quarta-feira, 23 de setembro de 2009

VULCÃO LATENTE

As notícias de “bullying”, de violência verbal e física entre os jovens, de agressões a professores estão a tornar-se demasiado frequentes, sem que uma voz da tutela surja nos meios de comunicação social a condenar inequivocamente tais actos. A regra é a ignorância, a indiferença, a desvalorização dos factos. A regra é o silêncio cúmplice e irresponsável (para não ir mais longe). A regra é produzir declarações que desautorizam a classe docente, que fazem crer a alunos e muitos encarregados de educação que os professores não querem trabalhar, que são os verdadeiros culpados pelo insucesso escolar. E tudo isto já se tornou estranhamente, revoltantemente, perigosamente banal.

Na escola actual, já não há pessoas felizes! Ao invés, toda a comunidade que aí convive diariamente está a trilhar os limiares da paciência, da frustração, do desinteresse, do desalento… Embora cada grupo tenha as suas razões específicas, todos raiam os seus próprios limites. Os professores, humanamente, não têm razões para sorrir: perderam tudo o que havia a perder, desde as mais pequenas questões laborais e salariais até aos altares sagrados do respeito e da dignidade profissional. Os auxiliares de acção educativa, cada vez menos especializados seja no que for, ganham salários miseráveis e passam os dias a deglutir todo o tipo de desconsiderações e insultos, atirados por catraios que poderiam ser seus filhos, netos… Tudo se lhes pede e pouco se lhes dá. Finalmente, os alunos, aos quais esta escola diz cada vez menos. E porquê? Porque os jovens gostam de desafios, e esta escola trata-os como deficientes mentais! Porque os jovens gostam de conhecer e explorar todas as suas capacidades, e esta escola dá-lhes a “papinha mastigada”! Porque os jovens precisam de regras claras, de limites bem definidos, e esta escola oferece-lhes um universo de valores confuso, contraditório, paradoxal, onde quase tudo é permitido, onde o “bombo da festa” é aquele que deveria ser admirado e respeitado. Porque os jovens precisam de ver na escola a essência de um mundo justo, que estimula e premeia a excelência, mas que também pune a violência, penaliza a preguiça e o desinteresse. Os jovens precisam de uma escola que faça a apologia do trabalho, da capacidade de sofrimento e não de uma escola de banda desenhada, onde tudo tem de ser lúdico e fácil, onde há sempre um “happy end”. Esta escola está nos antípodas das necessidades dos jovens!

Se adicionarmos a todos estes factores — chamemos-lhes endógenos — umas pitadas de adrenalina oriunda do desemprego crescente, da criminalidade crescente, das crescentes dificuldades económicas das famílias, da violência doméstica crescente, das taxas de divórcio crescentes, do abandono crescente das crianças e jovens… facilmente concluiremos que estamos, não sobre um barril de pólvora, mas dançando sobre um vulcão. Mas isso não tem a mínima importância, pois estamos num país onde a culpa só tem dois destinos: ou morre solteirona, ou casa com pobres e desgraçados.

Luís Costa, in Dardomeu.

PS EM FUNÇÃO DO LÍDER

Estudo
Investigador defende que o PS é um instrumento ao serviço do seu líder

Um estudo conclui que o PS existe sobretudo em função do líder, e que a estrutura partidária está menorizada. Na comparação com o PSD, o investigador sublinha algumas diferenças.

O investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Marco Lisi, acaba de lançar em livro o estudo no qual analisa o papel dos líderes no Partido Socialista (PS). Na obra A Arte de ser Indispensável – Líder e organização no Partido Socialista português, o autor analisa as diferentes lideranças que ocorreram no partido entre 1976 e 2006 - Mário Soares, Vitor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Eduardo Ferro Rodrigues e José Sócrates.
[...]
Toda a notícia no SOL.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O CAIR DA MÁSCARA

Lembram-se de a ministra ter dito que o ano lectivo começava assim... do tipo "melhor do que nunca porque somos os melhores"?

As máscaras vão caindo e, além das obras que deixam alunos sem vaga nas escolas, ainda nem tudo está resolvido.

E há mais... A Fátima Freitas, por exemplo, colocou
aqui um comentário que merece ser lido:

"Ainda hoje pensei em colocar um anúncio na entrada da minha escola: "ABERTA PARA OBRAS, FECHADA PARA AULAS". Pois é mesmo assim. A António Sérgio em VNGaia só inicia as actividades lectivas no dia 28... esperemos! Para ser sincera duvido que as 66 turmas tenham salas, mesmo com os contentores! O ano transacto foi desgastante devido ao barulho. Apesar de algumas salas estarem prontas, o caos ao redor das mesmas é digno de uma GUERRA! Tenho imagens LINDAS!"


Problemas nas colocações
Menos furos e mais professores depois de uma semana de aulas no básico e secundário

Numa escola de Cascais, o primeiro dia de aulas, na passada terça-feira, foi passado quase por inteiro no recreio. Também para Inês, aluna do secundário numa escola de Lisboa, o princípio do ano lectivo passou-se quase em branco. Durante três dias quase não teve aulas por falta de professores. Ontem, contudo, já só lhe faltava um.

Devido às mudanças introduzidas nos concursos de colocação de professores, o ano lectivo arrancou com muitos docentes em falta. Mas uma semana depois da data limite para o início das aulas, os "furos" vão sendo cada vez menos. E nas escolas há muitas caras novas entre o corpo docente.

Numa escola de Barcelos, quando as aulas começaram, no dia 10, faltavam 25 professores. Agora estão apenas por seleccionar dois docentes, mas ainda não é certo que todos irão ali permanecer. Com muitos horários a serem postos a concurso só este mês, há professores já colocados que optam por outras escolas, deixando novos buracos por preencher. "Na nossa escola, nem em 2004 foi tão confuso", desabafa um docente de um agrupamento da Amadora. Nesse ano, com Santana Lopes como primeiro-ministro e Maria do Carmo Seabra na pasta da Educação, em Outubro estavam ainda milhares de professores por colocar. Este ano não se sabe ainda quantos estavam em falta nos primeiros dias de aulas. E quantos horários se encontram por preencher. O PÚBLICO questionou o Ministério da Educação, mas até ao fecho da edição não foi dada qualquer resposta.

Segundo Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, as áreas que continuam com mais problemas são as de Informática e Educação Especial. Para a primeira, as escolas estão agora a contratar os professores que foram impedidos de concorrer no concurso nacional.

In Público.

O CAMINHO DA DITADURA SOCIALISTA

Sem propostas alternativas para governar, descredibilizada e sem rumo, a esquerda recorre a trafulhices para conseguir ganhar as eleições. A desmontagem perfeita da máquina de manipulação orquestrada pela esquerda.

Os maestros e artistas da Operação Encomenda reclamam a demissão do Presidente da República. Se, enquanto titular de um órgão de soberania, o Presidente da República for suspeito, em Portugal ou no estrangeiro, de ter cometido crime de relevo, a questão da sua demissão deve colocar-se, porque a sua manutenção em funções prejudicaria a reputação interna e internacional do Estado e a eficácia das instituições. Mas se o Presidente não é suspeito de qualquer crime - e até se defende que a suspeita de crimes de relevo não é suficiente para a demissão de nenhum titular de cargo político, com vista à preservação da função - por que raio fulminante é que Cavaco Silva se deve demitir?... Ou a vontade do Partido Socialista, e do seu aliado Bloco de Esquerda, é suficiente para suscitar a imediata demissão do Presidente da República?!... Depois de anos à deriva, já chegámos mesmo à ditadura?

Alguém se lembra da Operação das Cassetes também tão bem montada em 2004? Na Operação das Cassetes, publicação de registos áudio violados, em Agosto de 2004, no CM, dirigido por João Marcelino, o director nacional da PJ, Dr. Adelino Salvado foi demitido e o caso usado para tentar demonstrar que as 40 (quarenta) crianças da Casa Pia que se queixaram de ter sido abusadas, e são testemunhas do processo, mentiam todas e participavam todas (com outras centenas de testemunhas) numa gigantesca conspiração contra o Partido Socialista.

Na Operação Encomenda, publicação de correspondência violada, desencadeada em 18-9-2009, a dez dias das eleições legislativas, no DN dirigido por... João Marcelino, o objectivo é a demissão... do Presidente da República e a vitimização do primeiro-ministro para provocar uma viragem no eleitorado que favoreça o Partido Socialista. Cavaco Silva tem a cabeça a prémio: o aliado Louçã, o mano Eu-Sou-Controlado-Costa, a antena António José Teixeira e nos próximos quatro dias, depois da declaração de inocência do ministro Augusto Santos Silva nos telejornais de 21-9-2009, dirigentes socialistas, reclamarem em coro que Cavaco se demita.

A demissão do assessor de imprensa da Presidência da República, Dr. Fernando Lima, em 21-9-2009, é um troféu que não satisfaz a aliança PS-Bloco. A palavra de ordem da orquestra afinada é: a demissão do assessor é uma confissão de culpa de Cavaco; portanto, Cavaco deve demitir-se.


Assim, em jogo não está apenas o condicionamento do Presidente da República para não nomear Ferreira Leite primeira-ministra se esta ganhar as eleições, e o conjunto PS e Bloco tiveram mais votos do que PSD e CDS. Nesta altura, o que está em jogo é a cabeça de Cavaco Silva no prato da deriva ditatorial socialista.

O que está em causa é neste momento é a defesa do Estado de direito, e da vontade democrática, contra esta tentativa de golpe palaciano e a manipulação mediática das próximas eleições para a Assembleia da República.

A consciência do acordo pré-eleitoral Sócrates-Louçã – Experientes, curtidos e agudos, confirmaram no afrouxamento da campanha do Bloco de Esquerda face aos socialistas, nas entrelinhas do discurso nebuloso e ambíguo de Louçã (ambíguo, mais ambíguo não há), na cumplicidade de Louçã no ataque de Sócrates da Operação Encomenda, para a demissão de Cavaco (isto já vai em Conselho de Estado e tudo...), que Sócrates tem um acordo pré-eleitoral secreto com Louçã para uma aliança governativa. Esse acordo tem duas condições: PSD e CDS terem, em conjunto, uma votação inferior ao tandem PS-Bloco; e Cavaco Silva ficar tão debilitado com a pressão socialista que aceite nomear um governo PS-Bloco. Não se cumpre por causa do falhanço da primeira alternativa (PS e Bloco teriam de subir 8% face ao resultado das eleições europeias) e, creio, da resistência da segunda.

Mas o grande capital, se se aninhou com Sócrates como talvez com nenhum outro Governo desde Marcelo Caetano, não concorda com os troskistas no poder, mesmo com PPRs, portfolio de acções e roupas de marca em vez do colarinho de Mao. Mas também sabe que Sócrates está encurralado e não tem fuga: o próximo Governo não lhe pode garantir uma saída, porque o Governo não controla os magistrados de base. Portanto, como conhecem a natureza de Sócrates, sabem que ele fará tudo (tudo!) para se aguentar no poder e resolver a pendência. Se isso exige uma troca de aliados, passando do ultra-capitalismo ao trotskismo, tanto faz - como fez.


Francisco Pinto Balsemão é uma espécie de porta-voz desse grande capital. A entrevista de Balsemão, hoje, 21-9-2009, ao Público (!...), a José Manuel Fernandes (!...), significativamente situada pelos narradores algures na semana passada, confirma essa fractura. Segue-se à decisão de impedir a utilização no Expresso na Operação Encomenda, conforme se percebe da edição de 19-9-2009 - depois deste jornal, o primeiro a quem foi passada a história, se ter movimentado para explorar o caso junto dos jornalistas do Público. Aliás, o furo, preparado com muito cuidado e antecedência, era para o Expresso, jornal de maior prestígio e notoriedade, mas os sinais de oposição de Balsemão obrigaram rapidamente ao emprego da alternativa da casa, o DN - em resposta, o colérico Sócrates cancelou a entrevista prevista no Expresso, alegando dificuldades de agenda... Balsemão não se ficou pela recusa de emprestar o seu jornal para a Operação Encomenda, que visa a destituição do Presidente da República, e nessa mesma edição do Expresso, de 19-9-2009, mandou atacar o Bloco, em manchete de primeira página, denunciando o contraste do discurso troskista com as carteiras de investimento dos seus dirigentes, em PPRs e acções dos seus dirigentes, com máximo alvo em Louçã.


Mas Balsemão, e o grande capital, continuaram, dentro desta campanha, presos à dependência financeira do Governo Sócrates e provavelmente de um ou de outro negócio em impasse (veja-se, por exemplo, o caso Sonaecom-Zon...) que o primeiro-ministro deixou propositadamente a marinar. Os grandes capitalistas pronunciam-se agora face a um maior perigo: a agenda radical do Bloco aplicada ao Governo e o consequente ambiente de confronto nacional.


Sócrates perdeu o favor do grande capital por causa do entendimento pré-eleitoral secreto com Louçã. A onda rosa, montada na orquestra sinfónica das sondagens dependentes, das operações negras, da radicalização do discurso, da amplificação das mensagens e casos e silenciamento dos adversários, termina com a autonomia do império Impresa. Veremos se Balsemão ainda manda ou se mandam as antenas socialistas. Ou se Sócrates tem agilidade para um novo tratado com Balsemão.

Decidirá o povo, neste ambiente de eleições condicionadas pela manipulação da informação. Mas o povo, que sabe mais do que crêem, está a compreender: um voto no Bloco é um voto em Sócrates. A agulha bloquista mudou com a doideira do poder (do mando): «É Sócrates, é Sócrates, é Sócrates de esquerda»...

Bloco de Sócrates - Apesar (e por causa) de todos os desmentidos, a cumplicidade de Francisco Louçã na Operação Encomenda indica que existe um acordo pré-eleitoral secreto entre José Sócrates e Francisco Louçã. Nestas eleições legislativas, um voto no Bloco é um voto em José Sócrates.


A «Operação Encomenda» - A Operação Encomenda não foi montada por amadores, nem foi montada por jornalistas. Os jornalistas do DN que, como o Carlos Enes diz, denunciam as fontes dos outros e não indicam as suas, são apenas verbos de encher de uma operação que os transcende e a cujo autor-mor cedem o aparo que lhes mantém o salário (Balsemão, à última hora, roeu a corda do Expresso, que tinha contactado o Público sobre a história, e não alinhou na Operação Encomenda). Foi uma operação montada por profissionais das informações, com mandado e supervisão de topo.


Importa menos saber a forma: se a violação de correspondência foi feita por intrusão electrónica no servidor ou no provedor nacional de acesso à internet ou por compra (pagamento à peça, além de contrato futuro).


Foi uma operação organizada e executada por quem dispunha de preparação, meios, dinheiro, protecção e salvo-condutos judiciais. Foi uma operação meticulosa, arranjada com muita antecedência, discutida com vários decisores, avaliada ex-ante nos seus efeitos, com estratégia de saída para a eventualidade de fornecer um culpado para o meio de intrusão em conversas particulares.


Foi uma operação realizada para criar um escândalo artificial com o objectivo perceptível de suscitar, pelo coro dos indignados, a impugnação ou condicionamento do Presidente da República, ao mesmo tempo que permite maior vitimização e congregação de forças dispersas. Na prática, se sucedesse na remoção de Cavaco Silva, um efectivo golpe de Estado.


Finalmente, foi uma operação ordenada e dirigida pela única entidade que tem, no Portugal actual, o poder de atacar frontalmente o Presidente da República e o atrevimento de o enxovalhar.


O Presidente da República como alvo do socratismo – O caso da «vigilância irregular» do Governo sobre a Presidência da República teve hoje uma evolução dramática. Dramática porque as verdadeiras sondagens são tão preocupantes para o Governo que tem de agravar o estatuto de vítima para congregar votos dos seus apoiantes abstencionistas pela desgraça da política governativa.


O DN de 18-9-2009, recupera o caso a uma semana das eleições e titula: «Homem forte do presidente encomendou caso das escutas». O DN acusa o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, de encomendar (!!) - sic, foi esse mesmo o verbo escolhido por João Marcelino, director do DN - por via do seu assessor, Dr. Fernando Lima, a notícia do caso da «vigilância irregular».


Quando o caso foi lançado no Público, de 18-8-2009, foi estranha a fonte usada, São José Almeida, uma jornalista ligada à facção férrica do Partido Socialista. Agora confirma-se: a alegada filtragem para o Público teria ocorrido em Abril de 2008, mas a notícia do Público só surge em 18-8-2009, complementada no mesmo jornal em 19-8-2009.

Francisco Louçã (em conluio objectivo com Sócrates, com o fito de uma aliança governativa PS-Bloco)
apontou em 9-9-2009, na SIC, o Dr. Fernando Lima como a fonte do Público. A 13-9-2009, o Provedor dos Leitores do Público, o jornalista Joaquim Vieira contesta o modo de produção da notícia sobre este caso da «vigilância irregular». E no dia 18-9-2009, mais este caso, dois dias depois da notícia da Sábado, com alegadas fontes pagas, sobre alegado pagamento de votos, por Helena Lopes da Costa e António Preto, na distrital de Lisboa do PSD, um dia depois da divulgação da sondagem da Universidade Católica (ainda?!...) onde o PS surge com 6 (seis) por cento de vantagem sobre o PSD, mais este caso.


Este escândalo sediço é montado em cima da violação de correspondência no principal jornal de referência do País, o Público - e com mails adulterados -, por sinal apontado como independente do controlo governativo geral. O seu director, José Manuel Fernandes acusa os serviços de informações (que dependem directamente do primeiro-ministro) de responsabilidade por esta intrusão. Belmiro de Azevedo perdeu a complacência com as manobras e apontou o dedo ao Governo de Sócrates pela manobra, no Diário Económico, de 18-9-2009: «alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro forte" e que «não me importo nada que eles mandem, mas comprem o jornal»...


O SIS procedeu ao desmentido habitual (como aliás na vigilância sobre o juiz de instrução do Freeport), mas ninguém acredita - ainda gostava de perceber como o Conselho Superior de Magistratura consente que um juiz de direito, como o Dr. Antero Luís, e um procurador-geral adjunto, como o Dr. Júlio Pereira, dirijam serviços de espionagem?!... Sócrates, lobo com pele de cordeiro, acusa José Manuel Fernandes de «comportamento muito indigno e consequência de uma imaginação delirante» (sic!) - se José Manuel Fernandes usasse a táctica do primeiro-ministro de colocar processos aos opositores ainda gostaria de ver como um tribunal lidaria com a defesa do bom nome, da honra e consideração pessoal ofendida pelos juízos de valor do primeiro-ministro e que qualquer cidadão tem direito, segundo a lei e jurisprudência nacional... E o austero Presidente da República não comenta, senão para dizer que depois das eleições irá tentar «obter mais informações sobre questões da segurança»...


Não é o Dr. Fernando Lima que é o alvo desta orquestração, mas o próprio Prof. Cavaco Silva, para o constranger à nomeação de um governo PS-Bloco, se o PSD, apesar de ganhar as eleições, não tiver maioria no Parlamento com o CDS. Nem sequer é o PSD o alvo desta campanha; o alvo é o Presidente, como último órgão de soberania independente do Governo. Sócrates não quer vencer apenas o PSD, quer vencer também Cavaco Silva, conquistando o poder absoluto. E, no caso de perder, como sabe que acontece, quer condicionar a liberdade do Presidente na interpretação dos resultados eleitorais para a nomeação de um novo Governo.


Temos motivos sérios para ficar preocupados com a violação ostensiva de correspondência de um jornal e a tentativa de envolvimento do Presidente na República na intoxicação descarada do regular funcionamento das instituições democráticas. O povo não acredita e a manobra de ataque e vitimização falhou. Porém, o gesto é tudo e o atentado ficou para ilustrar o desrespeito pelas instituições.


Mas o mais grave deste caso é o atrevimento da intrusão electrónica nas comunicações e correio de um jornal e o desassombro de acusar o Presidente da República de encomendar a intoxicação usada contra... si próprio. Na verdade, o escândalo não é a pretensa encomenda; o escândalo é a alegada intrusão electrónica num jornal livre com o objectivo de comprometer o Presidente da República. Lembre-se que o Watergate foi um escândalo de colocação de escutas pela administração Nixon na sede de campanha do candidato da oposição. Aqui, neste Estado socratino, em deriva ditatorial, nem o Presidente da República é respeitado?... Que eleições democráticas são estas, que ocorrem debaixo de um controlo extremo dos meios de comunicação e as manobras de intoxicação sobre opositores e órgãos de soberania, como os tribunais e, agora, Presidente da República?...


Acredito que, neste caso, o feitiço se virará contra o feiticeiro.


Fonte: http://doportugalprofundo.blogspot.com

A OBSESSÃO DO GRANDE LÍDER

Tendo em conta que o Ministério Público tinha determinado que o processo fosse arquivado, considerando que o artigo de opinião, “José Sócrates, o Cristo da política portuguesa”, publicado no "Diário de Notícias", não ultrapassava os limites da crítica a Sócrates, enquanto figura pública, não deixa de ser relevante este facto de obsessão litigante e de uma autêntica asfixia da liberdade de expressão.

Com esta acção, Sócrates vem dar razão a todos quantos questionaram os recentes casos de Moniz e Manuela Moura Guedes e o acusam da afixia social e democrática.

Os casos sucedem-se e acresce a esta notícia
uma outra, veiculada pelo 24 Horas: a distribuidora do livro que estava para ser lançado esta semana decidiu não o fazer.

Começa a haver, indubitavelmente, casos a mais...



Jornalista escreveu artigo de opinião a criticar primeiro-ministro
Sócrates requer abertura de processo contra jornalista João Miguel Tavares

O primeiro-ministro, José Sócrates, requereu a abertura de instrução do processo que moveu contra o jornalista João Miguel Tavares, noticia hoje o blogue da TSF "Governo Sombra".

O Ministério Público tinha determinado que o processo fosse arquivado, considerando que o artigo de opinião, “José Sócrates, o Cristo da política portuguesa”, publicado no "Diário de Notícias", não ultrapassava os limites da crítica a Sócrates, enquanto figura pública. O primeiro-ministro, ao pedir a abertura de instrução do processo, mostra vontade de continuar com o litígio.

O artigo de 3 de Março deste ano criticava o líder socialista quando este pediu “a decência da vida democrática”, durante a abertura de um congresso. João Miguel Tavares defendeu que Sócrates deveria manter o “mínimo de decoro e recato em matérias de moral”, depois de ser confrontado com as polémicas da sua licenciatura, do Freeport, entre outros casos.

Para o jornalista, ainda mais grave foram as declarações feitas por José Sócrates que insinuavam a sua ilibação automática por ter sido o governante mais votado pelo povo, mantendo uma lógica semelhante à de Fátima Felgueiras ou Valentim Loureiro. Tavares termina o seu texto de opinião comparando o primeiro-ministro ao líder da Venezuela. “Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez."

Na altura em que o processo foi arquivado o jornalista disse ao PÚBLICO que esperava que a decisão do MP fosse a do arquivamento do processo, já que no passado tinha escrito "coisas mais violentas sobre Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e que nenhum deles o processou".

O primeiro-ministro já processou nove jornalistas. Cinco são da TVI, três do PÚBLICO e um do DN.

In Público.

O MEDO INSTALOU-SE NO PAÍS!


NEM TODOS BAIXAM OS BRAÇOS

O Mup só baixará os braços quando os professores quiserem...
Para que haja uma acomodação substancial, terão de estar resolvidos os principais problemas que constituíram o centro de uma longa e intensa luta dos professores portugueses em defesa da escola pública, da qualidade do ensino e da classe docente.


Movimentos independentes antecipam redução da contestação
Professores baixam as armas nos seus blogues

Quando, ironicamente, louvaram a ministra da Educação, Maria Lurdes Rodrigues, por ter conseguido unir uma classe tradicionalmente desunida, os autores dos blogues sobre Educação e os representantes dos movimentos de professores independentes dos sindicatos não estavam a brincar. É por isso mesmo que levam a sério o vazio que, acreditam, será gerado pela perda desse factor de união a partir de dia 27. E que se preparam, desde já, para o dia seguinte às eleições. Com um aviso: venha quem vier a governar o país poderá contar com uma vigilância "activa" de quem não tenciona "perder o cheiro a balneário".

Paulo Guinote fez encher uma caixa de comentários com agradecimentos e despedidas emocionadas quando, anteontem, anunciou no seu blogue A Educação do meu umbigo que, a partir de Outubro, em vez de uma dúzia, passará a escrever dois ou três textos por dia. Ramiro Marques fez acender vários alertas quando no seu blogue Profavaliação decidiu lançar o debate sobre aquilo que, após as eleições, poderá acontecer aos blogues e aos movimentos de professores.

Ambos se basearam na convicção de que, se nada ficará como antes de 2007 - "era uma pasmaceira", descreve Guinote - "também não será fácil voltar a assistir-se à erupção" que varreu a blogosfera, arrastando 120 mil professores para a rua, em finais de 2008. "O mérito desse movimento impressionante - que, aliás, mantém o meu blogue entre os 20 portugueses mais vistos - é todo de José Sócrates e da sua equipa ministerial", ironiza Guinote.

Ramiro Marques concorda, mas sente que o momento de viragem já se deu, que "o fim de ciclo antecedeu a mudança de Governo". "No dia em que foram conhecidos os resultados das eleições europeias, os professores consideraram ganha a guerra contra uma nova maioria absoluta", acredita.

Guinote admite que sim e diz ser justificada esta "descompressão" dos professores: "Ainda que o próximo governo minoritário seja liderado por José Sócrates, a oposição, de acordo com as promessas feitas, bastará para fazer cair dois dos motivos de muita insatisfação: as quotas previstas neste modelo de avaliação e a divisão da carreira entre titulares e não titulares".

Correm, então, o risco de verem pulverizados os respectivos blogues? De maneira nenhuma, reagem Paulo Guinote e Ramiro Marques, que não escondem, até, o alívio por poderem trocar a contestação pela reflexão e construção de propostas alternativas. Consideram, ainda, que terão sempre um papel de "pressão e de vigilância sobre o poder político. E, deste, também os movimentos independentes de professores não abrem mão.

"Em relação aos sindicatos, temos esta enorme vantagem de sermos verdadeiramente independentes, de termos uma estrutura bastante ágil e de mantermos o "cheiro a balneário" de quem vive o dia-a-dia das escolas. Se houver motivos para tensões, a nossa capacidade de mobilização mantém-se inalterável", avalia Ricardo Silva, da APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino).

Tal como Octávio Gonçalves, coordenador do movimento Promova (Professores Movimento de Valorização), Ricardo Silva está disposto a, para além de manter a vigilância, colaborar na construção de soluções. E ambos recusam liminarmente a possibilidade levantada nalguns blogues de os movimentos se virem a juntar para formarem um sindicato independente. "Não somos profissionais de luta, mas de ensino", justifica o dirigente da APEDE. "Entrámos nesta luta como professores e dela sairemos como professores", reforça Octávio Gonçalves.

Já Ilídio Trindade, do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), deixa no ar que o MUP "pode vir a assumir uma forma que lhe permita ser mais interventivo". "Caso os motivos de insatisfação se mantenham, será necessário garantir mais eficácia e capacidade de negociação", explica. Mas não confirma que o movimento se vá constituir num sindicato, nem dá a certeza de que se virá a verificar alguma alteração. Diz que a estratégia ainda está a ser definida e que será anunciada antes das eleições.

E uma vitória de José Sócrates? Será uma derrota dos professores? Todos dizem que não, mas Ricardo Silva é o mais enfático. "Não precisamos de ir mais longe: há um ano alguém imaginava que hoje não se pudesse conceber outro resultado que não o de uma maioria relativa? Alguém calculava que a Educação tivesse tal peso nos programas eleitorais de todos os partidos? Não e, nesse aspecto, a vitória já é nossa".

In Público.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

VOAREI

Um poema de Luís Costa, in Dardomeu.


A Santana Castilho, Ramiro Marques, Ricardo Silva,
Ilídio Trindade, Octávio Gonçalves e Paulo Guinote


Eu serei sempre condor
Cruzando o azul do céu
Um romeiro voador
Solitário e sonhador
Rei de um reino só meu

Serei sempre como o vento
Andarilho da verdade
Catando o meu alimento
No sedutor chamamento
Dos olhos da Liberdade

Serei ave desprendida
Roçando o céu sem temor
Serei condor sem guarida
Porque a vida só é vida
Sem anilha nem senhor

INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL SOBRE O "MAGALHÃES"

O presente estudo que se apresenta foi-nos enviado pelo autor. Além desta versão press release, pode aceder ao texto integral aqui.

Trata-se de uma investigação de um ano sobre o que autor considera "incrível escândalo pedagógico-mercadológico".

Não tendo conseguido publicar o estudo nos jornais portugueses, o investigador recorreru ao sector cultural da ONU, que, finalmente, recomendou uma publicação na revista internacional de educação da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos).


Investigação internacional sobre o computador "Magalhães" divulgada pela OEI

Deputados da Assembleia Nacional informados
sobre a publicação da Organização dos Estados Ibero-americanos


A OEI – Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, Ciência e Cultura publicou uma investigação acerca de meios electrónicos na educação, tal como o laptop "Magalhães" que está actualmente em distribuição pelas escolas do país. O texto foi agora distribuído entre os deputados coordenadores dos seis grupos parlamentares e os deputados não-inscritos que integram a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência.

O artigo aparecido na Revista Iberoamericana de Educação descreve em profundidade, e sem partidarismos políticos, uma longa série de malefícios para a saúde psíquica e orgânica das crianças, e apresenta dados científicos sobre os resultados catastróficos obtidos com experiências similares já realizadas em outros países. Conforme o Prof. Raul Guerreiro, autor do artigo, declarou: "Pais, professores e o público em geral ignoram os pavorosos resultados para a educação das crianças de pouca idade e para a saudável formação da personalidade dos futuros adultos".

Os relatos científicos de numerosos colapsos educativos anteriores na Europa e na América são apresentados segundo fidedignas fontes universitárias internacionais. Em Nova Iorque, por exemplo, após ter-se descoberto que muitos alunos vinham usando os seus minicomputadores portáteis para enviarem para colegas soluções para testes e exames, bem como para descarregar filmes pornográficos, ou até interferir nas actividades do comércio local, foram apertadas as medidas de proibição internética, tal como está aliás previsto para Portugal. Mas rapidamente as crianças encontraram não só soluções para contornar as barreiras, como ainda publicaram na internet os respectivos códigos, para que outras crianças pudessem fazer o mesmo.

Onde quer que a distribuição em massa das máquinas foi implementada, as mesmas tornaram-se um verdadeiro impedimento na escola. Passados setes anos não havia qualquer impacto positivo sobre o rendimento escolar e as autoridades decidiram retirar as máquinas das mãos dos miúdos. Em outros casos, foram os próprios professores que organisaram um boicote.

O Ministério da Educação dos Estados Unidos apresentou recentemente um estudo, demonstrando que não há diferença no sucesso académico entre estudantes que anteriormente usaram, ou não, programas computerizados para a aprendizagem das disciplinas mais críticas na formação escolar: a matemática e a leitura. Na Universidade de Harvard, uma pesquisa entre quase 1 milhão de ex-alunos revelou que os melhores resultados em testes de matemática e leitura foram alcançados por crianças que não tinham acesso a computadores em casa. A internet não mostrou quaisquer benefícios adicionais, e a disponibilidade em larga escala de computadores em casa resultava contra-produtiva.

Um vasto estudo da Universidade de Munique, subsidiado pela Volkswagen, assinalou que onde quer que os computadores sejam aplicados para substituir outros tipos de instrução, quem sai prejudicado é o aluno. O desastroso efeito final resulta fatal para uma educação equilibrada, pois são precisamente as aptidões sacrificadas que mais tarde se revelam como críticas para a estabilidade da personalidade e para a integração dos jovens adultos no mundo social. Em Londres, a prestigiosa revista internacional de medicina "Lancet" revelou ainda que a promoção de actividades lúdicas (ITL) são capazes de promover o quociente de inteligência e o rendimento escolar, mesmo em crianças que sofram de malnutrição e sub-estimulação.

Muitas pessoas alimentam a crença abstracta de que deixar crianças de pouca idade em frente de um aparelho de televisão, vídeo, DVD, etc. contribuirá para torná-las depois mais hábeis para lidar com computadores quando entrarem para a escola. Mas estudos rigorosos atestaram pelo contrário que as populares séries de vídeos e programas infantis estão a fazer mais mal do que bem. Crianças expostas intensamente a tais programas sofrem até um efeito inverso, e deixam de aprender novos vocábulos.

Pais e mães encaram muitas vezes os computadores como apenas mais um brinquedo inofensivo em casa, e deixam de interessar-se pelos seus efeitos negativos. Mas também no domínio médico já foi atestado que muitos casos de DHDA (Distúrbio de Hiperactividade e Défice de Atenção) são na verdade derivados de danos psicológicos e orgânicos devidos ao consumo de meios electrónicos na primeira fase da infância. Um amplo estudo da Academia Americana de Pediatria revelou que as brincadeiras reais são essenciais para a saúde infantil, oferecendo uma oportunidade ideal para os pais envolverem-se no verdadeiro convívio humano com os seus filhos. Mas tais actuações salutares vêm sendo abandonadas pelas famílias e pelas escolas, por causa de stress, desintegração das famílias e tecnificação das escolas. A simples habilidade para brincar está a desaparecer devido a meios electrónicos, actividades sedentárias e uma pressão para as crianças obterem rapidamente "resultados académicos".

Para milhões de crianças, a infância passou realmente a designar um período de vida confinado a quatro paredes, sendo que até jardins de infância estão a ser transformados em mini-academias, com computadores enfeitados como brinquedos. Um estudo revelou que nas últimas duas décadas as crianças perderam aprox. 12 horas de tempos livres por semana, enquanto que o período para desportos duplicou, e as actividades passivas cresceram de 30 minutos para mais do que 3 horas. Ao lidarem mais tarde com ciências e matemática no nível secundário, os jovens sentem-se empobrecidos em termos de imaginação e criatividade.

Outro estudo sublinha como o lucrativo mercado dos produtos para crianças está a alimentar um amadurecimento prematuro das crianças, promovendo uma "compressão etária", de modo que produtos para crianças maiores ou até para adultos, sejam consumidos por crianças de cada vez menos idade.

O Dr. Valdemar Setzer da Universidade de São Paulo (ver o livro ISBN 85-86303-91-7 ou www.ime.usp.br/~vwsetzer/pals/palestras) salientou durante a última Multiconferência Mundial sobre Sistemia, Cibernética e Informática que a educação está carente de uma reforma radical que traga mais humanização, e não cada vez mais tecnologia. As crianças estão inclusive a perder cada vez mais a habilidade de escrever à mão, e milhões de crianças terão em breve de usar óculos para compensar a perda de visão por causa da leitura intensa de ecrãs a pouca distância. Conforme o Dr. Setzer comentou com palavras desabridas: "Isto só poderá levar ao aparecimento de adultos anti-sociais, com ideias fixas, passivos, fanáticos e pobres em forças de compaixão e criatividade".

Fala-se cada vez mais em "cuidar da segurança para as crianças no mundo digital em que nasceram", mas para as inexperientes almas infantis isto equivale a um alerta anti-terrorista, como se nos subterrâneos cabalísticos dos computadores existisse algo de misteriosamente perigoso. Muito mais perigoso é entretanto o aspecto da segurança pessoal das próprias crianças. Portugal sofre de uma crescente criminalidade, conforme já anunciou o Ministério da Administração Interna, e não é difícil de prever que crianças transportando diariamente um moderno computador poderão tornar-se vítimas fáceis de assaltos, inclusive com o uso de violência.

Conforme foi extensamente verificado na América, para além da crescente violência nas salas de aula e o desrespeito perante professores, a introdução macissa de computadores em escolas atrai ainda um novíssimo fenómeno desmoralizante para toda a educação: as discórdias sociais e um bullying entre os "alunos equipados" versus os "alunos não equipados", que se tornam duas verdadeiras classes ou hierarquias de crianças.


Deputados informados

O artigo agora na posse dos deputados da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência refere como o mundo da educação é um mundo que se alimenta de ideais humanistas, religiosos, filosóficos, pedagógicos e psicológicos, e como toda uma antropologia pedagógica da primeira infância está em perigo de ser atirada para o lixo. Uma capitulação da máquina educacional perante máquinas digitais pode trazer uma catastrófica dependência escravista perante o mundo dos negócios, onde técnicos cibernéticos vêm até assumir o papel de formadores de professores e pais, a fim de implementar uma verdadeira robotização da educação.

Sublinhando a responsabilidade fundamental dos pais em todo o processo educativo, o texto cita dois documentos internacionais co-assinados por Portugal. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS estabelece no artigo 26/3: «Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos» e a CONVENÇÃO EUROPEIA DE PROTECÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DAS LIBERDADES FUNDAMENTAIS estabelece no artigo 2: «O Estado, no exercício das funções que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará o direito dos pais a assegurar aquela educação e ensino consoante as suas convicções religiosas e filosóficas».



PROF. RAUL GUERREIRO

info@defesadacrianca.net
www.defesadacrianca.net

Refª: Revista Iberoamericana de Educação
ISSN: 1681-5653 Nº 49/3 – 25 de Abril de 2009

O ESCÂNDALO DA ROBOTIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

O presente estudo que se apresenta foi-nos enviado pelo autor. Além desta versão integral, pode ler aqui a versão press release [Caso tenha dificuldade em aceder ao texto do scribd, pode solicitar uma cópia por e-mail].

Trata-se de uma investigação de um ano sobre o que autor considera "incrível escândalo pedagógico-mercadológico".

Não tendo conseguido publicar o estudo nos jornais portugueses, o investigador recorreru ao sector cultural da ONU, que, finalmente, recomendou uma publicação na revista internacional de educação da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos).


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A MINISTRA TINHA DITO QUE TUDO CORRIA SOBRE RODAS

A ministra da Educação tinha considerado que o novo ano lectivo começava "sem história". A verdade começa a vir a público.


Educação: DRELVT diz que sistema está a conseguir dar resposta
Obras deixam alunos sem vaga nas escolas

Vários alunos continuam em casa, sem aulas, uma semana depois do início do ano lectivo, situação justificada pela ausência de vagas devido às obras de requalificação nos estabelecimentos de ensino.

Manuel Fernandes e Maria Helena tudo fizeram para que o regresso às aulas da filha de dez anos fosse o mais normal possível. Ana Margarida frequentou o Externato Nobel, em Lisboa, até ao ano passado. Ao passar para o 5º ano, os pais decidiram inscrevê-la em cinco escolas na área de residência, na zona da Alameda. Porém, não obteve vaga em nenhuma das opções.

'Em Agosto fui duas vezes à Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) onde me informaram de que havia um problema muito grande devido ao facto de muitas escolas estarem em obras, não fazendo mais turmas por falta de salas de aula', revela Manuel Fernandes.

Numa das várias tentativas para solucionar a situação, foi-lhes sugerido pela DRELVT uma escola perto da Assembleia da República, o que, na opinião de ambos os encarregados de educação, é 'incompatível'.

'Dizem que a escolaridade é obrigatória, fazemos tantos sacrifícios, mas, quando chega à altura, fazem isto. Andamos nesta situação desde 19 de Julho. Os meus dias de folga foram passados com ela, de escola em escola', lamenta Maria Helena Fernandes. Inconformada, pede explicações: 'A minha filha vai ficar um ano em casa? Alguém lhe vai dar aulas de recuperação?', questiona.

Contactado pelo CM, o director regional de Educação de Lisboa, José Leitão, garantiu que as zonas de Lisboa e Sintra são as mais críticas. Porém, defendeu que 'o sistema está a conseguir dar resposta'.

'Os alunos têm direito à educação e esse direito vai ser assegurado. Todos os dias temos muitos casos. Mas é um fluxo que vai tendo resolução. Este caso, que vem do ensino particular, vem sobrecarregar um pouco o sistema, para além do que estava previsto, mas terá resposta', garantiu o responsável.

JOVEM CONTINUA SEM IR ÀS AULAS

Quando Carla Bandeira pediu a transferência do filho Tiago, de 13 anos, do Colégio D. Nuno Álvares Pereira , na Ajuda, para outro estabelecimento de ensino em Lisboa, não imaginava que o jovem estudante iria ficar sem aulas.

Com o início do ano lectivo e sem nenhuma resposta, Carla Bandeira dirigiu-se à Escola Secundária Rainha D. Amélia, a última opção, onde tomou conhecimento de que não havia vaga. 'Até ao dia 11 de Setembro não recebi comunicação nenhuma, por isso, decidi ir à escola. Disseram-me que estavam a aguardar indicações da DRELVT e que, se esta autorizasse, o Tiago podia ser inserido numa das turmas já existentes'. Porém, não obteve resposta até agora. 'Quando as crianças não vão à escola há sempre alguém que nos vem bater à porta. Agora ninguém diz nada', referiu.

FALTA DE PROFESSORES FECHA ESCOLAS

Os pais dos alunos da Escola Primária da Boavista, na freguesia de Gatão, em Amarante, que estavam revoltados com o facto de haver apenas uma professora para dar aulas a 22 alunos de quatro turmas diferentes, estão novamente em pé de guerra porque a escola foi fechada. Os alunos foram encaminhados para a outra Escola Primária da freguesia, que, garantem os pais, tem menos condições e fracos acessos.

'Desconfiamos de que o objectivo já definido era mesmo encerrar a escola. Depois de uma reunião com o agrupamento, pediram-nos para escolher entre ter apenas uma professora para os quatro anos ou então para mudar de escola. Encostaram-nos à parede', explicou ao CM um encarregado de educação. Os pais garantem que vão continuar a luta, para evitar o encerramento.

APONTAMENTOS

ESCOLAS SEM AULAS

De acordo com o Ministério da Educação só as Escolas Secundárias Gil Vicente e António Arroio, em Lisboa, e António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, vão estar sem aulas até ao final do mês de Setembro.

CONTENTORES

Com as obras de requalificação do Secundário, 45 mil alunos vão estudar nos 1800 contentores montados para substituir temporariamente as salas de aulas.

FASE-PILOTO

A fase-piloto do Programa de Modernização do Parque Escolar ficou concluído em Setembro de 2008 e incluiu quatro estabelecimentos de ensino: dois no Porto e dois em Lisboa.

FASE ACTUAL

A primeira fase das obras teve lugar em 26 escolas do País, sendo que a sua conclusão está prevista para o final do ano. Actualmente foi iniciada a segunda etapa do programa em 75 escolas.


In Correio da Manhã.

FALTA APENAS A TRANSFERÊNCIA DO GOVERNO

Escolas
Ministério da Educação já formalizou transferência de competências com 103 autarquias
Noventa e duas autarquias assinaram há um ano com o Ministério da Educação os protocolos de descentralização de competências, motivando a transferência de cerca de 11.500 funcionários não docentes e 255 escolas para as suas tutelas.

Ao longo do último ano mais onze autarquias assinaram este protocolo, elevando assim para 103 o número de municípios que decidiram assumir mais competências na área da Educação.

Segundo a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em Abril outras 50 autarquias estavam a negociar com a tutela a transferência destas competências.

A transferência de competências inclui áreas como a manutenção do parque escolar, remuneração de funcionários, gestão e organização das escolas.

Na altura, o primeiro-ministro afirmou que a “cooperação estratégica” entre Governo e municípios permitiu concretizar uma das maiores operações de descentralização desde o 25 de Abril de 1974 com a transferência de competências na Educação.

De acordo com dados do executivo, entre os 92 municípios que inicialmente aceitaram a transferência de competência, estão 69 câmaras do PS, 18 do PSD, duas da CDU (Nisa e Sines) e três independentes.

Na altura, o líder do PCP desvalorizou a assinatura, por duas câmaras da CDU, destes protocolos, acusando o Governo de “alijar responsabilidades” ao transferir competências para as câmaras “sem transferência de verbas”.

“O Governo não deve deixar cair essas responsabilidade” numa “área que é sua”, afirmou Jerónimo de Sousa, acrescentando ser “significativo que dois terços das autarquias não tenham assinado o protocolo” com o Governo.

In Público.

SÓCRATES FOI O PIOR PRIMEIRO-MINISTRO

Para quem, num auto-elogio, se considerou o melhor...

Sócrates é o pior primeiro-ministro desde 1985

José Sócrates é apontado pelos portugueses como o pior primeiro-ministro desde que Portugal entrou na União Europeia. A sondagem exclusiva da Exame/Gemeo-IPAM indica também que Cavaco Silva é o chefe do Governo mais acarinhado dos cinco políticos que governaram Portugal a partir de 1985.

Joana Madeira Pereira (www.exame.expresso.pt)
9:44 Segunda-feira, 21 de Set de 2009

O actual primeiro-ministro, José Sócrates, vai a votos no próximo domingo. Ainda que as sondagens mais recentes lhe dêem uma ligeira vantagem sobre Manuela Ferreira Leite, de uma coisa não se livra: do rótulo de pior primeiro-ministro desde 1985, ano em que Portugal aderiu à CEE.

Sócrates é apontado por 27% dos inquiridos (num total de 800 entrevistados) como o pior chefe do Governo da era europeia, batendo por quatro pontos percentuais o seu antecessor, Pedro Santana Lopes. Esta é uma das principais conclusões do estudo exclusivo que a Exame encomendou ao Gabinete de Estudos de Mercado e de Opinião, do IPAM (Instituto Português de Administração e Marketing).

Clique para aceder ao índice do Dossiê Portugal 2009

Pelo contrário, o actual presidente da República é considerado o melhor primeiro-ministro. Cavaco Silva, que assumiu o governo do país ainda em 1985, obtém a preferência de 30% dos inquiridos. Santana Lopes é o último colocado deste ranking, com apenas 1%.

Estes valores seguem a tendência que já havia sido detectada numa sondagem anterior, publicada pela Exame em Abril do ano passado (que visava avaliar a performance dos primeiros-ministros da era democrática), mas acentuam a clivagem entre os dois protagonistas políticos. Enquanto Sócrates, em 2008, recebeu as críticas de 22% dos inquiridos (menos 5% do que na actual sondagem), já Cavaco Silva foi o preferido para 23% dos entrevistados (ou seja, menos 7% dos que os valores actuais).

Desde 1985, passaram pelo cargo de primeiro-ministro cinco nomes: José Sócrates, Pedro Santana Lopes, Durão Barroso, António Guterres e Aníbal Cavaco Silva.

Sai mais penalizado quem está no Governo
A Exame ouviu a opinião de dois politólogos, António Costa Pinto e Manuel Meirinho, que não se mostram surpreendidos com os resultados. "A imagem positiva de Cavaco Silva é um dado adquirido na sociedade portuguesa e pode ser muito induzida pela actual condição de Presidente da República", afirma Costa Pinto. Já a avaliação negativa de Sócrates deve-se ao facto de "o estarmos a julgar no momento em que governa. Sai sempre mais penalizado quem está no Governo", avança Manuel Meirinho.

Leia as restantes conclusões da sondagem na edição de Outubro da Exame, nas bancas a partir da próxima quinta-feira, dia 24. Conheça também os atributos que os portugueses consideram importantes num bom primeiro-ministro e descubra ainda se os inquiridos emprestariam mais facilmente dinheiro a José Sócrates ou a Manuela Ferreira Leite.

In Expresso [sublinhado nosso]

CROMOS CRIADOS PELA POLÍTICA DESTE PS

São apenas alguns que consegui recolher para a minha colecção!







DEMISSÕES NA CONFAP

Educação: Cinco dirigentes da Confap demitem-se por "discordâncias internas sobre políticas"

21 de Setembro de 2009, 14:11

Lisboa, 21 Set (Lusa) - Cinco dirigentes da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) pediram a demissão devido a "discordâncias internas sobre políticas de educação nacional", disse hoje à Lusa o vice-presidente demissionário António Amaral.

Dos cinco dirigentes associativos, três pertencem ao Conselho Executivo (Gina Oliveira, Fernando Coelho e António Amaral), e os restantes faziam parte do Conselho de Jurisdição e Disciplina (António Farto e Agostinho Almeida).

O motivo da demissão prende-se com "as posições de apoio do presidente da Confap ao governo", e ao facto de estas "não terem eco nas associações de pais do distrito de Setúbal", que os demissionários representam, explicou António Amaral.

In Notícias.sapo.pt

AVIVAR A MEMÓRIA

Vou lançar um conjunto de posts onde pretendo relembrar o que foram estes 4 anos e meio de (des)governo Sócrates, no que á Educação diz respeito, por acção do triunvirato maquiavélico composto por MLR. VL e JP. É que, de facto, NÃO CONVÉM ESQUECER, E É PRECISO IR VOTAR NO DOMINGO!!!

Faço isto porque tenho sentido em colegas da minha escola, tal como em outros colegas com quem vou falando, um certo relaxamento/esquecimento em relação ao que se passou ao longo de todo este tempo e de tudo o que penamos com esta equipa ministerial/governamental.
O colega Ricardo, dos Profslusos, aqui há uns tempos, já se tinha apercebido do mesmo.
Não sei se fruto das colocações, que na grande maioria dos casos até foi favorável (sobre isto falarei num post lá mais para o fim da semana), se fruto da avaliação, que até foi Simplex, estar neste momento em águas de bacalhau (só lá para Outubro/Novembro é que vai rebentar a bomba, quando à custa das cotas as avaliações se diferenciarem e o pessoal se chatear uns com os outros), o que é certo é que noto um certo marasmo no professorado.
Exemplo disso, foram os (só) 3000 presentes na manif de sábado. Por amor de Deus, num raio de 100 km de Lisboa há-de haver pelo menos 10x mais professores que os que estiveram presentes no sábado.

É preciso recordar tudo o que nos tem caído em cima ao longo de todo este tempo!!!

E logo o 1º acto desta Ministra qual foi??? Estão recordados???
Lembram-se do verão quente de 2005 e da requisição civil ao serviço de exames? Pois bem, eu recordo-me. Recordo-me de ás 8h da manhã estarmos mais de 100 professores na escola requisitados para o serviço de exames, mesmo não tendo vigilância de exames às 9h desses dias.
Recordo-me disso e de muito mais que divulgarei ao longo desta semana, para que não nos esqueçamos e para que todos votemos contra este PS no próximo domingo.

PS (salvo seja): por mail relembrem-me de situações que tenham sucedido durante estes 4 anos e meio, pois certamente haverá coisas que me esquecerei de referir.

TEMPO DE BALANÇO


por João César das Neves




Está na altura de fazer o balanço da legislatura, com influência nas escolhas para a próxima. Ao fim de tudo o que vivemos estes anos, que podemos dizer?

À partida as condições de estabilidade política foram excepcionais. Não só vivemos a terceira maioria absoluta e o mais longo período sem eleições nacionais da democracia mas, melhor, a recessão de 2004 preparara os cidadãos para medidas duras. O povo, que compreendeu a urgência, apoiou os ministros nas políticas exigentes que anunciaram. Estiveram os efeitos à altura?

No assunto que o próprio Governo declarou prioritário o resultado foi infeliz. O défice orçamental, medida emblemática, acabará o ano acima do valor elevado que o Governo confrontou à chegada e tanto criticou. À primeira vista a culpa disto é internacional, mas a coisas são mais complexas do que parecem.

A trajectória verificada parece confirmar a desculpa governamental. Recebendo em 2004 um défice público de 5,5% do PIB, as Finanças conseguiram reduzi-lo para 2,2% no ano passado. Este ano, com o colapso global, as previsões apontam para 6,5%. Mas se virmos o desequilíbrio, não apenas do Orçamento, mas de toda a economia, a evolução é muito diferente.

O défice global da balança externa era de 6,1% do PIB em 2004. Subiu para 8,3% em 2005 e, mantendo-se sempre acima dos 8%, foi de 10,8% o ano passado, prevendo--se 8,3% este ano. Ou seja, a alegada contenção pública não afectou o País. Enquanto o Estado fazia ziguezague no seu endividamento, a dívida total nacional ao exterior subia sempre, de 65% do PIB em 2005 para 100% este ano. Isto mostra que a suposta austeridade pública foi feita à nossa custa, com aumento de impostos, não redução de despesa. Não admira a inversão e a falta de resultados nacionais.

Esta escolha criteriosa de objectivos, centrando atenções mediáticas num pormenor com o resto a correr mal, é um símbolo económico deste Governo, como também se viu no emprego. Aí a grande promessa eleitoral de 2005 era a criação de 150 mil novos postos de trabalho. Não cumpriu, justificando--se também com a crise externa, mas no fim do ano passado o primeiro-ministro cantava vitória com 133 mil novos empregos de 2005 ao 3.º trimestre de 2008. Mas reduziu isso o desemprego? No mesmo período o número de desempregados caiu apenas de 2700 pessoas. Como é isto possível? Com imigração! Ou seja, as empresas portuguesas (não os ministros) criaram empregos (entretanto perdidos) mas não para os portugueses, que não os quiseram. Foram estrangeiros que vieram ocupar tais trabalhos. Entretanto, a escolha dos objectivos quase fazia parecer que o Governo cumpria a promessa sem resolver o problema.

Nos outros sectores o quadro é paralelo. Houve uma inversão total da política de Saúde da primeira para a segunda metade do mandato, uma guerra aberta na Educação (aliás comum nas décadas anteriores), descontentamento surdo nas forças de segurança e (mais) uma oportunidade perdida no funcionalismo público, enquanto a Justiça vivia uma vergonha. O balanço não é brilhante. Mas para uma avaliação completa faltam três elementos, dois excelentes, um horrível.

Este Governo deixa dois resultados muito relevantes: a modernização electrónica da administração e a reforma da Segurança Social. São medidas estruturais há muito anunciadas, sempre adiadas e finalmente (parcialmente) cumpridas. A importância destas medidas para o longo prazo da sociedade é muito significativa.

Há ainda algo de natureza mais profunda, onde o Governo deixa aquilo que o definirá nas gerações futuras. Este é o Executivo que assistiu à primeira queda da natalidade abaixo da mortalidade e à primeira explosão de abortos em Portugal. Isto não foi por acaso, pois multiplicaram-se as leis contra a vida e a família. O primeiro-ministro chama-lhe "modernidade".

Em política existem questões ideológicas, divergências técnicas, debates estratégicos e orientações de fundo. Mas existem também os grandes desígnios nacionais e a identidade como povo. Aí falamos, não de inconvenientes, mas de infâmia.

In Diário de Notícias.

DIFERENÇAS


Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada. Não temos em Portugal nada que se lhe compare. Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça. O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos.
Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público. Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.
Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça. Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.
Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente. Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira. Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas. É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.

SÓCRATES NÃO VAI TER DESCANSO

Os movimentos independentes dos professores prometem lutar até ao fim contra a reeleição de José Sócrates. E apesar de não estarem previstas acções de rua até às eleições a 27 de Setembro, está a ser ponderado o envio de uma carta aberta aos portugueses, adiantou ao DN Octávio Gonçalves, da Promova. Nesse documento, será explicado "o tipo de escola que este Governo quis construir e quer implementar", explica o dirigente. Os portugueses devem saber que "esta escola contenta a curto prazo, mas a longo prazo vai defraudar os jovens porque dá uma ilusão de competências adquiridas que não são reais", acrescenta. A única dúvida é se há dinheiro para financiar a iniciativa, já que "isto é tudo pago pelos professores". Pelo menos na blogosfera, Sócrates não vai ter descanso, garante Ilídio Trindade do MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores).

A CULPA É DO SÓCRATES

Clicar na imagem para ampliar.

In "Revista Única", 19-09-2009

domingo, 20 de setembro de 2009

MAIORIA ABSOLUTA

O que é que o PS fez com a maioria absoluta que lhe foi dada?

• Ofereceu-nos um primeiro-ministro “não-socialista”, trapaceiro, narcisista, oportunista, autoritário e arrogante, destituído de cultura, de perspectiva histórica e de ideologia;

• Um primeiro-ministro que alega desconhecer a lei, que ele próprio fez aprovar, para fumar, às escondidas, num avião;

• Um primeiro-ministro que, no plano pessoal, mostra um carácter pouco recomendável, ao usurpar o título profissional de engenheiro, quando na realidade não o é ( independentemente das trapalhadas da sua licenciatura na Universidade Independente) pelo simples facto de a Ordem dos Engenheiros não reconhecer aquele curso daquela universidade;

• Ofereceu-nos um governo de inaptos, com ministros sem opinião própria, acobardados face à arrogância do chefe;

• Aumentou-nos a carga fiscal (excepto à Banca, relativamente à qual a diminuiu), contrariamente ao anunciado no seu programa eleitoral, de forma brutal e sem qualquer laivo de consciência social;

• Reduziu o défice, à custa desse aumento da carga fiscal, sem qualquer melhoria palpável na eficiência do Estado e com significativa redução das regalias sociais;

• Promoveu, em todas as entidades estatais, o espírito da caça à multa, em detrimento da pedagogia e da prevenção, numa atitude de gananciosa obtenção de receitas;

• Hostilizou vários sectores da nossa sociedade, sem que daí adviesse qualquer benefício para o funcionamento das instituições e respectivas actividades;

• Empenhou-se na destruição do Estado Social e na precarização total do emprego, impondo uma nova Lei do Trabalho, que acaba com a necessidade de haver “justa causa” para despedir, instalando a insegurança total no emprego;

• Criou sérios problemas na prestação de cuidados de saúde;

• Desautorizou os professores e empenhou-se em falsear as estatísticas do aproveitamento escolar, promovendo o facilitismo, dando origem à criação de uma geração de analfabetos com “computador e doutoramento”;

• Mostrou-se um falhanço total, no plano da economia do país, tendo aumentado as falências, as deslocalizações de empresas nacionais e estrangeiras, o desemprego e, genericamente, as dificuldades de todos os sectores da nossa actividade produtiva;

• Falhou em todas as promessas eleitoralistas, com particular destaque para a de “não aumento de impostos” e a da criação de um “aumento líquido de cento e cinquenta mil postos de trabalho”;

• Não conseguiu captar investimento estrangeiro de forma sustentável, dado que não foi capaz de tornar o País atractivo e competitivo;

• Mendigou, em nome da “real politic” junto de líderes estrangeiros pouco recomendáveis, devido às atrocidades que cometem reiteradamente, elogiando nomeadamente o governo de Angola, de forma escandalosa, ao dizer que aquele tem desenvolvido um “trabalho notável” (talvez por lidar com muitas notas!...) mostrando, claramente, já não haver lugar para princípios;

• Fez com que, em 2008, atingíssemos o recorde absoluto de endividamento em relação ao estrangeiro – 100% do PIB – coisa nunca antes ocorrida;

• O grau de pobreza aumentou, de forma generalizada, em todo o País – quase metade dos portugueses está vulnerável à pobreza;

• Aumentou a emigração de pessoal com qualificações superiores, empobrecendo, assim, o lote de aptos e disponíveis para integrarem os quadros dirigentes do País;

• Foi complacente com escandalosas retribuições e benesses de gestores públicos e privados;

• Foi incapaz de fazer cumprir a lei e de manter a ordem pública, aquando da insurreição dos camionistas, mostrando que apenas era forte relativamente aos fracos, sendo medroso em relação aos fortes, caindo, assim, por terra, a imagem propagandeada de firmeza;

• Nada fez para contrariar o aumento da criminalidade, não sendo capaz de dar resposta ao crescente sentimento de preocupante insegurança, que se instalou no país;

• Tem, pois, sido fraquíssimo quando e onde deveria ser forte (ex.: na luta contra a corrupção e contra as corporações e os interesses lautamente instalados) e tem sido fortíssimo onde deveria ser fraco (ex.: na intromissão na vida privada e social dos cidadãos);

• Falhou na União Europeia, patrocinando o chamado “Tratado de Lisboa”, cuja ratificação pelos estados membros veio a fracassar, por falta de democraticidade do processo e reprovação das manobras de bastidores, o que o transformou no “Destratado de Lisboa”;

• Negou aos portugueses o direito de se pronunciarem sobre este tratado, não promovendo o referendo, com o qual se tinha comprometido no seu programa eleitoral;

• Recebeu em Portugal Robert Mugabe, apadrinhando, assim, um criminoso tirano;

• Não foi capaz de prevenir a crise dos combustíveis, mediante a definição atempada de uma estratégia energética para o país, continuando à deriva nesta como noutras matérias, demitindo-se das suas responsabilidades e remetendo-se à cobarde posição de atribuição de todas as culpas às instâncias internacionais e ao funcionamento do mercado-livre e à especulação, no que é contrariado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que veio dizer, claramente, que a crise em Portugal se deve a razões internas;

• Apadrinhou o comportamento da Galp, a qual se aproveitou da subida ( em dólares e não em euros ) do preço do petróleo para aumentar discricionariamente o preço dos combustíveis, não os baixando na mesma proporção sempre que o preço do petróleo entrava em queda;

• Criou um sistema de controlo da informação e de propaganda, essencialmente preocupado com a ocultação das enormes debilidades e com a gestão da imagem, digno de fazer inveja ao anterior regime;

• Criou as “Novas Oportunidades” – uma enorme encenação de “formação”, que apenas se limita a atribuir “canudos” a nulidades, que nada aprenderam de útil para a sua integração na nossa economia real, iludindo, apenas, as estatísticas do nosso atraso cultural e tecnológico;

• No caso BPP, não assumiu as responsabilidades do Estado, inerentes à falta de supervisão. Discriminou clientes no próprio BPP e em relação aos clientes do BPN, não pautando as suas decisões por critérios de justiça, mas sim pela avaliação da existência ou não de risco sistémico, não contribuindo, em nada, para a credibilização da banca;

• Reagiu mal e tardiamente à crise, tentando disfarçá-la com um optimismo estúpido. Os sacrifícios, que a grande maioria dos portugueses vêm suportando e aos quais os gestores, os políticos e os respectivos afilhados se eximiram, foram em vão, tendo servido apenas para uma redução do défice, não sustentada!!! Este um magro resultado para um governo com tanta propaganda de eficiência!!! A avaliação de um governo faz-se olhando para os resultados alcançados no quotidiano dos cidadãos e, no caso do governo de maioria do Iiiingiiiiiiiinheiro Sócrates, eles foram:

 Maus na Educação
 Maus na Saúde
 Maus na Economia
 Maus na Justiça
 Maus na Segurança Interna
 Maus no Ambiente
 Maus na Agricultura
 Maus na decência e no exemplo para com os cidadãos
 Maus na credibilidade e liberdade da informação
 “Bons” na demagogia, na mentira, no compadrio e na roubalheira!

É por isso que chegou a hora de dizer BASTA!
Votem em qualquer outro partido!
No PS (que deixou de ser socialista…) NÃO!
Com maioria absoluta, o PS mostrou ser uma fraude!

É tempo de castigar a mentira, a incompetência, a arrogância, a ditadura de uma maioria, o favoritismo, o despudor, a subserviência rastejante de um partido face ao seu chefe, a irresponsabilidade, a incoerência, o autismo e a vaidade pessoal…

Estes são os principais atributos do PS, enquanto partido político, e dos seus membros que pactuaram com as diatribes do seu líder e do governo que patrocinaram!

Não são estas as qualidades que o País precisa para os seus dirigentes e, de uma forma geral, para os seus cidadãos.

Quem não se revê nestas “qualidades” vai, certamente, RECUSAR O VOTO NO PS!

“O país jaz morto e arrefece nas mãos socialistas”
Não queiras colaborar no enterro do país!
Vamos ressuscitá-lo, banindo do poder os falsos socialistas!
NÃO TE ABESTENHAS!
VOTA NOUTRO PARTIDO!
MAIORIAS ABSOLUTAS NUNCA MAIS!


Texto recebido e a circular por e-mail

COMEÇA A SER PRECISO LIMPAR PORTUGAL

Processo Casa Pia ensombra juiz: Rui Teixeira tem carreira estagnada e corre o risco de não poder progredir

ESTARÁ O PARAÍSO A CHEGAR?

Ver do segundo 20 até ao minuto 1:20.

O QUE FALTA A SÓCRATES

Editorial&opinião

Daniel Oliveira

a primeira vez que um primeiro-ministro em exercício corre o risco de não ser reeleito. Podem os socialistas encontrar todas as desculpas: as resistências das corporações, a crise económica, a má vontade da comunicação social. Nada disso seria novo. A verdade é que, sendo um hábil tribuno, falta a José Sócrates o que faz a diferença num líder: a predestinação política, a ponderação táctica e a sensibilidade humana. Sócrates nunca teve um rumo porque nunca teve convicções políticas. Sem elas, mesmo que difusas, a obstinação transforma-se em teimosia. Parafraseando Lenine: não tem firmeza na estratégia nem flexibilidade na táctica. Fora uma vaga ideia de ‘modernidade’, nunca soube realmente o que queria. As suas guerras (com os professores ou os jornalísticas) foram sempre reactivas. Sem objectivos claros, não tinha como as ganhar.

Como em Sócrates o desnorte ideológico se alia a um temperamento irascível, quase todos os seus gestos políticos resultam de impulsos. Faltam-lhe os elementos estruturais que dão coerência à actividade de um governante: bases ideológicas, cultura política e firmeza ética. E falta-lhe também estrutura emocional: o que nele é espontâneo prejudica-o, o que nele é artificial denuncia-o.

Por fim, falta a Sócrates o dom de avaliar os seus ‘soldados’. Para lidar com o barril de pólvora que é a educação escolheu uma ministra conflituosa. Para a pasta da saúde, a que mais envolve todas as ansiedades humanas, um homem arrogante. Para travar o combate eleitoral das europeias, que determinaria como o PS resistiria à pressão da esquerda, um dissidente com zero de empatia. Para ser um político não basta estar satisfeito consigo próprio. É preciso conhecer bem as fragilidades e qualidades dos outros.

Dirão que estão aqui apenas avaliações pessoais. Mas são elas, muito mais do que todas as teorias da cabala, que explicam porque não conseguiu José Sócrates levar até ao fim nenhuma das suas autoproclamadas reformas; porque ficou, mesmo com uma maioria absoluta, encalhado; porque é detestado à esquerda e à direita. Sócrates pode ter sido, por força do seu poder, senhor absoluto do Partido Socialista. Mas nunca foi um líder. E sem líderes não há vitórias. E sem vitórias não há políticas.


Expresso, 19 de Setembro de 2009.

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