baixo nível que atingimos no seio da Europa comunitária?

Os problemas continuam, pior, há novos problemas e agravaram-se os que já existiam! Reina o desalento, a confusão derivada da ineficácia e do absurdo de certas decisões "vindas de cima", por exemplo, o estatuto do aluno, a forma como "vê" a sua assiduidade, a forma contemplativa, permissiva e até irresponsável com que a trata... não penalizando verdadeiramente quem não vai às aulas, nem os seus pais tantas vezes coniventes, banalizando e desautorizando o papel do professor, uma vez que, por exemplo, o obriga a fazer provas de recuperação sabendo de antemão que, assim, "tapa o sol com a peneira", mascara a realidade e contribui para a cada vez maior desresponsabilização dos alunos! E estes já se aperceberam do esquema. Já viram que a falta de assiduidade não é grave... que há sempre uma justificaçãozinha ou uma provazinha à sua espera! Continuam a faltar! Sem vergonha nenhuma. Tantas vezes apoiados por encarregados de educação que justificam tudo e mais alguma coisa, muitos deles prontos a criticar os professores mas aceitando tudo dos seus educandos!

As pessoas não imaginam o tempo que o professor-director de Turma perde com estas situações criadas pelos alunos que faltam frequentemente, que são indisciplinados... o tempo que perde em contactos inglórios com os encarregados de educação, quer pelo telefone quer por carta! E muitos nem sequer respondem! E o dinheiro que as escolas gastam semanalmente com coisas destas!

O que se deveria fazer? Multas! Pagar! Talvez assim percebessem que o primeiro responsável pelo seu educando é o pai e/ou a mãe e não somente a escola/os professores.

A escola e o professor apoiam sempre o aluno nos termos em que a legislação o permite e exige, não significando isto que a responsabilidade seja só da escola. Considero, pela minha experiência, que a legislação deveria ser mais exigente quanto à intervenção (ou não-intervenção!) dos pais e encarregados de educação na vida escolar dos seus filhos. Em matéria de apoios pedagógicos dados aos seus educandos, e que deveriam verdadeiramente acompanhar, mas também em relação às atitudes/comportamentos, devendo ser responsabilizados igualmente pelos mesmos.

Enquanto o "português espertalhão" continuar sossegado a pensar que haverá sempre alguém que fará o seu trabalho ou que haverá sempre uma razão para não o fazer, "saindo habilidosamente de cena", continuaremos a verificar a falência de projectos e iniciativas verdadeiramente voltados para a consciencialização do nosso país, adiando cada vez mais o seu desenvolvimento e a sua modernização. Sem a valorização da classe docente, com uma séria avaliação do seu trabalho e o reforço da sua autoridade, nenhum país será um grande país.

* Professora do Ensino Secundário

In Jornal Público (30-08-2010)

A PROPÓSITO DOS PROFESSORES

Por Maria Nazaré Oliveira *

Um ano depois da "nova" avaliação dos professores, vejo esses professores estoirados, cansados, asfixiados, desanimados

Nunca vi tantos professores desmotivados! Colegas com provas dadas como excelentes profissionais ao longo de dezenas de anos! Colegas que sempre investiram na escola, nos alunos, que mostraram inequivocamente esse trabalho, que investiram na actualização científica de qualidade (mesmo paga pelo seu próprio bolso!), na relação pedagógica motivadora através de uma prática lectiva dinâmica, ajustada à contemporaneidade de uma vida tão cheia de desafios e de mudanças, valorizando os conhecimentos e a sua aplicação sem perder de vista a formação do indivíduo como ser pensante, capaz de agir em consciência, com sentido crítico e espírito de cidadania.

Um ano depois da "nova" avaliação dos professores, vejo esses professores estoirados, cansados, asfixiados em reuniões e papéis tantas vezes desnecessários, desanimados, fartos de trabalhos administrativos que nada têm a ver com o seu métier, sem tempo para o que é essencial - a preparação científico-pedagógica das aulas -, fazendo-o nas suas casas, despendendo muitas e muitas horas, particularmente aqueles que continuam a querer que o seu trabalho seja bem feito mesmo que para isso roubem ao descanso (e muitos até à família!).

O trabalho do professor é muito mais do que estar na sala de aula! Muito mais do que isso! É preparar os conteúdos programáticos que vai abordar de acordo com os diferentes níveis de escolaridade que lecciona, é pensar em estratégias e defini-las, criar materiais de suporte adequados à realidade turma, facilitadores da comunicação mas também das aprendizagens, seleccionar bibliografia, fontes diversas adequadas à problemática em questão, propor tipologias de trabalho diferenciado para as quais traça, antecipadamente, orientações metodológicas bem definidas, indicação de fontes diversas para pesquisa, sugestão de temas e definição de objectivos específicos para cada um, de cada grupo, tendo em vista uma avaliação desejavelmente diferenciada que se traduza na obtenção de melhores resultados, com maior envolvimento do aluno e, por isso mesmo, mais gosto em saber, caso dos trabalhos de grupo, a pares, individuais, trabalhos de pesquisa (investigação), orientados em contexto de sala de aula ou fora dela, visionamento de filmes sobre os quais os alunos entregarão relatórios previamente definidos pelo professor, visitas de estudo com guiões feitos pelo mesmo e, naturalmente, a avaliação de tudo isto, com critérios de correcção feitos pelo docente para cada uma destas actividades que exemplifiquei.

A aula propriamente dita, para mim, é o resultado de tantas e tantas horas deste trabalho que a antecedeu. Mas não menos desgastante, pelo contrário, pois aí estaremos perante um colectivo, um grupo, uma turma, que é preciso orientar ao nível da aprendizagem e dos diferentes ritmos de aprendizagem, das atitudes, do cumprimento das regras e interiorização de boas práticas, das relações interpessoais, exigindo, obviamente, a maior atenção, e constituindo todos os dias um sistemático desafio à nossa criatividade, aos nossos sentidos e capacidade de resistência física e psicológica.

Na aula, expomos e expomo-nos. Interagimos com a turma, abordamos os conteúdos programáticos e aplicamos as estratégias previamente delineadas, registamos a participação dos alunos (em documentos que criámos), orientamos trabalhos cooperativos, corrigimos esses trabalhos e, se for caso disso, também deveremos considerar aqueles que têm planos especiais de acompanhamento delineados em Conselho de Turma. E isto numa turma! Imaginem em várias turmas, ao longo do dia, da semana e, ao mesmo tempo, ser Director de Turma!

Estar na sala de aula é uma das variantes diárias do trabalho do professor, a única que é verdadeiramente visível aos olhos da comunidade, muito pouco reconhecida, infelizmente, pela maior parte das pessoas e até do Ministério, como aliás se tem visto pelas afirmações de responsáveis pela educação e membros de associações. Os próprios encarregados de educação, muitas vezes, assumem que não imaginavam que o trabalho do professor fosse assim!

Claro que há que ter em conta que, como em tudo, existe o bom e o mau. De qualquer forma, muito poucos nos levam a sério neste país quando dizemos que nos fartamos de trabalhar em casa para a escola! Nem as ministras da Educação que temos tido! E, a prová-lo, estão as exigências legislativas a que se obrigam os professores, cada vez mais desajustadas da realidade das nossas escolas e dos nossos alunos.

Eu própria, que já estive noutro sector profissional, sempre séria e responsável perante as minhas obrigações, nunca trabalhei tanto na minha vida!

Por muito que se diga que é na escola que devíamos fazer todo o nosso trabalho (e devia ser assim!), pessoalmente, apesar de passar quase o dia inteiro na mesma, e sendo a escola que sempre quis, bonita, organizada... atendendo à especificidade do meu trabalho e à necessidade de o fazer num ambiente com alguma serenidade e privacidade...mesmo com gabinete (muitas vezes ocupado com aulas!) penso que será sempre importante o trabalho fora da escola e que este deveria ser mais valorizado na carga horária que nos é distribuída no início do ano lectivo.

É lamentável que esse tempo que os professores passam nas escolas não seja para estudar, investigar, preparar aulas e materiais... mas para irem a reuniões por tudo e por nada... para criar papéis por tudo e por nada... para preencher papéis por tudo e por nada... chamados a opinar por tudo e por nada... fazendo relatórios por tudo e por nada... avaliações de tudo e mais alguma coisa...

Tem valido a pena? Em quê? Melhorou o trabalho do professor? Tornou mais eficiente o funcionamento das escolas? Trouxe, verdadeiramente, melhores resultados para os nossos alunos? Sabem mais? Alcançámos mais qualidade e mais sucesso? Sentimo-nos melhores desde que tudo isto foi implementado? Alguém se preocupou, no Ministério da Educação, em auscultar as escolas para saber dos resultados obtidos e se essas medidas estão a cumprir os objectivos que o ME queria, melhor dizendo, que a Educação merece? Ninguém quer saber! Só se manda e só se quer que obedeçamos!

Seja a que preço for! Nunca se viu tanta papelada e tantas reuniões nas escolas! Ora, isto desmotiva e arrasa qualquer um, particularmente aquele que sempre gostou do que faz e que o continua a fazer, com manifesto prejuízo da sua saúde e do seu tempo livre.

E tudo por causa da falta de rigor e até do absurdo que continua a esconder-se debaixo de tantas directrizes do Ministério e de tantas orientações institucionais! Porquê?

Porque o que anda a interessar é o "número", "a estatística", a imagem de um país europeu que, na realidade, ao nível da educação, engana, quando comparamos a educação desses países da UE com a nossa, incluindo a dos jovens países de Leste. E por que é que se continua a insistir em medidas que já mostraram a sua ineficácia (aqui e não só!) em matéria de resultados sérios que todos pretendemos para a tão desejada modernização do país e a sua postura comunitária?

Falam da utilização das novas tecnologias como se elas fossem a grande solução para combater o insucesso escolar, mas chega-se a situações caricatas em que há dezenas de computadores desactivados nas escolas porque a carga eléctrica não os permite! Ou, então, escolas com salas geladíssimas no Inverno, sem infra-estruturas de qualidade, sem o mínimo de auxiliares, sem verbas para as visitas de estudo... mas "tecnologicamente equipadas"!

Defendo as novas tecnologias nas salas de aula mas não a qualquer preço.

Está a secundarizar-se cada vez mais o ensino das Humanidades, verdadeiro suporte e força motora para o diálogo intercultural cada vez mais urgente na sociedade actual, tão desigualitária, tão vazia de valores e tão cheia de ameaças.

Quando se levará a sério a EDUCAÇÃO? Quanto mais tempo esperaremos por reformas realistas e exequíveis?

Desde a anterior Ministra da Educação, apesar de compreender algumas das suas medidas, tudo acabou por ser imposto! Sem diálogo. Quer do ME quer dos sindicatos. Falou-se do que não se sabia ou do que se sabia pouco. Legislou-se despoticamente. Sindicatos e ME foram irredutíveis nas suas posições e os professores uns joguetes nas suas mãos.

Concordei com a necessidade de uma avaliação mais rigorosa dos professores e há muito que a aguardava. Mas, o modelo que se seguiu trouxe o que se pretendia e foi o melhor?

Ninguém se interessa, verdadeiramente, em encontrar um rumo sério e digno para a Educação no nosso país.

* Professora do Ensino Secundário

In
Jornal Público (29-08-2010)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AUTONOMIA DAS ESCOLAS, CINCO ANOS E CINCO MINISTROS...

João Barroso

Passaram-se cinco anos (e cinco ministros) desde que em 4 de Maio de 1998 foi publicado o Decreto–lei nº 115/A-98 que aprovou o Regime de Autonomia, Administração e Gestão das Escolas e Agrupamentos de escolas. O que mudou desde então? Se exceptuarmos a alteração formal dos órgãos de gestão das escolas (extensiva a todos os graus de ensino) e a criação dos agrupamentos, muito pouco mudou! Por isso é possível repetir hoje o que já afirmava em Março de 2001 no Relatório Global da avaliação externa1 realizada aos dois primeiros anos de aplicação do referido decreto:

“(…) para quem imaginava que o decreto–lei 115/A–98 era muito mais do que uma simples remodelação formal da gestão escolar, os resultados alcançados,no final de dois anos, são frustrantes. Mesmo sabendo que o processo era difícil e que contava com muitos obstáculos, era possível ter feito mais. (…) No essencial a evolução do processo depende do que for feito, de substancial, para dar uma expressão clara e efectiva ao aumento das competências e recursos das escolas. E aqui os “contratos de autonomia” podem ser decisivos. Contudo não podem ser cometidos os mesmos erros que foram cometidos até agora, o que passa por uma clarificação dos objectivos políticos, um reforço das competências e da perícia técnica dos serviços da administração, a criação de efectivos serviços de apoio às escolas, e uma progressão cautelosa e sustentada.”

Como se vê (aparentemente) muita coisa mudou, mas tudo continua na mesma!

No governo anterior, foi patente a incapacidade (ou falta de vontade) dos responsáveis do Ministério da Educação e sua administração para levarem à prática um verdadeiro programa de reforço da autonomia das escolas, apesar de todo o investimento discursivo que foi feito.

No actual governo a retórica sobre autonomia tem diminuído, mas aumentou a retórica sobre a gestão. Contudo, um ano depois do início de funções, e se exceptuarmos o ressurgimento da “síndroma da gestão empresarial” (iniciada com o ministro Roberto Carneiro), nada de novo surgiu.

Entretanto, nas escolas, a sucessão das reformas, o seu carácter normativo tantas vezes desfasado da realidade, bem como os seus insucessos têm contribuído, como sabemos, para uma mescla de sentimentos que marcam o quotidiano de muitos professores que vão da frustração ao desespero, da culpa à evasão, do desencanto à indiferença.

Para muitos é o tempo de regressarem aos seus casulos tecendo, solitariamente, as teias da sua profissão. Para outros, é a oportunidade de legitimarem o seu desinteresse e procurarem alternativas de realização (material, profissional ou pessoal) fora do local de trabalho. Para outros ainda, é o momento de fazerem o luto das ilusões perdidas e (espera-se) de conquistarem, por essa via, a maturidade e a autonomia profissional que nunca tiveram.

Por isso, é difícil apelar, hoje, ao entusiasmo, ao profissionalismo, à dedicação dos professores, sem dar garantias efectivas que não se lhes está, de novo, a oferecer presentes envenenados ou a querer que sejam cúmplices da sua própria exploração.

É neste contexto (e no compasso de espera em que nos encontramos) que vale a pena recordar aqui um dos princípios que apresentei no estudo prévio que me foi encomendado pelo Ministro da Educação Marçal Grilo, em 19962:

“Uma política destinada a reforçar a autonomia das escolas não pode limitar-se à produção de um quadro legal que defi na normas e regras formais para a partilha de poderes e a distribuição de competências, entre os diferentes níveis de administração, incluindo o estabelecimento de ensino. Ela tem de assentar sobretudo na criação de condições e na montagem de dispositivos que permitam, simultaneamente, libertar as autonomias individuais e dar-lhes um sentido colectivo, na prossecução dos objectivos organizadores do serviço público de educação nacional, claramente consagrados na Lei Fundamental.

O reforço da autonomia das escolas deve traduzir-se necessariamente num conjunto de competências e de meios que os órgãos próprios de gestão devem dispor para decidirem sobre matérias relevantes, ligadas à defi nição de objectivos, às modalidades de organização, à programação de actividades e à gestão de recursos.

Contudo, não basta regulamentar a autonomia. É preciso criar condições para que ela seja construída, em cada escola, de acordo com as suas especificidades locais e no respeito pelos princípios e objectivos que enformam o sistema público nacional de ensino.”

Notas

1 Os relatórios da avaliação externa do processo de aplicação do Regime de Autonomia, Administração e Gestão das Escolas e Agrupamentos de escolas encontram-se disponíveis no sítio do Centro de Estudos da Escola, em http://www.fpce.ul.pt/centros/ceescola

2 Barroso, João (1997). Autonomia e Gestão das Escolas. Lisboa: Ministério da Educação.

João Barroso, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa

In APM.

A MINISTRA IGNORA OU ESCONDE?

In Público (04-08-2010)

MENOS VERBAS PARA AS ESCOLAS DE MÚSICA DO PRIVADO

Conservatório Regional do Baixo Alentejo com menos verbas no próximo ano

O Ministério da Educação vai aplicar no próximo ano lectivo "condicionamentos" na atribuição dos apoios financeiros às escolas de música do ensino privado, num quadro de "contenção orçamental" e "redução da despesa". Num despacho publicado na semana passada, a ministra Isabel Alçada, determina que o apoio financeiro a conceder é limitado aos estabelecimentos de ensino especializado da música que celebraram em 2009/2010 contrato de patrocínio. Joaquim Simões, do Conservatório do Baixo Alentejo, explica que “…o que o despacho diz, e neste momento parece-nos inoportuna a altura, porque não houve negociação com as escolas, não houve nada, o despacho saiu no dia 3 de Agosto de 2010 com efeitos retroactivos de 5 de Julho de 2010, e o que o despacho diz é que as escolas não poderão aumentar o valor do contrato-patrocínio que tinham no lectivo anterior, quer dizer, no caso da nossa escolas, nós aumentámos significativamente o número de alunos, e quer dizer, a mantermos o mesmo número de contratos-patrocínio, a escola não consegue suportar esta situação, isto é inadmissível…”.

Joaquim Simões adianta ainda que o CRBA está já a escrever cartas em conjunto com outras escolas e entidades para enviar à Direcção Regional de Educação e ao próprio Ministério. O responsável espera que haja um retrocesso na decisão e que haja um diálogo entre as partes, já que o Conservatório é parceiro do Ministério da Educação, “…as escolas estão todas preocupadas e nós (…) vamos apelar ao bom senso e esperar que haja aqui um retrocesso, e que pelo menos haja um diálogo, porque nós somos parceiros do Ministério…”.

In Rádio Planície

ESTADO NÃO APOIA ALUNOS DO ENSINO INTEGRADO

A falta de apoio do Estado impede que dezenas de alunos possam ingressar no ensino integrado na Escola de Música da Póvoa de Varzim. Já havia crianças matriculadas, mas só agora se soube que não há verbas para viabilizar a entrada de novas turmas.

A situação afecta mais de 40 alunos e há o risco de também prejudicar outros estudantes, que têm música como complemento ao ensino normal. Tudo porque o Ministério da Educação recusou aumentar a comparticipação à escola, que se viu, assim, obrigada a recusar a entrada de novs turmas. Os pais estão revoltados.

"Queria meter o meu filho no ensino articulado [no qual os alunos têm a formação geral no ensino regular e as disciplinas opcionais na Escola de Música, tais como formação musical, classe de conjunto, história da música, entre outras]. Matriculei-o na EB 2,3 Cego do Maio. Ficou numa turma com mais de 20 alunos, exclusiva para crianças do ensino articulado de música. Agora, no final da semana passada, recebi uma nota a dizer que o Ministério cancelou o apoio e que já não haverá ensino articulado", explicou Alberto Ribeiro, pai de um dos alunos.

"Saiu, no final da semana passada, um despacho a dizer que o apoio que era dado para o ensino da música não poderá ser nem mais um cêntimo do que foi o ano passado. Tínhamos mais de 40 alunos novos para entrar: uma turma da EB 2,3 Cego do Maio e outra da EB 2,3 Flávio Gonçalves. Tivemos que recusar", explicou o vereador da Educação da Câmara da Póvoa, Luís Diamantino.

No ano lectivo 2009/2010, a Escola de Música da Póvoa de Varzim tinha 54 alunos no ensino articulado (5.º ano). Agora, os jovens transitaram para o 6.º e, este ano, ia abrir mais duas turmas do 5.º ano. Com a falta de apoio do Ministério, que recusa subsidiar mais alunos, a escola viu-se obrigada a recusar novos alunos.

"A Câmara já deu, o ano passado, 220 mil euros à Escola de Música, fora a disponibilização do espaço, água, luz, gás, manutenção, material de desgaste e o pagamento dos funcionários. Não faz sentido que ainda tenhamos que suportar o encargo com a educação dos alunos do 2.º ciclo, que é competência da Administração Central. Seriam mais cerca de 140 mil euros", continuou, inconformado, o vereador da Educação.

"Não se entende. O Ministério não teria mais gastos. É o mesmo dinheiro que vai gastar a contratar professores para o ensino regular", rematou Luís Diamantino, acrescentando que mesmo as crianças que têm música como complemento ao ensino normal só poderão entrar na Escola de Música, caso haja saída de alunos.

In Jornal de Notícias.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

NESTA ESCOLA JÁ NÃO EXISTEM "CHUMBOS"

Escola da Ponte pode servir de inspiração para a futura intenção de terminar com as reprovações. Mas ainda há um longo caminho a percorrer

Todos conseguem aprender, no ensinar é que está o problema. Este é um dos lemas da Escola da Ponte, na Vila das Aves, uma instituição pública que já há muitos anos adoptou a ideia lançada pela ministra Isabel Alçada de acabar com os «chumbos» na escolaridade obrigatória.

Há toda uma filosofia à parte das imposições ministeriais. Não há anos, há níveis de aprendizagem (iniciação, consolidação e aprofundamento). Todos os professores dão aulas a todos os alunos (cerca de 200 todos os anos, desde o equivalente ao 1º até ao 9º ano). E são os estudantes que auto-planificam o seu estudo e que se auto-avaliam. Garantem que o currículo escolar é cumprido e que os conhecimentos são adquiridos tal como noutro sítio qualquer.

No regulamento interno nem sequer constam as palavras «reprovação» ou «retenção». Nunca um aluno ficou para trás pelos seus conhecimentos, salvo em casos excepcionais de faltas. «Acreditamos que esta é a melhor forma de garantir o sucesso dos alunos. Sendo esta uma escola do ensino obrigatório, não faz sentido o Estado produzir um mecanismo de retenção», afirmou ao tvi24.pt Cristiano Silva, elemento do conselho de gestão da escola (porque aqui ninguém fala em directores).

O truque está na «individualização da aprendizagem» e na «diferenciação positiva» dos alunos. Por exemplo, quando estudam a multiplicação, «cada um aprende de maneira própria, com estratégias e caminhos diferentes». «Só os objectivos é que são iguais», explicou, porque o currículo tem de ser o mesmo para todos.

Ao colocarem o ensino na mão do aluno e não do professor, sabem que a sua noção «mexe com os dogmas» dos professores que «se refugiam no que é mais confortável e fácil».

Sabia que Cavaco Silva chumbou na escola?

Quanto aos resultados, Cristiano Silva frisou que, tal como acontece com todas as escolas, há alunos que posteriormente fazem um «trajecto óptimo», outros «normal» e ainda outros «menos bom». «É normal que estranhem ao início quando entram noutra escola porque o ensino passa a estar centrado no professor. Mas a cultura escolar varia de aula para aula e quem não estranha o início de uma nova escola?», questionou.

O elemento do conselho de gestão da Escola da Ponte sabe que «há um longo caminho a percorrer» até que todas as escolas públicas do país adoptem, pelo menos, o fim dos «chumbos». «Mas é perfeitamente possível. Acho mesmo que será o impulso necessário para o sistema acordar», acrescentou.

Para Cristiano Silva, o fim das reprovações poderá ser «o primeiro passo» para o repensar da cultura escolar, de todo o sistema de avaliação e do currículo escolar.

In diario.iol.pt.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AS MUDANÇAS POR CÁ TÊM SIDO PARA PIOR

Educação
Só mudanças radicais podem aproximar Portugal da Finlândia

Alterações no currículo, na carga horária e no apoio são algumas das questões.

A ministra da Educação, Isabel Alçada, pretende aproximar o sistema educativo português do aplicado nos países nórdicos. A ideia principal é acabar com os chumbos, mas, para que tal seja possível, na Finlândia o acompanhamento dos alunos é muito mais activo e próximo do que em Portugal, o programa curricular não é tão disperso e ainda tem de se salientar o facto de o ensino ser gratuito.

As diferenças para a realidade portuguesa são gritantes e, para sindicatos, associações de pais e partidos políticos, a ideia de Isabel Alçada pode ser mesmo vista como utópica, a não ser que sejam feitas mudanças profundas.

O professor universitário José Manuel Canavarro considera que o currículo em Portugal "se dispersa por várias áreas", destacando que se ultrapassa a dezena de disciplinas. "No ensino secundário já há alguma liberdade de escolha. Se calhar no 2.º e 3.º ciclos também poderia ser possível, mas sempre com uma 'ementa' fixa", afirmou.

Ou seja, para José Manuel Canavarro, o ideal seria existir um programa obrigatório que incluísse disciplinas como Português, Matemática, ciências experimentais e História. Reduzir o número de disciplinas contribuiria para que as escolas tivessem a possibilidade de incluírem temas que considerassem importantes.

Na Finlândia, as crianças começam a frequentar a escola aos sete anos e podem optar por áreas que se interessem mais, além das disciplinas obrigatórias. A carga horária é também mais reduzida.

"Em Portugal também se poderia pensar num regime horário menos rígido. Isto é, nas disciplinas obrigatórias deveria existir um número de horas que tem de ser cumprido, mas as escolas terem liberdade de escolher se as aulas são de 50, 60 ou 90 minutos."

Uma das questões mais delicadas é o apoio que os alunos com mais dificuldades recebem. Na Finlândia, todas as crianças têm acesso a este apoio, que pode mesmo ser individualizado. Não são feitas distinções entre prodígios ou crianças com dificuldades. Os professores orientam os alunos de acordo com a necessidade de cada um.

José Manuel Canavarro deu ainda o exemplo de Inglaterra, no qual não são os professores a dar este apoio. "Há um conjunto de pessoal de apoio, que permite que os professores se concentrem no que fazem melhor: ensinar", referiu.

Em Portugal, os docentes enfrentam muita burocracia, ao contrário do que acontece noutros países, como a Finlândia, retirando tempo para se concentrarem mais em preparar as aulas e apoiar os alunos.

Mas há bons exemplos. "Alguns programas formaram professores que só dão apoio, não leccionam. Trabalham essencialmente em concelhos problemáticos e têm alcançado bons resultados", destacou.

Portugal enfrenta também o problema das mentalidades. O professor universitário realça que muitas famílias não dão importância à escola: "É necessária uma intervenção de outro nível. Na Finlândia há uma cultura de responsabilização e inovação."

In Diário de Notícias.

sábado, 31 de julho de 2010

EM DESVANTAGEM...

Mais de 700 escolas do primeiro ciclo não abrem as portas no próximo ano lectivo. Uma imposição do reordenamento escolar que obriga ao encerramento de estabelecimentos de ensino com menos de 21 alunos.

A medida, que o Governo justifica com a instalação de «centros escolares ou escolas dotadas de melhores condições de ensino e de aprendizagem», não me parece mais do que um incentivo ao abandono escolar e um aumento da desertificação cada vez mais acelerada do interior do País. Que família quererá “interiorizar-se” se pensar que os seus filhos ficarão mais longe da escola, obrigados a perder no caminho um precioso tempo que poderia ser aproveitado para estudar?
E como se podem motivar alunos que não gostam da escola – mas lá têm de permanecer o dia inteiro – se o “passeio” os obriga a levantar quase de madrugada e a chegar a casa à hora de jantar?
Posso até concordar que a distância não é impeditiva nem contrária ao sucesso escolar, mas não me venham dizer que os alunos que vivem longe dos chamados centros escolares “partem” com a mesma vantagem que os que moram perto em direcção aos ciclos de ensino seguintes. E nem sequer acredito que a reorganização escolar seja apenas feita com intuitos meramente pedagógicos e qualitativos. A meu ver, pensa-se apenas nas medidas economicistas que tal gestão escolar pode trazer… mas que terá também reflexos na classe docente e nas saídas profissionais daqueles que, terminado o curso superior, pretendam seguir caminho na Educação, engrossando deste modo os números do desemprego.
Os professores e os alunos estão em desvantagem em relação a esta política educativa. A mesma desvantagem que, desafortunadamente, e ao mesmo tempo em que Portugal alarga a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, encontro na proposta de revisão constitucional apresentada pelo PSD e que, a meu ver, é contrária a uma das maiores conquistas de Abril: o acesso de todos ao ensino público. Mesmo assegurando que «o Estado se mantém responsável pela política de ensino, este deixará de estar obrigado a “criar um sistema público” e a “estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino”».
Que futuro para a escola pública?

In Diário do Minho

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